Minaçu é um município brasileiro situado na região Centro-Oeste do país, no Estado de Goiás, na Mesorregião do Norte Goiano e Microrregião de Porangatu, possuindo uma área de 2.854,137 km² e uma população de 26.301 habitantes, de acordo com o último censo do IBGE, realizado em 2026. Está situado à 471 km de sua capital estadual Goiânia e à 370 km de Brasília.

Foi emancipado em 1976, e possui uma economia pujante, se destacando na geração de energia elétrica, abrigando duas dentre as maiores usinas hidrelétricas do estado de Goiás: a Usina Hidrelétrica de Serra da Mesa e a Usina Hidrelétrica de Cana Brava, além de possuir um grande polo de produção mineral de Amianto Crisotila e Metais de Terras Raras, bem como uma agricultura, pecuária e piscicultura em ascensão.

História

Primeiros Povos

A área onde está situado o município de Minaçu era habitada pela tribo indígena dos Avás-Canoeiros, no período que antecedeu a chegada dos primeiros Bandeirantes á antiga Capitânia de Goiás, quando foram vistos pela primeira vez nas matas de galeria das margens nas cabeceiras do Rio Maranhão em seu alto curso, isto é, na Sub-Bacia do Alto Tocantins.

Os indígenas Avá-Canoeiro eram conhecidos por negar terminantemente qualquer contato pacífico com os colonizadores, o que acarretou em sua quase extinção após o contato hostil com os primeiros povoadores de língua lusófona, que possuindo aparato bélico responderam destruindo aldeias inteiras no século XX, como no massacre ocorrido na região da Mata do Café, na década de 1960, que deixou poucos sobreviventes que passaram a perambular por anos, escondendo-se em grutas e outros tipos de refúgio de difícil acesso.

O diminuto grupo que sobreviveu na região do Rio Maranhão, em 1983 teve seu direito de posse reconhecido com a demarcação da Terra Indígena Avá-Canoeiro, situada entre os municípios de Minaçu e Colinas do Sul. A área foi identificada em 1985, interditada em 1994, demarcada em 1996 e declarada como de posse permanente pelo Ministério da Justiça em 1999, com cerca de 38.000 hectares.

Atualmente o grupo vive em casa própria junto ao antigo Posto Indígena fundado pela FUNAI no Córrego Pirapitinga.

Ocupação A ocupação da área onde está situado o município de Minaçu teve início com a migração de pecuaristas para a região, no final da década de 1950. Os pioneiros instalaram-se na região do Rio Bonito, utilizando a área para a formação de fazendas.

Nesse período o vaqueiro José Cirqueira, empregado de Pedro Coelho de Souza Barros, teve sua atenção despertada por um fragmento de rocha esverdeada com saliências que pareciam escamas. Percebeu-se que essas rochas eram abundantes na região denominada Cana Brava, e um dos proprietários dessas terras, Darcy Lopes Martins, interessou-se pelo achado e resolveu estimar seu valor.

Em certa oportunidade, ao encontrar-se com José Porfírio de Souza, procedente de Trombas, na época distrito do município de Formoso, teve acesso à rocha e a levou para ser examinada pelo comerciante de minério Pedro Paraná que levou o fragmento para São Paulo, onde se fez a análise em laboratório.

Ao retornar de São Paulo em 1962, o referido comerciante veio acompanhado pelo Geólogo Dr. Joseph Paul Milewski, gerente de uma empresa franco-brasileira chamada Sama, pertencente na época ao Grupo Saint Gobain, dedicada à exploração de amianto crisotila, que posteriormente veio á adquirir a área que corresponde hoje a uma das maiores jazidas de amianto crisotila do mundo.

Com o passar do tempo, outros migrantes foram se estabelecendo na região, inclusive Benjamin Tavares da Silva, o primeiro comerciante daquela localidade, sucedido por Carolino Fernandes de Carvalho, popularmente conhecido como "Reis", proprietário da primeira farmácia do patrimônio.

Fundação e Emancipação Porém, até então, não havia sido estabelecido oficialmente um povoado, o que fez com que Jeová Seabra Campos, Darcy Lopes Martins e Pedro Coelho de Souza Barros doassem partes de suas propriedades para formação do "Patrimônio do Beja", que carregava o apelido de Benjamin Tavares da Silva.

Com o projeto de implantação da Mineradora Sama na região chamada Serra de Cana Brava cada vez mais consolidado, o comerciante Carolino Fernandes de Carvalho teve a ideia de renomear o povoado de "Patrimônio do Beja" para "Minaçu", que seria a junção da palavra da língua portuguesa "Mina" com a palavra tupi-guarani "Açu" que formava a palavra "Mina Grande".

No ano de 1965 a mineradora Sama obteve a autorização de pesquisa, e em 1967 recebeu do Departamento Nacional de Produção Mineral o decreto de lavra e, nesse mesmo ano, instalou uma usina piloto.

Até então, não havia muitos moradores no patrimônio, mas entre 1965 e 1968 já se verificava a instalação de inúmeros estabelecimentos comerciais, prédios públicos e algumas unidades industriais, o que consequentemente causou expressiva migração para Minaçu.

Em 1969 os padres Pedro e Miguel edificaram a primeira igreja do patrimônio, com paredes de madeira roliça e telhado de palha de buriti.

No ano de 1975, com a entrada em vigor da lei estadual nº 8.027 de 01/12/1975 Minaçu foi elevado a categoria de distrito de Uruaçu.

Já em 14 de maio de 1976, com a entrada em vigor da Lei Estadual nº 8.085 de 14/05/1976 Minaçu foi elevado a categoria de município, tendo seu território delimitado e desmembrado do município de Uruaçu.

Com a lei estadual nº 10.437 de 19/01/1988, foi criado o Distrito de Cana Brava, subdivisão do município de Minaçu, afastado 20 km da sede municipal.

Geografia

Clima O município de Minaçu possui condições climáticas características do clima subtropical, onde possuem dois períodos, cujas medidas térmicas são bem distintas, temperatura quente na primavera e no verão e no outono e inverno redução dos totais pluviométricos e uma pequena queda térmica, passando de quatro a cinco meses secos.

As chuvas são geralmente concentradas no verão prolongado, de outubro a abril. A temperatura média anual é de 26,6°C (2003) e com índice de precipitação variando entre 1500 mm e 1900 mm por ano.

Solos No município de Minaçu se encontram cincos classes de solos: argissolos vermelhos, cambissolos, chernossolos argilúvicos, latossolos vermelhos e neossolos litólicos. O argissolos vermelhos são distróficos, com textura média e argilosa em relevos suave. Ondulado e forte ondulado. Os cambissolos apresentam textura média, são distróficos e estão em relevo ondulado.

Os latossolos vermelhos apresentam horizonte moderado, textura argilosa e média, desenvolvido em relevo plano e suave ondulado. Os Chernossolos possuem espessura de pequena a mediana, e cor escurecida em função da grande concentração de matéria orgânica no horizonte, além de boa fertilidade e significativa concentração de argila, encontram-se em relevos forte ondulado e é do tipo argilúvico.

Os neossolos litólicos são identificados, predominantemente em áreas declivosas, geralmente encontrados nas bordas do braquianticlinal, relevos dobrados e altamente dissecados. São solos rasos com alto teor de minerais, apresentam textura de média a arenosa.

Recursos Minerais O subsolo de Minaçu é rico em minérios como o amianto crisotila, composto mineral de terras raras, berilo, calcário, cassiterita, chumbo, cianita, estanho, grafita, ilmenita, mica, muscovita, níquel, tântalo, titânio, rutilo, wolframita e zinco. Bem próximo da cidade de Minaçu, na área da Serra da Cana Brava, está localizado o Complexo Máfico-ultramáfico de Canabrava, esse complexo é uma unidade geológica conhecida principalmente pelo seu potencial para a exploração de níquel, cromo e platina.

Relevo A geomorfologia do município é composta por quatro tipologias distintas de relevo. A superfície regional de aplainamento com cotas entre 400m e 500m de altitude, estão associadas a morros e colinas com hogbacks. Entre estes compartimentos ocorrem morros e colinas com braquianticlinais com forte controle estrutural. Possuem sistemas de drenagem, onde exibem padrões de dissecação médio e presença de pequenas faixas aluviais e mantos laterizados.

Os relevos de morros e colinas são remanescentes de litológicos mais resistentes à erosão, que foram preservados à medida que uma superfície regional de aplainamento evolui com tendência recuante, muitas vezes, com um forte controle estrutural (paisagens dobradas, rochas metamórficas com estruturas bem marcadas). Os braquianticlinais foram gerados pela ação de rochas intrusivas plutônicas que formam o núcleo destas estruturas. O núcleo é composto por granitos da subprovíncia Tocantins e os flancos por rochas do grupo Serra da Mesa (calcixistos, calcáreos e quartzitos).

A altitude média do município é de 598 metros, tendo como altitude mínima aproximadamente 280 metros na foz do Ribeirão Mucambão no Rio Maranhão e altitude máxima de 995 metros nas proximidades da mina de Terras-Raras nas chapadas da região denominada Pela-Ema. Já o perímetro urbano da cidade de Minaçu se encontra em uma altitude que varia entre 333 á 403 metros.

Localização Está situado no extremo norte do Estado de Goiás, entre coordenadas geográficas 12º e 15º de latitude sul e os meridianos 48º e 51º de longitude oeste. Limita-se com os municípios de Campinaçu, Formoso de Goiás, Campinorte, Cavalcante, Colinas do Sul, Montividiu do Norte e Trombas, bem como com os municípios de Palmeirópolis, Paranã e Jaú do Tocantins, ambos no Estado de Tocantins. Está situado à 471 km de Goiânia, 370 km de Brasília e à 530 km de Palmas.

Hidrografia Pertence à Bacia Hidrográfica do Tocantins-Araguaia, mais especificamente na Região do Alto Tocantins possuindo como principal curso d'água o Rio Maranhão (afluente do Rio Tocantins) que serve como divisor natural com os municípios de Colinas do Sul, Cavalcante e Paranã, existindo ainda diversos afluentes: Ribeirão Boa Nova, Rio Bonito, Rio Canabrava, Ribeirão Dois de Junho e Ribeirão Mucambão, divisa natural entre Minaçu e Palmeirópolis.

Infraestrutura

Rodovias O município de Minaçu é cortado pelas rodovias:

GO-241: com pavimento em ótimo estado de conservação no sentido oeste ligando o município a outras importantes cidades do Norte Goiano como Porangatu, Uruaçu, São Miguel do Araguaia e á rodovia BR-153. No sentido leste, ainda não há pavimentação no trecho que liga o município ao Lago de Cana Brava e ás cidades de Cavalcante, Teresina de Goiás e Nova Roma; GO-132: majoritariamente pavimentada ligando no sentindo norte às cidades do Estado do Tocantins, entre elas Palmeirópolis, São Salvador, Paranã, Jaú do Tocantins, Peixe, Natividade, Gurupi e Palmas. No sentido sul faz ligação á Colinas do Sul, ao Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, grande parte do Lago de Serra da Mesa, Niquelândia, Brasília, Anápolis e Goiânia; GO-464 pavimentada no trecho que liga a cidade ao Lago e a Usina Hidrelétrica de Cana Brava, porém a partir dos acessos aos municípios de Cavalcante e de Paranã não há pavimento; Municipal dando acesso a Usina Hidrelétrica de Serra da Mesa totalmente pavimentada.

O município conta também com diversas outras estradas municipais que são rotas utilizadas pelos agricultores e pecuaristas locais.

Aeroporto Municipal Minaçu conta com um aeroporto moderno e compacto, configurado para receber voos diurnos e noturnos com pista asfaltada de 1.340 metros de comprimento por 30 metros de largura, situado á 3 km do centro da cidade, pertencente ao governo local e é utilizado tanto para voos particulares quanto para voos de órgãos públicos.

Educação