Demografia do Paranácentro|thumb|350px|Densidade Populacional do Paraná. Ficha técnica Área 199.314,850 km². População 11 081 692 hab. (2014). Densidade 55,6 hab/km² (2014).</sup> Crescimento demográfico 1,4% ao ano (1991-2000).</sup> População urbana 81,4% (2000).</sup> Domicílios 2.664.276 (2000).</sup> Carência habitacional 260.648 (est. 2000). Acesso à água 90,05%; Acesso à rede de esgoto 62% (2005). IDH 0,820 (2005). Número de Municípios 399. A demografia do estado do Paraná é um domínio de estudos e conhecimentos sobre as características demográficas do território paranaense. A população do estado do Paraná no censo demográfico de 2010 era de habitantes, sendo a sexta unidade da federação mais populosa do país, concentrando aproximadamente 5,5% da população brasileira e apresentando uma densidade demográfica de 52,4 habitantes por quilômetro quadrado (a décima segunda maior do Brasil). De acordo com este mesmo censo demográfico, 85,33% dos habitantes viviam na zona urbana e os 14,67% restantes na zona rural. Ao mesmo tempo, 50,87% eram do sexo feminino e 49,13% do sexo masculino, tendo uma razão de sexo de 96,56. Em dez anos, o estado registrou uma taxa de crescimento populacional de 9,27%.

Dos 399 municípios paranaenses, apenas dois tinham população acima dos quinhentos mil: Curitiba, a capital, e Londrina, no norte do estado. Outros dezesseis tinham entre e (Maringá, Ponta Grossa, Cascavel, São José dos Pinhais, Foz do Iguaçu, Colombo, Guarapuava, Paranaguá, Araucária, Toledo, Apucarana, Pinhais, Campo Largo, Arapongas, Almirante Tamandaré, Umuarama, Piraquara e Cambé), quatorze de a , 55 de a , 109 de a , 105 de a , 93 de a e cinco até dois mil (Esperança Nova, Miraselva, Santa Inês, Nova Aliança do Ivaí e Jardim Olinda). A maior parte da população do estado se concentra na Mesorregião Metropolitana de Curitiba, que corresponde à região leste paranaense, com mais de 30% da população paranaense. Curitiba, sozinha, abrigava 16,8% do total de habitantes, além de possuir a maior densidade demográfica em relação aos demais municípios ( hab./km²), enquanto Alto Paraíso, no noroeste, detinha a menor (3,31 hab./km²).

O Índice de Desenvolvimento Humano do Paraná é considerado alto conforme o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Segundo o último Atlas do Desenvolvimento Humano do Brasil, divulgado em 2013, com dados relativos a 2010, o seu valor era de 0,749, estando na quinta colocação a nível nacional e na segunda a nível regional, depois de Santa Catarina. Considerando-se o índice de longevidade, seu valor é de 0,830 (9º), o valor do índice de de renda é 0,757 (6º) e o de educação é de 0,668 (6º). O coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, é de 0,47 e a incidência da pobreza de 39,07%. A taxa de fecundidade do Paraná é de 1,86 filhos por mulher, uma das mais baixas do Brasil.

Rede demográfica

esquerda|thumb|Distribuição da População no Estado do Paraná.

A distribuição dos grandes municípios do Paraná é de certa forma bem homogênea. No leste a Região Metropolitana de Curitiba (RMC) engloba diversos municípios, contando com cerca de 3 milhões de habitantes. No norte Londrina e Maringá polarizam outra região fortemente povoada. No oeste o município de Cascavel com quase 300 mil habitantes e Toledo com aproximadamente 120 mil habitantes criam outra zona fortemente povoada, além de Foz do Iguaçu, que juntamente com Ciudad del Este no Paraguai e Puerto Iguazú na Argentina formam uma aglomeração de quase 700 mil habitantes. A região central do Paraná a despeito da baixa densidade populacional ainda sim conta com Guarapuava com cerca de 160 mil habitantes e Ponta Grossa, um pouco mais ao leste, com mais de 350 mil habitantes.

Evolução demográfica Evolução demográfica do estado do Paraná. Composição étnica

thumb|200px|Índios caiouás em 1860 no Paraná. Atualmente os indígenas representam menos de 1% dos paranaenses. A população do Paraná é composta basicamente por brancos, negros e indígenas. O governo do estado reconhece 28 etnias que contribuíram com a colonização do Paraná. No Brasil colonial, os colonizadores espanhóis foram os primeiros a iniciar o povoamento no território paranaense. Os portugueses e seus descendentes são a maioria da população do Estado. Existe também uma grande e diversificada população de descendentes de imigrantes, tais como italianos, alemães, poloneses, ucranianos, japoneses e árabes. Há também minorias de imigrantes neerlandeses, coreanos, chineses, búlgaros, russos, franceses, austríacos, chilenos, noruegueses, argentinos e muitos outros.

thumb|200px|Festividade polonesa de Natal, evento da comunidade polonesa em Curitiba. A comunidade polonesa é uma das principais composições étnicas do povo paranaense. Além dos indígenas, o Paraná conta com outras populações consideradas tradicionais: comunidades quilombolas, caiçaras, cipozeiras, faxinalenses e ilhéus. Outras comunidades também podem ser observadas como os assentados e ciganos. Conforme pesquisa de autodeclaração do censo de 2022, 64,57% dos paranaenses declararam-se brancos, 30,06% pardos, 4,24% pretos, 0,88% amarelos e 0,24% indígenas. Em 2010, 99,73% eram brasileiros (99,52% natos e 0,21% naturalizados) e 0,27% estrangeiros. Entre os brasileiros, 88,50% nasceram no Sul (82,98% no próprio estado) e 11,5% em outras regiões, sendo 7,61% no Sudeste, 1,92% no Nordeste (1,92%), 0,7% no Centro-Oeste e 0,25% no Norte. Muitas pessoas migram de outros estados brasileiros para Paraná em busca de trabalho ou melhores condições de vida. Dentre os estados, São Paulo tinha o maior percentual de residentes (5,29%), seguido por Santa Catarina (2,84%) e Rio Grande do Sul (2,68%).

Etnias Indígenas

thumb|200px|esquerda|Estátua do Cacique Tindiqüera em homenagem ao povo tingüi, no Parque Tingui. A distribuição primitiva dos indígenas no Paraná limitava-se aos do grupo tupi-guarani no litoral, no oeste e noroeste; aos Jê (botocudo e caingangue) com distribuição geográfica mal definida, embora ocupassem extensivamente os campos de Guarapuava e o segundo planalto paranaense até o final do século XIX, preferencialmente sobre a Floresta de Araucária.

Em 1953, foram descobertos os Xetá, que haviam se isolado na Serra dos Dourados (noroeste do estado) vivendo no mais puro estado primitivo, dos quais nada mais resta na região. Aos indígenas, o paranaense deve o nome de seu estado e de muitas de suas cidades, o hábito de tomar chimarrão e a culinária, entre outros costumes.

Os indígenas atualmente não miscigenados são protegidos pela FUNAI, e vivem em postos como São Jerônimo da Serra, Guarapuava, Palmas, Mangueirinha, Apucarana, Ortigueira, Laranjeiras do Sul e outros. São compostos pelas etnias Kaingang, Xetá, Guarani-Ñandeva e Guarani-M'byá. Um dos principais vestígios arqueológicos deixados pelos indígenas são os sambaquis do litoral. São conchas, ostras, ossos de animais sobretudo marinhos e pedras, amontoados irregularmente, nos quais encontra-se farto e abundante material arqueológico., p. 10-11.

Negros e pardos

thumb|200px|Manequim negra estilo namoradeira durante o carnaval de Antonina. O único grupo negro que migrou oficialmente para o Paraná no período colonial foi o banto. No Sul do Brasil, devido à grande imigração de brancos europeus entre meados do século XIX e início do século XX, o negro, que constituiu a maior parte da mão-de-obra do Brasil colonial, aparece em menor porcentagem do que em outras regiões do país. Considerando as pessoas pretas e pardas, o Paraná é o estado mais negro da região Sul do País.

No Paraná, a etnia negra contribuiu significativamente para a formação do povo paranaense. Os negros concentraram-se primeiramente nas regiões que foram colonizadas como litoral, região de Curitiba, Campos Gerais e Guarapuava. Inicialmente habitavam as fazendas e depois as cidades, como Lapa, Castro, Ponta Grossa, Antonina, Guaraqueçaba, Paranaguá e Curitiba. Em Curitiba, o negro estava presente no trabalho doméstico, mas também tinha lugar importante no cenário cultural da cidade, onde demonstravam seus talentos, como, por exemplo, participando de musicais e "cantos" no largo do mercado municipal. Muitos negros vieram para o Paraná também de outras regiões do Brasil, como de São Paulo e Minas Gerais. Posteriormente formaram núcleos em outros municípios, como na região do Vale do Ribeira, em Adrianópolis, Doutor Ulysses e Bocaiúva do Sul; região dos Campos Gerais, em Arapoti, Campo Largo, Curiúva, Tibagi e Ventania; região centro-sul, em Candói, Ivaí, Guarapuava, Palmas e Turvo. E mais tarde até em áreas mais extremas do estado, como na região oeste, em Guaíra e São Miguel do Iguaçu. Na primeira metade do século XIX, o número relativo de escravos negros chegou a 40% da população da província do Paraná. thumb|200px|esquerda|Sessão Solene em comemoração ao Dia Nacional da Consciência Negra em Curitiba. Os núcleos tradicionais formados nos municípios possuem características de remanescentes de comunidades quilombolas e comunidades negras tradicionais. Somente na comunidade do Feixo, na Lapa, vivem cerca de 150 famílias descendentes de negros que foram escravizados. Até o ano de 2008, foram identificados 90 agrupamentos dessas comunidades no Paraná, sendo que somente 36 quilombos foram certificados pela Fundação Palmares. A maior parte dessas comunidades são rurais, estando localizadas longes das sedes municipais e em regiões de baixo IDH. Por muito tempo essas comunidades foram marginalizadas e ficaram longe da atenção do poder público. Em 2014 a comunidade quilombola no Paraná era formada por, pelo menos, 11.008 pessoas, distribuídas em 2.779 domicílios em 18 municípios. Já em 2021 o governo do Paraná considerou 9.631 pessoas como quilombolas.

No estado do Paraná, os mestiços são numerosos, sendo que o mais característico é o caboclo do Litoral. Sua influência aparece nos costumes locais como na religiosidade, no fandango (dança folclórica) e no barreado (comida regional). Nos Campos Gerais ainda mantém características marcantes como a agricultura voltada à própria subsistência, o mutirão e a coletividade, e vivenciam tradições como a dança de São Gonçalo, o Terço Cantado e a Recomendação da Quaresma. Em muitas comunidades é ainda comum observar o vasto conhecimento de ervas e plantas medicinais e o sincretismo religioso, que recebeu a influência de elementos ancestrais da matriz africana.

Branco europeu e asiático

thumb|200px|Alameda de pedra no Bosque de Portugal, em homenagem aos imigrantes portugueses, em Curitiba. Dos europeus, entraram no Paraná, povos dos grupos atlanto-mediterrâneos, germânicos, eslavos e outros grupos menores. Dos atlanto-mediterrâneos, conhecidos como povos latinos, sobressaem os portugueses, os espanhóis e os italianos.

Os portugueses e seus descendentes constituem a maioria da população, não só por ter sido o elemento colonizador, mas também por ser o único que não sofreu restrições numéricas de entrada no Brasil.

Os espanhóis entraram no Brasil notadamente na época do Brasil Colônia, especialmente no curto período no qual Portugal pertenceu à Espanha. Localizaram-se junto às grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro. No estado do Paraná, além de se concentrarem na região de Curitiba, Arapoti e Jacarezinho, descendentes de espanhóis (argentinos e paraguaios) são encontrados na fronteira com o Paraguai e a Argentina, principalmente na região de Foz do Iguaçu.