thumb|right|250px|Granadeiro do Exército Português, em 1740. Um granadeiro é um soldado especializado no lançamento de granadas.

A especialidade de granadeiro foi estabelecida em meados do século XVII, tendo como funções específicas o lançamento de granadas de mão e, ocasionalmente, as operações de assalto, mas foram evoluindo com o passar do tempo. Pela especificidade das suas funções, os granadeiros eram tradicionalmente escolhidos de entre os soldados mais altos e mais fortes. No início do século XVIII, o lançamento de granadas de mão já não era relevante, mas continuavam a existir granadeiros, como soldados de assalto de elite. Normalmente, lideravam o assalto da infantaria durante as batalhas campais. Nas operações de sítio, também era frequente serem os granadeiros juntamente com os sapadores a liderar o assalto às brechas feitas nas muralhas.

Os granadeiros faziam quase sempre parte da infantaria. No entanto, durante o século XIX, a França, a Argentina e o Chile criaram unidades de granadeiros a cavalo, de cavalaria pesada, cujos soldados também eram escolhidos pelo seu tamanho e capacidade.

A partir da Primeira Guerra Mundial - para lá da designação honorífica mantida por certas unidades - ressurgiu a função militar de granadeiro, responsável pelo lançamento de granadas à mão ou através de lança-granadas.

História Origens thumb|right|200px|Granadeiros prussianos em 1715. O conceito do lançamento de granadas remonta à dinastia Ming, época em que é referido o seu uso pelos soldados das guarnições da Grande Muralha da China. Nos exércitos ocidentais, as primeiras referências a soldados lançadores de granadas vêm da Áustria e da Espanha. Também são feitas referências a este tipo de soldados na Guerra Civil Inglesa. Contudo, foi o Rei Luís XIV de França quem criou oficialmente os granadeiros como um tipo de soldado e de unidade especializada no final do século XVII. Aparentemente, foi o tenente-coronel Jean Martinet quem introduziu a ideia de ter soldados destacados para o lançamento de granadas, no Régiment du Roi em 1667.

No Exército Francês, cada regimento de infantaria passou a incluir uma companhia de granadeiros, modelo que foi posteriormente seguido por grande parte dos restantes exércitos da Europa. Como a sua função implicava força física e sangue frio, os granadeiros eram selecionados de entre os soldados mais altos, mais fortes e mais experientes. Agrupando os melhores soldados de cada regimento e ocupando normalmente os flancos das formações de infantaria, as companhias de granadeiros passaram a ser também referidas como "companhias graduadas", "companhias de elite" ou "companhias de flanco". Estes termos passarão a designar o conjunto das companhias de granadeiros e de infantaria ligeira dos regimentos, com a introdução destas últimas em alguns exércitos no século XVIII. Sendo tropas de elite, logo no início da sua introdução, as companhias de granadeiros começaram a ser empenhadas em outras funções distintas da sua tarefa original de lançar granadas, nomeadamente em missões de maior dificuldade como a liderança das operações de assalto.

Os granadeiros como tropas de elite O uso da granada de mão declinou acentuadamente no início do século XVIII, um facto que pode ser atribuído à generalização da espingarda de pederneira e à melhoria da eficiência das táticas das linhas maciças de infantaria. Continuou contudo a existir a necessidade de tropas de assalto de elite, sendo as existentes companhias de granadeiros mantidas para este fim. Como foi atrás referido, o tamanho físico acima da média continuou como sendo o critério base de seleção de soldados para estas companhias. Este critério tradicional era especialmente aplicado quando do levantamento de novos regimentos, altura em que era necessário preencher rapidamente as companhias de granadeiros com novos recrutas. No entanto, posteriormente, este critério passava a ser menos importante, começando as vagas surgidas nas companhias de granadeiros a ser preenchidas por soldados selecionados, não tanto pelo seu tamanho, mas sobretudo pela sua experiência e pelas capacidades demonstradas. left|thumb|315px|Granadeiros avançando no flanco de um regimento de infantaria do Exército Prussiano, em 1745. Seja pelo seu aspeto, seja pela sua reputação, os granadeiros tenderam a transformar-se nas tropas de apresentação dos respetivos exércitos, sendo destacados para missões de grande visibilidade, com privilégios superiores aos das outras tropas. Por exemplo, as companhias de granadeiros eram normalmente dispensadas de funções rotineiras, como a faxina e as patrulhas, mas eram encarregues da guarda dos quartéis-generais. Quando um regimento formava em linha, a companhia de granadeiros ocupava sempre o flanco direito, considerado a posição mais honrosa.

Na maioria dos exércitos, eram também nas companhias de granadeiros que se incorporavam os sapadores regimentais - tradicionalmente equipados com machados e usando barbas compridas - que tinham a função de abrir itinerários e de realizar pequenos trabalhos de engenharia militar.

No âmbito das táticas militares em vigor na maioria dos exércitos ocidentais até início do século XIX, em campanha, as companhias de granadeiros eram destacadas dos seus regimentos de origem e agrupadas em batalhões provisórios de granadeiros. Ocasionalmente, poderiam ser inclusivamente formadas grandes unidades de granadeiros, como brigadas e mesmo divisões. Por outro lado, quando numa força em campanha não existia um número suficiente de companhias de granadeiros para formar um batalhão, estas poderiam ser agrupadas com as companhias regimentais de infantaria ligeira, formando batalhões mistos de elite (ocasionalmente referidos como "batalhões de flanco"). Finda a campanha, estas unidades provisórias eram dissolvidas, voltando as companhias de granadeiros aos regimentos de origem.

Regimentos de granadeiros thumb|200px|Granadeiros a cavalo da Guarda Imperial de Napoleão. Devido ao prestígio associado aos granadeiros, em vários exércitos foi concedido o título honorífico de "granadeiros" a alguns regimentos de elite. Ao contrário dos batalhões provisórios de granadeiros formados em campanha, os regimentos de granadeiros eram unidades permanentes, estando normalmente associados às guardas reais ou imperiais. O primeiros destes regimentos foi o dos Granadeiros de Postdam, transformado pelo Rei Frederico Guilherme I da Prússia, a partir de 1713, numa unidade de elite composta apenas por soldados com altura superior a 1,88 m (numa época em que altura média dos homens alemães era inferior a 1,64 m), que ficou por isso conhecida como os "Gigantes de Postdam". Ainda no século XVIII foram criados o Regimentos de Granadeiros da Guarda da Rússia e o de Granadeiros de Bombaim da Índia Britânica. Napoleão Bonaparte irá criar, no início do século XIX, uma série de regimentos de granadeiros no seio da sua Guarda Imperial, nomeadamente um regimentos de granadeiros a pé e outro de granadeiros a cavalo da Velha Guarda, quatro regimentos de granadeiros a pé e outro de fuzileiros-granadeiros da Média Guarda e dois regimentos de atiradores-granadeiros, dois de conscritos-granadeiros e um de flanqueadores-granadeiros na Jovem Guarda. Em 1815, o 1º Regimento de Guardas a Pé do Exército Britânico recebe o título de "granadeiros", passando a designar-se "Regimento de Guardas Granadeiros".

Com a padronização da instrução e das táticas de infantaria, deixou de ser necessária a existência de companhias de granadeiros ao nível regimental, sendo estas subunidades extintas na maioria dos exércitos, durante as décadas de 1850 e de 1860. A designação "granadeiros" foi contudo mantida como título honorífico de diversos regimentos. No início da Primeira Guerra Mundial, por exemplo, os exércitos da Alemanha e da Rússia mantinham uma série de regimentos de granadeiros. No Exército Russo, para lá do Regimento de Granadeiros da Guarda, existia o Corpo de Granadeiros com 16 regimentos. No Exército Alemão existiam cinco regimentos de granadeiros na Guarda Prussiana e 14 regimentos de granadeiros na infantaria de linha. Tanto no Exército Russo como no Alemão, os regimentos de granadeiros eram considerados unidades históricas de elite, usando uniformes com itens e distintivos especiais. No entanto, as suas funções e treino já não diferiam, na prática, das restantes unidades de infantaria.

Granadeiros modernos A partir da Primeira Guerra Mundial, a especialidade de granadeiro voltou a existir como função efetiva - e não apenas como título honorífico - na sequência da reintrodução do uso tático das granadas de mão. Em muitos exércitos, o termo "granadeiro" passou a designar os soldados especialistas no lançamento de granadas à mão ou através de vários tipos de lança-granadas. thumb|left|300px|Moderno granadeiro do Exército dos EUA, armado com um lança-granadas XM320. A última unidade conhecida a servir como granadeiros (usando a granada como arma principal) foi a Brigada de Granadeiros formada pelo Exército Soviético, na Segunda Guerra Mundial, durante as operações defensivas de outubro de 1941 do seu 4º Exército. Foi uma medida tomada em virtude da falta de armas ligeiras, sendo o comandante de brigada o major-general Timofeyev que havia servido nos regimentos de granadeiros do Exército Imperial Russo na Primeira Guerra Mundial.

Nos modernos exércitos da OTAN, normalmente existe um soldado granadeiro em cada secção dos pelotões de infantaria. Os granadeiros estão normalmente equipados com um lança-granadas ou dilagrama (dispositivo de lançamento de granadas de mão) montado sob o cano da sua arma de assalto. Consoante a situação tática, os granadeiros podem disparar granadas de vários tipos, como de alto-explosivo, antiblindagem, de fumo ou de iluminação. Além disso, todos os soldados de infantaria são treinados no lançamento de granadas de mão.

Panzergrenadier Durante a Segunda Guerra Mundial, com o corrente contexto político-econômico do conflito e a constante modernização das diversas forças de defesa, o sucesso das manobras militares dependia da ligeira tomada de territórios. Em razão disso, as trincheiras caíram em desuso e, com elas, os granadeiros também sucumbiram. Uma vez que qualquer soldado sem especialização era capaz de portar explosivos ou granadas de mão sem a necessidade do uso de técnicas de arremessos entre trincheiras, poucos países mantinham regimentos de granadeiros, como a União Soviética. Entretanto, em 1942, visando aumentar o grau de especialidade da tripulação dos veículos blindados da infantaria, a Alemanha reativou os granadeiros totalmente repaginados, divididos em batalhões designados "Panzergrenadier" (alemão literal para "Granadeiros Blindados"), termo que a partir de então seria usado para se referir à infantaria mecanizada ou motorizada do exército alemão. Além das táticas convencionais aplicadas para o uso de carros de combate, a tripulação também era especializada no arremesso da Stielhandgranate e no uso de lança-foguetes Panzerschreck. Durante o combate, parte da tripulação desembarcava dos blindados e combatiam o inimigo, muitas vezes através dos flancos, utilizando estes explosivos. A estratégia servia para desmantelar a formação das tropas inimigas e causar avarias em seus veículos, auxiliando o avanço das viaturas Panzer. O poder destrutivo dos Panzergranadier e a resistência das linhas de defesa que conseguiam formar em questão de instantes, foram uma das principais razões do atraso no avanço dos Aliados no teatro de operações europeu e da Campanha Norte-Africana. Em resposta à sua notável eficiência, até hoje, o exército alemão mantém os Panzergranadier ativos como subunidades de combate de elite.

Armas e uniformes dos granadeiros Granadas