Lapa, Dom João e Montanha eram três ilhas habitadas por pequenas populações chinesas. Estas ilhas ficavam a oeste da península de Macau, à ilha da Taipa e de Coloane.
Toponímia Os chineses chamam à ilha de D. João por Xiao Hengqin (transliterado da pronúncia cantonesa por Sio-Vong-Cam), à ilha de Montanha por Da Hengqin (transliterado por Tai-Vong-Cam) e à ilha de Lapa por Wanzai.
O nome da ilha da Lapa vem das três pequenas grutas (ou lapas) que ali existiam, a lapa do génio do Bambual, a lapa do lódão branco e a lapa da cascata.. Também aparece nalguns mapas antigos sob o nome de Patera Island, cuja etimologia é "Ilha dos padres".
A ilha de D. João foi, segundo o Presidente do Leal Senado o Tenente-coronel José Luís Marques (1862–1934), outorgada, entre 1846 e 1847, em homenagem ao jovem Infante D. João de Bragança, Duque de Beja (1842–1861), filho da Rainha D. Maria II.. Também aparece sob o nome de "Ilha Macarira", como se vê no mapa de 1912 incluído neste artigo.
É no sudoeste da ilha da Montanha que o Jorge Semedo de Matos situa a famosa "enseada de André Feio" referida em múltiplos dcoumentos e roteiros do século XVII, como sendo utilizada para reparação de embarcações ou como ancoradouro de navios que pretendiam evadir inspecções e impostos alfandegários das autoridades chinesas. Identifica-a como sendo, muito provavelmente, aquela designada a partir de 1786 por "Baía Lark" que foi muito utilizada para o comércio do ópio..
História Segundos alguns registos históricos, a presença portuguesa na ilha da Lapa data de 1645, quando um mandarim de Cantão autorizou a sepultura do padre jesuíta João Rodrigues como reconhecimento de serviço prestado. Missionários agostinianos e dominicanos também se estabeleceram nesta ilha. Não se tem a certeza da data exacta do abandono destas instalações, mas ainda chegaram a ser mencionadas numa carta dirigida ao governo de Goa, datada de 1764..
Durante o séc. XIX, missionários portugueses começaram também a povoar e a evangelizar as outras 2 ilhas. O Governo de Macau começou também a recolher impostos às populações destas 3 ilhas em troca de protecção (estas ilhas não eram protegidas por soldados chineses). Os portugueses construíram uma leprosaria (estabelecimento para tratar dos leprosos) na ilha de D. João e também algumas escolas para educar os poucos chineses residentes nestas ilhas.
No seguimento da invasão da China pelo Japão, os portugueses ocuparam oficialmente estas 3 ilhas em 1938, com o pretexto de proteger melhor os portugueses e os missionários aí residentes. Em 1941, o Exército Japonês conseguiu ameaçar as tropas portuguesas a abandonar aquelas ilhas pouco povoadas. Consequentemente, estas ilhas foram ocupadas por japoneses. No final da Segunda Guerra Mundial, a China conseguiu reocupar as 3 ilhas.
Situação atual Actualmente, Lapa (Wanzai), D. João e Montanha (ilha de Hengqin) estão incorporados na Zona Económica Especial de Zhuhai.
As ilhas de D. João e Montanha estão presentemente ligadas por um aterro que juntou as duas ilhas passando a ser uma só. A esta ilha foi dado o nome em chinês de Hengqin. A Ponte Flor de Lótus faz a ligação entre a ilha chinesa de Hengqin e Cotai (Macau). A ilha da Lapa, por sua vez, também devido a aterros efectuados recentemente, passou a ser ligada ao "continente" chinês.
Há propostas para desenvolver Hengqin, uma ilha pouco povoada, numa área turística com muitos hotéis e "resorts" de luxo. Hengqin começou, recentemente, a experimentar um grande desenvolvimento, com novas áreas residenciais a serem edificadas.
Macau, devido à falta de terrenos, queria integrar a ilha de Hengqin na Região Administrativa Especial de Macau (RAEM) e Macau expressou o seu desejo ao Governo Central Chinês. Mas o Governo Central não autorizou esta integração. Porém, no dia 1 de Setembro de 2005, o Governo Central permitiu que empresários de Macau e de Hong Kong passassem a estar isentos ao pagamento de taxas e permitiu uma maior flexibilidade no controlo da imigração desta ilha chinesa para promover o investimento.
Referências
Ver também Macau História de Macau Hengqin
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