Ratatouille é um filme estadunidense do gênero animação, sendo o oitavo longa-metragem do gênero produzido pela Pixar e lançado em 2007. Conta a história de Remy, um rato vivendo em Paris que sonha em se tornar um chef de cozinha. O filme foi dirigido por Brad Bird, que assumiu depois de Jan Pinkava em 2005, foi lançado nos EUA em 29 de junho de 2007 e foi lançado no Brasil em 6 de julho do mesmo ano.

O elenco que interpreta as personagens da animação é composto por: Patton Oswalt como o protagonista, o rato Remy. Brad Garrett, dá voz ao chef Auguste Gusteau. O pai de Remy, Jango, é interpretado por Brian Dennehy. Outras vozes conhecidas são de Janeane Garofalo, Ian Holm, o consagrado ator Peter O'Toole, além de Lou Romano e Peter Sohn, que participaram de Os Incríveis (trabalho anterior de Bird).

O filme foi bem recebido pelo público e pela crítica. Na estreia, teve uma arrecadação considerada baixa em relação a outros filmes da Pixar, mas no final foi um sucesso de bilheteira, arrecadando mais de 600 milhões de dólares, o longa recebeu diversos prêmios, inclusive o Óscar de animação em 2008.

Elenco

Patton Oswalt como Remy, um rato com sentidos apurados de paladar e olfato, possibilitando talento e desejo para cozinhar. O diretor Brad Bird escolheu Oswalt depois de ouvir sua rotina de comédia relacionada à comida. Lou Romano como Alfredo Linguini, filho de Auguste Gusteau e Renata Linguini, e um infeliz garotão que faz amizade com Remy. Peter Sohn como Emile, o irmão mais velho voraz de Remy. Janeane Garofalo como Colette Tatou, rôtisseur de Gusteau. Ela é inspirada pela chef francesa Hélène Darroze. Brian Dennehy como Django, o pai de Remy e Emile, e o líder dos ratos. Ian Holm como Chef Skinner, um chef diminuto e proprietário do restaurante Auguste Gusteau. Desde a morte de Gusteau, Skinner usou o nome Gusteau para comercializar uma linha de refeições baratas para micro-ondas. O comportamento de Skinner, o tamanho diminuto e a linguagem corporal são vagamente baseados em Louis de Funès. O personagem recebeu o nome do psicólogo B. F. Skinner. Brad Garrett como Auguste Gusteau, o chef mais famoso da França, que morreu com o coração partido após uma crítica negativa de Anton Ego. Muitos críticos acreditam que Gusteau é inspirado pelo chef Bernard Loiseau da vida real, que cometeu suicídio após especulações da mídia de que seu restaurante principal, La Côte d'Or, seria rebaixado de três estrelas Michelin para duas. La Côte d'Or foi um dos restaurantes visitados por Brad Bird e outros na França. Peter O'Toole como Anton Ego, um crítico de restaurantes cuja crítica negativa levou o restaurante cinco estrelas de Gusteau a ser rebaixado para quatro. Sua aparência foi modelada após Louis Jouvet. Will Arnett como Horst Kerr, o subchefe alemão de Skinner. Julius Callahan como Lalo, saucier e poissonnier de Gusteau. Callahan também dá voz a François, o executivo de publicidade responsável pelo marketing dos produtos para micro-ondas de Gusteau. James Remar como Larousse, o garde manger de Gusteau. John Ratzenberger como Mustafa, o chef de salle de Gusteau. Teddy Newton como Talon Labarthe, o advogado de Skinner. Tony Fucile como Pompidou, o pâtissier de Gusteau. Fucile também dá voz a Nadar Lessard, um inspetor de saúde empregado por Skinner. Brad Bird como Ambrosio, o mordomo de Anton Ego. Jake Steinfield como Git, um ex-rato de laboratório e membro da colônia de Django. Stéphane Roux como o narrador do canal de culinária. Thomas Keller como o restaurateur, como um cliente que pergunta "o que há de novo". Em versões em outras línguas, esse papel também é dublado por um chef. Jamie Oliver como Inspetor de Saúde (versão do Reino Unido).

Produção Cenário O projeto de Ratatouille iniciou-se com o diretor Jan Pinkava, que já havia ganhado um Oscar pelo curta metragem Geri's Game (1997). Ele começou a criar o conceito do filme em 2001, quando também iniciou a direção de algumas cenas da animação. Pinkava deu origem ao desenvolvimento do modelo original da trama, o cenário e aos personagens do núcleo principal. Porém, o rumo que a história começou a tomar fez com que a Pixar desaprovasse o roteiro do diretor, acabando por substituí-lo por Brad Bird em 2005. Essa mudança de diretores se deve à complexidade da história imaginada por Pinkava, com muitos personagens principais e subtramas. Quanto a Bird, ele já havia dirigido outro filme do mesmo estúdio, The Incredibles (2004), e quando começou a trabalhar em Ratatouille, ele afirmou que a estranheza do conceito e do conflito do filme fez com que ele ficasse bastante atraído à animação, em uma entrevista ele disse: "esta é uma história sobre um rato que tem sentidos extraordinários de cheiro que se vê arrastado para cozinhar e não tem qualquer ideia de como se tornar um chef de cozinha. De repente, literalmente, Remy cai na cozinha de um restaurante através da claraboia. Uma das coisas maravilhosas sobre essa premissa é que os ratos são a morte de um restaurante e um restaurante é a morte dos ratos". Quando Bird começou a dirigir o filme, ele fez uma mudança no ênfase da história. Ele matou o Gusteau, deu papéis maiores para os personagens Skinner e Colette, e alterou a aparência dos ratos, de modo no qual eles aparentassem ser menos antropomórficos.

Ratatouille tenta apresentar uma visão romântica e exuberante de Paris, dando-lhe uma identidade distinta dos filmes anteriores da Pixar. Depois do término da edição do script do filme, o diretor Brad Bird, o produtor Brad Lewis, e alguns membros envolvidos na produção da animação, passaram uma semana em Paris com o objetivo de compreender corretamente o ambiente da cidade. Eles visitaram os principais monumentos, fizeram um passeio de moto e comeram nos cinco melhores restaurantes parisienses, com a intenção de dar mais realidade à animação. Quando voltaram aos Estados Unidos, a equipe utilizou 4500 fotografias de Paris como referência para o filme, e continuaram a desenvolver a trama por mais dois anos. De acordo com Bird, este foi o tempo que levou para os técnicos experimentarem coisas que não poderiam ser feitas de outra maneira.

Decoração e comida left|thumb|200px|O chef de cozinha Thomas Keller ajudou a projetar o ratatouille (imagem) utilizado no filme Um dos principais desafios enfrentados pelos cineastas foi a criação da decoração, especialmente aqueles relacionados a comida, já que se tratava de uma animação gerada por computador. Segundo o diretor, o objetivo era fazer com que os alimentos aparentassem ser deliciosos. Para isso, a equipe consultou vários chefs gastronômicos, tanto dos Estados Unidos quanto da França. Os animadores também frequentaram aulas em escolas de culinária na Baía de São Francisco durante seis anos, tudo para que pudessem entender o funcionamento de uma cozinha comercial. A equipe também contou com a colaboração do gerente do Departamento de Layout do filme, Michael Warch, que já tinha uma certa experiência com culinária antes de ir trabalhar para a Pixar, o que permitiu que ele ajudasse outros técnicos, designers e decoradores com a parte alimentícia do longa. O chef de cozinha Thomas Keller é outro profissional da culinária que ajudou a desenvolver a animação dos alimentos. Ele permitiu que o produtor Brad Lewis fizesse um estágio de dois dias em seu restaurante, o The French Laundry, que é voltado à culinária francesa. Keller também ensinou aos criadores da produção algumas características da culinária francesa, como por exemplo, o funcionamento interno de uma cozinha parisiense, e também atuou como consultor-chefe na parte da preparação dos alimentos, isso durante o treinamento dos profissionais da animação em seu estabelecimento.

Para a criação da animação do prato que dá nome ao filme, Keller observou que o ratatouille era geralmente servido como um prato de acompanhamento, e ele percebeu que para a trama isto soaria algo como "desmancha-prazeres", já que o objetivo era dar destaque ao prato que dá título à animação. Então, ele se concentrou na criação de uma versão fantasiosa do ratatouille, no qual ele nomeou de "confit byaldi", que foi posteriormente utilizado na cena do filme em que os ratos começam a cozinhar. Para a sua criação, Keller cortou cada vegetal em papel fino, e depois as empilhou como uma espécie de pequena escultura.

Para dar um maior realismo às frutas e aos vegetais do filme, foi utilizada uma tecnologia de animação chamada de espalhamento de subsuperfície, que já havia sido utilizada em uma outra produção da Pixar, The Incredibles (2004) para a pele das personagens. Esta técnica de animação foi acompanhada de novos programas que deram aos alimentos movimentos e uma textura orgânica. No filme, sempre que o personagem Remy experimentava um alimento, aparecia uma música especial, que era acompanhada de imagens abstratas que eram exibidas no fundo de uma tela, tudo para representar as sensações do personagem enquanto ele apreciava a comida. Essas metáforas visuais foram criadas pelo animador Michel Gagné que se inspirou nos trabalhos dos animadores artísticos Oskar Fischinger e Norman McLaren. A equipe de animação também utilizou comida estragada. Para fazer uma pilha de adubo, por exemplo, o Departamento de Artes fotografou quinze alimentos diferentes, como maçãs, uvas, bananas, cogumelos, laranja, brócolis e alface, todos no processo de decomposição.

Os profissionais também se certificaram em não fazer uma comida real demais, pois isso poderia distrair ou se destacar no filme, o que não era a intenção deles. Segundo em uma notícia publicada no site da Pixar, os desenvolvedores se concentraram em três coisas ao fazer a animação dos alimentos: suavidade, reflexão e saturação. A suavidade foi uma indicação de quanta luz o alimento deveria receber, a saturação foi uma ideia de quais cores seriam mais recomendáveis, já que cores ricas ressaltariam um alimento de qualidade, e por fim, a reflexão, que seria uma relação com a umidade, que segundo eles, é uma característica que os alimentos mais comestíveis e considerados atraentes contém.

Personagens De acordo com o designer da Pixar, Jason Deame, grande parte dos personagens do filme foram criados quando Jan Pinkava ainda estava no cargo da direção do projeto. Ao deixar a trama, Pinkava falou sobre sua inspiração para a criação do personagem Remy: "As pessoas sempre querem saber de onde vêm as ideias. A verdade é que, um dia, eu estava na cozinha com a minha esposa, e, de repente, eu tive uma ideia: 'e se um rato quisesse se tornar em um chef [de cozinha]?' Quando comecei a dizer isso para as pessoas, todos começaram a rir. É realmente uma ideia bem maluca". Ele também citou como exemplo o personagem Anton Ego, no qual diz que fora projetado para se assemelhar com um abutre.

Os profissionais da animação consultaram um especialista em roedores chamado Debbie Ducommun (também conhecido como "Rat Lady") para obter mais informações sobre os hábitos dos ratos e as suas características. A equipe do filme também criou um viveiro no corredor do estúdio por mais de um ano, onde continham ratos de estimação que foram utilizados para que os animadores pudessem estudar o movimento de seus pêlos, narizes, orelhas, patas e cauda quando corriam. Quanto aos personagens humanos de Ratatouille, eles foram projetados e animados sem os dedos, devido a necessidade que os profissionais tiveram em economizar tempo.

Quanto a escolha de vozes, Brad Bird escolheu o humorista Patton Oswalt para dublar o personagem Remy, depois de ouvir uma de suas comédias. Todos os atores selecionados para o processo de voz dos personagens tiveram que dublar com um sotaque francês autêntico. No entanto, John Ratzenberger, que faz o personagem Mustafa — o garçom do restaurante de Gusteau — utilizou um sotaque italiano.