thumb|300px|Aspeto Aéreo da Fortaleza de S. Miguel, na década de 1950. A Fortaleza de São Miguel de Luanda é uma fortificação histórica situada em Luanda, Angola. Localiza-se no antigo monte de São Paulo (atual Morro da Fortaleza), nas proximidades da ponte da Ilha de Luanda. Foi inicialmente denominada Fortaleza de São Paulo, depois Fort Aardenburgh (durante a ocupação neerlandesa), recebendo a atual denominação em 1650.

Erguida no século XVI, durante o governo de Paulo Dias de Novais, foi a primeira fortificação a ser construída em Luanda. Primeiramente construída em barro, esse material será depois substituído, em 1638, por taipa e adobe, com obras acabadas em 1689 sob a direção de D. João de Lencastre. Nessa época apresentava a forma de uma estrela com quatro pontas, com o sistema abaluartado, segundo os métodos italianos mais atualizados da época, sobretudo os do mestre Benedetto da Ravenna.Ensaios sobre a statistica das possessões portuguezas na Africa occidental e oriental; na Asia occidental; na China, e na Oceania, Imprensa nacional, 1844, p. 141.

Depois da ocupação neerlandesa, começou a ser construída em alvenaria em 1705 a mando do governador D. Lourenço de Almada, fazendo parte das obras obrigatórias dos sucessivos governadores. Finalmente, no governo de D. Francisco de Sousa Coutinho (1764–1772), as obras terminam, com a construção de uma bateria do cavaleiro, armazéns à prova de bomba e uma cisterna que ficou conhecida como "Cova da Onça", seguindo o estilo barroco militar, na base da ambiguidade, pluralidade e descentramento.

Os muros foram-se consolidando em pedra e cal em diferentes épocas, concluindo-se já no século XX, ficando assim um marco da engenharia militar de Angola. Do ponto de vista urbano, a fortaleza foi sempre um marco ordenador do espaço da cidade. Nos primeiros tempos, foi o limite do aglomerado que se desenvolvia para sudoeste, em direção à Praia do Bispo. Mais tarde, cerca de 1648, quando a Barra da Corimba ficou assoreada, a cidade passou a desenvolver-se para o lado norte, do outro lado do morro, mantendo desta forma o seu papel ordenador.LOPES, Francisco Xavier, Três Fortalezas de Luanda em 1846, Luanda: Museu de Angola, 1954

Em 1938, a fortaleza deixou de ter funções militares, passando a ser ocupada pelo Museu de Angola (atual Museu Nacional de História Natural). Depois da deslocação do Museu de Angola para um edifício construído de raiz, em 1961, a fortaleza volta a ter funções militares, passando a servir de quartel-general do Comando-Chefe das Forças Armadas de Angola.

A 10 de setembro de 1975, foi na Fortaleza de São Miguel que se realizou o arriar da última bandeira de Portugal em Angola.

Atualmente, encontra-se instalado na fortaleza o Museu Nacional de História Militar.

História Erguida por determinação do primeiro Governador, Paulo Dias de Novais, em 1575, é a primeira estrutura defensiva construída em Luanda e em Angola.

No contexto da Dinastia Filipina, a cidade de São Paulo de Luanda foi alçada à categoria de capital da Capitania-Geral de Angola em 1627. Para a sua defesa, foi erguida uma nova fortificação, concluída em 1634. Além de centro administrativo, tornou-se uma importante saída para o tráfico de escravos para o Brasil. O forte foi, por muitos anos, quase que uma cidade independente protegida por grossas paredes incrustadas de canhões. Dentro do forte, ladrilhos elaborados contam a história de Angola desde os primeiros anos, e no pátio estão grandes e imponentes estátuas de D. Afonso Henriques, o primeiro rei de Portugal, de Diogo Cão, o primeiro europeu a chegar a Angola, do renomado explorador Vasco da Gama e de outros notáveis.

O forte e a cidade caíram em mãos da Companhia Neerlandesa das Índias Ocidentais em 24 de agosto de 1641. A 15 de agosto de 1648, foram recuperadas para a Coroa Portuguesa por uma expedição armada, organizada na Capitania do Rio de Janeiro, Brasil e comandada por Salvador Correia. Durante o período de ocupação neerlandesa foi denominado como "Fort Aardenburgh". Em 1650, o governador Salvador Correia apresentou ao Conselho Ultramarino os novos planos de fortificação de Luanda, a cargo do engenheiro francês Pedro Pelique, que trouxera do Rio de Janeiro. O forte, que até à invasão holandesa se chamara de "São Paulo", teve o seu nome trocado para São Miguel, santo da particular devoção de Salvador Correia de Sá.O Mundo Português, Volume VIII, 1941, p. 283

Sob os governos de D. Francisco de Távora (1669–1676) e de D. Lourenço de Almada (1676-1697), o forte foi reconstruído em alvenaria, ficando concluídos um baluarte e duas cortinas. Sob o governo de César Meneses (1697–1701), foi erguida, no interior da fortificação, a casa da pólvora.

Em 1846, o major engenheiro Francisco Xavier Lopes foi encarregado pelo governador Pedro Alexandrino a inspecionar a fortaleza. Foram identificados vários defeitos que podiam comprometer a defesa em caso de atque. Os baluartes eram pouco espaçosos, limitando as manobras das tropas. A casa do governador tinha sido construída de uma forma que impedia a comunicação entre os dois baluartes. A fortaleza tinha 131 canhoneiras.

A portaria de 15 de setembro de 1876 estabeleceu o Depósito de Degredados de Angola, nas dependências da fortaleza. Entretanto, a instituição só começou a funcionar em 1881, sendo realizadas algumas obras de adaptação para esse fim, como a construção de um edifício de dois pavimentos.

No século XX, após a extinção do Depósito de Degredados, por portaria de 8 de setembro de 1938, do ministro das Colónias Francisco José Vieira Machado, a fortaleza foi classificada como Monumento Nacional por decreto provincial de 2 de dezembro do mesmo ano. Nela veio a instalar-se, no ano seguinte, o Museu de Angola, criado pela portaria n.º 6, tendo sido feitas as necessárias obras de adaptação, como a colocação de painéis de azulejos numa casamata com cenas da história de Angola e de exemplares da fauna e flora nativos. A partir de 1956, o Museu de Angola começou a ser deslocado para um novo edifício, construído de raiz para o sedear.

Em 1961, o acervo do museu foi retirado por completo e a fortaleza voltou a assumir funções militares, sendo nela instalado o quartel-general do Comando-Chefe das Forças Armadas de Angola. Entre 1961 e 1975, foi a partir daqui que foram comandadas as operações militares portuguesas no contexto da Guerra de Independência de Angola.

Foi na Fortaleza de São Miguel de Luanda que se manteve arvorada a última bandeira de Portugal como símbolo de soberania portuguesa em Angola. Às 15h30 do dia 10 de setembro de 1975 (véspera do dia estabelecido para se efetuar a independência de Angola), com a presença do alto-comissário Leonel Cardoso e perante uma guarda de honra constituída por elementos dos três ramos das Forças Armadas Portuguesas, procedeu-se, na fortaleza, à cerimónia do último arriar da bandeira de Portugal. O alto-comissário e o último contingente militar português abandonaram então a fortaleza e dirigiram-se, em coluna armada, até ao porto de Luanda, embarcando nos navios da força naval portuguesa que ali se encontrava, fazendo-se ao mar às 24h00 daquele dia.

Após a independência de Angola, as dependências da fortaleza passaram a albergar o Museu das Forças Armadas, a partir de 1978.

Em 1995 sofreu intervenções de conservação no exterior do edifício.

Entre 2009 e 2013, realizaram-se obras de reabilitação da fortaleza. Construiu-se um espaço subterrâneo, com 1200 m², onde estão instalados um auditório, uma galeria e o panteão dos heróis. Na casamata central foram restaurados os painéis de azulejos. Os antigos armazéns acolheram um laboratório, uma sala de audiovisual e uma cafetaria, bem como a área administrativa do museu. Na casa da pólvora foram instaladas salas de estudo e uma biblioteca. No exterior, construiu-se um parque de exposições onde se encontra a bandeira monumento.

De propriedade do Estado, está afeta ao Ministério da Defesa e ao Ministério da Cultura.

Cronologia A Fortaleza de S. Miguel, p. 105-107 Acontecimento Data Provisão real galardoando quem construísse «hum castello» 12 de Abril 1574 Partida de Paulo Dias de Novais de Lisboa 23 de Out.1574 Chegada de Paulo Dias de Novais à Ilha de Luanda 11 de Fev.1575 Passagem de Paulo Dias de Novais para Morro de S. Paulo 30/Jun/1576? 25/Jan/1576(?)

15/Dez/1576(?) Morte de Paulo Dias de Novais 09 Mai/1589(?)