miniaturadaimagem|Questionário de um survey. Survey é um método de pesquisa científica utilizado para coletar dados de uma amostra populacional por meio de questionários estruturados ou entrevistas. O termo, de origem inglesa, refere-se a técnicas de levantamento sistemático de informações junto a indivíduos ou grupos específicos.

Definição Survey pode ser definido como o processo de obtenção de informações mediante a aplicação de perguntas estruturadas a participantes selecionados, seguido da análise estatística das respostas coletadas. Esta metodologia permite que pesquisadores investiguem características, preferências, opiniões, sentimentos e comportamentos de populações-alvo de forma sistemática.

De acordo com Kraemer (1991), três aspectos centrais caracterizam a pesquisa por survey: primeiro, busca descrever quantitativamente aspectos específicos de determinada população, frequentemente examinando relações entre variáveis; segundo, os dados provêm de relatos subjetivos dos participantes; terceiro, utiliza-se uma porção selecionada da população, cujos resultados podem ser generalizados para o universo mais amplo.

Histórico Em 1838, um comitê da Sociedade Estatística de Londres empregou um dos primeiros questionários escritos documentados para investigar as condições e histórico de greves, representando um dos primeiros usos sistemáticos dessa técnica em pesquisa social.

Características metodológicas

Vantagens do método A metodologia de survey apresenta diversos benefícios enquanto instrumento de coleta de dados. Amostras de maior dimensão podem proporcionar maior proteção à identidade dos respondentes, facilitando a obtenção de informações sobre assuntos delicados ou sensíveis. Adicionalmente, tamanhos amostrais mais robustos podem viabilizar inferências sobre contextos populacionais mais extensos, oferecendo uma perspectiva mais abrangente do grupo investigado.

Entre outras vantagens documentadas, destacam-se:

A flexibilidade na coleta de dados, permitindo adaptação a diversos contextos de pesquisa. Comparado a métodos como entrevistas presenciais extensas ou grupos focais, o survey tende a ser mais econômico e rápido na obtenção de dados, especialmente quando realizado em formato digital. A possibilidade de alcançar grandes populações de forma eficiente, incluindo grupos geograficamente dispersos. A facilidade na análise posterior dos dados coletados, especialmente quando se utilizam questões fechadas que geram dados quantitativos.

Limitações e desafios Apesar de suas vantagens, o método survey apresenta limitações que devem ser consideradas. A qualidade dos dados depende fundamentalmente da adequação do instrumento de coleta - questionários mal elaborados podem comprometer toda a pesquisa. Existe também o risco de viés nas respostas, seja por incompreensão das questões, por desejabilidade social ou por falta de motivação dos respondentes. A taxa de não-resposta pode ser significativa em alguns contextos, potencialmente introduzindo vieses na amostra final.

Entre os desafios documentados, destacam-se:

Identificar e selecionar potenciais membros da amostra. Contatar os indivíduos selecionados e coletar dados daqueles que são difíceis de alcançar. Avaliar e testar as questões. Selecionar o modo para fazer perguntas e coletar respostas. Treinar e supervisionar os entrevistadores (caso haja). Verificar a precisão e a consistência interna dos arquivos de dados. Ajustar as estimativas da pesquisa para corrigir os erros identificados. Complementar os dados da pesquisa com novas fontes de dados (se apropriado).

Tipos de amostragem

Amostragem probabilística Na amostragem probabilística, cada membro da população tem uma chance conhecida e não-zero de ser selecionado para participar do estudo. Este tipo de amostragem permite estimativas não-enviesadas dos parâmetros populacionais e possibilita o cálculo de margens de erro e intervalos de confiança. Os principais métodos incluem:

Amostragem aleatória simples: cada elemento da população possui probabilidade igual de seleção. Amostragem estratificada: a população é dividida em subgrupos (estratos) homogêneos, e uma amostra aleatória é extraída de cada estrato proporcionalmente. Amostragem por conglomerados: a população é dividida em grupos naturais (conglomerados), dos quais alguns são selecionados aleatoriamente para participar do estudo. Amostragem sistemática: os participantes são selecionados usando um intervalo fixo a partir de uma lista ordenada da população.

Amostragem não-probabilística A amostragem não-probabilística utiliza critérios subjetivos (não-aleatórios) para selecionar os participantes. Por não exigir um cadastro completo da população, constitui uma forma rápida, acessível e economicamente viável de obter dados. Contudo, para extrair conclusões sobre a população a partir da amostra, é necessário presumir que esta seja representativa - uma suposição frequentemente arriscada neste tipo de amostragem.

Este tipo de amostragem é frequentemente empregado em estudos exploratórios, particularmente no campo de estudos organizacionais, embora não permita estabelecer generalizações estatísticas para o universo completo da população estudada.

Os principais métodos não-probabilísticos incluem:

Amostragem por conveniência: participantes são selecionados pela facilidade de acesso ou disponibilidade. Amostragem por quotas: estabelecem-se metas específicas para o número de participantes com determinadas características, similar à estratificação mas sem randomização. Amostragem bola de neve: participantes recrutam outros participantes de suas redes de contato, útil para acessar populações de difícil alcance. Amostragem intencional ou proposital: participantes são selecionados deliberadamente com base em características específicas relevantes para a pesquisa.

A escolha entre métodos probabilísticos e não-probabilísticos depende dos objetivos da pesquisa, dos recursos disponíveis e do nível de generalização desejado. Enquanto amostras probabilísticas são preferidas quando o objetivo é fazer inferências estatísticas precisas sobre toda a população, amostras não-probabilísticas podem ser adequadas para pesquisas exploratórias, estudos-piloto ou quando o acesso à população é limitado.

Desenhos de pesquisa

Estudos transversais Nos estudos transversais (cross-sectional), os dados são coletados em um único momento no tempo, fornecendo uma "fotografia" das características da população naquele período específico. Este desenho é útil para descrever a prevalência de fenômenos ou atitudes, mas possui limitações para identificar relações causais.

Exemplo: Estudo que analisou as atitudes de responsáveis (pais e cuidadores) de crianças e adolescentes no Brasil em relação à ideia de vacinar seus filhos em escolas.

Estudos longitudinais Já os estudos longitudinais coletam dados da mesma população ou amostra em múltiplos pontos no tempo, permitindo examinar mudanças e tendências ao longo de períodos prolongados. Este desenho possibilita análises mais robustas sobre transformações em comportamentos, atitudes ou condições ao longo do tempo.

Exemplo: Estudo que analisou as atitudes em relação à democracia entre cidadãos brasileiros ao longo da pandemia de COVID-19.

Modos de aplicação Os surveys podem ser aplicados por diversos meios:

Surveys online: realizados via internet ou e-mail, representam hoje um dos métodos mais populares devido ao baixo custo e à rapidez na coleta e análise dos dados. Surveys telefônicos: permitem alcançar públicos mais amplos, embora possam demandar maior investimento de tempo e recursos. Surveys presenciais: incluem entrevistas face-a-face e questionários autoaplicados, permitindo captar nuances não-verbais e esclarecer dúvidas dos respondentes, mas tendem a ser mais dispendiosos. Surveys postais: embora menos comuns atualmente, ainda são utilizados em contextos específicos.

Redução da não resposta As seguintes formas foram recomendadas para reduzir a não resposta em pesquisas telefônicas e presenciais:Lynn, P. (2008) "The problem of non-response", chapter 3, 35-55, in International Handbook of Survey Methodology (ed.s Edith de Leeuw, Joop Hox & Don A. Dillman). Erlbaum. Dillman, D.A. (1978) Mail and telephone surveys: The total design method. Wiley.

Carta prévia: envio de uma breve carta com antecedência para informar os participantes da pesquisa sobre a próxima etapa. Primeiramente, ela anuncia que uma ligação telefônica será feita ou que o entrevistador deseja agendar uma entrevista presencial. Em seguida, descreve o tema da pesquisa. Por fim, permite que o entrevistador agradeça a colaboração e faça perguntas sobre a pesquisa. Treinamento: o entrevistador recebe um treinamento completo sobre como fazer perguntas aos entrevistados, como usar computadores e como agendar retornos de contato para aqueles que não foram localizados. Breve introdução: O entrevistador deve sempre começar com uma breve apresentação sobre si mesmo (nome, instituição para a qual trabalha, a duração da entrevista, o objetivo da mesma, etc.). Fácil compreensão: As perguntas devem ser claras, não ofensivas e fáceis de responder para os participantes da pesquisa.

Viés do entrevistador Cientistas têm dedicado esforços para determinar até que ponto as respostas dos entrevistados são afetadas pelas características do entrevistador. As principais características do entrevistador que demonstraram influenciar as respostas em pesquisas são raça, gênero, e peso corporal relativo (IMC), sendo particularmente operantes quando as perguntas estão relacionadas à característica do entrevistador.

Aplicações A metodologia de survey é amplamente utilizada em diversos campos do conhecimento:

Ciências sociais e políticas: estudos de opinião pública, pesquisas eleitorais, análises de comportamento político. Marketing e estudos de mercado: investigação de preferências do consumidor, avaliação de produtos e serviços. Saúde pública: levantamentos epidemiológicos, estudos sobre acesso a serviços de saúde. Educação: avaliações de satisfação discente, estudos sobre práticas pedagógicas. Estudos organizacionais: pesquisas de clima organizacional, avaliações de satisfação de funcionários, ou mesmo análise sobre fatores organizacionais que influenciam o comportamento dos trabalhadores.

Exemplos de aplicação na Ciência Política brasileira

Pesquisas sobre democracia e confiança institucional No contexto brasileiro, destaca-se a pesquisa "A desconfiança dos cidadãos nas instituições democráticas", desenvolvida entre 2005 e 2009. A a investigação utilizou survey nacional realizado em junho de 2006 para examinar o fenômeno da confiança política na democracia brasileira contemporânea. A pesquisa investigou múltiplas dimensões das instituições democráticas, abrangendo desde a comunidade política e as concepções sobre cidadania até instituições de representação como o Congresso Nacional e partidos políticos, além de órgãos executivos e do poder judiciário. Os resultados evidenciaram um paradoxo na democracia brasileira: embora houvesse crescente adesão normativa ao regime democrático pela população, observava-se simultaneamente elevados níveis de desconfiança nas instituições políticas.

Monitoramento de políticas públicas Durante a pandemia de COVID-19, a Rede de Pesquisa Solidária em Políticas Públicas e Sociedade, criada em março de 2020, desenvolveu extenso trabalho de coleta e análise de dados para subsidiar políticas de enfrentamento à crise sanitária. A iniciativa desenvolveu indicadores para mensurar a rigidez de medidas de distanciamento social adotadas pelos estados brasileiros, além de avaliar o impacto de políticas emergenciais sobre mercado de trabalho, proteção social e acesso a serviços de saúde.

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