Maratona de Boston é a mais famosa e tradicional corrida de longa distância realizada anualmente em todo o mundo, disputada em 42,195 km entre as cidades de Hopkinton e Boston, no estado de Massachusetts, Estados Unidos.

É a segunda mais antiga das maratonas, atrás apenas da maratona olímpica disputada pela primeira vez em Atenas 1896, mas a pioneira de todas as disputadas anualmente, existindo desde o ano de 1897, sem interrupção. Organizada pela B.A.A – Boston Atlethics Association, entre 1897 e 1968 a prova foi sempre disputada no dia 19 de abril, o Dia do Patriota, um feriado em comemoração ao início da revolução americana contra o domínio inglês, reconhecido apenas nos estados do Maine e de Massachussets. A partir de 1969, com a mudança do feriado para a terceira segunda-feira do mês de abril, é neste dia que ela é realizada.

Com a participação atual de mais de trinta mil atletas de diversos países a cada ano, alguns dos maiores corredores da história já escreveram seu nome na prova, como os campeões olímpicos Abebe Bikila, Mamo Wolde, Ville Ritola, Gelindo Bordin, Joan Benoit e a portuguesa Rosa Mota, que com três vitórias é uma das recordistas entre as mulheres.

História Criada pelo membro da B.A.A e dirigente da primeira equipe olímpica americana, John Graham, impressionado com a aura da prova criada e disputada em Atenas, e com a ajuda de Herbert H. Holton, um homem de negócios de Boston, inicialmente ela chamava-se "American Marathon". Nunca se foi capaz de descobrir quando o nome pelo qual hoje é conhecida, "Boston Marathon", passou a ser definitivamente usado. Os dois nomes, "American" e "Boston", para a prova, continuaram a ser usados por décadas em documentos e premiações oficiais, chegando a 1978, quando o vencedor, Bill Rodgers, recebeu a medalha de campeão com a inscrição "American Marathon" e o diploma oficial de campeão com a inscrição "Boston Marathon". No passado, também já foi oficialmente chamada de "B.A.A. Marathon Race".

Tinha seu início na cidade de Ashland e a chegada no Irvington Street Oval, no centro de Boston, a cerca de 40 km de distância. Só em 1924 ele foi mudado para Hopkinton, onde é até hoje, e a partir de 1927 a distância passou a ser oficialmente de 42,195 km, de acordo com os padrões olímpicos vigentes. Em suas primeiras edições, era o último evento dos Jogos da Associação Atlética de Boston. thumb|left|250px|Fred Cameron, do Canadá, vencendo a edição de 1910. Originalmente, a maratona era apenas um evento local, com a participação de corredores amadores dos Estados Unidos e do Canadá, mas sua fama e status começaram, com o tempo, a atrair corredores de todo o mundo. Durante a maior parte de sua existência, a prova foi um evento livre, aberto e completamente amador, como os primeiros Jogos Olímpicos e o único prêmio dado ao vencedor era uma coroa de ramos de oliveira, à semelhança do laurel olímpico. Entretanto, com a popularidade das corridas de rua ocorrida durante os anos 1980, que causou o surgimento de diversas outras maratonas ao redor do mundo, e com a negativa dos principais fundistas em participar dela de maneira amadorística, prêmios em dinheiro, pagos através do investimento e patrocínio de corporações, começaram a ser oferecidos a partir de 1986, o que voltou a conferir alta qualidade técnica à prova. Em 2009, os vencedores, masculino e feminino, receberam 150 mil dólares cada.

De sua prova inaugural em 1897 até 1972, Boston foi sempre uma maratona eminentemente masculina. Nos anos 1960, entretanto, mulheres a corriam escondidas em nomes falsos ou mesmo sem registro de número oficial. Hoje, cerca de dez mil delas disputam oficialmente cada edição anual da prova e o recorde mundial da maratona feminina já foi quebrado duas vezes em seu percurso.

Hoje, entretanto, os recordes conquistados em Boston, não são mais considerados pela IAAF e pela USAT&F. Como Boston é uma prova que tem um nível de subidas e descidas muito altos, muito vento pelas costas e sua largada fica numa distância superior a 1/3 do total da prova na chegada, sendo uma maratona ponto-a-ponto, seu percurso não é considerado em condições de ter recordes homologados oficialmente, segundo as regras das entidades. Na 115.ª edição da prova, em 18 de abril de 2011, o queniano Geoffrey Mutai completou a distância em 2 h 3 min 2 s, quase um minuto abaixo do recorde mundial oficial então vigente (2 h 3 min 59 s), do etíope Haile Gebrselassie, mas este tempo não é considerado oficialmente como recorde mundial, apenas recorde da própria Maratona de Boston.

Corrida Maratona de Boston Tempos de classificação (2013)IdadeHomensMulheres 18–34 3h 05 min 3h 35 min 35–39 3h 10 min 3h 40 min 40–44 3h 15 min 3h 45 min 45–49 3h 25 min 3h 55 min 50–54 3h 30 min 4h 00 min 55–59 3h 40 min 4h 10 min 60–64 3h 55 min 4h 25 min 65–69 4h 10 min 4h 40 min 70–74 4h 25 min 4h 55 min 75–79 4h 40 min 5h 10 min 80+ 4h 55 min 5h 25 min

Qualificação Boston é uma das maratonas mais rígidas na admissão de participantes. O motivo para isso é a enorme procura de inscrições através dos anos, sempre crescente, e a impossibilidade física de acomodar todos os interessados nas condições do percurso tradicional existente, uma estrada não muito larga que liga a cidadezinha de Hopkinton a Boston. Os tempos exigidos, dentro das faixas etárias, são conseguidos apenas por atletas muito bem preparados. Um homem entre 40 e 44 anos, por exemplo, precisa correr anteriormente uma maratona certificada e filiada à IAAF em menos de 3 h 15 min, e num período próximo à corrida em Boston, um máximo de dezoito meses antes. Para muitos maratonistas, apenas se qualificar para disputá-la já é um objetivo em si mesmo.

Dia da corrida Tradicionalmente, desde sua criação, a maratona era disputada no Dia do Patriota, um feriado estadual em Massachusetts onde se localiza a região. Até 1969 o feriado era em 19 de abril, independente do dia de semana em que caísse. A partir daquele ano, ele passou a ser decretado na terceira segunda-feira de cada mês de abril e nesse dia a prova é realizada. Esta terceira segunda-feira de abril passou a ser chamada pelos moradores de Boston e adjacências de "Segunda-feira da Maratona".

Largada Até 2005, tradicionalmente a largada era dada ao meio-dia. A partir de 2006, com a quantidade cada vez maior de corredores e os congestionamentos que isso causava no ponto oficial de largada em Hopkinton e nas estradas vicinais, a largada passou a ser feita em ondas, em horários separados. Neste ano, os corredores de elite e uma leva de 10 mil corredores comuns largou ao meio-dia com um segundo grupo largando às 12h30.

A partir de 2007, o horário da corrida passou a ser adiantado, com três ondas de corredores largando entre 10h00 e 10h40 da manhã, o que proporciona aos corredores uma temperatura mais suportável em dias mais quentes.

Percurso right|thumb|250px|Corredora subindo Hearthbreak Hill, na edição de 2005. A prova percorre 42,195 km por ruas e estradas sinuosas, seguindo as rotas 135, 16 e 30 do estado, passando por pequenas cidades e vilas até o centro de Boston, com a linha de chegada localizada na Praça Copley, ao lado da Boston Public Library. Passa por oito cidades de Massachusetts: Hopkinton, Ashland, Framingham, Natick, Wellesley, Newton e Brookline, terminando em Boston.

O percurso é considerado um dos mais duros do mundo, por causa das colinas Newton, uma série de quatro colinas localizadas no caminho, que culminam com "Hearthbreak Hill", a maior e mais ascendente delas, com 600 metros de subida na altura dos quilômetros 31 e 32 da prova, perto do Boston College. "Hearthbreak" (Quebra-coração), apesar de ter um grau de elevação de apenas 27 m, tem uma subida constante por mais de meio quilômetro e se encontra numa altura da prova em que os corredores já se encontram exaustos, a dez quilômetros do fim, com as reservas de glicogênio dos músculos esgotadas, o que provoca o fenômeno conhecido pelos corredores e atletas de provas de resistência como "bater no muro".

Ela recebeu este nome ainda em 1936, nos primórdios da maratona, quando John A. Kelley, figura lendária ligada à história da maratona, um de seus antigos vencedores e que através dos anos a disputou mais de 60 vezes, correndo em segundo lugar alcançou ali o líder da corrida, Ellison "Tarzan" Brown (o primeiro negro a vencer Boston) esgotado pela subida, e ao ultrapassá-lo lhe deu um tapinha de consolação nas costas. "Tarzan" recebeu o gesto como uma provocação do amigo, buscou reservas onde não mais tinha e foi atrás de Kelley, ultrapassando-o e vencendo a prova, o que, segundo o jornalista Jerry Nason, editor do Boston Globe, que assistiu a cena e a descreveu depois em seu jornal, "quebrou o coração" de John Kelley.

Recordes Atualmente, a maratona de Boston, apesar de toda sua importância e tradição, não é considerada pela Federação Internacional de Atletismo - IAAF, para a homologação de recordes nem nacionais nem mundiais. Isto de se deve a novos critérios estabelecidos pela entidade quanto a percursos que, pelas circunstâncias geográficas ou climáticas, possam ajudar os corredores a conseguir bons tempos. Apesar de todas as suas colinas, Boston é uma maratona em descida, com a diferença topográfica entre a largada e a chegada de mais de 150 metros. Além disso, em muitas provas, realizadas no início da primavera no hemisfério norte, sopra no percurso um forte vento traseiro, que teoricamente ajudaria a impulsionar os corredores; ela também é uma maratona ponto-a-ponto, começa numa cidade e acaba em outra, o que não satisfaz um critério da IAAF e da USA Track & Field, o órgão governamental para o esporte nos Estados Unidos. Uma das exigências é que a distância entre a largada e a chegada não pode ser maior que 50% da distância de 42,195 km, o que geralmente habilita para recordes apenas as maratonas com percurso circular "vai-e-volta" ou com largadas e chegadas em pontos próximos da mesma cidade. thumb|left|240px|O queniano Robert Cheruiyot, quatro vezes campeão. Em 18 de abril de 2011, o queniano Geoffrey Mutai completou a maratona em 2 h 3 min 2 s, quase um minuto abaixo do recorde mundial vigente. A marca, porém, apesar de todos os protestos — que ainda continuam — da Boston Athletics Association e de vários atletas e especialistas, não foi homologada como recorde mundial, nem os excelentes tempos pessoais e recordes nacionais conseguidos por outros corredores naquela edição. Mesmo assim, oficiosamente a IAAF reconhece a corrida de Mutai como "a mais rápida maratona jamais corrida".

Mas no passado a Maratona de Boston já foi palco de três recordes mundiais. O primeiro deles em 1947, logo após a II Guerra Mundial, quando o coreano Suh Yun-bok marcou 2 h 25 min 39 s na prova. Suh era treinado por Sohn Kee-chung, o coreano que, representando o Japão com nome de Kitei Son, havia sido o último campeão olímpico quando venceu esta prova nos Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936. E o recorde que Suh quebrou era o de seu próprio técnico, que perdurava há onze anos. Numa amostra do que eram as corridas de longa distância pelas estradas naqueles tempos, Suh Yun-bok quebrou o recorde mundial em Boston depois de ser atacado por um cachorro na subida de Hearthbreak Hill, rasgar o joelho numa queda e correr os últimos 18 km do percurso com o cadarço desamarrado.

Apenas três anos após a B.A.A. passar a aceitar oficialmente a presença de mulheres na maratona, em 1975 a fundista alemã-ocidental Liane Winter estabeleceu uma nova marca mundial ali, de 2 h 42 min 24 s. Em 1983 foi a vez da corredora da casa, a campeã olímpica norte-americana Joan Benoit, que um ano antes de ganhar a medalha de ouro na primeira maratona feminina olímpica da história, em Los Angeles 1984, estabeleceu nova marca mundial em Boston – 2 h 22 min 43 s.