Under My Skin é o segundo álbum de estúdio da artista musical canadense Avril Lavigne, lançado em 12 de maio de 2004 pela gravadora Arista Records. Predominantemente derivado de rock alternativo e de pós-grunge assim como Let Go (2002), além de apresentar notáveis influências de nu metal e de pop punk, Under My Skin trata de assuntos como independência, consequências da fama repentina, relacionamentos conflituosos e sentimento de luto. Considerado pela artista como "mais obscuro, sombrio, profundo e maduro" que seu antecessor, Under My Skin foi desenvolvido particularmente por Lavigne em parceira com a musicista compatriota Chantal Kreviazuk e seu esposo, Raine Maida. Lavigne compôs algumas canções em um armazém usado pela banda de Maida para ensaios, gravando o material no estúdio pessoal do casal. O projeto, inicialmente intitulado Inside of My Head, ainda contou com a colaboração dos produtores musicais Don Gilmore e Butch Walker, com Walker participando também na composição, assim como Evan Taubenfeld e Matt Brann — então membros da banda de apoio de Lavigne — e Ben Moody.
Under My Skin foi recebido com opiniões polarizadas pela crítica especializada: muitos resenhistas consideram o material bem diferente do primeiro trabalho da cantora, notando sua temática mais adulta, e elogiaram as habilidades vocais da intérprete. A capacidade de composição de Lavigne, entretanto, recebeu desprezo de parte dos especialistas. Em sua primeira semana de vendas, Under My Skin atingiu o topo da Billboard 200, dos Estados Unidos, um feito inédito na carreira de Lavigne. Também culminou no Japão, onde a cantora novamente ultrapassou a venda de um milhão de cópias. Adicionalmente, atingiu ápice em outros países, como Alemanha, Austrália, Áustria, Canadá, Espanha, Irlanda e Reino Unido. Nos dados divulgados pela Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) sobre as vendas físicas e digitais em 2004, o álbum apareceu como o quinto mais vendido em todo o mundo, e suas vendas são estimadas em mais de dez milhões de unidades pelo globo. Under My Skin teve indicações na edição de 2005 dos Prêmios Juno, na qual venceu a categoria Álbum Pop do Ano.
Para a divulgação do álbum, foram lançados cinco singles. Os três primeiros, "Don't Tell Me", "My Happy Ending" e "Nobody's Home", obtiveram um desempenho mais notável, com destaque para o segundo, que alcançou as dez primeiras posições em regiões como Austrália, Estados Unidos e Reino Unido. Os dois últimos foram respectivamente "He Wasn't" e "Fall to Pieces", ambos com pouco destaque comercial. "Take Me Away" e "I Always Get What I Want" serviram apenas como singles promocionais. Antes do lançamento de Under My Skin, Lavigne realizou uma série de apresentações acústicas em centros comerciais no Canadá e nos Estados Unidos. Além disso, ela excursionou com a Bonez Tour (2004–05) pela América do Norte, Europa, Austrália, África do Sul e América do Sul. Um concerto da turnê no Japão tornou-se o seu segundo álbum ao vivo, Bonez Tour 2005: Live at Budokan, lançado somente nesse país.
Antecedentes e desenvolvimento thumb|direita|200px|Enquanto ainda estava em excursão para promover seu álbum de estreia, Lavigne conheceu Chantal Kreviazuk, principal colaboradora do álbum.
O álbum de estreia de Lavigne, Let Go, foi lançado em 2002 e obteve grande sucesso comercial em todo o mundo, com vendas estimadas em mais de 14 milhões de cópias até o fim de 2003. Do projeto surgiram os êxitos "Complicated", "Sk8er Boi" e "I'm with You", canções as quais foram alvo de controvérsia quanto aos créditos de composição entre Lavigne e o trio The Matrix, que as produziu e coescreveu. Nesse meio tempo, a intérprete promoveu o álbum com a Try to Shut Me Up Tour, sua primeira turnê mundial, e criou um vínculo de amizade com Chantal Kreviazuk, cantora canadense cujo marido, Raine Maida, abriu com sua banda Our Lady Peace os concertos de Lavigne na fase europeia da turnê. Ambas se conheceram em uma festa com fundos beneficentes para portadores de SARS ocorrida em Toronto, Canadá, em junho de 2003. Um dia após o evento, as duas e Maida encontraram-se para almoçar, e foi quando Lavigne compartilhou ideias sobre seu segundo álbum de inéditas, para o qual ela desejava um som mais rock em comparação a Let Go.
Sem quaisquer planos de trabalhar com produtores ou compositores profissionais, a cantora colaborou com Kreviazuk e Maida na maior parte do projeto. Eles compuseram por cerca de três semanas em um armazém em Toronto, usado pelo Our Lady Peace como local de ensaios. Kreviazuk convidou a musicista para continuar a trabalhar em sua casa, em Malibu, Califórnia, onde se encontrava o estúdio de gravação do casal. Lavigne declarou: "[Chantal e eu] nos tornamos boas amigas, e ninguém sabia que estávamos escrevendo juntas. Todas as noites, durante duas semanas, compúnhamos uma nova canção. E então eu pensava: 'Tudo bem, estou pronta para gravá-las'". Ainda disse que desconhecia Maida como produtor musical, mas elogiou sua forma de trabalhar. Lavigne descreveu o material como sendo "mais obscuro, sombrio, profundo e maduro", e também disse que algumas de suas canções contêm o som de piano por influência de Kreviazuk, que, apesar de ser dez anos mais velha, impressionou-se com a "contraparte mais velha" de Lavigne.
Ainda que tenha desenvolvido a maioria do material com o auxílio do casal, a artista contatou outros músicos para finalizá-lo. Ben Moody, ex-guitarrista do Evanescence, havia deixado sua antiga banda há poucas semanas no meio da turnê para compor com Lavigne. O guitarrista Evan Taubenfeld e o baterista Matt Brann, que na época eram membros da banda de apoio da cantora, também participaram na composição do disco. No quesito produção, além Maida e Kreviazuk, Butch Walker e Don Gilmore estiveram presentes. Lavigne contou que assumiu diretamente o controle criativo no disco: "Escolhi todos com quem trabalhei e entrevistei produtores diferentes, sentei com eles e discuti qual era a minha visão sobre [cada] música antes deles trabalharem nela. Não me daria por vencida — continuei escrevendo e escrevendo até conseguir as músicas com que estava satisfeita. Sou muito exigente comigo mesma".
Lançamento e divulgação Em fevereiro de 2004, a revista NME revelou que o disco seria lançado ainda em maio daquele ano. Ao final de abril, a cantora anunciou, em entrevista para a MTV, a sua data de lançamento e declarou que inicialmente cogitou nomeá-lo de Inside of My Head. No entanto, por fim, preferiu intitular o álbum com um nome mais próximo do conteúdo presente no material. "Under My Skin, é o que está lá, o que eu penso, o que talvez me incomoda, e o que está dentro de mim", comentou.
O registro saiu primeiramente nas lojas japonesas em 12 de maio de 2004, devido a uma estratégia comercial. Foi comercializado no país numa edição com duas faixas bônus: "I Always Get What I Want" e uma versão acústica de "Nobody's Home". Ainda em 21 do mesmo mês, foi lançado na Irlanda, contendo também a primeira bônus em seu alinhamento. Três dias depois, o disco entrou em distribuição tanto na Alemanha quanto no Reino Unido. Foi mundialmente lançado em 25 de maio de 2004, com o alinhamento padrão de doze faixas, através da gravadora Arista Records e sua empresa mãe, a BMG. A Sony BMG também o lançou em uma versão DualDisc em 8 de fevereiro de 2005, a qual inclui videoclipes, uma galeria de fotos e 22 minutos de bastidores especiais que foram ao ar na MTV.
Em 2005, o disco foi relançado numa edição especial, incluindo as doze faixas que originalmente o compõem e mais quatro faixas ao vivo, gravadas durante a sua turnê de divulgação. O DVD contém os videoclipes dos quatro primeiros singles, além de dois documentários, com duração de 20 minutos cada, mostrando os bastidores da turnê com filmagens nas cidades de Dallas, Nova Iorque e Toronto, e o segundo chamado de My Skin Diary, gravado em Londres e Belfast. As imagens mostram a cantora falando sobre as músicas do disco, com cenas de showcases, tardes de autógrafos, encontros com fãs, entrevistas com a cantora e sessões de fotos para a capa do álbum. Traz ainda filmagens de Lavigne durante seu tempo livre em hotéis e num dia de turismo em Londres.
Singles "Don't Tell Me" foi lançada em 2 de março de 2004 como o primeiro single de Under My Skin. Desempenhou-se moderadamente nos Estados Unidos, onde alcançou a posição de número 22 na Billboard Hot 100. Na Europa, conquistou números mais favoráveis: alcançou as primeiras dez posições na Alemanha, Escócia, Espanha, Itália, Países Baixos, Reino Unido e Suíça. Também foi bem sucedida na Austrália, onde chegou ao décimo posto. Seu videoclipe, dirigido por Liz Friedlander, mostra Lavigne interpretando uma jovem abandonada no quarto de seu apartamento pelo namorado e que, em sequência, persegue-o até que decide deixá-lo ir embora.
Antes do lançamento mundial de Under My Skin, três singles promocionais foram lançados. O primeiro, "Take Me Away", foi apresentado pela primeira vez no CD single de "Don't Tell Me", comercializado em algumas regiões do mundo. Em 24 de maio de 2004, a faixa foi relançada em formato digital juntamente com "I Always Get What I Want" e "He Wasn't".
Escolhida como segundo foco de promoção do álbum, "My Happy Ending" foi lançada em 26 de maio de 2004. Converteu-se no single mais exitoso de Under My Skin, vendendo três vezes mais que "Don't Tell Me". Nos Estados Unidos, onde conquistou a nona posição (por quatro semanas) como a melhor na Billboard Hot 100, "My Happy Ending" é o sexto single mais vendido de Lavigne na era digital, com 1,2 milhões de cópias comercializadas até setembro de 2015. Ademais, chegou aos dez primeiros postos em outros lugares, como Austrália, Áustria, Espanha, Irlanda, Itália, Noruega e Reino Unido. Seu videoclipe foi dirigido por Meiert Avis e inicia-se com a intérprete correndo pela rua e entrando em um cinema, onde ela assiste um filme de suas memórias de um relacionamento com um rapaz. Enquanto as cenas iniciais exibem as memórias em cores, as finais são em tons esmaecidos, o que representa os altos e baixos do relacionamento.
Selecionada como o terceiro single de Under My Skin, "Nobody's Home" foi lançada em 28 de outubro de 2004. Não obteve, comercialmente, a mesma notabilidade das anteriores, ficando entre as primeiras trinta posições em nações como Alemanha, Austrália, França e Reino Unido. Nos Estados Unidos, também teve um desempenho mediano: alcançou o número 41 na Billboard Hot 100. O videoclipe acompanhante foi dirigido por Diane Martel e exibe Lavigne interpretando a si mesma liderando uma banda dos velhos tempos. Ela também faz o papel de uma garota sem teto que vaga pelas ruas em busca de abrigo.
As duas últimas faixas de divulgação foram, respectivamente, "He Wasn't" e "Fall to Pieces". A primeira foi lançada em 28 de março de 2005 no Reino Unido, onde conquistou o 23.º lugar como a melhor posição, mas não foi lançada nos Estados Unidos, para onde a última foi enviada às rádios em 18 de abril de 2005. "Fall to Pieces" entrou na Bubbling Under Hot 100 Singles, extensão da Billboard Hot 100. Dirigido por The Malloys, um vídeo musical foi filmado para "He Wasn't" e consiste em uma apresentação de Lavigne e os músicos de sua banda de apoio em uma sala branca, e termina com todos revoltados e sujos de tinta rosa.
Apresentações ao vivo thumb|right|179px|Lavigne apresentando-se em Vancouver, Canadá.