Partido Liberal (PL), anteriormente conhecido como Partido da República (PR), é um partido político brasileiro de cunho liberal econômico e conservador social, majoritariamente alinhado à direita (com divisões internas de centro-direita e extrema-direita), criado a partir da fusão do PL e PRONA e registrado oficialmente em 2006. Atualmente, em 2026, o partido detém a maior bancada de deputados federais e também detém a maior bancada de senadores no Congresso Nacional.

Como membro do chamado "Centrão",* o partido foi da base do governo do ex-presidente da república Jair Bolsonaro, como também no passado foi da base dos dois primeiros governos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e dos governos dos ex-presidentes Dilma Rousseff e Michel Temer.

De modo geral, o partido é populista de direita, economicamente liberal, mas socialmente antiliberal e pró-evangélico, alinhando-se com a ideologia de Bolsonaro.

Em abril de 2025, o partido tinha 899 223 filiados, sendo o oitavo maior partido do país. O partido faz oposição ao governo de Lula em seu terceiro mandato desde janeiro de 2023.

Princípios Após as eleições de 2006, para contornar as restrições impostas pela cláusula de barreira que começaria a vigorar, no Congresso Nacional, a partir da legislatura de 2007, o Partido de Reedificação da Ordem Nacional (PRONA), que defendia o conservadorismo nacional e o intervencionismo estatal, se fundiu, em 24 de outubro de 2006, com o PL, criando o "Partido da República". Cumpriam mandato na data: Elimar Máximo Damasceno e Enéas Carneiro. Os outros quatro deputados federais eleitos pelo Prona, todos fundadores do partido, já haviam se filiado ao PP e ao PL em 2003.

Por ser oriundo da fusão entre Partido Liberal (PL) e Partido de Reedificação da Ordem Nacional (PRONA), o Partido da República originalmente reclamava como princípios a reunião do idealismo doutrinário social liberal do deputado Álvaro Valle (fundador do PL em 1985) com o nacionalismo defendido pelo deputado Enéas Carneiro (fundador do PRONA em 1989), falecido em 2007.

Em termos de políticas públicas, o partido sustenta que esses engajamentos se traduziram na aprovação da PEC dos Professores, na movimentação das ADIs da propaganda de alcoólicos e do WhatsApp, e no comprometimento pela redução da taxa de juros bancários. esquerda|miniaturadaimagem|228x228px|Ato de filiação do presidente da República, Jair Bolsonaro (ex-PSL), ao Partido Liberal em 2021. Como ele na foto, o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, e o senador Rogério Marinho (ex-PSDB, atual PL-RN) No entanto, desde a sua fundação em 2006 até a filiação do presidente Jair Bolsonaro em 2021, o partido atuou com práticas fisiológicas e descomprometidas com os fundamentos axiológicos que declarava possuir. Foi base dos governos Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro.

Com a adesão de deputados e militantes de direita ao partido desde 2021, o eixo ideológico da legenda mudou radicalmente. Embora já estivesse na coalização do governo Bolsonaro desde 2020, o PL ainda abrigava importantes elementos que lhe faziam oposição, como o deputado Marcelo Ramos (PL-AM), indicado do partido a 1º vice-presidente da Câmara dos Deputados na eleição da mesa diretora em 2021. Alguns destes quadros mais pragmáticos do partido deixaram-no após a virada ideológica à direita que sucedeu o ingresso do presidente e seus correligionários.

Desde o ingresso do grupo de Bolsonaro em 2021, o Partido Liberal se reafirma como um partido de direita. Em carta à militância, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, definiu os valores de Liberdade, Fé cristã, Família e Liberalismo econômico como comprometimentos ideológicos. Também sustentou que o partido atuará pelos interesses do agronegócio e pelo avanço de políticas públicas antidrogas.

Em janeiro de 2023, o partido contestou publicamente a decisão do presidente Lula de retirar o Brasil do Consenso de Genebra, que é uma aliança internacional contra o aborto da qual o Brasil fazia parte desde 2020 após a assinatura da então Ministra dos Direitos Humanos, Damares Alves (ex-PP) e do presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL).

O Partido Liberal defende o porte de armas e também defende a redução da maioridade penal de 18 anos para 16 anos. Em 14 de julho de 2023, o deputado Bibo Nunes do PL apresentou um projeto para acabar com as saídas temporárias entre presidiários do regime semiaberto. "Por que facilitar a ocorrência de novos crimes? Nós não podemos colocar a vida de pessoas de bem em risco, e o saidão não traz vantagem alguma, a não ser para o próprio preso", enfatiza o deputado.

História

Primeiros anos no governo Lula O Partido Liberal foi muito fragilizado com a criação do Partido Republicano Brasileiro (PRB), que levou consigo diversos dos seus quadros, inclusive aquele que ocupava o maior cargo até então exercido por um dos seus filiados, José Alencar (MG), vice-presidente da República. Assim, vislumbrando a possibilidade de não conseguir superar a cláusula de barreira de 5%, cuja incidência se avizinhava, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto (SP), negociou a fusão com o PRONA – partido de Enéas Carneiro (SP).

Diante disso, fundou-se o Partido da República (PR), cuja presidência nacional passa a ser exercida por Sérgio Victor Tamer (SP). Embora José Alencar tivesse deixado o partido, o PR permaneceu dentro da coalizão do segundo mandato do Governo Lula, que acabara de se reeleger, e o senador Alfredo do Nascimento (PR-AM) foi indicado ao Ministério dos Transportes. esquerda|miniaturadaimagem|208x208px|Deputados Clodovil Hernandes e Enéas Carneiro (na época já sem a icônica barba) no Plenário Ulysses Guimarães.O PR teve 25 deputados fundadores em 2006, mas até março de 2007 esse número aumentaria a 40 deputados, todos adquiridos no curso da mesma legislatura. Oposicionistas denunciaram a negociação de cargos no Ministério dos Transportes e a liberação de emendas da pasta para arregimentar parlamentares de outras legendas. Um dos parlamentares que aderiu ao PR neste movimento foi o deputado Clodovil Hernandes (ex-PTC-SP), eleito com uma expressiva margem de cerca de 450 mil votos. A entrada de Hernandes ao partido suscitou polêmica, em razão da assumida homossexualidade do parlamentar. Havia incertezas de que os quadros herdados do PRONA aceitariam conviver com Clodovil. Quanto a isso, o líder do PR na Câmara, Luciano de Castro (RR), manifestou que: A ideia básica é de que o partido precisa de um parlamentar com o percentual de votos que o Clodovil tem. Não conheço ainda o teor dos projetos dele, não sei se ainda apresentou projetos, mas estamos com toda a assessoria pronta para atendê-lo. Temos partes mais conservadoras, mas nosso partido é democrático. O Clodovil vai ter o espaço dele. Durante as eleições municipais de 2008, o PR elegeu 3.535 vereadores, sendo a maioria nas regiões Nordeste e Sudeste. Tornou-se, assim, o sétimo maior partido do país, ainda que não tenha elegido nenhum prefeito de capital.

O partido teve de encarar as repercussões do seu envolvimento do partido no escândalo do Mensalão, que remontavam aos anos do PL, mas que tinham a participação de diversos quadros atuais. Segundo as denúncias de Roberto Jefferson (PTB-RJ), Valdemar Costa Neto seria um dos beneficiários do esquema de distribuição de propina para compra de votos parlamentares comandado por José Dirceu (PT-SP). Em resposta às acusações, Costa Neto acionou o Conselho de Ética da Câmara contra Jefferson, requerendo a sua cassação pelo seu envolvimento na CPMI dos Correios.miniaturadaimagem|235x235px|Presidente nacional do PR, deputado Valdemar Costa Neto (SP), em aperto de mãos junto ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Não obstante, em agosto de 2005, Valdemar Costa Neto renunciou ao mandato de deputado federal. Costa Neto foi acusado de ter utilizado a renúncia para evitar cassação e a consequente perda dos seus direitos políticos. No discurso de despedida, declarou:Os valores [que recebi] se destinavam, especificamente, aos compromissos da campanha da aliança PT-PL nas eleições de 2002. Fui induzido a erro quando aceitei receber recursos destinados à campanha, sem a devida documentação que oficializasse a doação. Errei mais uma vez, quando aceitei a pressão dos credores e concordei em fazer os pagamentos informalmente.O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou um dossiê em 4 de outubro de 2007, com os partidos com mais parlamentares cassados por corrupção desde 2000. O PL ocupa a sétima posição no ranking, com dezessete cassações, atrás do DEM, PMDB e PSDB, PP, PTB e PDT.

Nas eleições gerais de 2010, o PR integrou formalmente a coligação Para o Brasil seguir mudando, que apoiava a candidatura de Dilma Rousseff (PT-RS) a presidente da República. A bancada senatorial do partido foi aumentada, com a eleição de Blairo Maggi (MT) e com a recondução dos senadores João Ribeiro (TO) e Magno Malta (ES). Posteriormente, Vicentinho Alves (TO), que ficou na terceira colocação para senador, conseguiu ser empossado com o indeferimento da candidatura de um dos eleitos. Quanto aos governadores, o PR lançou quatro candidatos em 2010: Alfredo Nascimento, no Amazonas; Lúcio Alcântara, no Ceará; Vanderlan Cardoso, em Goiás; e Fernando Peregrino, no Rio de Janeiro. Contudo, nenhum dos quatro chegou à disputa do segundo turno.miniaturadaimagem|237x237px|Com 1,3 milhões de votos, Francisco Everardo "Tiririca" se elegeu o deputado mais votado do Brasil em 2010. Na foto, Tiririca se senta com o Ministro Alfredo Nascimento e o líder do PR, Sandro Mabel.Para a Câmara dos Deputados, o partido conquistou a sexta maior bancada, com 41 deputados eleitos, sendo 19 deles concentrados na região Sudeste. O PR recebeu muitas críticas por albergar a campanha do humorista Tiririca (PR-SP), que foi acusada de ser instrumentalizada como estratégia de “puxador de votos”. Apesar de ter sido o deputado mais votado do país, também houve acusações de que Tiririca seria analfabeto funcional, o que o tornaria inelegível pelas disposições Constitucionais. O Ministério Público ajuizou uma ação perante o Tribunal Superior Eleitoral requerendo a cassação do seu registro de candidatura. No entanto, o Tribunal entendeu que tal medida seria discriminatória e que o entendimento predominante era o de que o “pequeno conhecimento da leitura e da escrita basta para afastar a condição de analfabeto”.

Governo Dilma Rousseff

Com a eleição de Dilma, o PR manteve a sua aliança com o Partido dos Trabalhadores e indicou a permanência de Alfredo Nascimento no Ministério dos Transportes. Contudo, logo em julho de 2011, a Veja revelou um esquema de pagamento de propinas do Ministério dos Transportes às contas do PR durante a gestão de Nascimento no governo passado, o que teria culminado em um suspeito acréscimo patrimonial do ministro e de integrantes da sua família. Esse escândalo ocorreu logo após a queda do Ministro da Casa Civil, Antonio Palocci (PT-SP), e precipitou a substituição de Nascimento por Paulo Sérgio Passos (PR-BA) e a demissão do diretor-geral do DNIT, Luiz Antonio Pagot.esquerda|miniaturadaimagem|235x235px|Campanha presidencial de Dilma Rousseff em Vitória (ES), junto ao senador Magno Malta.

Em 2012, os políticos implicados no caso do Mensalão tiveram suas sentenças definitivamente cominadas pelo Supremo Tribunal Federal. Isso incluiu a condenação do ex-presidente do PR, Valdemar Costa Neto, a 7 anos e 3 meses de prisão; do ex-tesoureiro do PL, Jacinto Lamas, a 5 anos de prisão; e do ex-deputado federal pelo PL, Carlos Rodrigues, a 6 anos e 3 meses de prisão. O Partido também recebeu doações de campanha de empreiteiras privilegiadas pela sua administração na pasta do Ministério dos Transportes.