A seleção brasileira de ginástica artística feminina é o grupo composto pelas seis atletas principais mais a primeira ginasta suplente. São elas as representantes da nação durante os eventos internacionais.
Apesar da chegada ao Brasil com a colonização alemã, em meados do século XIX, apenas em 1951 a modalidade filiou-se à FIG e mais de vinte anos após, foi criada a Confederação Brasileira de Ginástica, chamada CBG. Durante décadas, sem contar com uma equipe completa, a seleção compareceu aos eventos servida de atletas individualmente inseridas, como a ginasta mais expressiva da década de 1990, Luisa Parente. Apenas nos anos 2000, com a chegada do treinador ucraniano Oleg Ostapenko, uma competitiva mudança ocorreu, pondo o Brasil junto a equipes emergentes, no cenário antes abarcado pelas europeias.
De tradição recente em relação a equipes como a romena, o Brasil, em toda sua história olímpica, ainda não subiu ao pódio, apesar do trabalho de base ter melhorado consideravelmente, em vinte anos, entre 1990 e 2010. Em mundiais, as conquistas ocorreram por intermédio de apresentações individuais, e em pan-americanos têm melhorado em constância de finais e conquista de posições no pódio. Entre as ginastas destacadas nessas competições estão Daniele Hypólito e Daiane dos Santos, ambas medalhistas mundiais e pan-americanas.
Treinada em ginásio próprio, a equipe possui como destaques as ginastas Ethiene Franco, Jade Barbosa e Daiane dos Santos, para atuarem no ciclo olímpico 2009-2012.
Nos Jogos Olímpicos de Verão de 2020, a ginasta Rebeca Andrade conquistou a primeira medalha olímpica da Seleção Brasileira de Ginástica Artística Feminina, uma prata no individual geral. Ainda em Tóquio, a ginasta conquistou medalha de ouro na modalidade de salto, sendo assim a primeira atleta brasileira a conquistar duas medalhas em uma única edição dos Jogos Olímpicos.
Nas Olimpíadas de Paris em 2024, Rebeca Andrade se tornou a atleta brasileira com mais medalhas ao conquistar o ouro no solo, prata no individual geral e salto e bronze em equipes, juntamente a Jade Barbosa, Flávia Saraiva, Lorrane Oliveira e Júlia Soares.
História: surgimento e evolução thumb|250px|esquerda|O estado do Rio Grande do Sul foi o primeiro a desenvolver as práticas da ginástica no Brasil. Na imagem, a capital nos idos de 1900, depois da chegada dos imigrantes. A chegada da modalidade artística ao Brasil coincidiu com a vinda dos imigrantes alemães ao país, na primeira metade do século XIX, além das posteriores chegadas dos suecos e franceses, que influenciaram diretamente a prática no país, cada qual com sua peculiaridade. A partir daí, os primeiros praticantes organizaram-se no Rio Grande do Sul, por volta dos anos de 1820. No entanto, uma real evolução só ocorreu com a fundação da Sociedade Ginástica de Joinville, em Santa Catarina, criada em 16 de novembro de 1858, tida como a escola mais antiga da América do Sul e a primeira a formar atletas para competições nacionais. Sua fundação foi seguida pelas inaugurações da Sociedade Paulista e da Sociedade Carioca de Ginástica, que filiaram-se à Confederação Brasileira de Desportos, chamada CBD, e realizaram o primeiro Campeonato Brasileiro, em São Paulo. Nas décadas que se seguiram, a continuidade da ginástica artística dentro da nação dependeu de treinadores e atletas esforçados e focados na modalidade, pois a mesma só veio a ter um princípio de projeto nacional no início dos anos de 1990, somando até então, apenas duas participações olímpicas.
O século XX é considerado perdido pelo Brasil, ao passo que outras nações, como a norte-americana e a chinesa, investiram em uma das mais tradicionais modalidades olímpicas. Tal diferença é percebida na tardia filiação à Federação Internacional, em 1951, mesmo ano em que participou pela primeira vez de uma competição estrangeira, os Jogos Pan-Americanos de Buenos Aires, na Argentina. Mais tardia ainda, foi a criação da Confederação Brasileira de Ginástica, que se deu apenas em 25 de novembro de 1978, quase trinta anos após esta primeira participação competitiva internacional. Durante a história da entidade, Vicélia Ângela Florenzano, foi a presidente que permaneceu no cargo por mais tempo: dezenove anos. Após a criação da confederação nacional, que responde diretamente à FIG, em âmbito estadual formaram-se várias federações especializadas a cuidar do esporte e suas modalidades.
Mais recentemente na cronologia da seleção, foi no Pan-Americano de 2003, em Santo Domingo, na República Dominicana, que a modalidade passou a ter retorno de um projeto instalado em 2000, na cidade de Curitiba, denominado Centro Olímpico, criado exclusivamente para formar ginastas, sob a tutela inicial do treinador ucraniano Oleg Ostapenko. Passados oito anos desde o início, o Brasil registrou um total de doze atletas entre os cem melhores ginastas do mundo, sete deles, mulheres: Laís Souza, Daiane dos Santos, Daniele Hypólito, Merly de Jesus, Camila Comin, Ana Paula Rodrigues e Thais D’Almeida. Entre os condecorados internacionais, está Vicélia, que, por suas contribuições para o desenvolvimento da ginástica no país, conquistou o prêmio de honra ao mérito concedido também pelo International Gymnastics Hall of Fame, que tem como maior premiação o salão da fama no qual os maiores contribuidores para a modalidade figuram.
Elenco atual Nome Data de nascimento e idade Local de nascimento Clube Ana Luiza Lima Telêmaco Borba, PR Minas Tênis Clube (MTC) Andreza de Lima SP Grêmio Náutico União (GNU) Carolyne Pedro Curitiba, PR Centro de Excelência de Ginástica do Paraná (CEGIN) Flávia Saraiva Rio de Janeiro, RJ Clube de Regatas do Flamengo (CRF) Gabriela Barbosa SP Esporte Clube Pinheiros (ECP) Jade Barbosa Rio de Janeiro, RJ Clube de Regatas do Flamengo (CRF) Josiany Calixto Santo Antônio da Platina, PR Centro de Excelência de Ginástica do Paraná (CEGIN) Júlia Soares Curitiba, PR Centro de Excelência de Ginástica do Paraná (CEGIN) Lorrane Oliveira Curitiba, PR Clube de Regatas do Flamengo (CRF) Rebeca Andrade Guarulhos, SP Clube de Regatas do Flamengo (CRF)
Quadro de desempenho Abaixo, o quadro demonstrativo do desempenho das equipes brasileiras ao longo de suas participações em grandes competições internacionais até o último evento – entre Jogos Olímpicos, Campeonatos Mundiais e Jogos Pan-Americanos – realizado. Ao longo de sua competitiva história, nenhuma medalha conquistada fora retirada.
Aparelhos A seguir, um quadro do desempenho em conquistas por aparelhos. Visualizando-se abaixo, chega-se à conclusão de que as brasileiras são melhor sucedidas nas provas do solo, em um somatório geral dos aparatos e nos campeonatos mundiais. Logo em seguida vem o salto, que é o aparelho que as ginastas mais conquistaram medalhas de ouro, com cinco em um total de nove. Nos Pan-americanos, a trave de equilíbrio foi o aparelho que menos gerou medalhas para as ginastas brasileiras. Ao todo, desde 1983, a seleção brasileira conquistou vinte e três medalhas em aparelhos nas maiores competições internacionais.
Conquistas25px|Solo.25px|Barras assimétricas.25px|Trave.25px|Salto sobre o cavalo.Jogos Olímpicos 1 1 1 1 2Campeonatos Mundiais12 25 1 1 1 1 2 1 3Jogos Pan-Americanos 441124 1232114Total22610122501345229
Histórico em grandes competições
Jogos Olímpicos O histórico feminino da ginástica artística brasileira em Olimpíadas não é longo. Apesar de surgida como seleção composta para disputas internacionais em 1951, apenas quase trinta anos mais tarde, uma ginasta classificou-se para disputar uma edição olímpica. Nas Olimpíadas de Moscou, em 1980, Cláudia Magalhães qualificou-se como representante, encerrando no 32º lugar, com 69,775 pontos. Quatro anos mais tarde, nos Jogos de Los Angeles, Tatiana Figueiredo conquistou a melhor colocação do individual geral até então, a 27ª posição, com um total de 74,400 pontos, cinco a menos que a vencedora da prova, a norte-americana Mary Lou Retton e cinco a mais que a compatriota Cláudia, na edição anterior.
Quatro anos mais tarde, Luisa Parente chegou a 75,750 pontos e conquistou a 35ª posição na final do concurso geral, nos Jogos Olímpicos de Seul. Na ocasião, encerrou as rotações quatro pontos atrás da vencedora, a soviética Yelena Shushunova. Posteriormente, tornou-se a primeira ginasta brasileira a conquistar vaga para disputar uma segunda edição. Na Olimpíada seguinte, os Jogos de Barcelona, Parente, na qualificatória do individual geral, terminou com a 37ª posição, duas abaixo de sua estreia, o que a desqualificou da final. Quatro anos mais tarde, para os Jogos de Atlanta, nos Estados Unidos, Soraya Carvalho, foi a ginasta que obteve vaga para disputar as provas. No entanto, uma lesão no tornozelo retirou a atleta da competição antes da realização das provas de classificação. Como último compromisso deste ciclo da seleção feminina, deram-se os Jogos de Sydney, em 2000. Pela primeira vez em sua história, a seleção brasileira levou duas representantes: Daniele Hypólito, que, como estreante aos quinze anos de idade, foi a 21ª colocada na classificação geral, 17ª nas barras assimétricas e 16ª na trave, e Camila Comin. Com este resultado, Hypólito atingiu a melhor colocação geral daquele ciclo.
A partir do início do século XXI, a ginástica brasileira começou a ter desempenhos mais expressivos em Jogos Olímpicos. Em 2004, Daiane dos Santos se classificou para a final do solo, terminando na 5ª colocação. Em 2008, Jade Barbosa alcançou a 7º colocação no salto e a 10ª colocação no individual geral. A equipe conquistou o 8º lugar naquele ano. Em 2016, a equipe repetiu a 8ª colocação no torneio, enquanto Flávia Saraiva alcançou o 5º lugar na trave. Em 2020, a ginasta Rebeca Andrade conquistou as primeiras medalhas brasileiras na modalidade: prata no individual geral e ouro no salto.
Campeonatos Mundiais de Ginástica Artística A primeira participação do Brasil nestes campeonatos deu-se em 1974, no Mundial de Varna, na Bulgária, no qual não passou da fase classificatória. Quatro anos mais tarde, no Mundial de Estrasburgo, na França, a ginasta Lilian Carrascozza, única representante individual, não ultrapassou a primeira etapa. No ano seguinte, no Mundial de Fort Worth, nos Estados Unidos, apesar de qualificar equipe, a seleção, repetindo o resultado das edições anteriores, não ultrapassou a primeira fase. Entre 1981 e 1997, foram doze as edições mundiais realizadas e de nenhuma o Brasil conseguiu ultrapassar a fase de qualificação: em 1994, as ginastas Silvia Mendes, Adriana Silami e Leticia Ishii disputaram três dos quatro aparelhos no Mundial de Brisbane, tendo como melhor colocação, a 34ª posição na trave de equilíbrio e nos exercícios de solo, ambas conquistadas por Ishii. Em 1995, no Mundial de Sabae, no Japão, a seleção brasileira enviou sete representantes. Soraya Carvalho foi a melhor qualificada, na 37ª colocação, e apesar de não ter se classificado para nenhuma final, foi a melhor entre as companheiras de equipe após totalizar 74,410 pontos. Em 188º terminou Beatriz Degane, com 33,949, Melissa Sugimote encerrou na 176ª colocação com 43,812 pontos, Mariana Gonçalves ficou na 174ª posição com 62,210, Beatrice Martins foi a 101ª com 69,173 pontos, Liliane Koreyasu ficou na 95ª colocação com 70,023, e Leticia Ishii a 92ª com o total de 70,211.
Na China, no Mundial de Tianjin, o Brasil, encerrando a competição na 17º colocação geral, conseguiu classificar sua seleção para disputar os Jogos Olímpicos pela primeira vez em sua história. Nos anos seguintes, o Brasil alcançou destaque nos Campeonatos Mundiais, conquistando quatro medalhas — 1 ouro, 1 prata e 2 bronzes — entre 2001 e 2019.
Jogos Pan-Americanos