A Copa Presidente Marcos Pérez Gimenez, também conhecido como Troféu Marcos Pérez Jiménez ou a Pequena Taça do Mundo, foi um torneio internacional amistoso de futebol realizado na Venezuela de 1952 até 1975. O primeiro período de realização (1952 - 1957) teve maior relevância que o segundo período (1963 - 1975).

Histórico O nome original do torneio era Troféu Marcos Pérez Jiménez, em referência ao então presidente venezuelano, e não "Pequeña Copa del Mundo" (em português, "Pequena Taça do Mundo"). Ele foi organizado por empresas venezuelanas, geralmente com três a oito participantes, metade deles da Europa e metade da América do Sul. É considerado como um torneio amistoso, pois não foi organizado por nenhuma federação, além de não ter critérios de participação claro.

Em uma entrevista concedida ao jornal espanhol El Mundo Deportivo, em 13 de abril de 1956, o empresário organizador da competição, Damián Gaubeka, revelou que um critério da competição, estabelecido pela Federação Venezuelana de Futebol, era que só poderiam participar equipes que tivessem ficado classificadas entre o primeiro e o quarto lugares de suas ligas nacionais. Nesta entrevista, Gaubeka revelou que naquele ano (1956) a competição contaria com Athletic Bilbao, Porto, uma equipe milanesa (Milan ou Internazionale) e uma seleção venezuelana reforçada por jogadores brasileiros como Ademir, Chico, Danilo e Maneca. Acabaram participando daquela edição Vasco da Gama, Real Madrid, Porto e Roma. Em 1952, o Real Madrid substituiu o Atlético de Madrid, que declinara do convite para participar.http://hemeroteca.mundodeportivo.com/preview/1952/06/23/pagina-3/635365/pdf.html?search=caracas

A competição teve árbitros estrangeiros, da FIFA, e foi organizada por empresários, liderados pelo basco residente em Caracas Damián Gaubeka, sob os auspícios da Federação Nacional de Futebol da Venezuela. O jornal espanhol El Mundo Deportivo informou que a competição foi descontinuada em 1958 devido à falta de acordo entre os organizadores e os clubes espanhóis, brasileiros e italianos que haviam sido convidados para a edição daquele ano. O torneio havia sempre sido prestigiado pelos clubes espanhóis, que participaram de todas as edições da competição, ao passo que os clubes desse país não participaram de outras competições a que foram convidados na época, como as Copas Rio de 1951 e 1952.

O Real Madrid, convidado em 1952 a participar tanto da Pequena Taça do Mundo quanto da Copa Rio, optou por participar da competição venezuelana (as duas competições ocorreram ao mesmo tempo). A competição também foi valorizada pelos clubes do Brasil, que participaram de cinco das seis edições de sua série original (1952 a 1957), com três participações de clubes cariocas (Botafogo em 1952 e 1957 e Vasco da Gama em 1956), obtendo em todos os casos a vice-colocação, e duas participações de clubes paulistas (Corinthians em 1953 e São Paulo em 1955), em ambos os casos obtendo o título. O número de participações de clubes cariocas poderia ter sido maior, pois em 1954 o Corinthians foi convidado à competição apenas depois de o Vasco da Gama ter recusado o convite para participar.

Ao longo das seis edições da competição em sua série original e mais importante (1952 a 1957), foram sete participações de clubes espanhóis (um clube espanhol em todas as edições da competição, sendo que a edição de 1957 contou com dois clubes desse país) e cinco participações de clubes brasileiros (só não houve clube brasileiro na edição de fevereiro de 1953). Clubes da Venezuela (país-sede) tiveram três participações na competição neste período; no caso de clubes de Portugal, Itália e Colômbia, duas participações para cada país; no caso de clubes de Áustria, Argentina e Uruguai, uma participação para cada país.

A competição como Mundial de Clubes Na Espanha A edição de 11 de junho de 1958 do jornal catalão El Mundo Deportivo, que informa sobre a negativa do Real Madrid em disputar a edição de 1958 do torneio (que acabaria não sendo realizada), refere-se ao torneio como Torneio de Caracas e diz que a competição "é chamada, pomposamente, pelo próprio organizador, de Pequena Taça do Mundo", o que sugere que o jornal não concordava com essa designação dada pelo organizador do torneio e não a considerava um mundial de clubes: "Aunque el empresario de la competición internacional de Venezuela que ha cruzado el charco para contratar a los equipos que han de participar en su torneo l958 — y que él pomposamente titula Pequeña Copa del Mundo — no se encuentra en España, pues se ha desplazado a Suecia, ya se sabe la respuesta que le prepara el Real Madrid a la oferta presentada al club campeón de Europa, para su desplazamiento a Caracas. Esta respuesta es negativa."http://hemeroteca.mundodeportivo.com/preview/1958/06/11/pagina-3/648161/pdf.html (O Real Madrid voltaria às competições intercontinentais de clubes em 1960, disputando a edição inaugural da Copa Intercontinental, tendo o clube madrilenho disputado essa competição e a Copa do Mundo de Clubes da FIFA em todas as ocasiões que teve a chance: 1960, 1966, 1998, janeiro de 2000, dezembro de 2000 e 2002).

Cobrindo o título do Real Madrid em 1952, El Mundo Deportivo chamou a competição de "Copa Venezuela", informando também sobre a participação da Federação Venezuelana de Futebol na organização do torneio. Cobrindo o título do Real Madrid em 1956, o mesmo jornal chamou a competição de "Pequena Taça do Mundo" e de "Torneio Internacional de Futebol para a Taça do Presidente", referindo-se ao torneio como "esta chamada Pequena Taça do Mundo" ("esta llamada Pequeña Copa del Mundo"). Cobrindo o título do Barcelona em 1957, o mesmo jornal chamou a competição de "Série Internacional de Caracas", de "Copa Presidente da República da Venezuela", de "Torneio de Caracas para a Taça Presidente da República", e de "Série Caraquenha", dizendo que ela era "também conhecida como" Pequena Taça do Mundo. O Barcelona não lista a conquista entre seus títulos em seu site oficial.http://www.fcbarcelona.cat/futbol/detall/fitxa/palmares-futbol Já o Real Madrid dá destaque a esta competição na lista de títulos em seu site oficial.

No Brasil No Brasil, as evidências sugerem que a competição venezuelana não recebeu dos brasileiros a dimensão que eles deram às competições que em suas épocas foram consideradas "mundiais de clubes": a Copa Rio Internacional, a Copa Intercontinental e a Copa do Mundo de Clubes da FIFA. No Brasil, a competição também foi chamada de "Torneio de Caracas" ou "Torneio Quadrangular de Caracas" pela imprensa da época, em 1953 (na cobertura do título corintiano).http://acervo.folha.com.br/fdn/1953/08/04/156/ Em 1955 (cobrindo o título são-paulino), a imprensa brasileira também chamou a competição de "Taça Presidente Perez Jimenez" e de "Torneio Internacional de Caracas" (as matérias da Folha de S.Paulo de 4 e 7 de agosto de 1955 chamam a competição de "Torneio Internacional de Caracas", sendo que a matéria do dia 7 escreve "Pequena Taça do Mundo", entre aspas).

O desinteresse do Vasco da Gama em participar da competição em 1953, abrindo chance ao convite ao Corinthians, é um "indício" de que a Pequena Taça do Mundo não teve, no Brasil, a repercussão de um título mundial ou intercontinental de clubes. O desinteresse do Vasco da Gama, neste caso, contrasta totalmente com o grande interesse deste clube quando teve a chance de participar das três competições que, ao menos no Brasil, foram consideradas "Mundiais de Clubes" em suas épocas (ainda que o interesse do Vasco tenha variado caso a caso): em 1951, o Vasco abriu mão de compromissos na Europa para poder priorizar sua participação na Copa Rio Internacional daquele ano; em 1998, a delegação vascaína viajou ao Japão com mais de dez dias de antecedência para sua participação na Copa Intercontinental daquele ano; em dezembro de 1999, o Vasco da Gama contratou reforços especificamente para jogar a Copa do Mundo de Clubes da FIFA de 2000, fez um placar eletrônico em seu estádio (com contagem regressiva para o Mundial FIFA 2000), uma campanha publicitária (com vídeo divulgado pela TV) sobre sua participação, e o então dirigente vascaíno Eurico Miranda declarou em 1999, sobre Mundial FIFA de 2000: "Essa competição é única na história do Vasco e a mais importante da minha vida. Quem ganhar esse Mundial da FIFA poderá dizer que é o verdadeiro campeão do Mundo."

O jornal espanhol El Mundo Deportivo de 15 de abril de 1953 confirma que o Vasco e o Milan foram convidados à competição em 1953 antes dos convites ao Corinthians e ao Roma (segundo esta matéria, os convidados originais ao certame de 1953 foram o Vasco, o Milan e o Barcelona).http://hemeroteca.mundodeportivo.com/preview/1953/04/15/pagina-3/639848/pdf.html?search=Vasco As edições de 18 de junho e de 5 e 8 de julho de 1953 do mesmo jornal afirmam que, além do Vasco da Gama, a vaga também foi oferecida ao Sporting de Portugal antes de ser oferecida ao Corinthians. Estas matérias informam que a lista de participantes da competição de 1953 chegou a ser fechada com Barcelona, Roma, Sporting de Portugal e seleção local (de Caracas, Venezuela), sendo que os participantes da competição acabaram sendo Barcelona, Roma, Corinthians e seleção local (ou seja, com o Corinthians substituindo o Sporting de Portugal). A matéria de 8 de julho afirma que o Corinthians substituiu o Sporting de Portugal no certame. A matéria do jornal Folha da Manhã de 3 de julhohttp://acervo.folha.com.br/resultados/?q=Corintians+venezuela&site=fdm&periodo=acervo&x=8&y=19 dá conta da permissão da Federação Paulista de Futebol à excursão do Corinthians à Venezuela, afirmando que o torneio visava a homenagear o presidente daquele país e que o Corinthians receberia cerca de um milhão de cruzeiros (livres de despesas) pela participação no torneio.

Em uma entrevista publicada na edição de 20 de agosto de El Mundo Deportivo, José Sastre ex-jogador brasileiro do Barcelona, afirmou que, antes da Pequena Taça do Mundo de 1953, o público brasileiro considerava o Barcelona o favorito ao título da competição e não acreditava nas possibilidades do título corintiano, pois o Corinthians (segundo Sastre na entrevista) havia feito "péssimo papel" no Torneio Octogonal Rivadavia Corrêa Meyer, que acabara de disputar (na entrevista, saíram incorretos os nomes de alguns dos participantes do Torneio Octogonal Rivadavia Correa Meyer, mas a palavra "Octogonal" e a cronologia das competições deixam claro tratar-se do Octogonal Rivadavia).