miniaturadaimagem|Mapa da Diocese de Itabira-Fabriciano. A Diocese de Itabira-Fabriciano (Dioecesis Itabirensis-Fabriciannensis) é uma circunscrição eclesiástica da Igreja Católica no estado de Minas Gerais, Brasil. Pertence à Província Eclesiástica de Mariana e ao Conselho Episcopal Regional Leste II da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. A sé episcopal é representada pela Catedral de Nossa Senhora do Rosário, no município de Itabira, enquanto que a Catedral de São Sebastião é a Concatedral diocesana, situada na cidade de Coronel Fabriciano.
A diocese foi criada pelo então Papa Paulo VI em 14 de junho de 1965 e sua área de abrangência engloba 24 municípios divididos em três regiões pastorais, cujas sedes estão em Itabira, João Monlevade e Coronel Fabriciano. Sua atuação extrapola a administração da Igreja Católica nos municípios os quais a integram, mantendo também programas e projetos visando tanto ao combate à desigualdade social quanto à defesa dos direitos sociais e básicos, por meio de suas pastorais sociais, além do fomento à manutenção de eventos e tradições religiosas nas cidades, coordenadas pelas paróquias locais.
Histórico Criação A diocese de Itabira foi ereta pelo Papa Paulo VI no dia 14 de junho de 1965, por meio da bula Haud inani, a partir de território desmembrado das arquidioceses de Mariana e Diamantina. Dom Marcos Antônio Noronha foi seu primeiro bispo, nomeado em 7 de julho do mesmo ano e empossado em 29 de dezembro. Com a criação, a antiga Igreja Matriz do Rosário, construída na primeira metade do século XIX, foi elevada à condição de catedral e sé episcopal. A Paróquia Nossa Senhora do Rosário, matriz da diocese recém-criada, teve sua ereção em 6 de abril de 1826.
A implantação das grandes indústrias do leste de Minas Gerais, como a Companhia Vale do Rio Doce (atual Vale S.A.) em Itabira, a Acesita (hoje Aperam South America), Usiminas e Cenibra na atual Região Metropolitana do Vale do Aço e a Companhia Siderúrgica Belgo-Mineira (atual ArcelorMittal Aços Longos) em João Monlevade, implicou um forte processo de transformação socioeconômica e cultural na região. O crescimento demográfico acelerado e, por vezes, sem controle, favoreceu o aumento do déficit habitacional e da violência. Dessa forma, a Igreja Católica passou a intervir com ensinamentos religiosos e a organização de projetos sociais. Sob esse contexto, no final da década de 60, a diocese e a Congregação Padres do Trabalho foram as principais responsáveis pela criação da Universidade do Trabalho (UT), atual Centro Universitário Católica do Leste de Minas Gerais (Unileste), no Vale do Aço.
Crise e reassunção Ao final da década de 1960, a diocese entrou em uma "crise", com um decrescente número de católicos em sua área de atuação, situação agravada pela renúncia de Dom Marcos em 2 de novembro de 1970, alegando discordâncias de decisões tomadas pela Igreja Católica no Vaticano a respeito de dogmas e moral. A tribulação da circunscrição foi agravada pelo desabamento da antiga Catedral de Itabira, com cerca de 150 anos de idade, devido a fortes chuvas, poucos dias depois da renúncia do bispo. Primeiramente houve a queda do teto, enquanto que o restante da edificação foi demolido pelo Corpo de Bombeiros e pelo serviço de segurança da Companhia Vale do Rio Doce, tendo em vista o risco iminente de desmoronamento. As paredes de barro cru estavam fortemente desgastadas por infiltração.
Sob o contexto de crise Dom Mário Teixeira Gurgel tomou posse em 18 de junho de 1971. Em sua administração destacaram-se a criação dos "vicariatos episcopais", com maior autonomia às comunidades regionais, além de uma reestruturação da administração interna da diocese e sua catequese. Ainda na década de 1970 foi criada a Gráfica Diocesana e a diocese passou a ser dividida em quatro Regiões Pastorais, com sedes em Coronel Fabriciano, Itabira, João Monlevade e São Domingos do Prata (a última extinta pouco tempo depois). Pouco depois da destruição da antiga catedral de Itabira foi iniciado pela iniciativa popular um movimento em prol da construção de um novo templo, incluindo um mutirão organizado por Dom Mário.
Ao longo de sua administração Dom Mário Teixeira Gurgel reforçou a atuação da diocese a favor da promoção social, com ações que incluíram adquirição de medicamentos destinados a instituições de caridade, construção e/ou reforma de habitações em Itabira, construção de centros comunitários em Itabira, Coronel Fabriciano e Ipatinga e concessão de auxílios financeiros a unidades de saúde, incluindo o Hospital Nossa Senhora das Dores em Itabira. Tais medidas buscavam sanar demandas da região e estavam alinhadas com o discurso de Papa João Paulo II, cujo pontificado se iniciou em 1978, marcando um enrijecimento da atuação da Igreja Católica em prol das causas sociais. Também foi implantada a Legião de Maria em várias cidades e foram criados o Dia da Diocese, o Boletim Litúrgico e a Missa da Unidade.
Reorganização thumb|esquerda|A co-catedral de São Sebastião, em Coronel Fabriciano, inaugurada em 1993. Foto de 2015. O desabamento da igreja de Itabira levou à transferência das funções de espaço litúrgico episcopal para a Igreja Matriz de São Sebastião em Coronel Fabriciano. Isso impulsionou a designação deste município como cossede diocesana mediante o decreto Cum urbs vulgo Coronel Fabriciano do Papa João Paulo II, datado de 1º de junho de 1979, alterando a denominação da circunscrição para "Diocese de Itabira-Fabriciano". Em 24 de maio de 1985, a diocese cedeu território juntamente com a Diocese de Governador Valadares e a Arquidiocese de Diamantina para a criação da Diocese de Guanhães. A Catedral de Nossa Senhora do Rosário, nova sé episcopal em Itabira, por sua vez, veio a ser consagrada após nove anos de obras em 29 de dezembro de 1985.
Em Coronel Fabriciano, também em meados da década de 80, a crescente quantidade de frequentadores das atividades da Paróquia São Sebastião impulsionou a construção da co-catedral diocesana, a atual Catedral de São Sebastião, consagrada em 4 de julho de 1993. Nesse mesmo ano, a diocese, sob intermédio de Dom Mário Teixeira Gurgel, foi uma das responsáveis pela criação da Fundação Comunitária de Ensino Superior de Itabira (Funcesi). O bispo renunciou ao cargo episcopal por limite de idade em 15 de maio de 1996, sendo nomeado como sucessor a seu pedido Dom Lélis Lara, responsável pela construção do Santuário Nossa Senhora da Piedade e do Carmelo da Santíssima Trindade em Coronel Fabriciano, além de projetos sociais e serviços de assistência social.Revista Caminhos Gerais, nº 35, pag. 40–46.
Ao começo do século XXI, outras duas renúncias ao bispado: de Dom Lara em janeiro de 2003 e de seu sucessor Dom Odilon Guimarães Moreira em fevereiro de 2013, por questões de saúde, cedendo o título a Dom Marco Aurélio Gubiotti. O jubileu de ouro da diocese, celebrado com seu aniversário de 50 anos de criação em 14 de junho de 2015, foi comemorado com duas romarias à Basílica de Nossa Senhora Aparecida e com o recebimento de uma Carta Apostólica de Sua Santidade o Papa Francisco destinada a Dom Marco Aurélio.
Membros thumb|direita|Residência dos Missionários Redentoristas em Coronel Fabriciano Em 1970, foram publicadas as primeiras estatísticas sobre a então Diocese de Itabira, relatando que atendia a cerca de 300 mil católicos, 39 sacerdotes, 13 seminaristas (referentes ao ano 1967), 143 irmãs religiosas e havia 39 paróquias. Em 1980, agora como Diocese de Itabira-Fabriciano, havia 628 mil católicos, 20 sacerdotes, 16 seminaristas, 100 irmãs religiosas e um total de 33 paróquias, enquanto que em 1990 foram contabilizados cerca de 734 mil católicos, 16 sacerdotes, 18 seminaristas, 69 irmãs religiosas e 36 paróquias.
A partir da década de 1990, notou-se um decréscimo na população católica, mesmo levando em consideração a perda de parte de seu território para a criação da Diocese de Guanhães, sendo que em 1998 havia cerca de 640 mil católicos (80% da população total), enquanto que em 2001 eram 600 mil (75%) e em 2004 eram cerca de 497 mil (68,2%). Em 2007, no entanto, houve um aumento do número de adeptos ao catolicismo, com a área da diocese englobando cerca de 509 mil católicos (68,2% da população total). Esse crescimento permaneceu nos anos seguintes, acompanhando o crescimento populacional, chegando a católicos em 2017, representando 67,2% do total de habitantes da área de abrangência.
Em 2007, havia 39 sacerdotes, 21 seminaristas, 34 irmãs religiosas e um total de 42 paróquias, enquanto que em 2017, estavam registrados 51 sacerdotes, 18 seminaristas e 25 irmãs religiosas. Já em 2025, existiam 52 paróquias. Em 2013, estavam presentes religiosos das congregações do Imaculado Coração de Maria, do Santíssimo Redentor (Redentoristas), dos Monfortinos, Clérigos Regulares Teatinos e dos Missionários Xaverianos.
Bispos Dom Marcos Antônio Noronha, nascido em 1924 no município mineiro de Areado, foi o primeiro bispo da Diocese de Itabira-Fabriciano, tendo sido nomeado pelo Papa Paulo VI em 7 de julho de 1965. Permaneceu no cargo até resignar-se em 7 de novembro de 1970, vindo a falecer em 1998. O atual bispo é Dom Marco Aurélio Gubiotti, que foi nomeado pelo então Papa Bento XVI no dia 21 de fevereiro de 2013, recebendo então sua ordenação episcopal em 26 de maio do mesmo ano em Ouro Fino, sua cidade natal, e tendo assumido a diocese em 16 de junho de 2013.
# Nome Período Notas Bispos 5º Marco Aurélio Gubiotti 2013–2026 Nomeado Arcebispo de Juiz de Fora 4º Odilon Guimarães Moreira 2003–2013 Bispo emérito 3º Lélis Lara, 1996–2003 Bispo emérito 2º Mário Teixeira Gurgel, 1971–1996 1º Marcos Antônio Noronha 1965–1970 Bispo emérito Bispo coadjutor Lélis Lara, 1995–1996 Bispo auxiliar Lélis Lara, 1976–1995
Paróquias e subordinação
thumb|direita|Casa Paroquial Monsenhor José Lopes dos Santos, da Paróquia Nossa Senhora do Rosário, em Itabira. A diocese pertence à Província Eclesiástica de Mariana e ao Conselho Episcopal Regional Leste II da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), sendo sufragânea à Arquidiocese de Mariana, e possui um total de . As sedes das paróquias estão distribuídas em 24 municípios e são divididas em três regiões pastorais. As informações a seguir são referentes a 2025. Região Pastoral I: tem como sede a cidade de Itabira. Havia 14 paróquias, sendo nove delas em Itabira e as restantes estavam sediadas nos municípios de Bom Jesus do Amparo, Itambé do Mato Dentro, Passabém, Santa Maria de Itabira e São Sebastião do Rio Preto. Região Pastoral II: tem como sede a cidade de João Monlevade. Havia 13 paróquias, sendo quatro em Monlevade, duas em São Domingos do Prata e as restantes estavam sediadas nos municípios de Alvinópolis, Bela Vista de Minas, Dionísio, Nova Era, Rio Piracicaba, São José do Goiabal e São Gonçalo do Rio Abaixo. Região Pastoral III: tem como sede a cidade de Coronel Fabriciano. Havia 25 paróquias, sendo dez delas em Ipatinga, quatro em Fabriciano, quatro em Timóteo, duas em Belo Oriente e as restantes estavam sediadas nos municípios de Antônio Dias, Jaguaraçu, Marliéria, Mesquita e Santana do Paraíso.
A cossede da Diocese de Itabira-Fabriciano é a Catedral de São Sebastião, em Coronel Fabriciano, que está localizada no bairro Santa Helena e foi inaugurada em 1993, sendo também um dos principais monumentos religiosos da cidade. Sua construção foi necessária devido às lotações da Igreja Matriz, onde eram celebradas as missas da região central da cidade. A sé episcopal da diocese, por sua vez, está na Catedral de Nossa Senhora do Rosário, em Itabira, que foi ereta em dezembro de 1985 em substituição à antiga Matriz de Nossa Senhora do Rosário, parcialmente destruída após um longo período chuvoso em 1970 e demolida pouco tempo depois.
Administração e atuação social thumb|esquerda|Sede da Rádio Educadora, administrada pela Congregação dos Missionários Redentoristas.