Esta é a cronologia do Escândalo dos Sanguessugas.

2006 Maio dia 4 - A Polícia Federal iniciou a Operação Sanguessuga e prendeu 46 dos 53 acusados de fraude em licitações de novas ambulâncias, com desvios que chegariam somam a 50 milhões de reais. Entre os 46 presos, 9 eram assessores de deputados, 20 funcionários do Ministério da Saúde e 2 eram ex-deputados: Ronivon Santiago e Carlos Rodrigues.

Dia 5 - A Polícia Federal, diz que a Operação Sanguessuga, envolve 60 parlamentares.

Dia 8, mais três deputados são envolvidos : Eduardo Gomes (PSDB-TO), Nilo Capixaba e João Caldas. Apesar da acusação, Nilo Capixaba presidiu o plenário quase vazio, sem nenhum constrangimento. A lista aumentou para 67 deputados e 1 senador.

O líder da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B) disse no plenário, quase vazio, que vai iniciar a investigação, e punir os acusados. Rebelo disse também que se deveria separar “o joio do trigo”. No entanto, foi divulgado pela Justiça Federal que a lista dos acusados subiu para 170, sendo o caso mais grave do deputado Reginaldo Silva Germano (PP-BA), acusado de receber mais de R$ 2 milhões.

A servidora Maria Penha Lima, em acordo com a Justiça Federal, como delação premiada, entrega uma lista de 80 deputados suspeitos de estarem envolvidos. Ela disse que o dinheiro pago pela quadrilha era 10% e o dinheiro chegava no plenário da Câmara “de malas, cuecas e meias”.

Foi ddivulgado que a empresa Planan vendia ambulâncias com o preço acima do mercado e o Luiz Vedoin, seu presidente, da Planan, conversava com a irmã Alexandra (ambos presos), afirmando que o dinheiro seria entregue ao deputado Reginaldo Silva Germano.

O presidente da Câmara, Aldo Rebelo, anuncia a criação de uma comissão que reuniria os 10 parlamentares e 3 senadores. No fim da tarde, ele divulga a lista de 16 deputados que estariam envolvidos na máfia das ambulâncias.

Os parlamentares começam a falar em criar mais uma CPI pra investigar os parlamentares envolvidos na venda fraudulenta das ambulâncias feita pelos parlamentares ao Ministério da Saúde. Desde 2004, emenda ou aprovação dos parlamentares sobre a saúde tem que se obrigatoriamente ser 30% das emendas apresentadas.

Membros dos partidos PSOL e PPS iniciam o protocolamento de assinaturas para a criação de uma nova CPI que investigue o envolvimento dos parlamentares sobre o caso das ambulâncias. O nome provisório é a “CPI da Sanguessuga”.

A Polícia Federal anuncia que vai iniciar a acareação entre o ex-deputado Carlos Rodrigues, e outro empresário, ambos envolvidos no caso da máfia do escândalo das ambulâncias.

O deputado João de Castro, chora no plenário quase vazio, na possibilidade de que o nome seria incluindo no caso das ambulâncias, o que acabou não se concretizando.

O Congresso Nacional anuncia que vai impedir a Polícia Federal investigar os parlamentares envolvidos no caso do escândalo da máfia das ambulâncias. Dos 170 suspeitos, o congresso queria investigar apenas 16. Os governistas e oposicionistas se dividem: querem que o próprio congresso investigue os suspeitos para que tenha uma história limpa, mas membros do PT não querem a investigação. O deputado Chico Alencar (PSOL-RJ), critica a decisão: “Por que não investiga 170 e só 16 podem?”.

A Polícia Federal inicia o depoimento dos 8 assessores de deputados, acusados no caso do escândalo da máfia das ambulâncias; a polícia depõe o ex-gerente de hotel de Brasília, Marcelo Antônio de Souza, que reitera as acusações feitas ontem na entrevista feita ao Jornal Nacional, da Rede Globo, dizendo que o empresário Dácila Amorim os assessores recebiam “um pacote suspeito” que pode ser dinheiro e que envolvia a visita quase diária de “5 ou 6 deputados” de Brasília. A polícia também anuncia que começou o depoimento de todos os presos.

Em Campo Grande, Mato Grosso, mulheres que já são mães saem em passeata contra a corrupção e a impunidade que assola o Brasil.

O delegado Tadelli Boaventura diz à imprensa que uma perícia feita pela Polícia Federal nos computadores da empresa Planan, confirma a suspeita existente desde a semana anterior, de que os parlamentares estariam envolvidos no caso. O delegado enviou cópia da lista que se chama “Caixa Planan” ao presidente da Câmara, o deputado Aldo Rebelo.

Maria da Penha Lino, entrega à Polícia Federal uma lista de 283 deputados envolvidos no caso do escândalo da máfia das ambulâncias, mais da metade do Congresso Nacional. Dos 283 deputados envolvidos, metade é a chamada “bancada evangélica”.

Em 21 de maio, em 22 cidades brasileiras, milhares de manifestantes saíram às ruas para protestar contra a corrupção e o governo Lula. O evento chamado de "Dia da Dignidade Nacional" foi organizado pela internet pelo Movimento Reforma Brasil. Na cidade de São Paulo, segundo a Polícia Militar, aproximadamente 20 mil pessoas participaram do protesto. Entre os manifestantes estavam alguns artistas como Cristiane Torloni.

Em 24 de maio a presidente do STJ, Ellen Gracie, revoga de manhã o alvará da Justiça que liberava os 44 presos na Operação Sanguessuga no dia 4 de maio. Eles estavam soltos em menos de 24 horas e a Polícia Federal voltou realizar novamente a operação para prender os acusados. Até o início da noite, só 19 foram recapturados ou se apresentaram à Polícia Federal, que segundo a polícia diz que restantes são considerados foragidos da justiça.

Em coletiva de imprensa no início da tarde, os presidentes da Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP) e do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), anunciam que o Congresso Nacional não vai investigar os deputados envolvidos caso sanguessugas das ambulâncias, entregando a investigação para Comissão da Corregedoria da República, mas ambos prometem que não haverá impunidade no caso das ambulâncias.

Em 30 de maio, os partidos de oposição PPS, PV e PSOL ingressam com uma ação no STF (Supremo Tribunal Federal) para tentar garantir a instalação da "CPI das Sanguessugas". No entanto, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), diz que não irá instalar a CPI. Segundo ele, o esquema já estava sendo investigado pelo Ministério Público e a Polícia Federal.

Junho O deputado João Fontes (PDT-SE), denuncia no plenário da Câmara que ainda não recebeu ainda a escolta de segurança, depois de denunciar dois deputados envolvidos no caso das ambulâncias: Pastor Heleno (PL) e Cleonésio da Silva. O presidente da Câmara, Aldo Rebelo, diz que já se encontrou com o deputado para que fossem tomadas todas as providências para a segurança.

O ministro da CGU, Jorge Hage, revela que há indícios de que o esquema se repetia também com empresas da Região Sul do país. A CGU (Controladoria Geral da União), órgão ligado à Presidência da República, descobriu que outras empresas, além da Planam, também vendiam ambulâncias a preços superfaturados para prefeituras.

A Polícia Federal anuncia que descobriu outra quadrilha do esquema de “Sanguessugas II”, o mesmo esquema feito por políticos.

Atendendo a um pedido formulado no dia 2 de junho, pelo procurador-geral da República, Antônio Fernando de Souza, o ministro Gilmar Mendes, do STF, autoriza a abertura de inquérito contra 15 congressistas sanguessugas. Serão investigados pela Polícia Federal, sob a supervisão do Ministério Público. Eles são suspeitos de injetar emendas no Orçamento da União em troca de propinas.

Mais cinco denúncias contra a máfia dos sanguessugas foram acatadas pelo juiz da 2ª Vara Federal de Cuiabá (MT), Jeferson Schneider. Com isso, chega a dez o número de denunciados que vão enfrentar ações penais por lavagem de dinheiro, corrupção, crime contra lei de licitações e formação de quadrilha. Entre os que tiveram denúncias está Nívea Martins de Oliveira Ribeiro, 44, que até ser presa no início do mês era assessora da deputada Elaine Costa (PTB-RJ). O juiz analisa se aceita mais 71 denúncias propostas pelo Ministério Público Federal. Por meio de sua advogada, a ex-assessora nega participação no esquema. Segundo ela, quem cuidava de emendas era outro assessor, Marco Antônio Lopes, que está foragido. Além da ex-assessora, o juiz acatou as denúncias contra Rodrigo Medeiros de Freitas, 22, e Rogério Henrique Medeiros de Freitas, 21, sobrinhos do empresário Ronildo Medeiros, preso sob acusação de superfaturamento.

Mais cinco denúncias contra a máfia dos sanguessugas foram acatadas ontem pelo juiz da 2ª Vara Federal de Cuiabá (MT), Jeferson Schneider. Com isso, chega a dez o número de denunciados que vão enfrentar ações penais por lavagem de dinheiro, corrupção, crime contra lei de licitações e formação de quadrilha.

Em 14 de junho, o presidente da Câmara, Renan Calheiros, anuncia a instalação da CPI das Sanguessugas. Os partidos PV, PSOL, PDT e PPS formularam a partir do dia 18 de maio para assinaturas desta CPI.

O líder do PSDB, Artur Virgílio, indica para a CPI dos Sanguessugas, o senador Sérgio Guerra (PSDB-PE).

A Polícia Federal começa a interrogar na manhã , os dois envolvidos no caso das sanguessugas: a ex-assessora do Ministério da Saúde, Maria de Penha Lino, e o ex-presidente da Planan, Dacy Bedoin.

Em 22 de junho, começa na manhã, os trabalhos da CPI das Sanguessugas para investigar um grande número de 283 parlamentares envolvidos no superfaturamento das compras das ambulâncias. O trabalho da CPI foi apenas eleger os deputados Antonio Carlos Biscaia (PT) e Amir Lando. Mal começaram os trabalhos, dos 30 deputados que vão estar na CPI, três foram acuados por Maria de Penha Lino: Mario Negromonte] (PP-BA), presidente do PP, Benedito de Lira (PP-AP). Horas depois, Negromonte e Lira decidem sair da CPI.

O presidente da CPI das Sanguessugas, Antônio Carlos Biscaia (PT), denuncia mais 30 deputados, sem citar nomes, envolvidos no caso da máfia das ambulâncias. Com isso chega mais 40 deputados envolvidos. O caso está em segredo de justiça e outros 16 deputados (com nomes divulgados desde mês passado) estão sendo investigados.

Os 7 acusados presos na Operação Sanguessugas recebem habeas-corpus no Tribunal Federal. Eles são no total de 54 presos na operação.

Iniciam a primeira reunião de trabalho da CPI, todas as aprovações foram consensualmente, como a quebra de sigilo dos donos e lobistas da empresa Planan. Os primeiros depoentes serão o procurador e o delegado federal, responsáveis pelas investigações em Mato Grosso. Com menos de 2 meses para concluir as investigações, a CPI já descartou depoimentos de deputados a serem investigados. O deputado Robson Tuma, que analisou os documentos que chegaram à Câmara Federal, vai depor como convidado. O deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), entregou a cópia da denúncia do Ministério Público contra 15 deputados ao relator da CPI, Antonio Carlos Biscaia, afirmou para imprensa que a Câmara dos Deputados está “sabotando” a CPI.

Julho CPI das Sanguessugas: o relatório da CPI pede que se quebre o sigilo fiscal e econômico para os envolvidos na máfia das ambulâncias. Em sessão secreta da CPI, a pedido do Procurador da República, Mário Lúcio, e o delegado da cidade de São Paulo que investiga o caso das ambulâncias, Tadelli Boaventura, embora não acrescentam mais a informação, afirmaram que os ministérios da Educação e Ciência e Tecnologia faziam parte da quadrilha das sanguessugas. O Ministério Público já afirmou que tem cópia, mas está proibido de divulgar os nomes dos deputados envolvidos. A CPI também perde que os dois deputados que participam na Mesa de Diretora da Câmara, Nilton Capixaba (PMDB) e João Caldas (PL), a saírem dos trabalhos. A Procuradoria Regional da República da 1ª Região pede à Polícia Federal a inclusão das prefeituras dos municípios alvos da Operação Sanguessuga, que a PF desbaratou a quadrilha. O órgão pediu a abertura de inquéritos para investigar prefeituras de 29 municípios de Mato Grosso, Bahia, Minas Gerais, Amapá e Rondônia, com o objetivo de averiguar fraudes com o uso de verbas federais.