Francisco Otaviano de Almeida Rosa (Rio de Janeiro, 26 de junho de 1825Algumas fontes indicam 1825, outras 1826. Israel Souza Lima, em seu livro Biobibliografia Dos Patronos - Francisco Otaviano De Almeida Rosa & Franklin Távora (Editora Academia Brasileira de Letras, 2004) resolve de uma vez a questão apresentando um fac simile de uma certidão de nascimento de Francisco Otaviano emitida em 1825, com o quê seria impossível ter-se 1826 como o ano de seu nascimento — Rio de Janeiro, 28 de maio de 1889) foi um advogado, jornalista, diplomata, político e poeta brasileiro.
Biografia
Filho de um casal negro, o Dr. Otaviano Maria da Rosa, médico, e Joana Maria da Rosa, Francisco Otaviano nasceu na Rua do Carmo, hoje Uruguaiana, na cidade do Rio de Janeiro, em 26 de junho de 1825.
Apesar de seu pai ser médico ilustre e homem honrado, sua família contava com recursos escassos. A despeito disso e ainda sofrendo com um reumatismo crônico, sua mãe não descuidou de sua educação.
thumb|left|Francisco Otaviano de Almeida Rosa.
Iniciou seus estudos no colégio do professor Manuel Maria Cabral, tendo se dedicado principalmente às Línguas, à História, à Geografia e à Filosofia durante sua vida escolar.
Em 1841, embarcou para Santos (SP), rumo a São Paulo, e, com apenas quinze anos, matriculou-se na então Academia de Direito do Largo de São Francisco, Outra fonte refere-se a ela como Academia de Ciências Jurídicas e Sociais de São Paulo. atual Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, bacharelando-se em 1845. Acerca dessa sua passagem pela faculdade de direito Almeida Nogueira é só elogios.O deputado federal e catedrático Almeida Nogueira (1851-1914), que cursou a mesma faculdade e que passou boa parte de sua vida colecionando notas sobre a vida dos estudantes que passaram por essa instituição, registra de forma elogiosa: "que dizermos que não seja conhecido e notório a respeito da sua prodigiosa e agudíssima inteligência, do seu primoroso talento de escritor, da magia do seu estilo, da sua musa sentimental, da sua amável e encantadora causerie?".
Em seguida, regressou ao Rio de Janeiro, principiando sua vida profissional na advocacia e no jornalismo, nos jornais Sentinela da Monarquia, Gazeta Oficial do Império do Brasil (1846-48), da qual se tornou diretor em 1847, Jornal do Comércio (1851-54) e Correio Mercantil.
Casou-se com Eponina Alves Branco Muniz Barreto que viria a ser mais conhecida, a partir daí, por Eponina Otaviano. Desse casamento nasceram seis filhos: Jarbas, Alice, Eduardo, Violeta, Álvaro e Benjamim.
Foi eleito secretário do Instituto da Ordem dos Advogados, cargo que exerceu por nove anos.
Foi deputado geral pela província do Rio de Janeiro de 1853 a 1866.
Foi nomeado para o Conselho Diretor da Instrução Pública e promovido a oficial da Ordem da Rosa.
Por ocasião da Guerra do Paraguai foi enviado como ministro plenipotenciário do Brasil ao Uruguai e à Argentina, substituindo o Conselheiro Paranhos (que viria a se tornar o Visconde do Rio Branco) na Missão do Rio da Prata. A ele coube negociar e assinar, em Buenos Aires, em 1º de maio de 1865, o Tratado da Tríplice Aliança entre o Brasil, a Argentina e o Uruguai, no combate comum a Solano Lopez, do Paraguai.
Já participara da elaboração do Tratado da Tríplice Aliança, em 1865, quando foi convidado pelo Marquês de Olinda para ocupar, na formação de seu 4° gabinete, a pasta dos Negócios Estrangeiros, mas não a aceitou, ficando em seu lugar José Antônio Saraiva.
Por decreto de 15 de março de 1865, o imperador D. Pedro II concedeu-lhe o título de Conselheiro do Império.
Foi senador do Império do Brasil pela província do Rio de Janeiro, cargo vitalício à época, de 1867 a 1889.
Como jornalista, empenhou-se com entusiasmo nas campanhas do Partido Liberal e tomou parte preponderante na elaboração da Lei do Ventre Livre, em 1871.
Por decreto, tornou-se dignitário da Ordem Imperial do Cruzeiro. Por essa época viajou à Europa para tratar da saúde.
Foi sócio de diversas sociedades, entre elas a Sociedade de História de Nova Iorque.
Foi sócio honorário do Instituto Politécnico Brasileiro.
Foi membro do Instituto da Ordem dos Advogados.
Faleceu a 28 de maio de 1889, em sua casa, na cidade do Rio de Janeiro.
O Jornalista
Foi jornalista de grande expressão no seu tempo. Foi diretor da “Gazeta Oficial” (1848) e redator do “Correio Mercantil”, “Jornal do Comércio”, “Tribuna Liberal”, “A Semana” e “Gazeta da Instrução Pública”, de Niterói.
Seus artigos sobre educação influíram nas Reformas da Instrução Pública.
No “Correio Mercantil”, órgão representante do pensamento liberal, pôde, desde 1854, exercer bastante influência doutrinária.
O Político
+ Mandatos parlamentares Mandato Início Fim Deputado Geral - RJ 1853 1856 Deputado Geral - RJ 1857 1860 Deputado Geral - RJ 1861 1863 Deputado Geral - RJ 1864 1866 Senador - RJ 1867 1868 Senador - RJ 1869 1872 Senador - RJ 1872 1875 Senador - RJ 1877 1878 Senador - RJ 1878 1881 Senador - RJ 1882 1884 Senador - RJ 1885 1885 Senador - RJ 1886 1889 No Senado, votou a favor da Lei do Ventre Livre, da Lei dos Sexagenários e da Lei Áurea.
Foi abolicionista.
Votou contra a Lei Eleitoral de 1875.
Votou, em 1887, a favor da indicação do Senador Silveira Martins (aprovada) para o Governo fazer cessar os efeitos das penas disciplinares impostas aos militares.
Em função de sua vida política publicou os seguintes trabalhos:
+ Obras e discursos relacionados a Francisco Otaviano Título Autor(es) Local Ano Observações Inteligência do Ato Adicional na Parte Relativa às Assembléias Provinciais Francisco Otaviano Rio de Janeiro 1857 33 páginas Tratado Tríplice Aliança. Discurso do Senador na Sessão de 13/06/1860 Francisco Otaviano Rio de Janeiro 1870 34 páginas Questão Militar. Discursos Proferidos no Senado e na Câmara dos Deputados Barão de Cotegipe, Saraiva, Francisco Otaviano, Afonso Celso, Silveira Martins — — Coletânea de discursos As Assembléias Provinciais ou Copilação Alfabética das Leis... — Rio de Janeiro 1870 Trabalho compilado por ordem do governo Segunda Edição Anotada por José Marcelino Pereira de Vasconcelos José Marcelino Pereira de Vasconcelos Rio de Janeiro 1871 Edição revisada O Tratado da Tríplice Aliança. Discursos do Senador na Sessão de 13/07/1870 Francisco Otaviano Rio de Janeiro 1870 — Introdução aos Estudos e Comentários da Reforma Eleitoral Francisco Otaviano — — —
O Diplomata
Foi designado enviado extraordinário e ministro plenipotenciário em missão especial para a Argentina e Uruguai por ocasião do conflito que ficou conhecido como a Guerra do Paraguai. Assina, pelo Brasil, em Buenos Aires, o Tratado da Tríplice Aliança.
O Escritor
Poeta desde menino, não se dedicou suficientemente à literatura. Ele mesmo exprimiu com frequência a tristeza de haver sido arrebatado à poesia pela política, por ele chamada de “Messalina impura”, num epíteto famoso. Apesar da carreira fácil, respeitável e brilhante, cultivou sempre a nostalgia das letras. Sua obra poética representa uma espécie de inspiração do homem médio, mas não banal, o que lhe dá, do ponto de vista psicológico, uma comunicabilidade aumentada pela transparência do verso, leve e corredio. Em torno do eixo central de sua personalidade literária se organizam as tendências comuns do tempo, num verso quase sempre harmonioso e bem cuidado.
Apesar de sua pequena produção literária teve atuação destacada no seu tempo, realizando diversas traduções de Poetas Ingleses.
Nas suas traduções de Horácio, Catulo, Byron, Shakespeare, Shelley, Victor Hugo, Goethe, revela-se também um renomado poeta. Foi autor de duas ou três peças antológicas, mesmo não tendo exercido a literatura com paixão.
Dentre seus trabalhos publicados citam-se:
+ Trabalhos publicados de Francisco Otaviano Título Tipo Publicação / Local Ano Observações Traduções e Poesias de F. Otaviano Livro Rio de Janeiro 1881 Publicado pelo Doutor Amorim Carvalho Tradução de 'O Sono' de Lord Byron Tradução — 1863 Com introdução de F. J. Pinheiro Guimarães 'Neve a Desencoalhar' Introdução literária Rio de Janeiro 1872 Ao volume "Vôos Ícaros" de Rosendo Muniz Barreto Introdução aos Estudos e Comentários da Reforma Eleitoral Ensaio introdutório — — Obra do Conselheiro Tito Franco de Almeida O Último Canto de Child Harold Tradução poética Cruzeiro do Sul, São Paulo 1848 — O Proscrito Tradução poética Gazeta da Tarde 1881 Poesia de Jean Carlos Gomes, publicada em 20/07/1881 Imitação de Parny. Elegia Poema Mosaico Poético — De Emílio Adet e J. Norberto Sonho e Ausência Composição musical — — Oferecida a J. Norberto Adeus à Vida Canção — — Dedicada a J. Norberto Adeus à Vida Ode — — Homenagem a Martins Francisco Ribeiro de Andrade
É patrono da cadeira número 13 da Academia Brasileira de Letras por escolha do fundador Visconde de Taunay.
Notas
Referências
Ligações externas
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