O Castelo de Malbork (Zamek w Malborku, em polaco; Ordensburg Marienburg, em alemão) é um castelo construído pela Ordem dos Cavaleiros Teutónicos, uma ordem religiosa católica romana alemã de cruzados. Situa-se cerca de 60 quilómetros a sudeste de Gdansk, na cidade polaca de Malbork. A ordem chamou-lhe Marienburg (Castelo de Maria), o mesmo nome que receberia a cidade que cresceu à sua volta.
Construído por Siegfried von Feuchtwangen, o castelo encontra-se em posição dominante sobre a margem direita do rio Nogat, afluente do Vístula, sendo assim acessível aos navios mercantes e às barcaças. Este era inicialmente um convento, depois transformado num castelo com todos os efeitos. Em constante evolução durante quase duzentos e trinta anos, o castelo é o exemplo clássico duma fortaleza medieval.
Aquando da sua conclusão, em 1406, era o maior castelo gótico de tijolos no mundo. Entre 1309 e 1454 foi o castelo-sede do Grão-Mestre da Ordem Teutónica no Estado da Prússia Oriental. É o maior edifício de tijolos da Europa e o maior no mundo em área de construção Castelo de Malbork (com uma área de 143.591 metros quadrados), o maior castelo no mundo pelo calculador de área KML. Touropia, the Travel List Website: "10 Largest Castles in the World. Acedido em 6 de Abril de 2011., constituído maioritariamente por tijolos vermelhos, erguendo-se no sítio do antigo castelo de Trappeinen.
O Castelo de Malbork, na realidade, é constituído por três partes: o Castelo Alto, ou seja, o antigo convento; o Castelo Médio, com as habitações dos criados e algumas zonas de serviço; o Castelo Baixo, no qual estava o Karwan, um espaço de armas militares de todos os géneros. Durante a Guerra dos Treze Anos, muitas salas do castelo foram enchidas de armas várias para serem utilizadas contra uma eventual invasão. Todavia, o castelo recuperou as suas funções originais com o domínio polaco.
A UNESCO Castelo da Ordem Teutónica em Malbork, Sítio Património da Humanidade. ID 847. Ano 1997 UNESCO, Europa e América do Norte. designou o "Castelo da Ordem Teutónica em Malbork" e o seu museu como Património Mundial da Humanidade em Dezembro de 1997. É um dos dois sítios classificados pela UNESCO na região com origens na Ordem Teutónica, sendo o outro a "Cidade Medieval de Thorn" (Toruń), fundada em 1231 como sítio do castelo Thorn.
Posição geográfica A posição do castelo, directamente sobre o rio Nogat e o terreno circundante relativamente plano, permite-lhe um óptimo acesso a barcaças e navios mercantes. Sob o governo da Prússia, os cavaleiros recolhiam as portagens dos navios em trânsito, criando um monopólio sobre o comércio do âmbar . Quando a cidade passou a fazer parte da Liga Hanseática, muitas reuniões foram efectuadas no castelo. O edifício também foi cercado depois da Batalha de Grunwald, mas Heinrich von Plauen conduziu com sucesso a defesa durante o Cerco de Marienburg de 1410.
História Época da Ordem Teutónica
Em 1217, o Papa Honório III decidiu empreender uma série de missões com o intuito de levar o cristianismo aos prussianos. Para desenvolver esta tarefa, pediu ajuda à Ordem Teutónica, à qual foram concedidos territórios sobre os quais os cavaleiros se instalaram a partir de 1230Corpo Consultivo da UNESCO, já depois da conquista da Velha Prússia.
Nestes terrenos, os cavaleiros da Ordem construíram numerosos castelos. A edificação do Castelo de Malbork teve início em 1270. O seu propósito principal era fortalecer o seu próprio controle da área depois da supressão pela Ordem, em 1274, do Grande Levantamento Prussiano das tribos bálticas. Não sobreviveram nenhuns documentos relacionados com a sua construção, pelo que as fases do castelo têm sido desvendadas através de estudos de arquitectura, de registos administrativos da Ordem e de histórias posteriores. A obra durou até por volta de 1300, sob os auspícios do Comandante Heinrich von Wilnowe. O castelo está localizado na margem sudeste do rio Nogat. Foi chamado de Marienburg em referência a Maria, santa padroeira da ordem religiosa criada em Acre (hoje em dia em Israel).
Quando a sua última fortaleza das cruzadas ocidentais caiu para os árabes muçulmanos, a Ordem moveu o seu quartel-general para Veneza antes de chegar à Polónia. Malbork tornou-se mais importante em consequência da conquista pelos cavaleiros teutónicos de Gdańsk (Danzig) e da Pomerânia em 1308. O centro administrativo da Ordem mudou-se de Elbląg (Elbing) para Malbork. A importância do castelo cresceu de modo decisivo a partir de 1309, quando o Grão-Mestre Siegfried von Feuchtwangen ali chegou a partir de Veneza, empreendendo a fase seguinte de construção da fortaleza. Nesse ano, na esteira da perseguição papal aos Cavaleiros Templários e da tomada teutónica de Dantzig, Feuchtwangen transferiu o seu quartel-general para a parte prussiana do Estado monástico da Ordem. Escolheu o sítio de Marienburg, convenientemente localizado no Nogat, no delta do Vístula. Tal como acontecia com a maior parte das cidades da época, o novo centro estava dependente da água para o transporte.
Subitamente, o castelo tornou-se na sede de um dos mais poderosos Estados da costa báltica meridional. Porém, rapidamente ficou claro que o castelo estava inadequadamente organizado e privado de pessoal para cobrir este importante papel , sendo expandido várias vezes para alojar o crescente número de cavaleiros, tornando-se rapidamente no maior edifício gótico fortificado da Europa . Inicialmente, no lugar onde hoje surge o castelo estava presente um convento, que no espaço de quarenta anos se viu transformado num castelo servido por todas as defesas possíveis. O castelo tem várias subdivisões e numerosos níveis de muralhas defensivas. Consiste em três castelos individualizados, os Castelos Alto, Médio e Baixo, separados por múltiplos fossos secos e torres. Em tempos, o conjunto chegou a alojar aproximadamente 3.000 "irmãos de armas". As muralhas mais externas encerram quase 52 acres (21 ha), quatro vezes a área do espaço fechado do Castelo de Windsor. A parte desenvolvida da propriedade designada como Património da Humanidade tem 18,038 ha.
Circundada por um profundo fosso e por muitas torres de vigia, a ampla fortaleza também contém alguns edifícios religiosos, entre os quais a Igreja de Nossa Senhora, ampliada recentemente com a construção do presbitério, e a Capela de Sant'Ana, onde durante séculos foram sepultados os cadáveres dos patrões do castelo. As antigas celas dos frades foram transformadas num bem servido quarteirão residencial, conhecido como Castelo Médio.
Além das habitações, o Castelo Médio também incluía o refeitório (a sala mais ampla no castelo), a enfermaria, onde eram curados os membros da Ordem idosos ou doentes, e o palácio do proprietário do castelo .
Durante os séculos XIV e XV, foi acrescentada uma terceira parte ao castelo: o Castelo Baixo, no qual estavam presentes outras habitações. Foi aqui que o Karwan, um grande armazém de canhões e veículos militares, foi criado. O Castelo Baixo é, por outro lado, servido por um celeiro nas margens do rio e por uma série de edifícios de serviço, entre os quais uma fundição para a produção de sinos, cervejaria e estábulos. Também foi construída a Capela de São Lourenço, mais afastada em relação aos outros edifícios. Com a construção do Castelo Baixo, foi necessário prolongar a muralha e o fosso. Esta muralha uniu-se com as outras fortificações da cidade de Malbork e prolongou-se por centenas de metros em direcção a sul.
A localização favorável do castelo junto ao rio Nogat e o carácter plano das suas imediações permitiam um acesso fácil às barcaças e navios mercantis vindos do Vístula e do Mar Báltico. Durante o período em que governaram a Prússia, os cavaleiros teutónicos exigiam o pagamento de uma portagem fluvial aos barcos que passavam, tal como faziam outras cidades ao longo dos rios, impondo um monopólio no comércio do âmbar. Quando a cidade se tornou membro da Liga Hanseática, muitas das reuniões da liga passaram a ter lugar no castelo.
No Verão de 1410, o castelo foi cercado após a derrota da Ordem pelos exércitos de Władysław II Jagiełło e Vytautas, o Grande, na Batalha de Grunwald. Heinrich von Plauen conduziu com sucesso a defesa no Cerco de Marienburg em 1410, no decorrer do qual o exterior da cidade foi arrasado.
Em 1456, durante a Guerra dos Treze Anos, a Ordem – abandonada e contestada por aumentar os impostos para pagar os resgates dos seus próprios mercadores tomados pelo Reino da Polónia – já não podia gerir-se financeiramente. Entretanto, o general polaco Stibor de Poniec de Ostoja obteve fundos de Dantzig para uma nova campanha contra eles. Ao tomar conhecimento que os mercenários boémios da Ordem não tinham sido pagos, Stibor convenceu-os a ir embora, reembolsando-os com dinheiro obtido em Dantzighttp://www.poniec.net/index.php?option=com_content&task=view&id=26&Itemid=45, Como por Antoni Eckstein, History of Poniec, publicado em "Roczniki Historyczne", v.II, p.92 de IH PAN (Instituto de História, Academia Polaca de Ciência), 1926. Depois da partida dos mercenários, o rei Casimiro IV da Polónia entrou em triunfo no castelo em 1457 e, em Maio, concedeu a Dantzig vários privilégios em gratidão pela assistência da cidade e pelo envolvimento na Guerra dos Treze Anos, assim como pelos fundos reunidos para os mercenários que partiramAndrzej Nowak and Dariusz Osowski, Królewski herb Gdańska, Album Polski.pl. O Grão-Mestre acabou por vender, sem mais delongas, o castelo ao rei Casimiro IV da Polónia, separando-se o edifício da cidade em termos políticos, uma vez que os habitantes de Malbork resistiam à Polónia. O presidente da câmara de Marienburg, Bartholomäus Blume, resistiu às forças polacas por mais três anos, mas os polacos capturaram-no e enforcaram-no em 1460. Um monumento a Blume foi erguido em 1864Matthias Weber: Preussen in Ostmitteleuropa: Geschehensgeschichte und Verstehensgeschichte, 2003.
O domínio polaco
No dia 7 de Junho de 1457, o Rei da Polónia entrou no Marienburg; o Grão-Mestre fugiu para Königsberg, actual Kaliningrado. No Segundo Tratado de Toruń (1466), o castelo e a cidade teutónicos entraram finalmente para a Coroa polaca. Passaram a pertencer desde então à Prússia Real (ou seja, eram parte da Polónia) e, assim, à Rzeczpospolita a partir de 1599, não pertencendo mais ao Estado da Ordem Teutónica. Esta região transformou-se em 1525 no secular Ducado da Prússia, ficando sob a suserania polaca entre 1466 e 1635. O edifício serviu como uma das várias residências reais polacas.
A gestão do castelo foi confiada a uma família nobre polaca. Neste período, que cobriu todos os séculos XVI e XVII, é fácil notar, pelos achados escritos e pelas pinturas, como mudaram as funções das salas no castelo . O Castelo Alto deixou de funcionar como convento e tonou-se na área de serviço. Pimenta, sal, cerveja e outros tipos de alimentos eram vendidos nesta zona do castelo. O Castelo Médio tinha quase a mesma função do primeiro: era constituído pelas habitações dos soldados e dos oficiais. O Castelo Baixo foi utilizado com fins estritamente militares. Canhões, munições e armas de fogo de todos os géneros foram metidos no Karwan, o velho espaço de armas, e as torres e bastiões foram usados como adegas ou como salas alternativas ao Karwan onde repor as armas.