thumb|230px|Vista aérea da Boa Vista de 1924,Boa Vista, com 164 casas e 1.200 almas, possuía apenas seis ruas: Floriano Peixoto, Bento Brasil e Sebastião Diniz, paralelas ao rio; e José Magalhães, Jaime Brasil e Inácio Magalhães, na transversal. a partir do hidroavião do explorador Hamilton Rice.

A História de Roraima é recente, mas nem por isso pouco conturbada. Várias vezes invadida por diversos países interessados na região, a pouco assistida Roraima — região localizada no extremo norte do atual Brasil — despertou pouco interesse por parte dos portugueses, especialmente após a chegada da família real ao Rio de Janeiro. Foi bastante cobiçada pelo ingleses, neerlandeses e, especialmente, espanhóis.

Palco de revoltas, massacres, crescimento, exploração e progresso, foram várias as invasões estrangeiras — todas elas neutralizadas pelas forças lusitanas no Forte São Joaquim. Joaquim Nabuco, aclamado advogado pernambucano, defendeu a região diante do rei da Itália no século XIX. Terra que foi município, território federal e estado.

A narração de tal história inicia-se no século XVIII, dois centenários após o descobrimento do Brasil por Cabral nas caravelas portuguesas em 1500.

Século XVII: a descoberta do rio Branco thumb|230px|O Rio Branco é o maior e mais importante rio da região.

thumb|230px|Planta do Forte São Joaquim miniaturadaimagem|esquerda|Representação de como seria o forte Apesar da chegada oficial dos portugueses ao Brasil ter acontecido em 1500, com Pedro Álvares Cabral, foram necessários mais de duzentos anos para que a região do vale do rio Branco fosse encontrada pelos lusitanos. Foi por este rio, que é o principal curso d'água do local, que chegaram os primeiros colonizadores portugueses.

Embora habitada basicamente por índios, não foi tranquila a estadia dos primeiros europeus que lá se instalaram, isso porque a Espanha promovia invasões a essa parte do território colonial de Portugal através da Venezuela, e os neerlandeses através da Guiana. Os portugueses reagiram, derrotando e expulsando os invasores, estabelecendo a soberania portuguesa na região.

O capitão Francisco Ferreira e o padre carmelita Jerônimo Coelho foram os primeiros colonizadores a chegar ao rio Branco. Seus propósitos eram aprisionar índios e recolher ovos de tartaruga para a produção de manteiga.

Após estes, vieram Cristóvão Aires Botelho e Lourenço Belfort, sendo os primeiros a ultrapassarem a Cachoeira do Bem-Querer. José Miguel Aires também subiu o rio Branco, com a meta de aprisionar indígenas e vendê-los para Belém do Pará e São Luís do Maranhão, onde seriam escravizados.

Outro comerciante escravista foi o holandês Nicolau Horstman que, saído de Paramaribo (capital da colônia holandesa sul-americana), atingiu o rio Branco em 1741 e fomentou o comércio de escravos pelos rios Jauaperi e Tacutu àquela colônia.

Os espanhóis, por sua vez, foram responsáveis por um ato tido como utópico pelos olhos lusitanos, quando, entre os anos de 1771 e 1773, invadiram o rio Uraricoera vindos do rio Orinoco, após atravessarem a cordilheira de Pacaraima, ato histórico. Lá fundaram três povoações: Santa Bárbara São João Batista de Caya Caya Santa Rosa

Todavia, não resistiram às forças portuguesas e acabaram também expulsos da região. Diante da cobiça internacional pela região do vale do rio Branco, decidiu-se que seria construída uma fortaleza, o Forte de São Joaquim do rio Branco (hoje desaparecido), um marco para a soberania portuguesa na região.

A construção do forte trouxe uma ilusão de que haviam chegado tempos de prosperidade, com a construção de três povoados (onde os índios foram forçados a habitar): nas margens do rio Uraricoera estava o povoado de Nossa Senhora da Conceição e Santo Antônio, São Felipe (no rio Tacutu) e o povoado de Nossa Senhora do Carmo e Santa Bárbara, no rio Branco. Não houve progresso. Os índios não se sujeitaram às imposições portuguesas e rebelaram-se, abandonando os lugarejos que acabaram por desaparecer.

Século XVIII: a criação de gado thumb|230px|O gado bovino foi, junto ao equino, a primeira criação da região.

O fim do século XVIII marca o início de uma economia baseada na criação de gado, cujo comandante lusitano Manuel da Gama Lobo D'Almada foi o pioneiro quando, em 1789, introduziu o gado bovino e equino na região — dadas as vantajosas condições geográficas —, com o objetivo de manter o homem civilizado naquele lugar. Lobo D'Almada foi enviado pelo general João Pereira Caldas, então governador da província do Grão-Pará.

Em 1790, a partir de distúrbios provocados por indígenas, ocorreu a revolta da praia de sangue. O nome deve-se ao fato de tantos soldados e índios terem sido mortos que tingiram as águas do rio Branco de sangue.

As criações (que eram desorganizadas, como veremos a seguir), iniciaram-se na fazenda São Bento, às margens do rio Uraricoera, para depois concentrarem-se na fazenda São José e posteriormente estabelecerem-se definitivamente na fazenda São Marcos (que atualmente está dentro dos limites de áreas indígenas estipuladas pela FUNAI), em 1799. miniaturadaimagem|228x228px|Povoado de Nossa Senhora da Conceição segundo Alexandre Rodrigues Ferreira, final do século XVIII. Não havia cercados, muros ou quaisquer outros meios de limitação territorial nas áreas de criação de carne de corte, permitindo, assim, uma dispersão dos animais pela região. Alguns comerciantes aproveitaram o gado perdido para roubá-los e iniciarem fazendas próprias. Os índios tornaram-se ótimos vaqueiros, fama que os Macuxis mantêm até hoje.

Século XIX: a família real e a estagnação econômica Em 1808 a família real portuguesa transladava-se para o Brasil, a corte foi estabelecida na sede da colônia, os nobres enfrentaram problemas de adaptação com o novo lar. A preocupação passou a ser a criação de condições mínimas para que a realeza vivesse de forma luxuosa e confortável naquele país, da forma como vivia nas terras europeias. Assim, o sul da colônia cresceu rapidamente enquanto o Norte e a Amazônia ficaram desassistidos e abandonados.

Mesmo com o abandono, o Forte São Joaquim, tido como a sentinela da soberania portuguesa, manteve-se erguido por mais de um século. Nesse meio-tempo foram várias as vezes que os soldados lusitanos lutaram contra invasores estrangeiros. Abaixo uma lista dos comandantes do prédio no decorrer da história.

Capitão Nicolau de Sá Sarmento (1787) Capitão Inácio Magalhães (1830) Capitão Ambrósio Aires (1835) Capitão José Barros Leal (1839) Major Coelho (1842) Capitão Bento Brasil (1852) Cabo Pedro Rodrigues (1899)

A questão do Pirara

thumb|230px|Mapa com as áreas contestadas pelos ingleses. A escala está levemente desproporcional

A chamada Questão do Pirara constituiu-se, na História das Relações Internacionais do Brasil, num contencioso com a Grã-Bretanha, ao final do século XIX, pela posse da região do Pirara.

Ao enviar para a então Guiana Inglesa em 1835 o explorador alemão Robert Hermann Schomburgk, patrocinado pela Royal Geographical Society sob o pretexto de fazer explorações da riqueza zoobotânica da região, a Inglaterra fomentou uma disputa fronteiriça com o Brasil, em um território a leste de onde hoje está o atual Estado de Roraima, uma região de km².

Mais tarde, sob o argumento britânico de o território do Pirara ser ocupado por tribos independentes que reclamavam a proteção inglesa, o Brasil reconheceu provisoriamente a neutralidade da área em litígio e dali retirou seus funcionários e o destacamento militar, com a condição de que as tribos continuassem independentes.

Contudo, em 1842, uma expedição militar liderada por Schomburgk colocou marcos fronteiriços, demarcando a fronteira sem a anuência do governo brasileiro. A questão se prolongou até 1904, quando, por fim, o Brasil aceitou o laudo arbitral do rei Vitor Emanuel III da Itália, que deu ganho de causa aos britânicos, perdendo o Brasil km² de seu território (o rei italiano concedeu de volta ao Brasil os outros km²) e, consequentemente, os afluentes da bacia do Essequibo. Com a conquista, a Inglaterra obteve acesso às águas do Rio Amazonas pelos rios Ireng e Tacutu.

Nasce Boa Vista thumb|230px|Boa Vista: Avenida Jaime Brasil de 1924

Segundo os dados de 1887 a população de Boa Vista era de mil habitantes.Vale ressaltar que os dados só contavam a população branca e mameluca, desconsiderando os indígenas.

Em 9 de julho de 1890 o governador amazonense Augusto Ximeno de Ville Roy criou o município de Boa Vista do Rio Branco (hoje simplesmente "Boa Vista"), acreditando que assim incentivaria o crescimento da região do vale do rio Branco.

Outra atitude que contribuiu para o desenvolvimento da região foi a construção de uma vereda ligando Boa Vista a Manaus, vereda essa que transformar-se-ia numa das principais rodovias da região, a BR-174.

Século XX: Nasce o Território Federal

thumb|230px|O Palácio Senador Hélio Campos representava não somente o nascimento do Executivo, mas também a independência do Palácio Rio Negro, em Manaus

Em 1943 o então Presidente da República Getúlio Vargas criou, por meio do Decreto-Lei n.° 5.812, de 13 de setembro de 1943, cinco Território Federais: Guaporé (atual estado de Rondônia), Amapá, Ponta Porã (extingo em 1946), Iguassú (grafia da época) (extingo em 1946) e o Território do Rio Branco, antecessor do atual estado de Roraima. Esses Territórios Federais vieram a se somar aos dois Territórios Federais então existentes, Fernando de Noronha (criado no ano anterior, extinto em 1988) e o Acre.

Com a criação do novo Território, criou-se a Divisão de Produção, Terra e Colonização (DPTC), que realizava pesquisas quanto aos recursos naturais do Território, cadastrava terras e organizava colônias agrícolas, entre outras funções.

Primeiros atos do governo Construção de 52 residências no Centro da capital; Construção dos grupos escolares Lobo D'Almada, Osvaldo Cruz, Professor Diomedes e Afrânio Peixoto; Instalação do Curso Normal Regional Monteiro Lobato, que preparava professores, e o Ginásio Euclides da Cunha; Constituição da Legião Azul para preparar o terreno da estrada de Mucajaí a Caracaraí; Criação das três primeiras colônias agrícolas do Território: Coronel Mota (no Taiano); Braz de Aguiar (no Cantá); Fernando Costa (em Mucajaí)

Para que as colônias acima fossem povoadas, foi feito um grande "pacote" para os imigrantes maranhenses, que contava com: Passagem para Boa Vista; Hospedagem na capital durante a adaptação; Vinte e cinco hectares de terra; Ferramentas agrícolas, sementes e mudas, mosquiteiros, remédios, assistência médica e assistência técnica permanente; Conjunto mecanizado para a produção de farinha de mandioca; 30 mil cruzeiros por seis meses.

Por meio da Lei n.º 4.182, de 13 de dezembro de 1962, o Território do Rio Branco passou a denominar-se Território de Roraima.

Durante as décadas de 1960 e 1970, os militares ampliam a infraestrutura dando suporte para que empresários e trabalhadores se estabeleçam na região. O garimpo — o tema será explicado de forma mais detalhada mais abaixo — também ganha impulso em meados de 1980, e Roraima passa por seu momento de explosão populacional máxima.

Na última década de território federal, foram abertas pelo Governo Federal duas estradas federais, a BR-174 e a BR-210. Ao longo destas foram implantados projetos de colonização às dezenas. Havia, em 1982, 42 colônias agrícolas em fase de implantação. As estradas vicinais são estradas perpendiculares às rodovias que aumentavam a quantidade de lotes e, conseqüentemente, mais famílias colonizadoras (vindas especialmente do Maranhão e do sul do país).

O garimpo thumb|230px|Monumento aos Garimpeiros, construído em sua homenagem {| border="0" style="float:right; margin: 1em;border-collapse:collapse;" |+ Produção de ouro em RoraimaIBGE censo 1985-1992. | valign="top" | AnoProdução (kg)1985161198610419871671988334198932519905.64619913.46919921.038