André Granja Carneiro (Atibaia, 9 de maio de 1922 — Curitiba, 4 de novembro de 2014)Morre aos 92 anos o escritor radicado em Curitiba André Carneiro G1. foi um poeta, escritor, cineasta e artista plástico brasileiro.
Biografia Fez seus estudos iniciais em Atibaia e na cidade de São Paulo, onde foi interno no Colégio Marista. Voltando à cidade natal organiza reuniões artísticas e culturais e cria, com César Mêmolo, a primeira Biblioteca Pública de Atibaia, repassada posteriormente à Prefeitura Municipal. Funda também o Clube de Cinema e promove, em consórcio com Ruth Diem e Dulce Carneiro, sua irmã, exposições e encontros culturais, levando à Atibaia artistas como Aldemir Martins, Anita Malfatti, Oswald de Andrade e Di Cavalcanti. Ainda com César Mêmolo Jr. e em companhia de Dulce Carneiro, cria o jornal literário Tentativa (1949),DUARTE, Osvaldo. Prefácio. A geração de 45 através do Jornal Tentativa. Arquivo Público do Estado de São Paulo, 2006, p. 11-3. que contribui para sua projeção como escritor. Nesse período, atua em O Atibaiense, escreve o primeiro livro – Ângulo e face (1949) – e trava contato com Sérgio Milliet, Cassiano Ricardo, Murilo Mendes, Graciliano Ramos, Carlos Drummond de Andrade e Stephen Spender.
Nos anos seguintes, faz literatura, fotografia e cinema, tendo sido premiado nas três áreas, no Brasil, França, Holanda, Itália e Inglaterra. Na literatura, ramo ao qual mais se dedicou, tem obras publicadas na Espanha, Argentina, França, Suíça, Alemanha, Bélgica, Inglaterra, Itália, Bulgária, Suécia, Rússia, Japão, Portugal e Estados Unidos, tendo recebido, entre outras, as seguintes honrarias: Prêmio Machado de Assis, Prêmio Alphonsus de Guimaraens, Pen Club internacional e Prêmio Nestlé. Membro de sociedades artísticas e científicas integra a Parapsychological Association, a Science Fiction and Fantasy Writers of America, e a Academie Ansaldi, de Paris. A partir de 1970, ministra cursos e palestras em universidades e centros culturais no Brasil, Argentina, Cuba, México, Estados Unidos e França.
Dono de uma obra densa e variada publicou, entre outros, Piscina Livre e Amorquia (romance), Ângulo e face, Espaçopleno, e Pássaros florescem (poesia), Diário da nave perdida e O homem que adivinhava (contos) e Introdução ao estudo da Science-fiction, Manual de hipnose e O mundo misterioso do hipnotismo, no gênero ensaio. Sua obra tem sido objeto de estudos importantes, entre os quais, destacam-se as teses O estilo de André Carneiro, de Osvaldo Duarte (Unesp) e Unique motifs in Brazilian Science Fiction, de David Lincon Dumbar, da Universidade do Arizona.
Ainda como escritor, é membro da Science Fiction & Fantasy Writers of America (EUA) e do Clube de Leitores de Ficção Científica (Brasil). Foram escritas diversas teses acadêmicas de mestrado e doutorado sobre sua obra poética e sua prosa. André Carneiro escreveu também ensaios sobre Literatura e Hipnose Clínica. Teve seu conto "A Escuridão" (1963), publicado nos EUA em antologia ao lado de ganhadores do Nobel de Literatura e participou da antologia brasileira Páginas de Sombra: Contos Fantásticos Brasileiros, editada por Bráulio Tavares para a Editora Casa da Palavra (Rio de Janeiro) em 2006, que incluiu histórias de Machado de Assis, Drummond, Aluízio Azevedo, etc. A Imprensa Oficial do Estado de São Paulo publicou, também em 2006, uma coleção facsimilada do seu jornal literário Tentativa, com título desenhado por Aldemir Martins e apresentação de Oswald de Andrade.
Como contista e romancista foi publicado na Alemanha, Argentina, Bélgica, Brasil, Bulgária, Espanha, França, Inglaterra, Itália, Japão, Estados Unidos e Suécia. Foi destaque da ficção científica internacional, ao ser publicado pela editora norte-americana Putnam na antologia The Definitive Year's Best Selection, de 1973, que editou os melhores contos de ficção científica do mundo, onde André Carneiro é apresentado como um dos grandes autores do gênero. Seus contos também foram publicados numa antologia universitária americana ao lado de nomes como Alexander Soljenítsin, Rafael Alberti, Gabriela Mistral, Anton Tchekhov, Bertolt Brecht, Rabindranath Tagore, D. H. Lawrence, Jacques Prévert, Antonio Cisneros, Aldous Huxley, entre outros.
Sobre os contos de sua última coletânea, Confissões do Inexplicável (2007), Antonio Luiz M. C. Costa, articulista da revista semanal CartaCapital, escreveu: “Como Aldous Huxley, Carneiro... desconfia dos limites que a busca do lucro e da produtividade põem à vida e à criatividade. Mas não mostra pendores ascéticos, receio do novo ou nostalgia pelo passado do Brasil ou do mundo. Seus personagens aderem ao insólito com entusiasmo e apontam para a possibilidade de superar a razão capitalista e tecnocrática, tanto em humanismo quanto em saber científico.”
Seu segundo romance,Amorquia (1991), trata de uma sociedade futurista em que toda a vida social é totalmente baseada no sexo. Um detalhe intrigante é que a narrativa não possui capítulos, é escrita como flashs de um video clipe.
André Carneiro foi escolhido "Personalidade do Ano de 2007" pelos editores do Anuário Brasileiro de Literatura Fantástica.
Obra Ângulo & Face. São Paulo: Edart, 1949. Poesia. Diário da Nave Perdida. São Paulo: Edart, 1963. Contos. Espaçopleno. São Paulo: Clube de Poesia, 1963. Poesia. O Homem que Adivinhava. São Paulo: Edart, 1966. Contos. O Mundo Misterioso do Hipnotismo. São Paulo: Edart, 1963. Não-ficção. Introdução ao Estudo da 'Science Fiction' . São Paulo: Conselho Estadual de Cultura, 1967. Não-ficção. Manual de Hipnose. São Paulo: Editora Resenha Universitária, 1978. Não-ficção. Piscina Livre. São Paulo: Editora Moderna, 1980. Romance. Pássaros Florescem. São Paulo: Editora Scipione, 1988. Poesia. Amorquia. São Paulo: Editora Aleph, 1991. Romance. A Máquina de Hyerônimus e Outras Histórias. São Carlos, SP: Universidade Federal de São Carlos, 1997. Contos. Birds Flower. Las Arenas Press: Tucson. 1998. Tradução de Leo L. Barrow. Confissões do Inexplicável. São Paulo: Editora Devir, 2007. Contos. Arte de capa de Henrique Alvim Corrêa. Introdução de Dorva Rezende. Quânticos da Incerteza. Atibaia: Redijo, 2007. Poesia. (Organização, prefácio, bioblibliografia e notas de Osvaldo Duarte). André Carneiro: Fotografias Achadas, Perdidas e Construídas. São Paulo: Pantemporâneo, 2009. Introdução ao Estudo da 'Science Fiction' (reedição). Brasópolis: Edgard Guimarães, 1997. Não-ficção.
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