Carlotta Augusta Angiolina Candiani (Milão, – Rio de Janeiro, ), conhecida artisticamente como Augusta Candiani, foi uma cantora lírica italiana.
Considerada uma das principais sopranos que atuaram no Brasil durante o Segundo reinado, desempenhou papel importante na consolidação da ópera italiana no país e tornou-se uma das artistas mais celebradas da corte de D. Pedro II.
Biografia Nascida em Milão, em 1820, iniciou sua carreira na Itália antes de transferir-se para o Brasil na década de 1840, período em que a ópera italiana vivia grande prestígio entre as elites do Império.
Sua estreia nos palcos brasileiros ocorreu em 1844, no Teatro São Pedro de Alcântara, no Rio de Janeiro. Pouco tempo depois consolidou-se como prima donna da Companhia Italiana de Ópera, alcançando enorme popularidade junto ao público da Corte. O papel que mais marcou sua carreira foi Norma, da ópera homônima de Vincenzo Bellini, interpretação frequentemente apontada pelos cronistas da época como uma das mais expressivas apresentadas nos teatros brasileiros do século XIX.
Além do repertório operístico, também contribuiu para a difusão da modinha de salão brasileira. Sua maneira de interpretar essas canções, fortemente influenciada pela técnica do canto operístico italiano, exerceu influência sobre a música urbana do período.
Carreira Por cerca de 40 anos, figurou entre as artistas mais requisitadas dos palcos brasileiros. Apresentou-se principalmente no Rio de Janeiro, mas também realizou temporadas em outras províncias do Império, participando de companhias líricas que difundiram o repertório italiano em diversas cidades.
Documentação preservada na Biblioteca Nacional demonstra que sua atuação profissional ia além dos palcos. Em 1853, envolveu-se em uma disputa judicial relacionada ao pagamento de seus honorários pelo Teatro Provisório, episódio que fornece um raro testemunho das relações de trabalho entre artistas e empresários teatrais no Brasil oitocentista. Sua fama era tamanha que seu nome aparecia constantemente na imprensa, em poemas, homenagens e relatos de viajantes. Entre seus admiradores encontravam-se o imperador D. Pedro II e o escritor Machado de Assis, que registrou sua admiração pela cantora em suas crônicas e memórias.
Vida pessoal Casou-se, na Itália, com Gioacchino Figlio, com quem teve sua primeira filha, Teresa Cristina Maria Candiani Figlio, afilhada do imperador Pedro II e da imperatriz Teresa Cristina. Após uma separação conturbada, na qual denunciou publicamente episódios de violência doméstica e de apropriação de seus rendimentos, perdeu a guarda da filha. Mais tarde passou a viver com o compositor e empresário teatral José de Almeida Cabral, com quem teve uma segunda filha, Maria Augusta Candiani, que seguiu carreira como atriz. Nos últimos anos de vida manteve união com o ator português Bartholomeu da Silva Magalhães.
Embora tenha desfrutado de enorme prestígio durante o auge de sua carreira, passou os últimos anos de vida afastada do brilho dos teatros. Morreu em 28 de fevereiro de 1890, aos 69 anos, no bairro de Santa Cruz, no Rio de Janeiro, praticamente esquecida pelo grande público.
Legado A historiografia recente considera Augusta Candiani uma personagem fundamental para compreender a formação da cena lírica brasileira do século XIX. Além de seu sucesso artístico, sua trajetória permite estudar aspectos da profissionalização dos músicos, das companhias italianas de ópera, da imprensa cultural e da vida social durante o Segundo reinado.
Durante boa parte do século XX, sua contribuição permaneceu relativamente esquecida. A partir da década de 2020, contudo, novas pesquisas acadêmicas recuperaram sua trajetória e evidenciaram sua importância para a história da ópera no Brasil e para a participação das mulheres na vida artística oitocentista.
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