miniaturadaimagem | direita | alt=Gandhi Sorrindo | Mahatma Gandhi (1869-1948) Considerado amplamente um das pessoas mais bondosas da história Bondade é a qualidade correspondente a ser bom (bondoso), ou seja, a qualidade de manifestar satisfatoriamente alguma perfeição, ter ou fazer bem, que se pode aplicar a pessoas, coisas e situações. No comportamento humano, é um atributo marcado por características éticas, uma disposição agradável, uma preocupação e consideração pelos outros; a disposição permanente de uma pessoa em fazer o bem, neste sentido, tem também por sinônimo a benevolência, expressada também como gentileza e amabilidade. É considerada uma virtude e é reconhecido como um valor em muitas culturas e religiões (ver ética na religião). Ela já foi considerada também entre as sete virtudes clássicas na Idade Média ocidental.
Formulações Platão considera que para se efetivar a bondade, deve-se olhar ao modelo (paradeigma) da Ideia do Bem e dela participar, conforme a teoria das ideias. A filósofa Iris Murdoch, em sua ética das virtudes, considerou válida a proposta platônica de contemplação e visão em direção ao ideal máximo, analisando-a com conceitos da psicanálise em sua obra A Soberania do Bem, em que ela condicionaria o indivíduo e motivaria a sua prática.
No livro II de Retórica, Aristóteles define bondade como "ajuda a alguém necessitado, não em troca de nada, nem da vantagem do próprio ajudante, mas em prol da pessoa ajudada". Em sua Ética a Nicômaco ele elabora:"Ora, se a função do homem é uma atividade da alma que segue ou implica um princípio racional, e se dizemos que "fulano de tal" e "um bom fulano de tal" possuem uma função que é a mesma em espécie, por exemplo uma lira e um bom tocador de lira, e, portanto, sem qualificação em todos os casos, a eminência em relação à bondade é acrescentada ao nome da função, pois a função de um tocador de lira é tocar a lira e aquela de um bom tocador de lira é fazê-lo bem: se esse é o caso, e afirmamos que a função do homem é um certo tipo de vida, e isso ser uma atividade ou ações da alma que implicam um princípio racional, e a função de um bom homem ser o bom e nobre desempenho destas, e se qualquer ação é bem executada quando é realizada de acordo com a excelência adequada: se for esse o caso, o bem humano passa a ser a atividade da alma de acordo com a virtude, e, se houver mais de uma virtude, de acordo com a melhor e mais completa. Mas a isso devemos acrescentar "em uma vida completa". Pois uma só andorinha não faz verão, nem um dia; e assim também um dia, ou pouco tempo, não faz um homem abençoado e de bom estado de espírito (eudaimon)."Aristóteles. Ética a Nicômaco 1139a16 (1098a, bekker). In Polansky, Ronald (23 de junho de 2014). The Cambridge Companion to Aristotle's Nicomachean Ethics (em inglês). [S.l.]: Cambridge University Press miniaturadaimagem|A bondade é uma virtude em muitas culturas e religiões. Representação da parábola do Buda e do elefante Nalagiri. Devadatta, com inveja de Buda e querendo prejudicá-lo, envia um elefante raivoso chamado Nalagiri para uma rua onde Buda e seus discípulos estão andando. Quando Nalagiri irado deles se aproxima, o Buda fazendo o sinal de Abhaya-mudrā, símbolo de paz e bondade, acalma Nalagiri. A parábola sugere que a bondade toca a todos. Os budistas chamam essa virtude de perfeição de bondade como Mettā,Harvey, Peter (2007). An Introduction to Buddhism: Teachings, History and Practices. Cambridge: Cambridge University Press. enquanto outras literaturas indianas se referem a maitrī (sânscrito: मैत्री).Warder, A. K. (1970; 2004). Indian Buddhism. Motilal Banarsidass: Delhi. Gonda, J. (Ed.). (1977), A History of Indian Literature: Epics and Sanskrit religious literature, Medieval religious literature in Sanskrit (Vol. 2), Otto Harrassowitz Verlag; p. 62; nota 43 No budismo, o modo de viver pelo Nobre Caminho Óctuplo é pautado por oito condicionamentos e condutas de retidão e bondade, incluindo "conduta correta", "fala correta" e "intenção correta". O termo maitrī (em sânscrito) ou mettā (páli), traduzido como "bondade amorosa", significa desejar a felicidade, a si mesmo e aos outros, e é uma motivação dos bodisatvas. Ela é uma das chamadas quatro "moradas divinas", junto de karuṇā (compaixão), alegria simpática (mudita) e equanimidade (upekkha).Gethin, Rupert (1998). The Foundations of Buddhism. Oxford: Oxford University Press. p. 186-187.
Outras proposições notáveis incluem:
A tábua acadiana chamada Conselhos da Sabedoria (c. 700 a.C.) registra: "Não devolva o mal ao homem que contesta com você, retribua com gentileza o seu malfeitor, mantenha justiça para com seu inimigo (...) Não deixe seu coração ser induzido a fazer o mal (...) Dê comida para comer, cerveja para beber, honre e vista àquele que implora por esmola; nisto o deus de um homem tem prazer, é agradável a Shamash, que o retribuirá com favor. Seja útil, faça o bem.”Nolland, John. The Gospel of Matthew: a commentary on the Greek text. Wm. B. Eerdmans Publishing, 2005 pg. 267
O Tirukkural, uma antiga obra indiana sobre ética e moralidade, dedica um capítulo separado sobre bondade (capítulo 8, versículos 71 a 80), promovendo o valor em outros capítulos, como hospitalidade (versículos 81 a 90), pronunciar palavras agradáveis (versículos 91–100), compaixão (versículos 241–250), vegetarianismo moral (versículos 251–260), não-violência (versículos 311–320), não matar (versículos 321–330) e benignidade (versículos 571–580), entre outros.Tirukkuṛaḷ versos 71-80 Nietzsche considerava a bondade e o amor as "ervas e agentes mais curativos da relação humana".Nietzsche, Friedrich Wilhelm. (1878). "Sobre a História dos Sentimentos Morais". Humano, demasiado humano. Aforismo 48. [Original: Menschliches, Allzumenschiles] Trad. Marion Faber e Stephen Lehman. (1996). University of Nebraska Press: First Printing, Bison Books. Mark Twain, do ponto de vista da compaixão, considerou "a bondade [como] uma linguagem que os surdos podem ouvir e os cegos podem ver". Foi sugerido que "a maior parte da obra de Shakespeare poderia ser considerada um estudo da bondade humana".Lenker, Lagrette Tallent. (2001). Fathers and Daughters in Shakespeare and Shaw. p. 107 Robert Louis Stevenson considerou que 'a essência do amor é a bondade; e, de fato, pode ser melhor definida como bondade apaixonada: a bondade, por assim dizer, enlouquece e se torna importunada e violenta'.Stevenson, Robert Louis. (1909). Virginibus Puerisque. Londres. p. 35 Em Mateus 19:17 Jesus disse ao ser interrogado: 'Por que me perguntas sobre o que é bom?... Só há Um que é bom. Se queres entrar na vida, guarda os mandamentos." O apóstolo cristão Paulo lista a bondade como um dos nove traços considerados o "fruto do Espírito"Gálatas 5:22. New International Version em Gálatas 5:22. Em 1 Coríntios 13:4, ele afirma: "O amor é paciente, o amor é bondoso".1 Coríntios 13:4. New International Version
Psicologia Com base em experimentos na Universidade de Yale, usando jogos com bebês, alguns estudos concluíram que a bondade é inerente aos seres humanos.Can Babies Tell Right From Wrong?, Babies at Yale University's Infant Cognition Center respond to "naughty" and "nice" puppets. New York Times. 5 de maio de 2010. Existem estudos semelhantes sobre a raiz da empatia na infânciaResearchers Trace Empathy's Roots to Infancy, Daniel Goleman, 1989 – o espelhamento motor se desenvolvendo nos primeiros meses de vida,Goleman, Daniel. (1996). Emotional Intelligence. Londres. p. 98-9 levando (de maneira ideal) à preocupação fácil demonstrada pelas crianças por seus pares em perigo.Philips, A; Taylor, B. (2009). On Kindness. Londres. p. 112
Barbara Taylor e Adam Phillips salientaram o elemento de realismo necessário na bondade adulta, bem como a forma como "a verdadeira bondade muda as pessoas ao se fazê-la, muitas vezes, de forma imprevisível".Philips, A; Taylor, B. (2009). On Kindness. Londres. p. 96 e p. 12
Na sociedade Na escolha humana de parceiros, os estudos sugerem que homens e mulheres valorizam a bondade e a inteligência em seus futuros companheiros, juntamente com aparência física, atratividade, status social e idade.
Cara legal Um "cara legal" é um termo informal e geralmente estereotipado para um homem adulto (geralmente jovem) que se mostra gentil, compassivo, sensível e/ou vulnerável. O termo é usado tanto positiva quanto negativamente. Quando usado de forma positiva, e particularmente quando usado como preferência ou descrição por outra pessoa, pretende-se implicar um homem que coloca as necessidades dos outros antes de si mesmo, evita confrontos, faz favores, dá apoio emocional, tenta ficar longe de problemas e geralmente age bem com os outros.Glover, Dr. Robert, http://nomoremrniceguy.com No contexto de um relacionamento, também pode se referir a traços de honestidade, lealdade, romantismo, cortesia e respeito. Quando usado negativamente, um cara legal implica um homem que não é assertivo, não expressa seus verdadeiros sentimentos e, no contexto do namoro (no qual o termo é frequentemente usado), usa atos de amizade ostensiva com o objetivo não declarado de progredir para um relacionamento romântico ou sexual.
Ver também
Altruísmo Compaixão Empatia Generosidade Bem (filosofia) Boa fé Reciprocidade Caráter moral
Ligações externas
O Homem Bom.pdf (padrefaus.org)
Categoria:Virtudes Categoria:Ética Categoria:Bondade