Quito (; ), originalmente São Francisco de Quito, é a capital e a segunda cidade mais populosa do Equador, localizada no noroeste da América do Sul. A partir de 2008 também passou a ser a capital da Unasul. Situa-se ao norte do Equador na bacia do rio Guayllabamba nas inclinações orientais do Pichincha (), um vulcão ativo na cordilheira dos Andes. A Praça da Independência situa-se a acima do nível do mar. Quito é a segunda cidade capital mais elevada do mundo depois de La Paz, na Bolívia. A população de Quito, segundo o censo mais recente (2010), é de . A área de Quito é de, aproximadamente, 422 802 hectares.

Quito fica situado aproximadamente ao sul da linha do Equador. Um monumento marca o local como la mitad del mundo ("o meio do mundo"). Devido à altitude e localização da cidade, o clima em Quito é razoavelmente constante, com uma temperatura máxima tipicamente ao redor dos em qualquer dia do ano. Há somente duas estações em Quito, o verão (a estação seca) e o inverno (a estação chuvosa).

Quito foi fundada em 6 de dezembro de 1534 pelo espanhol Sebastián de Benalcázar com o nome de San Francisco de Quito.

Etimologia Segundo o pesquisador equatoriano Jacinto Jijón y Caamaño (1890-1950), a palavra Quito corresponde "à língua dos colorados, por sua base qui, particular dessa língua", é dizer, à língua tsafiqui (da etnia Tsáchila). Na mesma explicação aparece: "Quito, nome dessa capital, tem dado lugar a várias explicações: Quito, em quéchua significa pomba: Quito, província, sítio, comarca, espaço, largura, buraco".

No Vocabulário da língua geral de todo Peru, escrito em 1608 pelo religioso espanhol Diego González de Holguín, aparecem os nomes quito e quiti, como acepção de pomba, lugar ou província.

Outros autores acham que o nome é uma referência aos "Quitus" ou "descendentes de Quitumbe", os quais povoaram a atual área urbana de Quito desde o século XVI a.C..

O pesquisador Cristóbal Cobo criou em 2006 um projeto multidisciplinar com a ideia de recuperar os sítios arqueológicos de Quito. O nome do projeto virou Quitsato, de origem tsáfiqui e, que segundo as novas pesquisas significa "local do meio" e teria sido a origem do nome.

Dentro dos trabalhos desenvolvidos está a recuperação do morro Catequilla (2 660 m), localizado na região do vale de Pomasqui. No cume do morro foram achados dois círculos de pedra que provavelmente foram usados para observações astronômicas e rituais relacionados com o sol e a lua. O local está atravessado pela linha do Equador e constitui uma mostra da sabedoria dos antigos habitantes pré-incas.

História Período Pré-cerâmico (14000 – 2000 a.C.)

Primeiros povoadores dos Andes equatoriais thumb|Pontas de lança de obsidiana do sítio arqueológico El Inga (8.000 a.C.).Se pensa que por volta dos anos 14 000 e 13000 a.C., as condições ambientais resultantes do processo dos glaciares e a abundância dos bosques montanos nos vales andinos, abriram o caminho para a penetração e estabilidade de alguns grupos. A maioria dos restos materiais achados correspondem a instrumentos de caça ou de corte de peças. Um dos principais e mais antigas descobertas que confirmam a existência desses circuitos de caça é o sítio arqueológico de El Inga, aos pés do monte Ilaló e da cordilheira oriental.

Os caçadores e coletores foram pessoas que viviam de forma coletiva, se movimentavam de acordo às suas necessidades. Estavam organizados, provavelmente por “bandas”; compostas por homens e mulheres de todas as idades, onde o mais forte ou sábio (homem ou mulher), fora seu guia tanto na sobrevivência quanto na parte espiritual. O espírito do grupo e convivência que se originou neste tempo, continuou com predomínio até chegar ao que atualmente chamamos de coletividade (comunidade) de várias nacionalidades indígenas. O conhecimento e exploração respeitosa e religiosa da natureza, fez lhes rotar ciclicamente nos seus territórios, de acordo à presença de animais de caça ou às épocas de frutos. O longo tempo que durou este período, é uma mostra de que a humanidade foi conhecendo o comportamento de cada elemento da natureza e sua validez para la sobrevivência humana. Isto é conhecido como transumância, o que significa que não eram simples nômades como se pensava, porém que já tinham conhecimento dos ciclos. A trasumância é uma prática comum em muitos povos do mundo atual e é definida como um tipo de pastoreio em constante movimentação, adaptável no espaço e a zonas de produtividade cambiante. Se diferencia do nomadismo em ter assentamentos estacionais fixos e um núcleo principal fixo (povoado) do qual provem a população que a pratica. El Inga parece ter sido um acampamento base destes primeiros povoadores andinos.

As condiciones climáticas não têm permitido a preservação de restos ósseos, sejam dos primeiros povoadores de El Inga, ou dos animais que caçavam. Também não têm se achado vestígios de sua alimentação ou de sua moradia. O único material de que se tem para interpretar este complexo cultural é uma série de finos utensílios de pedra lavrados por seus habitantes. Os materiais mais comuns achados têm sido basalto e obsidiana. Segundo os relatórios do arqueólogo norte-americano Robert Bell de 1965 se estabeleceu que nesta zona existem instrumentos de pedra como: pontas de lança ou projetil, cortadores, facas bifaciais, raspadores, perfuradoras. No total, têm se determinado arredor de 50 diferentes tipos de objetos de obsidiana e basalto. Pontas de lança de forma chamada "cauda de peixe" estilo daquelas achadas em Clóvis, nos Estados Unidos são algumas peças caraterísticas.thumb|Facas e outras ferramentas de obsidiana de El Inga (8.000 a.C.). Período Formativo (2000 - 500 a.C.)

A origem da agricultura e a cerâmica Segundo as pesquisas arqueológicas, a origem da agricultura e da cerâmica mais antiga das Américas está no litoral do Equador por volta do ano 3900 a.C. com a cultura Valdivia e no litoral atlântico da Colômbia em Puerto Hormiga. Quase mil anos depois, começou o processo de domesticação de plantas, sedentarização e aparecimento de novas tecnologias na região andina.thumb|Garrafa de crâmica com alça-estribo de Cotocollao, parecida com a cultura Machalilla (1500 a.C.).O arqueólogo Robert Bell escreveu sobre uma peça de cerâmica achada em El Inga, datada mediante C-14 em 1950 a.C. "Parece que na região do Ilaló existiu continuidade na ocupação humana desde o paleoíndio até o formativo".

No entanto, é na zona norte da atual cidade, no bairro de Cotocollao onde se encontraram os vestígios humanos mais antigos do período formativo. Este assentamento populacional se desenvolve a partir do ano 2000 a.C. e avança até 500 a.C.; o que dá uma permanência contínua de mais de dez séculos sustentada, principalmente pela agricultura (milho).

Neste local -localizado junto a uma antiga lagoa hoje seca- foi descoberto um grande vilarejo que foi crescendo até ocupar uma área de 26 hectares e alcançar uma população aproximada de 750 habitantes. Estava composto por vários bairros ou zonas de moradias agrupadas, as quais estavam separadas por zonas intermédias não construídas, geralmente correspondentes a leitos de voçorocas ou ravinas.

As moradias eram retangulares e tinham uma extensão de 5 por 8 metros. As suas paredes eram feitas com grandes postes recobertos com uma técnica parecida com o pau a pique e os tetos de palha. Foram construídas sobre degraus artificiais, de uma altura de uns 60 cm. No seu interior, ao longo das paredes, tinha plataformas de madeira para dormir. Abaixo do chão se escavaram poços de armazenagem e seu centro estava ocupado por um grande fogão para cozinhar e esquentar-se. Afora da casa, perto das paredes tinha outros fogões e poços de armazenagem.thumb|Tigela de cerâmica de Cotocollao (1500 a.C.).Além das casas também existiam pequenos cemitérios nos quais se acharam mais de duzentos esqueletos em perfeito estado de conservação, graças em parte, à queda de cinza vulcânica acumulada.

As pesquisas arqueológicas revelaram dois tipos de enterros: os mais antigos foram túmulos escavados em cangahua (cinza vulcânica consolidada), onde se colocava o corpo do defunto deitado do lado, com as pernas dobradas contra o corpo com um simples enxoval composto por pedras. Mais adiante, estes povoadores praticavam enterros primários (corpos flexionados, sentados e alguns com evidências de ter sido amarrados para manter a forma) e enterros secundários (ossos reagrupados por segunda inumação, os mais compridos colocados numas cestas ou suportes para os crânios).

A variada cerâmica permite aos arqueólogos reconstruir a história desta civilização. As técnicas utilizadas têm relação com a fase final da cultura Valdivia do litoral, além das culturas Machalilla e Chorrera. Devido à localização geográfica de Quito, entre as terras baixas do Pacífico e a bacia amazônica, a região converteu-se num importante eixo comercial muito ativo desde tempos muito antigos. Matérias primas exóticas como conchas marinhas ou algodão vieram de regiões muito distantes.

Os habitantes de Cotocollao foram especialistas no trabalho com pedras tão variadas como quartzo, serpentina, basalto e sílex que inclusive exportavam para o litoral além do vidro vulcânico da obsidiana. Houve uma rede muito forte de troca de produtos entre os Andes e o litoral.

Esta civilização foi destruída por uma erupção do vulcão Pululahua. Este evento não foi produzido repentinamente, mas de um jeito que deu tempo à população para abandonar a aldeia. O promédio das datas arqueológicas para a ocupação final oscila entre 500 a.C., enquanto a data geológica da cinza do Pululahua é datada por volta de 350 a.C..

Período de Desenvolvimento Regional (500 a.C. - 1000 d.C.)

Jardín del Este, La Florida e Rumipamba Entre 1919 a 1933, o arqueólogo alemão Max Uhle veio ao Equador convidado pelo arqueólogo Jacinto Jijón y Caamaño. Durante esse tempo fez escavações no vale de Cumbayá, localizado ao leste da cidade atual. Aqui achou vários enterros que deram para ele a ideia da existência de uma civilização caracterizada pelos avanços tecnológicos com a cerâmica. A localização geográfica desse povo encontra-se nos atuais vilarejos rurais de Tumbaco, Puembo, Pifo e Yaruqui ao leste, e se espalhou ao norte por Cayambe até Caranqui (atual Ibarra) e ao sul-leste por Chillogallo até Santo Domingo de los Tsáchilas.

Entre 1986 e 1987, novas escavações realizadas no condomínio Jardín del Este, apenas 700 metros mais distantes do local estudado por Uhle, confirmaram a presença de uma importante cultura pré-colombiana e que corresponderia a aquela descrita pelo religioso jesuíta Juan de Velasco no século XVIII como "Quitu". thumb|Vista do planalto de Quito onde se levanta o vulcão Pichincha. No atual Parque La Carolina se encontrava a lagoa de Iñaquito. A atual cidade de Quito fica na parte mais estreita de um planalto e nos contrafortes da montanha Pichincha. Faz fronteira ao leste com vários morros como Puengasí, Guanguiltagua e Itchimbía que se encontram espalhados por ravinas produto do sistema de falhas da cordilheira dos Andes. Para o sul se estende até a zona de Tambillo e ao norte até Pomasqui-San Antonio. Seu terreno é irregular com altitudes que vão desde a 3 100 m.

Dentro da cidade existem zonas lacustres que formam pequenos pântanos e que tiveram grande importância na época pré-hispânica para a obtenção de totora, hematites, peixes e aves e inclusive para a agricultura em camellones, como tem se demostrado em várias pesquisas.

Na zona urbana de la "Y", o antigo aeroporto e o bairro de Jipijapa os solos estão formados por argilas, limos e areias com pomes que correspondem a depósitos lacustres e vulcânicos, os mesmos que são a origem da extinta lagoa de Iñaquito (velho aeroporto).