A Copa do Nordeste de Futebol (desde 2026 como Copa do Nordeste Casas Bahia por motivos de patrocínio) é uma competição de futebol disputada entre equipes da Região Nordeste do Brasil.

Considerado um dos campeonatos regionais mais importantes do país (por alguns, o mais importante), o "Nordestão" foi uma competição intermitente no calendário do futebol brasileiro em seus primeiros anos. Organizada oficialmente pela primeira vez em 1994, o torneio foi disputado continuamente entre 1997 e 2003, época em que passou a ser organizado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Teve quase todas suas edições canceladas entre 2004 e 2012, com exceção da edição de 2010. Retornou novamente ao calendário do futebol brasileiro em 2013.

Entre as edições de 1997 e 1999, o campeão garantiu também uma vaga na Copa Conmebol. Entre as edições de 2014 a 2016, os campeões obtiveram vaga para a Copa Sul-Americana do mesmo ano. Em 2017 a 2019, o campeão garantiria vaga direta nas oitavas de final da Copa do Brasil do ano seguinte. De 2020 até então, o campeão obtém vaga no torneio nacional do ano seguinte na terceira fase da competição.

Nas 23 edições realizadas, houve nove clubes campeões. O Bahia e o Vitória dividem o posto de maior vencedor do "Nordestão", com cinco títulos. Sport, Ceará e Fortaleza conquistaram a competição em três oportunidades. Enquanto isso, América de Natal, Campinense, Santa Cruz e Sampaio Corrêa possuem um título cada.

O Campinense e o Sampaio Corrêa, campeões das edições de 2013 e 2018, respectivamente, foram os únicos a conquistarem o torneio sem levar nenhum gol em seus domínios. O confronto mais vezes repetido em toda a história da competição é Vitória e América de Natal, com 21 jogos. Foram quartoze vitórias do rubro-negro baiano, quatro do alvirrubro potiguar, além de três empates.

História Origens

A origem da Copa do Nordeste de Futebol é um assunto controverso, contando-se antecessores intermitentes e heterogêneos, alguns dos quais com a chancela da Confederação Brasileira de Desportos (CBD, precursora da atual CBF).

Antes de 1994, ano da primeira Copa do Nordeste reconhecida pela CBF, foram disputados alguns torneios de amplitude regional, cujos vencedores se intitulam campeões da Copa Nordeste. Tais títulos são objetos de reivindicação de unificação por parte dos clubes, que pedem reconhecimento oficial da CBF. A primeira experiência ocorreu em 1923, quando foi disputado o Troféu Nordeste, vencido pelo América-PE.

Além disso, foram realizadas competições amistosas entre dois ou três estados, mas que são considerados torneios regionais menores, já que não houve a participação da maioria dos estados. Como exemplo, em 1939 houve a Taça dos Campeões do Nordeste, melhor de três entre os campeões de 1938 do Campeonato Bahiano, o Bahia, e do Campeonato Pernambucano, o Sport. No dia 18 de maio, o Sport venceu o Bahia na Ilha do Retiro por 4-2. Depois, alegando falta de calendário por conta do estadual de 1939, o Bahia não pôde continuar a competição.

A primeira Copa do Nordeste (1994), originalmente denominada de "Taça Governador Geraldo Bulhões", foi a única reconhecida posteriormente, quando a CBF passou a organizar o certame, em 1997.

Torneio José Américo de Almeida Filho Em 1975, disputou-se a primeira edição deste certame, organizado pela Federação Paraibana em homenagem ao estádio homônimo, o Almeidão, em João Pessoa, inaugurado no mesmo ano. Na temporada seguinte, o torneio foi ampliado. Segundo o presidente da Liga do Nordeste, Alexi Portela, o Torneio José Américo de Almeida Filho de 1975 foi a primeira competição realizada no Nordeste que representou o início da atual Copa do Nordeste. Em setembro de 2014, ele encaminhou à direção de competições da entidade máxima do futebol brasileiro uma nova lista de "campeões oficiais", que inclui as edições do Torneio José Américo de Almeida Filho de 1975 e 1976. Porém, até hoje, a CBF não pronunciou sobre o assunto.

O Torneio José Américo de Almeida Filho de 1975 contou com a participação de seis equipes de três estados: Alagoas, Paraíba e Rio Grande do Norte. O torneio de 1976 englobou campeões e vices de seis estados nordestinos: Alagoas, Bahia, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe, além do Volta Redonda, clube convidado do Rio de Janeiro. Após reivindicações do Vitória, essa competição chegou a ser reconhecida inicialmente pela CBF, em setembro de 2012, como a edição inaugural da Copa do Nordeste, através de seu guia anual, o Guia do Campeonato Brasileiro de 2012. Porém, os títulos deste documento, foram anunciados pelos próprios clubes e não pela CBF em si. Cabe também observar que o reconhecimento de títulos pela CBF ocorre através de Resoluções de Presidência da mesma, não através do Guia do Campeonato Brasileiro. O referido Guia traz, inclusive, uma seção de bibliografia, em que constam fontes externas (diversos sites, inclusive a própria Wikipédia), que não são documentos oficiais da CBF. Mas nas edições posteriores, esta decisão foi revista, como na edição do Guia do Brasileirão - CBF 2015. O também levantou a bandeira do reconhecimento oficial da competição.

Taça Governador Geraldo Bulhões Após a edição do Torneio José Américo de Almeida Filho de 1976, somente no ano de 1994 foi novamente realizado um certame envolvendo os times do Nordeste, agora com um novo formato. Sob o nome de Taça Governador Geraldo Bulhões, à época governador do estado de Alagoas, a competição rapidamente se popularizou como Copa do Nordeste. A organização foi da FAF, e o torneio foi inteiramente disputado no estado alagoano, contando com cinco times locais dentre os dezesseis. A final aconteceu na capital, Maceió, no Estádio Rei Pelé, entre e . Após um empate em 0 a 0 no tempo normal, o time pernambucano foi campeão pelo placar de 3 a 2 na disputa de pênaltis. Este torneio é reconhecido oficialmente pela CBF como a primeira edição do "Nordestão".

O sistema de pontuação da copa foi o seguinte: a vitória valia 3 pontos (regra não seguida no Brasileirão daquele ano, que continuou a dar dois pontos, tornada obrigatória pela FIFA no ano seguinte), o empate com gols valia dois pontos e o empate sem gols (0 a 0) valia um ponto.

Organização da CBF Em 1997, o torneio passou então a ser organizado pela CBF, com os clubes entrando pelo critério de merecimento: participavam apenas os mais bem classificados nas respectivas competições estaduais. Nos dois primeiros anos, assegurava ao campeão uma vaga na Copa Conmebol do mesmo ano. O sistema de grupos foi deixado para trás e a primeira Copa dessa nova "era" foi disputada apenas em mata-mata. O chegou à final invicto, assim como seu arquirrival, , fazendo a primeira de três finais em que, até hoje, a dupla Ba-Vi decidiu o campeonato. O resultado foi 4 a 2 no agregado para o rubro-negro, se sagrando campeão pela primeira vez.

Já em 1998, com o sistema de grupos de volta, mais uma vez o Vitória chegou à final, dessa vez tendo como adversário o . Derrotado por 2 a 1 na partida de ida, o clube potiguar ficou com a obrigação de vencer em Natal, tarefa que cumpriu, fazendo 3 a 1 no time baiano e ficando com o título.

No ano seguinte, o favoritismo era do , que havia terminado a fase de grupos invicto e passou por América de Natal e com certa facilidade nas fases seguintes. O adversário da final, mais uma vez, era o Vitória, dono de uma campanha razoável ao longo da competição. Porém, vencendo por 2 a 0 a partida de ida e perdendo por 1 a 0 a de volta, o "Leão da Barra" confirmou sua hegemonia no torneio, sagrando-se o primeiro bicampeão do Nordeste. Este foi também um ano de muitos times estreantes na competição, num total de cinco: , , , e .

Na sua quarta final consecutiva, em 2000, o Vitória agora enfrentaria o Sport, dono da melhor campanha até então. O fato acabou sendo determinante no título do clube pernambucano, já que, com dois empates em 2 a 2, foi considerado campeão por tê-lo feito.

Regional de maior sucesso do país Em 2001, uma nova fórmula para o certame foi designada, passando agora a ser disputado por 16 equipes no sistema de pontos corridos, com os quatro melhores pontuadores ao fim dos confrontos avançando às semifinais. Tal mudança gerou grande investimento no campeonato, e chegou a ser a competição com melhor média de público do país na época. De 2000 a 2002, os primeiros colocados ganhavam vaga (duas em 2000 e 2001; três em 2002) na Copa dos Campeões.

, , e avançaram à segunda fase, disputada em apenas um jogo eliminatório. O Bahia bateu o terceiro colocado Fortaleza e fez a segunda final seguida. Dessa vez enfrentando o Sport, o tricolor baiano se sagrou campeão ao vencer a equipe pernambucana por 3 a 1.

Em 2002, o Vitória chegou à final contra o Bahia, a terceira vez em que o clássico Ba-Vi decidiu o maior torneio nordestino. O rubro-negro acabou não conseguindo reverter a vantagem que o tricolor impôs no jogo de ida, 3 a 1, e a partida de volta ficou apenas num empate em 2 a 2, dando ao Bahia o segundo título consecutivo.

Cancelamento e retorno Depois de uma última edição sem diversos dos principais clubes da região, que teve como campeão o Vitória, pela terceira vez, em cima do , o torneio foi cancelado em 2004 pela CBF por falta de datas no calendário anual, apesar do notável crescimento e da importância que ganhava no cenário nacional, embora o contrato acertado com os clubes garantisse mais algumas edições. Vários desses clubes processaram a entidade máxima do futebol brasileiro e ganharam a causa. Um acordo foi feito no início de 2010 para a volta do campeonato, com a condição da extinção deste processo. Esse acordo foi aceito e, assim, a Copa voltou no dia 9 de junho de 2010.

Utilizando em sua maioria jogadores das categorias de base, o Vitória classificou-se em segundo lugar na primeira fase e venceu a final (disputada em jogo único) contra o estreante em decisões . Por ter se classificado na primeira colocação, o ABC teve o direito de disputar a final em seu mando de campo, o Frasqueirão, em Natal, mas mesmo assim acabou derrotado por 2 a 1, após a virada do rubro-negro baiano. Assim, o Vitória levantou seu quarto troféu do torneio. right|thumb|120px|Logo do retorno em 2013.

Após mais dois anos sem a disputa do torneio, no dia 13 de setembro de 2012 a CBF oficializou o retorno da competição para o ano seguinte, com esta passando a ser disputada entre os meses de janeiro e março. A partir de 2014, o torneio passará ao seu campeão uma vaga na Copa Sul-americana do mesmo ano.

Maranhão e Piauí Em 2015, clubes dos estados do Maranhão e do Piauí foram incluídos na competição da Copa do Nordeste. O motivo da não participação de ambos é devido à CBF incluí-los em competições com times da Região Norte do Brasil.

Pandemia da Covid-19 Com a pandemia do novo Coronavírus e a suspensão dos jogos em todo o País, a Copa do Nordeste 2020 foi interrompida no mês de março, comprometendo sua última rodada da fase classificatória e as fases restantes. No mês de junho, com a possibilidade de retorno das competições sem a presença do público, os clubes participantes decidiram, por unanimidade, disputar o restante da competição em sede única, sendo a decisão chancelada pela CBF. A cidade de Salvador foi escolhida para a disputa dos jogos em portões fechados na Arena Fonte Nova, Estádio Barradão e estádios nos municípios de Feira de Santana, Riachão do Jacuípe e Mata de São João.

Mudanças no calendário da CBF: 2026-