O príncipe consorte de Portugal era o marido de uma Rainha reinante de Portugal. Segundo a tradição portuguesa, ao príncipe consorte poderia ser concedido, mediante certas condições, o título de "rei", tornando-se assim rei consorte.

Ao contrário do que acontecia na maioria das Monarquias europeias anteriormente à segunda metade do século XIX, as monarquias ibéricas - entre as quais a portuguesa - permitiam a subida ao trono de mulheres, como rainhas reinantes, em virtude de não estarem sujeitas à Lei Sálica.

Em Portugal, uma mulher podia subir ao trono se fosse a filha legítima mais velha do anterior rei, desde que o mesmo rei não tivesse filhos legítimos do sexo masculino. O Brasil, durante o império, adotou a mesma prática portuguesa.

Segundo a tradição portuguesa, o marido (consorte) de uma rainha reinante receberia o título de "príncipe" até a rainha ter um filho seu. Depois disso poderia ser-lhe concedido o título de "rei" jure uxoris, co-governante com direito a título e numeração próprios, e de comandante supremo do Exército. Esta prática foi consagrada constitucionalmente, durante a monarquia constitucional:

Já antes, estavam consagradas nas Atas das lendárias Cortes de Lamego:

Devido às vicissitudes da história, em quase oitocentos anos de monarquia, só por três vezes se reuniram condições para a subida ao trono de mulheres (foram elas Teresa de Leão, Maria I de Portugal e Maria II de Portugal). Por esse facto apenas existiram três consortes masculinos, dos quais dois receberam o título de "rei".

Vale a pena salientar que, na condição de rainha, a chefe dinástica era capaz de transmitir a dignidade de dom tanto ao seu cônjuge como aos seus descendentes legítimos.

Consortes reais masculinos de Portugal Dinastia Brigantina NomeRetratoNascimentoCônjugeMorteNotas D. Pedro IIIO Edificador24 de fevereiro de 1777 -25 de maio de 1786(rei consorte) 140px 5 de julho de 1717filho de D. João V de Portugal eD. ª Maria Ana da Áustria D. ª Maria I6 de junho de 17607 filhos 25 de maio de 178668 anos Marido de D. Maria I, foi logo rei consorte, em virtude de já ter filhos de D. Maria I, quando da subida desta ao trono. D. Augusto de Beauharnais26 de janeiro –28 de março de 1835(príncipe consorte) 140px 9 de dezembro de 1810filho de Eugênio de Beauharnais, Duque de Leuchtenberg e Augusta da Baviera D. ª Maria II26 de janeiro de 1835sem filhos 28 de março de 183524 anos Duque de Santa Cruz, primeiro marido de D. Maria II), foi apenas príncipe consorte, nunca recebendo o título de "rei", em virtude de ter morrido sem ter tido filhos da rainha. D. Fernando IIO Rei-Artista9 de abril de 1836 –16 de setembro de 1837(príncipe consorte)16 de setembro de 1837 –15 de novembro de 1853(rei consorte) 140px 29 de outubro de 1816filho de Fernando de Saxe-Coburgo-Gota e Maria Antônia de Koháry D. ª Maria II26 de janeiro de 183511 filhos 15 de dezembro de 188569 anos Segundo marido de D. Maria II, recebeu o título de "rei" a seguir ao nascimento do seu primeiro filho com D. Maria II, em 1837.

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