The Sunday Times é um jornal dominical britânico cuja circulação é a maior na categoria de imprensa de qualidade do Reino Unido. Foi fundado em 1821 como The New Observer. É publicado pela Times Newspapers Ltd, subsidiária da News UK, anteriormente chamada News International, que pertence à News Corp. A Times Newspapers também publica The Times. Os dois jornais foram fundados de forma separada e independente e pertencem ao mesmo grupo desde 1966. Foram comprados pela News International em 1981.
Em março de 2020, o The Sunday Times tinha circulação de 647.622 exemplares, superior à soma de seus principais concorrentes, The Sunday Telegraph e The Observer. Enquanto outros jornais nacionais passaram ao formato tabloide no início da década de 2000, o The Sunday Times manteve o formato maior, standard, e declarou que pretende continuar a usá-lo. Em dezembro de 2019, vendia 75% mais exemplares que seu jornal irmão, The Times, publicado de segunda-feira a sábado.
O jornal publica a lista The Sunday Times Rich List e o ranking The Sunday Times Fast Track 100.
História miniaturadaimagem|Placa no nº 4 de Salisbury Court, em Londres, em memória da primeira edição do The Sunday Times
Fundação e primeiros anos, 1821–1915 O jornal começou a circular em 18 de fevereiro de 1821 como The New Observer, mas em 21 de abril passou a se chamar Independent Observer. Seu fundador, Henry White, aparentemente escolheu o nome para aproveitar o sucesso do The Observer, fundado em 1791, embora não houvesse relação entre os dois jornais. Em 20 de outubro de 1822, reapareceu como The Sunday Times, ainda sem qualquer relação com The Times. Em janeiro de 1823, White vendeu o jornal a Daniel Whittle Harvey, político radical.
Sob o novo proprietário, o The Sunday Times acumulou algumas primazias. Uma xilogravura que publicou sobre a coroação da rainha Vitória, em 1838, foi a maior ilustração até então publicada por um jornal britânico. Em 1841, tornou-se um dos primeiros jornais a publicar um romance em capítulos, Old St Paul's, de William Harrison Ainsworth.
Alice Anne Cornwell comprou o jornal em 1887. Ela havia enriquecido com mineração na Austrália e com o lançamento da Midas Mine Company na Bolsa de Valores de Londres. Cornwell comprou o jornal para promover sua nova empresa, The British and Australasian Mining Investment Company, e como presente para seu amante, Phil Robinson. Robinson tornou-se editor e os dois se casaram em 1894.
Em 1893, Cornwell vendeu o jornal a Frederick Beer, que já era proprietário do The Observer. Beer nomeou sua mulher, Rachel Sassoon Beer, como editora. Ela já dirigia o The Observer, tornando-se a primeira mulher a comandar um jornal nacional britânico, e continuou à frente dos dois títulos até 1901.
Os anos Kemsley, 1915–1959 O jornal mudou novamente de proprietário em 1903. Em 1915, foi comprado por William Berry e seu irmão Gomer Berry, mais tarde enobrecidos como Lord Camrose e Visconde Kemsley, respectivamente. Sob a direção dos irmãos, o The Sunday Times manteve sua disposição para experimentar novos formatos. Em 23 de novembro de 1930, tornou-se o primeiro jornal dominical britânico a publicar uma edição de 40 páginas. Em 21 de janeiro de 1940, notícias substituíram os anúncios na primeira página.
Em 1943, foi criado o Kemsley Newspapers Group, tendo o The Sunday Times como principal jornal. Kemsley era então o maior grupo jornalístico da Grã-Bretanha.
Em 12 de novembro de 1945, Ian Fleming, que mais tarde criaria James Bond, entrou para o jornal como gerente de assuntos estrangeiros, equivalente ao editor de internacional, e redator especial. No mês seguinte, a circulação chegou a 500.000 exemplares. Em 28 de setembro de 1958, o jornal lançou uma seção separada chamada Review, tornando-se o primeiro jornal a publicar regularmente duas seções.
Os anos Thomson, 1959–1981 O grupo Kemsley foi comprado em 1959 por Lord Thomson. Em outubro de 1960, a circulação chegou a um milhão de exemplares pela primeira vez. Em outra iniciativa inédita, em 4 de fevereiro de 1962 o editor Denis Hamilton lançou a The Sunday Times Magazine. Por insistência dos jornaleiros, preocupados com o efeito que ela teria sobre a venda de revistas independentes, inicialmente recebeu o nome de "colour section", ou "seção colorida", e só passou a se chamar The Sunday Times Magazine em 9 de agosto de 1964. A capa da primeira edição, intitulada "A sharp glance at the mood of Britain", trazia uma grade de 11 fotografias em sangria total feitas por David Bailey, com Jean Shrimpton usando um traje de Mary Quant, em torno de uma fotografia de ação de John Bulmer com o atacante Jimmy McIlroy, do Burnley.
A revista teve um começo lento, mas a publicidade logo começou a crescer e outros jornais passaram a lançar suas próprias revistas. A escritora inglesa Jilly Cooper teve ali sua primeira oportunidade no jornalismo, escrevendo a partir de 1968 uma coluna sobre a vida de jovens casados. O trabalho levou ao seu primeiro livro, How to Stay Married, e à coletânea Between the Covers, publicada em 2020.
Harold Evans, editor entre 1967 e 1981, deu ao The Sunday Times forte presença em campanhas públicas e no jornalismo investigativo. Em 19 de maio de 1968, o jornal publicou sua primeira grande campanha sobre a talidomida, medicamento que o médico australiano William McBride havia relacionado a malformações congênitas em um artigo publicado no The Lancet em 1961 e que foi rapidamente retirado do mercado. O jornal publicou na seção Weekly Review uma investigação de quatro páginas do grupo Insight, intitulada "The Thalidomide File". Em 17 de novembro de 1972, a Divisional Court da Queen's Bench Division expediu uma liminar proibindo o The Sunday Times de publicar novos artigos, diante do receio de que a campanha pudesse afetar processos judiciais ainda em andamento sobre o escândalo da talidomida. O jornal recorreu ao Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, que concluiu que a liminar violava o direito da editora à liberdade de expressão, observando que os artigos eram moderados e equilibrados e, por isso, não deveriam prejudicar os processos.
Os anos Murdoch, 1981–presente A News International, de Rupert Murdoch, comprou o grupo em fevereiro de 1981. Murdoch, australiano que se tornou cidadão norte-americano por naturalização em 1985, já era proprietário do The Sun e do News of the World. O governo conservador decidiu não remeter a operação à Monopolies and Mergers Commission, citando uma disposição da Fair Trading Act de 1973 que dispensava empresas deficitárias dessa análise. A Thomson Corporation havia ameaçado fechar os jornais se nenhum comprador surgisse dentro do prazo estipulado, e havia receio de que qualquer atraso jurídico na aquisição por Murdoch pudesse levar ao encerramento dos dois títulos. Em troca, Murdoch ofereceu garantias juridicamente vinculantes de preservação da independência editorial dos jornais.
Evans foi nomeado editor do The Times em fevereiro de 1981 e substituído no The Sunday Times por Frank Giles. Em 1983, o jornal comprou os direitos de publicação em série dos falsos Diários de Hitler, acreditando que eram autênticos depois de terem sido validados pelo diretor independente do próprio jornal, o historiador Hugh Trevor-Roper, autor de The Last Days of Hitler.
Sob Andrew Neil, editor de 1983 a 1994, o The Sunday Times adotou uma orientação marcadamente thatcherista, em contraste com o conservadorismo paternalista tradicional defendido por Peregrine Worsthorne no concorrente The Sunday Telegraph. O jornal também aprofundou seu trabalho investigativo. Entre seus furos estavam a revelação, em 1986, de que Israel havia fabricado mais de cem ogivas nucleares e a publicação, em 1992, de trechos do livro Diana: Her True Story in Her Own Words, de Andrew Morton.
Em janeiro de 1986, depois que trabalhadores gráficos anunciaram uma greve, a produção do The Sunday Times, assim como a dos outros jornais do grupo, foi transferida para uma nova fábrica em Wapping, e os grevistas foram demitidos. A fábrica permitia que os jornalistas digitassem diretamente o texto e entrou em operação com auxílio do sindicato Electrical, Electronic, Telecommunications and Plumbing Union, EETPU. Os sindicatos dos gráficos organizaram piquetes e manifestações do lado de fora da nova fábrica para tentar dissuadir jornalistas e outros funcionários de trabalhar ali, num conflito que ficou conhecido como disputa de Wapping. Algumas manifestações se tornaram violentas. O movimento terminou sem êxito em fevereiro de 1987.
Durante a gestão de Neil, o The Sunday Times apoiou uma campanha que procurava provar que o HIV não causava AIDS. Em 1990, o jornal publicou em capítulos um livro de um conservador norte-americano que rejeitava o consenso científico sobre as causas da AIDS e sustentava que a doença não poderia se espalhar entre heterossexuais. Artigos e editoriais do The Sunday Times lançaram dúvidas sobre o consenso científico, chamaram o HIV de "vírus politicamente correto" em torno do qual haveria uma "conspiração de silêncio", contestaram que a AIDS estivesse se espalhando na África, afirmaram que os testes de HIV eram inválidos, classificaram o AZT, usado no tratamento de HIV/AIDS, como prejudicial e caracterizaram a OMS como uma "organização da AIDS empenhada em construir um império". A cobertura pseudocientífica do HIV/AIDS no The Sunday Times levou a revista científica Nature a acompanhar a cobertura do jornal e a publicar cartas que contestavam artigos do Sunday Times que o próprio jornal havia se recusado a publicar. Em resposta, o The Sunday Times publicou um artigo intitulado "AIDS – why we won't be silenced", no qual afirmou que a Nature praticava censura e agia com "intenção sinistra". No livro Full Disclosure, de 1996, Neil escreveu que o negacionismo sobre HIV/AIDS "merecia publicação para estimular o debate". Naquele mesmo ano, afirmou que a cobertura do jornal havia sido confirmada pelos acontecimentos: "O Sunday Times foi um dos poucos jornais, talvez o mais proeminente, a sustentar que a Aids heterossexual era um mito. Os números chegaram e este jornal está totalmente justificado... A história da Aids é um dos grandes escândalos de nosso tempo. Não culpo os médicos e o lobby da Aids por alertarem, nos primeiros dias, quando a ignorância era generalizada e as evidências confiáveis eram escassas, que todos poderiam estar em risco." Neil criticou o que chamou de "establishment da AIDS" e afirmou que "a Aids havia se tornado uma indústria, um esquema de criação de empregos para as classes assistenciais".
John Witherow acompanhou um aumento da circulação para 1,3 milhão de exemplares e reafirmou a prática do The Sunday Times de publicar reportagens de forte repercussão, como o escândalo cash for questions, em 1994, o cash for honours, em 2006, e as revelações de corrupção na FIFA, em 2010. A cobertura internacional do jornal foi particularmente extensa, e seus repórteres Marie Colvin, Jon Swain, Hala Jaber, Mark Franchetti e Christina Lamb dominaram desde 2000 a categoria de Repórter Estrangeiro do Ano no British Press Awards. Colvin, que trabalhava no jornal desde 1985, foi morta por forças sírias em fevereiro de 2012 enquanto cobria o cerco de Homs, durante a guerra civil síria.
Assim como outros jornais, o The Sunday Times sofreu queda de circulação, de um pico de 1,3 milhão para pouco mais de 710.000 exemplares. O jornal também possui assinantes exclusivamente digitais, que somavam 99.017 em janeiro de 2019.
Em janeiro de 2013, Martin Ivens tornou-se editor interino do The Sunday Times, sucedendo John Witherow, que ao mesmo tempo assumiu interinamente a direção do The Times. Os diretores independentes recusaram a nomeação permanente de Ivens para evitar uma possível fusão editorial do The Sunday Times com o diário The Times.