Carolina Amália Isabel de Brunsvique-Volfembutel (nome pessoal: Caroline Amalie Elisabeth von Braunschweig-Wolfenbüttel; Brunsvique, 17 de maio de 1768 — Londres, 7 de agosto de 1821) foi Rainha Consorte do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda e Rainha de Hanôver, como esposa do rei Jorge IV de 1820 até sua morte.
O seu pai era o governante de Brunsvique-Volfembutel, um estado na actual Alemanha, e a sua mãe, a princesa Augusta, era irmã do rei Jorge III do Reino Unido. Em 1794, ficou noiva do filho mais velho e herdeiro aparente de Jorge III, o príncipe Jorge de Gales, apesar de os dois nunca se terem conhecido e Jorge ser já casado (ilegalmente) com Maria Fitzherbert. Jorge e Carolina casaram-se no ano seguinte e, nove meses depois, a princesa deu à luz uma filha, a princesa Carlota de Gales.
Pouco depois do nascimento de Carlota, Jorge e Carolina separaram-se. Em 1806, os rumores de que Carolina tinha amantes e um filho ilegítimo levaram a uma investigação à sua vida privada. Os dignitários que levaram a cabo a investigação chegaram à conclusão de que os rumores "não tinham fundamento", mas as visitas de Carolina à sua filha foram restringidas.
Em 1814, Carolina deixou a Inglaterra e mudou-se para Itália, onde empregou Bartolomeo Pergami como criado. Pergami tornou-se o companheiro mais chegado de Carolina pouco depois e muitos assumiram que os dois eram amantes. Em 1817, Carolina ficou devastada quando a sua filha Carlota morreu ao dar à luz. A princesa soube da notícia através de um carteiro que passava na região, uma vez que o seu marido se recusou a escrever-lhe para lhe dizer o que tinha acontecido. O príncipe estava determinado a divorciar-se de Carolina e organizou uma segunda investigação para recolher provas da sua infidelidade.
Em 1820, Jorge tornou-se rei do Reino Unido e de Hanôver e Carolina regressou à Grã-Bretanha para assumir a sua posição como rainha. Tornou-se líder de um movimento de reforma popular que se opunha a Jorge que era pouco popular. Tendo por base as provas recolhidas contra ela, Jorge tentou pedir o divórcio apresentado o projecto de lei das Dores e Penalidades, mas tanto o rei como o projecto eram tão pouco populares e Carolina tão amada pelas massas que o governo o retirou. No ano seguinte, em Julho de 1821, Carolina adoeceu depois de ser impedida de participar na coroação por ordem do marido. Morreu três semanas depois e o seu corpo foi sepultado na sua cidade natal de Brunsvique.
Primeiros anos Carolina nasceu em Brunsvique, na Alemanha, como a segunda filha do duque Carlos Guilherme Fernando de Brunsvique-Volfembutel e da Princesa Augusta Carlota de Gales, a irmã mais velha de .
John Stanley, depois Lord Stanley de Alderley, viu-a em 1781 e reparou que era uma menina atraente com cabelo loiro aos caracóis.Plowden, pp. 5–6 Carolina compreendia inglês e francês, mas o seu pai admitiu que a sua educação não tinha sido das melhores.Plowden, p. 44 Segundo a sua mãe, a princesa Augusta, que era britânica, todas as princesas alemãs aprenderam a falar inglês na esperança de serem escolhidas para se casarem com o príncipe de Gales, filho mais velho de Jorge III e primo direito de Carolina.Plowden, p. 6
Noivado thumb|left|Princesa Carolina em 1798, por Thomas Lawrence. No Victoria and Albert Museum. Em 1794, Carolina e o príncipe de Gales ficaram noivos. Os dois nunca se tinham conhecido e Jorge apenas aceitou casar-se com ela porque tinha muitas dividas e, se contraísse matrimónio com uma princesa aceitável, o Parlamento aumentaria o seu rendimento.Plowden, p. 3 Carolina parecia extremamente apropriada: era uma protestante de nascimento real e o casamento iria aliar Brunsvique à Grã-Bretanha. Apesar de Brunsvique ser um país pequeno, a Grã-Bretanha estava em guerra com a França revolucionário e desejosa de conseguir mais aliados na Europa continental. A 20 de novembro de 1794, Lord Malmesbury chegou a Brunsvique para escoltar Carolina para a sua nova vida na Grã-Bretanha.Plowden, p. 5; Robins, p. 5 No seu diário, Malmesbury escreveu as suas reservas quanto ao facto de Carolina ser uma noiva adequada para o príncipe: tinha pouco senso comum, decoro e tacto, dizia o que pensava depressa demais, era indiscreta e muitas vezes não se lavava nem trocava as roupas sujas.Plowden, pp. 9–18 Também acrescentava que a princesa tinha "alguma moralidade natural, mas não aprendida e não tem qualquer noção inata do seu valor e necessidade."Plowden, p. 16 Apesar de tudo, Malmesbury ficou impressionado com a sua coragem. No dia de partida para Inglaterra, o grupo ouviu fogo de canhão uma vez que as linhas francesas estavam próximas. Enquanto a mãe de Carolina, que os acompanhava para a costa, ficou preocupada com a sua segurança, Carolina ficou imperturbável.Plowden, p. 15
A 28 de março de 1795, Carolina e Malmesbury partiram de Cuxhaven a bordo do HMS Jupiter. Atrasados devido às más condições climatéricas, desembarcaram uma semana depois em Greenwich, no Domingo de Páscoa, dia 5 de abril. Aí, a futura princesa de Gales conheceu Frances Villiers, condessa de Jersey e amante de Jorge que tinha sido nomeada camareira de Carolina.Plowden, pp. 20–22; Robins, pp. 11–12 Segundo Lord Holland, o duque de Wellington tinha afirmado que tinha sido Lady Jersey quem tinha escolhido a noiva de Jorge. Segundo Wellington, a amante do príncipe tinha escolhido uma mulher "de maneiras indelicadas, carácter indiferente e com uma aparência pouco convidativa, esperando que o nojo pela sua esposa assegurasse a constância de uma amante." Robins, p. 15
Quando conheceu a sua futura esposa pela primeira vez, Jorge pediu um copo de brandy. Ficou evidentemente desiludido. De forma semelhante, Carolina disse a Malmesbury que "[o príncipe é] muito gordo e não parece minimamente bonito como no retracto."Diário de Malmesbury citado em Robins, p. 16 (originalmente escrito em francês: le Prince est ... très gros, et nullement aussi beau que son portrait em Plowden, p. 23) Durante o jantar, nessa noite, o príncipe ficou chocado com o facto de Carolina ser uma "tagarela" e as suas piadas à custa de Lady Jersey.Plowden, p. 25; Robins, p. 16 Por seu lado, Carolina ficou perturbada e desiludida com o facto de Jorge preferir obviamente a companhia de Lady Jersey à sua.Robins, p. 16
Casamento perturbado thumb|left|300px|Casamento de Jorge, Príncipe de Gales e Carolina de Brunsvique. thumb|rigth|Carolina em 1804, por Thomas Lawrence. Na National Portrait Gallery. Carolina e Jorge casaram-se a 8 de abril de 1795 na Capela Real do Palácio de St. James, em Londres. Durante a cerimónia, Jorge estava bêbado.Plowden, p. 26; Robins, p. 17 O príncipe achava Carolina pouco atraente, pouco higiénica e contou a Malmesbury que suspeitava que ela já não era virgem quando os dois se casaram.Robins, p. 17 Jorge, natural e obviamente, não o era. O príncipe já tinha sido casado em segredo com Maria Fitzherbert, contudo, esta união violava os termos de Decreto de Casamentos Reais de 1772 e, por isso, não tinha validade legal.Plowden, p. 27
Numa carta dirigida a um amigo, o príncipe afirmava que o casal só tinha tido relações sexuais três vezes: duas vezes na noite de núpcias e uma vez na noite seguinte.Shingleton, Hugh M (Novembro-Dezembro 2006). "The Tumultuous Marriage of The Prince and The Princess of Wales". ACOG Clinical Review 11 (6): 13–16. Jorge escreveu: "não foi preciso pouco [esforço] para vencer a minha adversão e ultrapassar o nojo da sua pessoa."Robins, p. 18 Carolina afirmou que Jorge estava tão bêbado que "passou grande parte da noite de núpcias debaixo da lareira, onde caiu e onde o deixei ficar".Plowden, p. 28
Nove meses depois do casamento, Carolina deu à luz a princesa Carlota Augusta, a única filha legitima de Jorge, em Carlton House, a 7 de janeiro de 1796. Carlota ficou no segundo lugar da linha de sucessão ao trono britânico, depois do pai. Três dias depois do nascimento de Carlota, Jorge redigiu um novo testamento onde deixava toda a sua propriedade a "Maria Fitzherbert, a minha esposa", e apenas um cêntimo para Carolina.Plowden, pp. 39–40; Robins, p. 20
Já corriam rumores sobre o casamento atribulado de Carolina e Jorge.Plowden, pp. 42–43 Os jornais afirmavam que Lady Jersey abria, lia e partilhava o conteúdo das cartas privadas de Carolina.Plowden, p. 44; Robins, pp. 20–21 Carolina desprezava Lady Jersey e não podia visitar ninguém nem viajar sem a permissão de Jorge.Robins, p. 22 A imprensa criticava Jorge por causa da sua extravagância e luxo numa altura de guerra e retratava Carolina como uma esposa injustiçada.Plowden, p. 48; Robins, pp. 19, 21 Era aplaudida em público e foi elogiada pela sua "familiaridade triunfal" e natureza fácil e aberta. Jorge ficava consternado com a popularidade da esposa e a sua própria falta de popularidade e sentia-se preso num casamento sem amor com uma mulher que detestava. Queria a separação.Robins, pp. 22–23
Em abril de 1796, Jorge escreveu a Carolina: "Infelizmente, fomos obrigados a reconhecer um ao outro que não conseguimos ser felizes na nossa união (...) Por isso, deixe-me implorar-lhe para que faça o melhor possível de uma situação infelizes para os dois."Plowden, p. 45 Em junho, Lady Jersey demitiu-se do seu posto.Plowden, p. 50 Jorge e Carolina já estavam a viver separados e, em agosto de 1797, Carolina mudou-se para uma residência privada: o Presbitério na Velha Reitoria em Charlton, Londres.Plowden, p. 55; Robins, p. 25 Mais tarde, mudou-se para Montagu House em Blackheath. Uma vez que já não estava submissa ao marido, ou, segundo alguns rumores, aos seus votos matrimoniais, recebia quem queria.Plowden, pp. 62–65; Robins, p. 25 Seduzia inocentemente o almirante Sidney Smith e o capitão Thomas Manby e pode ter tido um caso com o político George Canning.Robins, pp. 26–27
A sua filha Carlota foi colocada sob o cuidado de uma governante numa mansão perto de Montagu House durante o verão e Carolina visitava-a frequentemente.Plowden, p. 60; Robins, p. 27 Parece que uma única filha não era suficiente para satisfazer os instintos maternos de Carolina e a princesa adoptou oito ou nove crianças pobres que tinham sido abandonadas por pessoas no distrito.Robins, pp. 27–28 Em 1802, adoptou um bebé com três meses de idade chamado William Austin e levou-o para sua casa. Em 1805, Carolina tinha-se zangado com os seus vizinhos, Sir John e Lady Douglas que afirmavam que Carolina lhes tinha enviado cartas obscenas e de assédio. Lady Douglas acusou Carolina de infidelidade e alegou que William Austin era filho ilegítimo da princesa.Plowden, pp. 75–78; Robins, p. 29
Investigação delicada thumb|left|CarolinaPor Samuel Lane Em 1806, foi criada uma comissão secreta conhecida como a "Investigação Delicada" para examinar as acusações de Lady Douglas. Nesta comissão participavam quatro das pessoas mais importantes do país: o primeiro-ministro do Reino Unido, Lord Grenville, o Lord Chancellor, Lord Erskine, o Lorde Chefe da Justiça de Inglaterra e País de Gales, Lord Ellenborough e o Secretário dos Assuntos Internos, Lord Spencer.Plowden, p. 79; Robins, pp. 29–30 Lady Douglas testemunhou que Carolina lhe tinha confessado em 1802 estar grávida e que Austin era seu filho.Plowden, pp. 69–71; Robins, pp. 29–30 Alegou também que Carolina tinha falado mal da família real, lhe tinha tocado de uma maneira imprópria e sexual e que tinha admitido que qualquer mulher que tivesse um homem por amigo, certamente se tornaria sua amante.Plowden, p. 78; Robins, pp. 29–30 Além de Smith, Manby e Canning, o artista Thomas Lawrence e Henry Hood (filho de Lord Hood) foram referidos como possíveis amantes. Os criados de Carolina não podiam ou não queriam confirmar que estes três homens eram seus amantes ou que a sua senhora tivesse estado grávida e disseram que a criança tinha sido levada para a casa de Carolina pela sua mãe, Sophia Austen. Sophia foi chamada para depor perante os comissários e testemunhou que o filho era dela.Plowden, pp. 79–82; Robins, p. 3