Gary Cooper (nascido Frank James Cooper; 7 de maio de 1901 – 13 de maio de 1961) foi um ator americano conhecido por sua forte presença no cinema mudo e por seu estilo de atuação discreto. Ele ganhou o Oscar de Melhor Ator duas vezes e recebeu outras três indicações, além de um Oscar Honorário em 1961 por sua filmografia. Figurou entre as 10 maiores personalidades do cinema por 23 anos consecutivos e foi um dos atores mais lucrativos por 18 anos. O American Film Institute (AFI) classificou o artista em 11º lugar em sua lista das 50 maiores lendas do cinema.

A carreira de Cooper abrangeu 36 anos, de 1925 a 1961, e incluiu papéis principais em 84 longas-metragens. Ele foi uma grande estrela de cinema desde o fim da era do cinema mudo até quase o fim da era de ouro do cinema clássico de Hollywood. Sua presença em cena atraía fortemente tanto homens quanto mulheres, e sua versatilidade incluía papéis na maioria dos principais gêneros cinematográficos. Sua capacidade de projetar a própria personalidade nos personagens que interpretava contribuiu para sua aparência natural e autêntica na tela. Ao longo de sua carreira, manteve uma imagem que representava o herói americano ideal.

Cooper começou sua carreira como figurante e dublê de motociclistas, mas logo conseguiu papéis de ator. Depois de se estabelecer como um herói do faroeste em seus primeiros filmes mudos, ele se tornou uma estrela de cinema com sua primeira produção sonora, interpretando o papel principal em The Virginian (1929). No início da década de 1930, ele expandiu sua imagem heroica para incluir personas mais cautelosos em obras de aventura e dramas como A Farewell to Arms (1932) e Lanceiros da Índia (1935). No auge de sua carreira, interpretou um novo tipo de herói, um defensor do homem comum em filmes como Mr. Deeds Goes to Town (1936), Meet John Doe (1941), Sargento York (1941), Bola de Fogo (1941), The Pride of the Yankees (1942) e Por Quem os Sinos Dobram (1943). Mais tarde, atuou em papéis mais maduros e em conflito com o mundo como The Fountainhead (1949) e High Noon (1952). Em suas últimas aparições no cinema buscou interpretar personagens não violentos em busca de redenção como em Friendly Persuasion (1956) e O Homem do Oeste (1958).

Vida pregressa

Frank James Cooper nasceu em Helena, Montana no dia 7 de maio de 1901, sendo o caçula de dois filhos dos imigrantes ingleses Alice (nascida Brazier) e Charles Henry Cooper. pai de Cooper veio de Houghton Regis, Bedfordshire na Inglaterra e tornou-se um proeminente advogado, fazendeiro e juiz da Suprema Corte de Montana. Sua mãe era de Gillingham, Kent e casou-se com Charles em Montana. Em 1906, Charles comprou o rancho de gado Seven-Bar-Nine, de 240 hectares (600 acres), cerca de 80 quilômetros (50 milhas) ao norte de Helena, perto de Craig. Cooper e seu irmão Arthur passavam os verões no rancho e aprenderam a andar a cavalo, caçar e pescar. Cooper frequentou a Central Grade School em Helena.

Alice queria que seus filhos tivessem uma educação britânica, então os levou de volta ao Reino Unido em 1909 para matriculá-los na Dunstable Grammar School em Dunstable. Enquanto estavam lá, Cooper e seu irmão moraram com os primos de seu pai, William e Emily Barton, em sua casa em Houghton Regis. Estudou latim, francês e história inglesa em Dunstable até 1912. Embora tenha se adaptado à disciplina escolar inglesa e aprendido as boas maneiras necessárias, ele nunca se acostumou com as golas formais de Eton que era obrigado a usar. Ele recebeu sua confirmação na Igreja da Inglaterra na Igreja de Todos os Santos em Houghton Regis em 3 de dezembro de 1911. Sua mãe acompanhou seus filhos de volta aos Estados Unidos em agosto de 1912 e Cooper retomou seus estudos em Montana, na Johnson Grammar School em Helena.

Aos quinze anos, Cooper lesionou o quadril em um acidente de carro. Por recomendação médica, retornou ao rancho Seven-Bar-Nine para se recuperar com passeios a cavalo. Os cuidados médicos equivocados o deixaram com sua característica marcha rígida e desequilibrada e um estilo de montaria ligeiramente angulado. Ele deixou a Helena High School após dois anos, em 1918, e retornou ao rancho da família para trabalhar em tempo integral como vaqueiro. Em 1919, seu pai providenciou para que o filho frequentasse a Gallatin County High School em Bozeman, onde a professora de inglês Ida Davis o incentivou a se concentrar nos estudos e a participar de debates e peças teatrais. Cooper mais tarde chamou Davis de "a mulher parcialmente responsável por [ele] desistir de ser vaqueiro e ir para a faculdade".

Enquanto estava no ensino médio em 1920, Cooper fez três cursos de arte no Montana Agricultural College (atual Universidade Estadual de Montana) em Bozeman. Seu interesse pela arte foi inspirado anos antes pelas pinturas retratando o Oeste americano de Charles Marion Russell e Frederic Remington. Cooper admirava e estudava especialmente Lewis and Clark Meeting Indians at Ross' Hole (1910) de Russell, que ainda está pendurado no prédio do Capitólio estadual em Helena.

Em 1922, para dar continuidade à sua formação artística, Cooper matriculou-se no Grinnell College em Grinnell, Iowa e teve um bom desempenho acadêmico na maioria de seus cursos, entretanto, não fora aceito no clube de teatro da faculdade. Seus desenhos e pinturas em aquarela foram exibidos por todo o dormitório e ele foi nomeado editor de arte do anuário da faculdade. Durante os verões de 1922 e 1923, o futuro ator trabalhou no Parque Nacional de Yellowstone como guia turístico, dirigindo os ônibus amarelos de dois andares. Apesar de um início promissor de 18 meses em Grinnell, acabou por deixar a faculdade repentinamente em fevereiro de 1924, passou um mês em Chicago procurando trabalho como artista e depois retornou a Helena, onde vendeu charges editoriais para o jornal local Independent.

No outono de 1924, o pai de Cooper deixou o cargo de juiz da Suprema Corte estadual e mudou-se com a esposa para Los Angeles para administrar o patrimônio de dois parentes, e ele juntou-se aos pais lá em novembro, a pedido do pai. Depois de trabalhar brevemente em uma série de empregos pouco promissores, Cooper conheceu dois amigos de Montana, que trabalhavam como figurantes e dublês em filmes de faroeste de baixo orçamento para os pequenos estúdios de cinema da Poverty Row. Eles o apresentaram a outro cowboy de Montana, o campeão de rodeio Jay "Slim" Talbot, que o levou para ver um diretor de elenco. Querendo dinheiro para um curso profissional de arte, Cooper trabalhou como figurante por cinco dólares por dia e como dublê por 10 dólares. Cooper e Talbot tornaram-se amigos íntimos e companheiros de caça; Talbot mais tarde trabalhou como dublê e substituto de Cooper por mais de três décadas. Carreira Cinema mudo (1925–1928)

No início de 1925, Gary Cooper começou sua carreira no cinema em filmes mudos como The Thundering Herd e Wild Horse Mesa com Jack Holt, Riders of the Purple Sage e The Lucky Horseshoe junto com Tom Mix e The Trail Rider ao lado de Buck Jones. Ele trabalhou para vários estúdios da Poverty Row, mas também para os grandes estúdios já emergentes, Famous Players–Lasky e Fox Film Corporation. Embora sua habilidade com cavalos lhe garantisse trabalho constante em filmes de faroeste, o intérprete achava o trabalho de dublê, que às vezes feria cavalos e cavaleiros, "difícil e cruel". Na esperança de se afastar do arriscado trabalho de dublê e obter papéis de ator, Cooper pagou por um teste de elenco e contratou a diretora de elenco Nan Collins para trabalhar como sua empresária. Sabendo que outros atores estavam usando o nome artístico de "Frank Cooper", Collins sugeriu que ele mudasse seu primeiro nome para "Gary", em homenagem à sua cidade natal, Gary, Indiana. O ator gostou imediatamente do nome.

Gary Cooper também encontrou trabalho em diversos filmes não-western, aparecendo, por exemplo, como um cossaco mascarado em The Eagle (1925), como um guarda romano em Ben-Hur (1925) e um sobrevivente da enchente em The Johnstown Flood (1926). Gradualmente, começou a conseguir papéis creditados que lhe ofereciam mais tempo em cena, em filmes como Tricks (1925), no qual interpretou o antagonista e o curta-metragem Lightnin' Wins (1926). Como ator de destaque, ele começou a atrair a atenção dos principais estúdios de cinema. Em 1º de junho de 1926, Gary Cooper assinou um contrato com a Samuel Goldwyn Productions por US$ 50 por semana.

O primeiro papel importante de sua carreira no cinema foi um papel coadjuvante em The Winning of Barbara Worth (1926), estrelado por Ronald Colman e Vilma Bánky, no qual ele interpreta um jovem engenheiro que ajuda um pretendente rival a salvar a mulher que ama e sua cidade de um desastre iminente em uma represa. A experiência de Cooper vivendo entre os cowboys de Montana deu à sua atuação uma "autenticidade instintiva", de acordo com o biógrafo Jeffrey Meyers. O filme foi um grande sucesso com os críticos destacando o ator como uma "nova personalidade dinâmica" e futura estrela. Goldwyn se apressou em oferecer a Cooper um contrato de longo prazo, mas ele resistiu por um acordo melhor – um contrato de cinco anos com Jesse L. Lasky na Paramount Pictures por US$ 175 por semana. Em 1927, com a ajuda de Clara Bow, Cooper conseguiu papéis de destaque em Children of Divorce e Asas (ambos de 1927), sendo este último o primeiro longa-metragem a ganhar um Oscar de Melhor Filme. Nesse ano, o intérprete também foi o protagonista de Arizona Bound e Nevada, ambos dirigidos por John Waters.

A Paramount escalou Cooper e Fay Wray para contracenar em The Legion of the Condemned e The First Kiss (ambos de 1928), anunciando-os como os "jovens amantes gloriosos" do estúdio. A química entre eles na tela não gerou muito entusiasmo no público. A cada novo filme, as habilidades de atuação de Cooper melhoravam e sua popularidade continuava a crescer, especialmente entre o público feminino. Nessa época, ele ganhava até US$ 2 750 por produção e recebia 1 000 cartas de fãs por semana. Buscando explorar o crescente apelo do artista junto ao público, o estúdio o colocou ao lado de atrizes populares como Evelyn Brent em Beau Sabreur, Florence Vidor em Doomsday e Esther Ralston em Half a Bride (todos de 1928). Por volta da mesma época, atuou em Lilac Time (1928) com Colleen Moore para a First National Pictures, sua primeira produção sonora com música e efeitos sonoros sincronizados, tornou-se, um dos filmes de maior sucesso comercial de 1928. Estrelato em Hollywood (1929–1935)

Gary Cooper tornou-se uma grande estrela de cinema em 1929, interpretando o papel principal em seu primeiro filme falado, The Virginian (1929), dirigido por Victor Fleming e coestrelado por Mary Brian e Walter Huston. Baseado no popular romance de Owen Wister, The Virginian foi um dos primeiros longa-metragem sonoros a definir o código de honra do Velho Oeste e ajudou a estabelecer muitas das convenções do gênero do cinema de faroeste que persistem até hoje. De acordo com o biógrafo Jeffrey Meyers , a imagem romântica do herói cowboy alto, bonito e tímido que personificava a liberdade, a coragem e a honra masculinas foi criada em grande parte pela caracterização do intérprete em The Virginian. Ao contrário de alguns atores do cinema mudo que tiveram dificuldade em se adaptar ao novo meio sonoro, Cooper fez a transição naturalmente, com sua voz "profunda e clara" e "agradavelmente arrastada", que se adequava perfeitamente aos personagens que interpretava na tela. Buscando capitalizar a crescente popularidade de Cooper, a Paramount o escalou para vários faroestes e dramas de guerra, incluindo Only the Brave, The Texan , Seven Days' Leave, A Man from Wyoming e The Spoilers (todos lançados em 1930). Norman Rockwell retratou o ator em seu papel em The Texan para a capa do The Saturday Evening Post no dia 24 de maio de 1930.