thumb|Toucas de EEG. Eletroencefalografia (EEG) é um método de monitoramento eletrofisiológico que é utilizado para registrar a atividade elétrica do cérebro. Trata-se de um método normalmente não-invasivo, com eletrodos colocados no couro cabeludo, muito embora haja alguns métodos utilizados em aplicações específicas que são invasivos. A EEG mede as flutuações de tensão resultante da corrente iônica dentro dos neurônios do cérebro.Niedermeyer E.; da Silva F.L. (2004) Dentro de contextos clínicos, a EEG refere-se à gravação da atividade elétrica espontânea do cérebro durante um período de tempo, como a registrada a partir de múltiplos eletrodos colocados sobre o couro cabeludo. Aplicativos de diagnóstico normalmente focam no conteúdo espectral da EEG, isto é, no tipo de oscilações neurais (popularmente chamadas de "ondas cerebrais") que podem ser observadas em sinais de EEG. A maioria dos sinais cerebrais observados situam-se entre os 1 e 20 hertz.

A EEG é frequentemente utilizada para o diagnóstico de epilepsia, o que traz algumas anormalidades nas leituras dos exames de EEG.Atlas of EEG & Seizure Semiology. Tais exames também são usados ainda para diagnosticar distúrbios do sono, coma, espongiformes e a morte cerebral. A EEG é usada para como primeira opção de exame para diagnóstico de tumores, acidente vascular cerebral e outros distúrbios cerebrais,"EEG" mas esse último uso tem diminuído com o advento da alta-resolução anatômica de técnicas de imagem como a ressonância magnética (RM) e tomografia computadorizada (TC). Apesar das limitações de resolução espacial, a EEG continua a ser uma ferramenta valiosa para a investigação e o diagnóstico, especialmente quando é necessário um intervalo de resolução temporal na ordem de (o que não é possível com a tomografia computadorizada ou ressonância magnética).

Técnicas derivadas da EEG incluem potenciais evocados (PE), que por sua vez envolvem a média da EEG de tempo de atividade-bloqueada para a apresentação de um algum tipo de estímulo (visual, somatossensorial, ou auditivo). Evento-potenciais relacionados com (ERPs) referem-se à média de EEG respostas que são bloqueados para mais complexo o processamento de estímulos; esta técnica é usada na ciência cognitiva, psicologia cognitiva, e psicofisiológicos de pesquisa.

Procedimento Colocando-se eléctrodos em posições predefinidas ou na utilização do sistema internacional 10-20 sobre o couro cabeludo do paciente, um amplificador aumenta a intensidade dos potenciais eléctricos que posteriormente serão plotados num gráfico analógico ou digital, dependendo do equipamento. As alterações dos padrões da normalidade, permitem ao médico fazer a correlação clínica com os achados do EEG (Eletroencefalografia). Podemos observar descargas de ondas anormais em forma de pontas por exemplo (picos de onda), complexos ponta-onda ou atividades lentas focais ou generalizadas. As indicações destes exames são: avaliação inicial de síndromes epilépticas, avaliação de coma, morte encefálica, intoxicações, encefalites, síndromes demenciais, crises não epilépticas e distúrbios metabólicos.

Padrões de atividade eletrográficos podem ser identificados, alterações tipo: os "grafoelementos epileptiformes", "ondas lentas", "atenuação", "depressão" da atividade elétrica ou "atividade periódica" nem sempre indicam patologias distintas. Uma mesma alteração eletroencefalográfica pode indicar diferentes enfermidades, apesar da regularidade de associação de alguns sinais, como por exemplo os que indicam as alterações de consciência do "coma" PINTO, Junior, Luciano R. Eletroencefalogramas básicos. SP, Roca, 1990

Uma evolução do EEG são os sistemas digitais que fazem a análise quantitativa do EEG, bem como o mapeamento topográfico dos potenciais normais e patológicos. Eletroencefalografia sistema 10-20

right|200px

O sistema internacional 10-20 é utilizado no mapeamento das posições onde serão fixados os eletrodos para registrar os sinais do Eletroencefalograma.

O sistema internacional 10-20 utiliza 21 pontos que são marcados dividindo o crânio em proporções de 10% ou 20% do comprimento das distâncias entre os pontos de referência, nasion e inion no plano medial e os pontos pré-auriculares no plano perpendicular ao crânio. A nomenclatura dos pontos é dada de acordo com a região em que estão localizados, Fp = frontal polar, F = frontal, T = temporal, C = central, P = parietal e O = occipital. Os pontos localizados sobre a linha média são indexados pela letra “z”, de “zero”, os pontos localizados do lado esquerdo da linha média por índices ímpares e à direita por índices pares.

Na determinação das posições são usados dois pontos de referência, o nasion localizado no topo do nariz entre as sobrancelhas e o inion que fica na base do crânio atrás da cabeça. A distância desses dois pontos é medida e a partir deles são marcados os pontos sobre a linha mediana do crânio, Fpz e Oz com 10% da distância entre o nasion e o inion e os pontos Fz, Cz e Pz com 20% desta distância.

Dois outros pontos imaginários situados nas regiões pré-auriculares são utilizados, traça-se uma linha entre estes pontos passando pelo ponto Cz, localizado no centro do crânio sobre a linha média, e utilizamos esta distância para marcarmos os pontos T3 e T4 situados a 10% e os pontos C3 e C4 situados a 20% desta distância.

Em seguida traçamos uma linha entre os pontos Fpz e Oz passando pelo ponto T3, medimos esta distância e marcamos os pontos Fp1 e O1 com 10% e os pontos F7 e T5 com 20% desta distância, com este mesmo procedimento marcamos os pontos Fp2, F8, T6 e O2 do lado direito.

Os pontos F3, F4, P3 e P4 são localizados de forma eqüidistante dos pontos vizinhos.

Eletrodos Ao realizar uma eletroencefalografia, os eletrodos a serem utilizados podem variar quanto à amplificação de sinal, ao uso de gel condutivo e à referência para a leitura.

Quanto a amplificação Os eletrodos podem ser classificados como passivos ou ativos baseando-se na forma de amplificação do sinal obtido. Eletrodos passivos conduzem o sinal a um amplificador conectado na extremidade de seu fio. Esta forma de amplificação tende a gerar os melhores sinais em situações de baixa impedância, mas torna-se mais suscetível a interferências em impedâncias intereletrodos maiores que 2 kΩ. Eletrodos ativos possuem amplificadores integrados, o que melhora a performance em impedâncias altas.

Quanto ao uso de gel Normalmente, os eletrodos utilizados na EEG captam as correntes iônicas através de múltiplas camadas de tecido e cabelo, que fornecem alta impedância durante a medição. Para facilitar a captação das correntes, um gel condutivo é aplicado entre o eletrodo e o escalpo. Eletrodos que requerem este gel para seu melhor funcionamento são chamados eletrodos úmidos. Os resultados obtidos tendem a ser considerados os de melhor qualidade, mas o uso de gel torna-o inconveniente para pacientes e restrito a uma janela de algumas horas antes que o gel seque, aumentando a impedancia.

Alternativamente, existem múltiplos tipos de eletrodos chamados secos, que não utilizam um gel como interface, evitando problemas evidenciados em eletrodos úmidos. Alguns deles são:

Eletrodos de agulha: perfuram a epiderme, reduzindo a resistência fornecida pelos tecidos e pelo cabelo. Eletrodos capacitivos: captam flutuações no potencial pelo acoplamento capacitivo de um eletrodo com o corpo, permitindo realizar EEG sem contato físico com a pele. São muito suscetíveis a ruídos de interferência. Eletrodos de espuma: constituídos por um polímero espumoso e condutivo, capaz de se conformar ao formato do escalpo.

Quanto à referência Na eletroencefalografia, o potencial medido por um eletrodo pode ser obtido apenas se for estabelecido um segundo eletrodo referencial. Idealmente, este ponto de referência deve ser eletricamente constante, ou até mesmo neutro, para que apenas o eletrodo de interesse seja gravado. No entanto, um ponto com essas características não existe no corpo e os resultados do EEG sempre serão influenciados por mudanças elétricas na referência, sendo possivel apenas a redução desta influência. A escolha do referencial é sujeita às necessidades do exame ou experimento, mas pode ser reduzida a duas formas de amostragem: unipolar ou bipolar. A referência unipolar determina um referencial, como os lobos das orelhas ou o ponto Cz no sistema 10-20, a ser utilizado para todos os eletrodos aferentes. A referência bipolar, por sua vez, utiliza como referência para um dado eletrodo um de seus eletrodos vizinhos dentro do arranjo.

Metodologia alt=https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Figura_1_%E2%80%93_Neur%C3%B4nios_em_atividade_s%C3%ADncrona_e_orientada_at%C3%A9_o_eletrodo.png|miniaturadaimagem|Os neurônios recebendo inputs sinápticos em diferentes locais do dendrito, alterando a carga do meio extracelular, o que reflete de maneira diferente no sinal captado pelo eletrodo na superfície cortical. A Eletroencefalografia (EEG) é o método de monitoramento eletrofisiológico utilizado para registrar a atividade elétrica do cérebro, o que significa a atividade de bilhões de neurônios, por meio da medição do potencial elétrico na superfície do escalpo. Os eletrodos, posicionados no couro-cabeludo, detectam o sinal de atividade interna, ou seja, as correntes elétricas detectadas passam por camadas cerebrais, pelo líquido cefalorraquidiano e crânio, além de tecidos conjuntivo e epitelial. O sinal captado tem origem no fluxo de íons pelo líquido extracelular, sendo este um condutor elétrico quase ideal, associado a vários potenciais pós-sinápticos de neurônios em atividade síncrona e orientados na mesma direção. Esses potenciais que chegam até a superfície do escalpo são registrados por um voltímetro entre dois eletrodos posicionados, como mostra esquematicamente a Figura 1. O sinal do EEG não especifica se a atividade neuronal foi excitatória ou inibitória, uma vez que não é possível saber precisamente em qual região do dendrito houve a sinapse. Essa técnica possui uma precisão temporal de segundos e sensibilidade espacial, por correlacionar os dados advindos de cada eletrodo.

alt=https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Figura_2_%E2%80%93_Dipolo.png|esquerda|miniaturadaimagem|Neurônios síncronos em dipolo Importante lembrar que essa atividade dos neurônios se dá pela movimentação de íons pela membrana, se movendo do meio externo para o meio interno e vice-versa, responsáveis pela manutenção do Potencial de Repouso da Membrana (PRM) e pelo Potencial de Ação (PA). Em uma sinapse (comunicação entre dois neurônios: o pré- e o pós-sináptico) há abertura de canais iônicos na membrana, que gera um influxo, responsável por mudar a carga da região tanto intra quanto extracelular próximo ao local da sinapse, sendo que de um extremo da célula ao outro, as cargas serão oposta, formando o chamado dipolo – Figura 2. Imagine que em uma ponta entre íons positivos, deixando o exterior negativo e que esse processo ocorra ao longo de toda a célula, no final quando houver entrada de íons positivo, o meio vai estar mais negativo do que no início da célula e imagine que esse processo ocorra em vários neurônios, criando um grande dipolo de um grupo de células.

Quando íons de mesma carga estão próximos, eles se repelem e, quando diversos neurônios estão exercendo a mesma atividade, o meio extracelular fica rico de íons da mesma carga, que se repelem, como se ‘’empurrassem’’ um ao outro, e essa cascata de ‘’empurrar’’ se repete a cada aproximação de íons até a superfície cortical, sendo esse fenômeno chamado de Condução de Volume. Por isso é importante que 1 – sejam milhares de neurônios em atividade simultânea e 2 – estejam na mesma orientação, para que o volume conduzido esteja no mesmo sentido. miniaturadaimagem|Ondas Delta miniaturadaimagem|Ondas Theta miniaturadaimagem|Ondas Alpha miniaturadaimagem|Ondas Mu miniaturadaimagem|Ondas Beta miniaturadaimagem|Ondas Gamma