Crateús é um município brasileiro do estado do Ceará, na Região Nordeste. Uma das cidades mais importantes e antigas do estado e de toda a Região Nordeste do Brasil. Está localizada na região oeste do Ceará, sendo a sede da Região de Planejamento dos Sertões de Crateús e da Região Metropolitana de Crateús (projeto de lei em trâmite na Assembleia legislativa), a qual é composta por 14 (quatorze) municípios e tem população estimada em 363.610 habitantes de acordo com o censo demográfico de 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Todavia, somente o município crateopolitano é o décimo quinto mais populoso do estado do Ceará com 80 130 habitantes.
O município constitui-se numa cidade de expressiva importância regional, destacando-se na produção e comercialização de produtos rurais, tais como a pecuária e a grande produção de grãos no rico vale do Rio Poti que geograficamente corta a região da Serra Grande, fator que associado ao seu posicionamento geográfico estratégico no oeste do Estado do Ceará e a leste do Estado do Piauí, o que lhe confere a condição de se consolidar como grande polo comercial tanto para o Ceará como para Piauí, já que é o maior centro populacional, cultural, econômico e comercial entre ambos, fator que impulsiona o escoamento de toda a produção regional. Por meio dessas potencialidades, Crateús assume a postura de Capital regional, já que, por além de ser uma economia em ascensão no interior nordestino, é também um centro universitário em expansão, e tem o maior centro de saúde dos Sertões de Crateús. Características que consolidam o município como Capital do Oeste Cearense, como é popularmente conhecida.
Crateús já foi um dos maiores produtores de biocombustíveis do país e todavia da região Nordeste, com uma produção de 118.800 m³ de biodiesel por ano segundo a companhia Brasil Ecodiesel,. A cidade também sedia uma unidade do Exército Brasileiro (40º BI - Batalhão de infantaria) e a base regional do SAMU e abriga a Reserva Natural Serra das Almas. e o Parque Estadual do Cânion Cearense do Rio Poti. Seu clima é tipicamente tropical, com uma temperatura média de 25,4 graus Celsius e com uma altitude de 90 metros, chegando até os 274 metros nas áreas mais altas ou seja nas regiões montanhosas e acima da Serra Grande. O município está localizado a 350 km da capital, Fortaleza, o acesso rodoviário é feito por rodovias estaduais e pelas BR-226 e BR-020 (Rodovia Brasília–Fortaleza). também conectando-se pela Ferrovia Transnordestina atualmente utilizada e gerida pela FTL. Responsável pelo transporte ferroviário de cargas no Estado do Ceará e na região Nordeste
Segundo a Revista Exame, Crateús está entre as cinquenta melhores cidades do interior para se morar. O município é conhecido internacionalmente por ter sido "a cidade que prendeu a santa",https://g1.globo.com/ce/ceara/noticia/o-dia-em-que-uma-santa-foi-presa-em-crateus-no-ceara.ghtml pelo Litígio de limites entre Ceará e Piauí, por ter revidado a passagem da Coluna Prestes pela cidade em 1926, e por ter registrado em 13 de fevereiro de 1963. a menor temperatura mínima do Ceará. pelo fato de ter pertencido ao Estado do Piauí durante Império do Brasil, por abrigar o Parque Estadual do Cânion Cearense do Rio Poti, e a Reserva Natural Serra das Almas, por estar situada no sopé da Serra grande (Serra da Ibiapaba).
Simbologia
Derivação A origem do topônimo "Crateús" vem do tupi ou tapuia (Kariri), podendo significar: tupi: cará (batata) e teú (lagarto); kariri: kará (peixe) te (terra) e ús (Povo) ou ainda composta de kra ("seco") mais té, formou kraté ("coisa seca" ou "lugar seco") e yú (muito frequente) formando "lugar frequente muito seco" us ("povo" ou "tribo") ou ainda se referindo-se a karatiús ou karatís (índios nativos da região ) o que viria a ser "índios da tribo karati". Crateús () () e pronuncia-se: kra·te·us, também pondendo ser pronunciada como kra-te-uis. durante a pronuncia do nome do município é corriqueiro que o pronunciante cometa equivocadamente a pronuncia "crateus" esquecendo-se do acento agudo sobre a letra 'U' (de tal: Ú), este acento é um sinal gráfico usado para indicar a sílaba tônica com som aberto em determinadas palavra.
Sua denominação original era "Fazenda Piranhas" (nominação dada à fazenda de propriedade de dona Ávila Pereira, devido à abundância desse peixe na região), depois elevado a categoria de vila com o "Príncipe Imperial do Piauí".
Bandeira A Bandeira de Crateús é um dos símbolos oficiais deste município, com proporção de largura-comprimento de 7:10. Consiste em três faixas horizontais nas cores amarelo, branco e verde, e no centro está o brasão municipal. A cor amarela e simboliza as riquezas do município (na época de sua criação, principalmente o arroz, cuja casca, por sinal, é de cor amarelada). A cor branca representa no centro da bandeira e onde se situa grande parte do brasão simboliza a paz, harmonia e prosperidade. Já a cor verde faz alusão às matas crateuenses, à época mais abundantes e à Mata Atlântica na Serra Grande.
Brasão O Brasão de Armas de Crateús faz referência às riquezas e as belezas do município, como a Serra da Ibiapaba e o Vale do Rio Poti que outrora alavancaram a economia da cidade com grandes produções rurais na agricultura e na pecuária e também nas lavouras de milho e feijão, nos ricos vales da região.
O uso do Brasão de Armas de Crateús é obrigatório na Prefeitura Municipal e na Câmara de Vereadores, sendo, portanto, utilizado nos papéis oficiais dos poderes Executivo e Legislativo (documentos, papel de correspondências, convites e publicações oficiais).
História thumb|esquerda|Detalhe do mapa de Antonio Galuci (1761), no qual destaca-se Crateús fazendo parte do Piauí thumb|esquerda|Ceará de 1861 sem a região de Príncipe Imperial (atual Crateús)
As terras de Crateús, ao sul da Serra da Ibiapaba (Serra Grande) e às margens do rio Poti, eram habitadas pelos índios Karatis,Sebok. Lou, Atlases published in the Netherlands in the rare atlas collection. Compiled and edited by Lou Seboek. National Map Collection (Canada), Ottawa. 1974Aragão, R. B, Índios do Ceará e Topônimos Indígenas, Fortaleza, Barraca do Escritor Cearense. 1994 antes da chegada dos portugueses e bandeirantes no século XVII.
Em 1721 o vale de Crateús fora comprado por D. Ávila Pereira Passos, pelo preço de quatro mil cruzados. A posse dessas terras lhe foi dada na Fazenda Lagoa das Almas, 18 quilômetros ao sudoeste da Vila Príncipe Imperial (hoje cidade de Crateús), na margem esquerda do Riacho do Gado, que deságua no Rio Poti.
Com o sucesso da economia do mercantilismo, a vila piauiense de Piranhas destaca-se como entreposto comercial comunicando o Ceará e o Piauí, devido ao acidente geográfico (boqueirão) entre a Serra Grande e a de Ibiapaba, facilitando o tráfego entre os dois estados.
A vila Príncipe Imperial integrou o estado do Piauí até o ano de 1880, quando foi anexada ao território do Ceará, como resultado da solução encontrada para o litígio territorial entre esses dois estados. O Ceará reconheceu a jurisdição do Piauí sobre o município de Amarração (Luís Correia) e em troca o Piauí ofereceu dois importantes municípios piauienses: Independência e Príncipe Imperial.
Com a expansão da Estrada de Ferro de Sobral-Camocim para o Piauí, em 1911, as terras de Crateús foram cortadas pela ferrovia e, em 1912, duas estações de trem foram construídas no município: Crateús e Sucesso, e depois outras estações foram construídas em 1916 Poti, em 1918 Ibiapaba, em 1932 Oiticica e Santa Terezinha.
Formação administrativa No ano de 1832, a vila piauiense de Piranhas (Crateús) foi elevada à categoria de vila e distrito sob o nome de Príncipe Imperial do Piauí, sendo desmembrado de Castelo do Piauí pela lei geral nº 06-07-1832, com sede no núcleo de Piranhas. Em 1853 já tinha um distrito o Povoação de Pelo-Signal (atual município de Independência e compreendia as áreas dos atuais municípios de Quiterianópolis e Novo Oriente) sendo elevada à categoria de vila e desmembrada de Príncipe Imperial do Piauí (Crateús) no ano de 1857.
Em 1880, foi transferida da antiga província do Piauí para a província do Ceará através da Lei (decreto geral) Nº 3.020 de 22 de outubro de 1880. Em 1889, mudou o nome para Crateús tendo o nome oficializado através do Decreto de Lei Nº 01 de 2 de dezembro de 1889. Em 1911, foi elevado à categoria de cidade. Em 1920, o município já tinha 2 distritos: Barrinha (Ibiapaba) e Santana. Em 1929, o distrito Barrinha (Ibiapaba) muda o nome para Ibiapaba, e no mesmo ano é formado mais um distrito: Irapuã. Na divisão administrativa de 1933, Santana não figura como distrito municipal; no quadro só aparecia, além do distrito-sede, Graça, Ibiapaba, Irapuã e Tucuns. Em 1938. Irapuã é rebaixado a povoado, e Graça muda o nome para Chaves, e mais dois distritos são criados:Oiticica e Poti. Em 1944, Chaves muda o nome para Rosa. Em 1951, Irapuá novamente é elevado a categoria de distrito e é criado mais um distrito: Montenebo. Em 1955, mais um distrito: Santo Antonio. Em 1963, Ibiapaba se emancipa e anexa o distrito de Oiticica, e no mesmo ano Montenebo também se emancipa (com o nome de Monte Nebo). Em 1965, Crateús anexa o território dos extintos municípios de Ibiapaba e Montenebo (ex Monte Nebo).
Em 1996, Crateús forma mais cinco distritos: Assis, Curral Velho, Lagoa das Pedras, Realejo e Santana.http://www.ibge.gov.br/cidadesat/painel/painel.php?codmun=230410&search=ceara|crateus
Atualmente o município é dividido em treze distritos: Crateús (sede), Assis, Curral Velho, Ibiapaba, Irapuã, Lagoa das Pedras, Montenebo, Oiticica, Realejo, Santana, Poti, Santo Antônio e Tucuns.
Região de Planejamento do Ceará A Lei Complementar Estadual nº 154, de 20 de outubro de 2015, define a nova composição da região de planejamento do Sertão dos Crateús, sendo a regionalização fixada em 13 municípios: Ararendá, Catunda, Crateús, Hidrolândia, Independência, Ipaporanga, Ipueiras, Monsenhor Tabosa, Nova Russas, Novo Oriente, Poranga, Santa Quitéria e Tamboril.
Características geológicas e ambientais dominantes: Domínios naturais dos sertões e das serras áridas; Área territorial (km²) – (2010): 20.591,20; População – (2022): 76.390 pessoas; Densidade demográfica (hab./km²) – (2022): 25,62 habitantes por m²; Taxa de urbanização (%) – (2010): 58,11; PIB (R$ mil) – (2012): 1.689.837,10; PIB per capita(R$) – (2012): 4.913,92; Porcentagem(%) de domicílios com renda mensal per capita inferior a ½ salário mínimo – (2010): 50,3%.
Região Metropolitana de Crateús Tramita na Assembleia Legislativa do Ceará o Projeto de Lei Complementar n° 07/17 que propõe a criação da Região Metropolitana de Crateús. O objetivo da proposta é agrupar todas as cidades da região do Sertão dos Crateús, formada pelos municípios de Independência (Ceará), Novo Oriente, Ipaporanga, Poranga, Ararendá, Nova Russas, Ipueiras (Ceará), Hidrolândia (Ceará), Catunda, Monsenhor Tabosa, Tamboril (Ceará) e Crateús.
Subdivisão
Bairros alt=|miniaturadaimagem|Coluna da Hora, vista a partir da Praça da Matriz
Crateús está dividida em 35 bairros, organizados em 12 Unidades de Planejamento (UPs). São eles:
UP 01: Centro; Cidade Nova;
UP 02: Bom Retiro; Cajás; Cidade 2000; Palmeiras; Paraíso; Patriarcas;
UP 03: José Rosa; Príncipe Imperial; Vitor;
UP 04: Dos Venâncios;
UP 05: Fátima II; Morada dos Ventos; São Vicente;
UP 06: Ipase; Maratoan; Santa Luzia;
UP 07: Campo Velho; Nova Terra;
UP 08: Fátima I; Planaltina; Planalto;
UP 09: Altamira; Ponte Preta; São José;
UP 10: Campos Belos; Pinheiros; Veremos;
UP 11: Boa Vista; Lagoas; Liberdade; Olavo Cardoso; Santa Fé;
UP 12: Vila Norte;
Transportes
Rodoviário