A Igreja do Santíssimo Salvador da Sé, também referida como Sé de Angra do Heroísmo, Catedral de Angra do Heroísmo, Igreja Paroquial da Sé ou Igreja do Santíssimo Salvador, localiza-se na freguesia da Sé, no centro histórico da cidade e município de Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, nos Açores.Ficha na base de dados SIPA
É a sede do Bispado de Angra, que engloba o arquipélago dos Açores, constituindo-se como o maior templo religioso da cidade e da área urbana classificada como Património da Humanidade.
O actual edifício, foi construído sobre a anterior Igreja de São Salvador, datada provavelmente de 1496; da primitiva igreja resta o altar mor, situado debaixo da capela; este edifício actual teve a sua construção iniciada em 1570 e foi alvo de diversos restauros devido a vários danos causados por condições meteorológicas adversas ou a calamidades, como o terremoto de 1980 ou o incêndio de 1984.
A Sé é caracterizada por uma sóbria fachada de duas torres sineiras, e apresenta um interior com tecto esculpido em cedro, azulejaria do século XVII, uma galeria de pinturas retratando os bispos de Angra, esculturas do século VII, mobiliário em jacarandá e um órgão de grandes dimensões.
Encontra-se classificada como Monumento Regional pela Resolução n.º 41/80, de 11 de Junho, e incluida no conjunto classificado da Zona Central da Cidade de Angra do Heroísmo, conforme os artigos 10.º e 57.º do .
História thumb|Sé Catedral: frontal de prata do altar do Santíssimo Sacramento com iconografia eucarística do século XVIII (Coleção da Sé de Angra do Heroísmo. Dimensões: 140x90 cm.) Remonta a uma primitiva igreja paroquial, iniciada por Álvaro Martins Homem em 1461. Sob a invocação de São Salvador, deve ter sido concluída em 1496, data da nomeação do seu primeiro vigário.COSTA, 1955-56. Sobre esta primitiva igreja pouco ou nada se sabe.
Com o aumento da população e a criação do Bispado de Angra, pela bula Æquum reputamus de 3 de Novembro de 1534, a Câmara Municipal formulou um pedido para que se construísse um novo edifício para a Sé, no mesmo local.Op. cit. Assim em 1536, a mando do Bispo, e de comum acordo com a Câmara de Angra, fizeram lembrar ao João III de Portugal a necessidade de cumprir o seu compromisso de instalar a sede da diocese.
Apesar disso o soberano não deu seguimento a este pedido, tratando antes dos aspectos organizativos. Este fato levou a Câmara de Angra, em 1557, a mandar nova mensagem ao rei a solicitar construção do novo templo, aproveitando para informá-lo, contudo, que os moradores de Angra não estavam em condições financeiras de contribuir para esse fim.
Finalmente, a 10 de janeiro de 1568, já no reinado do Cardeal D. Henrique é que a Coroa tomou a decisão de mandar construir a nova Sé às suas expensas. A opção foi no sentido de se construir um novo templo no mesmo sítio do já existente, mas alargando muitíssimo o espaço, que acabou por ocupar todo um quarteirão no centro da cidade, delimitado pelas rua da Sé, Carreira dos Cavalos, da Rosa e do Salinas. Para esse fim foram destinados 3 mil cruzados anuais dos direitos régios sobre o pastel na ilha de São Miguel, enquanto durassem as obras.
Do reino veio a Angra o arquiteto Luís Gonçalves, que elaborou o projeto de um vasto templo maneirista ou de arquitetura chã portuguesa, que seria depois sucessivamente adaptado por outros profissionais, nomeadamente João de Carvalho.
A pedra fundamental foi lançada em 18 de novembro de 1570, em cerimónia solene, tendo os seus trabalhos se estendido por meio século, com, pelo menos um período de interrupção nos finais do século XVI, durante a Crise de sucessão de 1580.
O edifício começou a construir-se pela fachada principal, para que a antiga Igreja de São Salvador pudesse continuar a servir o culto. Esta é ladeada por duas torres sineiras e, ente ambas, um templete para o relógio, colocado em 1782.
Adossadas ao corpo da Igreja foram construídas quatro capelas, com recursos de particulares e das irmandades, e as sacristias. No início do século XVII foi construído um claustro, conhecido pelo sítio, que serviu no século XIX de cemitério e desapareceu na década de 1950 para dar lugar ao arranjo que atualmente existe na frente para a rua da Rosa. No século XVIII, também nas traseiras, adicionou-se-lhe a Sacristia Grande e a Sala do Tribunal Eclesiástico.
O templo foi reconsagrado em 1808.thumb|Sé Catedral: órgão de tubos.
No contexto da Guerra Civil Portuguesa (1828-1834) aqui eram celebrados os "Te Deum", quer por realistas quer por liberais no poder. Em 1829, a Junta Provisória mandou recolher a prataria e os sinos das igrejas (exceto o estritamente necessário ao culto) à Casa da Moeda estabelecida na Fortaleza de São João Baptista, para fundir moeda - os "malucos" de 80 réis. Em função dessa medida, este templo perdeu todos os seus sinos pequenos e muitas das antigas alfaias, tendo sido salvo a custo, por meio de negociação, o magnífico frontal de prata do altar do Santíssimo.
Aqui foi realizada a cerimónia de batismo de Gungunhana e seus companheiros de exílio, a 16 de abril de 1899, pelo bispo de Angra, D. Francisco José Ribeiro de Vieira e Brito, tendo como padrinhos os principais notáveis da ilha.
O terramoto de 1980 causou extensos danos ao edifício. Com os trabalhos de restauração a decorrer, a 5 de julho de 1983 registou-se a derrocada de uma das torres e em 25 de setembro daquele ano,. um grande incêndio que destruiu por completo as talhas douradas dos altares, os órgãos de tubosO denominado "órgão grande", localizado originalmente do lado da Epístola, fora doado por Maria I de Portugal, a pedido do Bispo D. Frei João Marcelino. O segundo, denominado como "órgão pequeno", encontrava-se do lado do Evangelho e foi o primeiro órgão construído pelos organeiros João Nicolau Ferreira e padre Silvestre Serrão, em 1854. e o teto em caixotões.
Nessas catástrofes perdeu-se um enorme espólio artístico, principalmente de decoração barroca, mas foi possível reedificar o templo que manteve a sua imponência e continua a ser o centro religioso dos Açores e um importante centro cívico da cidade, onde decorrem os mais proeminentes acontecimentos.
Em torno da construção existiu sempre um amplo adro. Esse adro, com escadaria para a rua da Sé, foi melhorado em 1845 na frente para a rua do Salinas. Esse adro alberga em nossos dias uma estátua do Papa João Paulo II, comemorativa da sua visita, em 11 de maio de 1991.
Cronologia Século XV 1461 – Fundação da Ermida de São Salvador a mando de Álvaro Martins Homem, fundador da vila da Angra. Essa ermida esteve na origem da Sé de Angra do Heroísmo. 1496 – Data indicada como a da conclusão da obra, dado que neste ano é nomeado o respectivo vigário.
Século XVI 1533 – A pedido de D. João III de Portugal, o papa Clemente VII criou o bispado de São Miguel, mas faleceu antes da bula respectiva ter sido expedida. No ano seguinte, o recém-eleito papa Paulo III pela bula Aequum reputamus erigiu o bispado de São Salvador do Mundo, dando-lhe por catedral a igreja do mesmo nome na cidade de Angra do Heroísmo. 1534 – 5 de Novembro – Criação do Bispado de Angra que viria a estender a sua jurisdição sobre todas as 9 ilhas dos Açores. A criação do bispado deve-se ao papa Paulo III através da bula Aequum reputamus. 1534 – Câmara Municipal de Angra formula um pedido ao Papa e à coroa para a construção novo edifício para a Sé, viste que o existente não levava a população. 1534 – Fundação da Capela Mor da Sé de Angra do Heroísmo, local onde se encontra a Câtedra do Bispo e o cadeiral do coro capitular. 1536 – A mando do Bispo de Angra e com o acordo da Câmara Municipal da ainda vila fez-se lembrar ao rei D. João III de Portugal a necessidade de cumprir o seu compromisso de instalar a sede da diocese. 1556 – Com o falecimento de Pero Anes do Canto, nesta data, o seu corpo foi sepultado na Capela do Senhor Jesus Velho ou de Nossa Senhora de Lurdes, cuja construção se deve à família Canto e Castro. 1557 – A missiva envida em 1536 chega às mãos do rei D. João III de Portugal, que não deu seguimento ao pedido, tratando apenas dos aspectos organizativos. Facto que levou a Câmara da Cidade, neste ano a mandar nova mensagem ao rei a solicitar construção do novo templo, aproveitando para informá-lo, contudo, que os moradores de Angra não estavam em condições financeiras de contribuir para esse fim. 1568 – 10 de Janeiro - A decisão de construir o novo templo da Sé de Angra, solicitado desde 1534, só foi tomada no reinado do Cardeal D. Henrique. A coroa tomou a decisão de mandar construir a nova Sé a expensas da suas. 1570 – 18 de Novembro – É lançada a pedra fundamental do novo templo da Sé de Angra, em cerimónia solene. Os seus trabalhos estenderam-se por meio século tal as proporções da construção para tão o então pequeno burgo. Levaria nada menos de 48 anos a construir. 1570 – É iniciada a Capela de Santo Estêvão, instituída por Estêvão Cerveira Borges, homem da nobreza da cidade e doador dos terrenos para a construção deste templo. 1580 - Batismo nesta Sé do beato João Baptista Machado, Padroeiro da Diocese de Angra e que foi marterizado em Omura, no Japão em 1617.Vitral da Sé, capela à esquerda da entrada, Capela do Menino Jesus de Praga.Panfleto distribuído na Sé, "Beato João Baptista Machado, S. J. - Padroeiro da Diocese de Angra (Açores) - Imagem Venerada na Igreja do Colégio dos Jesuítas em Angra 1580 - Nomeação de Luiz de Figueiredo Lemos no cargo de deão da Sé de Angra, ilha Terceira.
Século XVII 1631 – Fundação da Capela de São Pedro ad Vincula pelo Cónego Luís de Almeida, falecido nesse ano, que a paramentou e embelezou e onde existe a pedra tumular do fundador. 1640 – É construído nesta Sé O Altar das Almas por iniciativa da Irmandade das Almas, pelo então cónego Leonardo de Sotto Mayor (falecido em 1653). 1641 - 31 de Março - Domingo de Páscoa, D. João IV de Portugal foi aclamado rei em Angra, sob o fogo cerrado das baterias espanholas, foi um dos acontecimentos mais “impressionantes” da Restauração segundo o Historiador José Manjardino: "a aclamação fez-se num ambiente dramático que já aqui em tempos se apontou como a mais espectacular e genuína restauração da independência havida em terras de Portugal. Uma procissão cívica percorria as ruas até à Praça, convergindo para a Sé, onde se cantou um Te Deum, tudo ao ritmo e sob a fumarada da artilharia castelhana que, do castelo de São Filipe, disparava sem cessar sobre a cidade."
Século XVIII 1706 – Construção da Capela do Senhor Jesus dos Aflitos, capela que provêm do primeiro templo fundado por Diogo Álvares Vieira e sua mulher Beatriz Anes Camacho. Nesta capela encontra-se a pedra tumular de Francisco Dias do Carvalhal, seu instituidor. 1733 - 10 de janeiro - Morre D. Manuel Álvares da Costa o 19.º bispo da Diocese de Angra, onde exerceu entre 1721 e 1733. 1782 – É colocado o Relógio da Sé de Angra, no templete, para esse fim construído entre as duas torres sineiras.
Século XIX 1808 – Dá-se a reconsagração da Sé de Angra. 1828 – Com início neste ano, e no contexto da Guerra Civil Portuguesa, foram aqui celebrados vários "Te Deum", quer por realistas quer por liberais no poder. 1829 – A Junta Provisória mandou recolher a prataria e os sinos das igrejas, (Sé de Angra do Heroísmo incluída), exceto o estritamente necessário ao culto, à Casa da Moeda então estabelecida na Fortaleza de São João Baptista, para fundir moeda - os "malucos" de 80 réis. 1845 – Melhoramento do vasto adro da Sé de Angra para a Rua do Salinas. Para a Rua da Sé já apresentava uma ampla escadaria. 1854 – É construído o Altar de Nossa Senhora dos Anjos, local onde se encontra a imagem de Nossa Senhora da Conceição que data do século XVII. 1891 – É iniciada a devoção no Altar de Nossa Senhora de Lurdes pelo Monsenhor Cónego Ferreira. É nesta capela que o Cabido celebra em Fevereiro a festa própria, a primeira instituída em Portugal.