Dorival Silvestre Júnior (Araraquara, 25 de abril de 1962) é um treinador e ex-futebolista brasileiro que atuava como volante. Comanda o São Paulo.
Carreira como jogador
Quando jogador, Dorival era conhecido apenas como Júnior. Deu seus primeiros passos no futebol no dente-de-leite do Atlas, de Araraquara, e passou pelo infantil do Marília por dois anos.
Transferiu-se para os juvenis da Ferroviária em 1978, onde começou sua carreira profissional em 1982.
Posteriormente passou pelo Marília, antes de se destacar e transferir-se para o Guarani em 1984. No ano seguinte começou a fazer história em Santa Catarina, primeiro jogando pelo Avaí e, em seguida, pelo Joinville.
Retornou ao interior paulista em 1988, dessa vez para jogar no São José-SP. No mesmo ano, transferiu-se para o Coritiba.
O volante foi para o Palmeiras em 1989, sendo contratado por 120 mil cruzados. Dorival atuou em mais de 100 partidas pelo Periquito, destacando-se e permanecendo até 1992. Foi vendido ao Grêmio no início de 1993, sendo um dos líderes do grupo comandado por Felipão que conquistou o Campeonato Gaúcho. No ano seguinte continuou no Rio Grande do Sul, mas dessa vez vestindo a camisa do Juventude.
Seu último clube foi o Botafogo-SP, por onde atuou entre 1998 e 1999, tendo sido inclusive capitão.
Carreira como treinador Ferroviária No ano de 2002, a Ferroviária disputava a Série A3 do Paulistão, e a campanha foi terrível até o final do primeiro turno. A pressão política sobre o time eram enormes, e só se falava em escapar do rebaixamento. Em apenas 15 partidas, já haviam passado três treinadores pelo time: Zé Humberto, Polozzi e Edson Mariano.
Formado em educação física, Dorival Júnior, então auxiliar-técnico no Figueirense, aceitou o desafio por amor à Ferroviária e já estreou exatamente num estádio bem familiar: o Parque Antarctica. O adversário foi o Palmeiras B. A Locomotiva jogou muita bola nesse dia, com muita marcação no meio-campo e saídas em contra-ataque velozes, características do treinador. O goleiro palmeirense Sérgio fez grandes defesas, enquanto pelo lado grená, Wagner falhou em dois dos três lances alviverdes que foram convertidos. Fim de jogo: 3–2 para o Palmeiras.
No jogo seguinte, na Fonte Luminosa, a Ferrinha conseguiu bater o Barretos. Foi a primeira vitória de Dorival Júnior no comando da equipe. Entretanto, no outro jogo, contra o ECO de Osasco, a Ferroviária acabou cedendo um gol no último minuto de jogo e foi derrotada novamente.
Na sequência, veio um outro resultado péssimo: empate em 1–1 contra o Sertãozinho em casa. Então, quando já se falava na necessidade de um comando com mais experiência para um momento tão turbulento, veio novamente um triunfo. O Taquaritinga tinha uma equipe superior e, em plena Fonte Luminosa, fez 3–0 em 16 minutos. Inabalado mesmo com o clima tenso no estádio, Júnior fez alterações ousadas e a Ferrinha conseguiu uma virada inesquecível, vencendo por 4–3. Com a heroica virada, Dorival e seus comandados foram à Bebedouro enfrentar a Inter de Bebedouro confiantes e, apesar de voltar para Araraquara apenas com um modesto empate sem gols, a Locomotiva ainda conseguiu colocar três bolas na trave.
As duas últimas partidas de Dorival, apesar de terem resultado em derrotas (3–1 para o Garça, em Garça), e 3–2 para o XV de Jaú, na Fonte Nova), acabaram determinando o retorno de Dorival ao Figueirense, só que no cargo de gerente de futebol. Dorival comandou a equipe araraquarense em apenas oito partidas: duas vitórias, dois empates e quatro derrotas. Mas, no fim das contas, a Ferroviária escapou do rebaixamento em 2002.
Figueirense Após trabalhos como auxiliar-técnico e gerente de futebol no Figueira, Dorival estreou efetivamente como técnico no clube em 2003, logo faturando o campeonato estadual no ano seguinte.
Fortaleza, Criciúma e Juventude No ano de 2005 comandou o Fortaleza, onde foi demitido na reta final do Campeonato Cearense, após empatar um Clássico-Rei. No mesmo ano, ainda treinou dois de seus ex-clubes dos tempos de jogador: Criciúma e Juventude.
Sport, Avaí e São Caetano Em 2006, conquistou o Campeonato Pernambucano pelo Sport. No mesmo ano, também comandou Avaí e São Caetano. Como treinador do clube paulista, conquistou um desagradável 18º lugar no Brasileirão, resultado que rebaixou o Azulão para a Série B.https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas/2006/11/26/ult59u107868.jhtm
Permanência e ascensão no São Caetano Apesar do rebaixamento, Dorival Júnior permaneceu e fez ótima campanha no São Caetano no ano seguinte, eliminando o São Paulo nas semifinais do Campeonato Paulista e, em seguida, terminando como vice na competição, perdendo a final para o Santos. No dia seguinte, Dorival deixou o Azulão e transferiu-se para o Cruzeiro.https://www.nsctotal.com.br/noticias/dorival-junior-deixa-sao-caetano-e-assume-cruzeiro
Ida ao Cruzeiro e crescimento no cenário nacional No Cruzeiro, que havia perdido o Campeonato Mineiro de 2007 para o maior rival, administrou um princípio de crise e pôs o time entre os favoritos ao título do Campeonato Brasileiro. No entanto, nas últimas onze rodadas do campeonato, o time mineiro sofreu uma queda de rendimento que quase o afastou da zona de classificação à Libertadores de 2008. Por essa razão, os dirigentes do Cruzeiro deixaram de renovar o contrato do treinador.
Coritiba No final de 2007, Dorival Júnior foi cotado para assumir o Palmeiras, mas acabou acertando com o Coritiba para a temporada de 2008.
Vasco da Gama e título da Série B de 2009 No final de 2008, Dorival não renovou seu contrato com o Coritiba, e assinou com o Vasco da Gama para enfrentar um grande desafio: devolver o clube carioca à elite do futebol brasileiro.
O objetivo foi alcançado com algumas rodadas de antecedência, ao vencer o Juventude por 2–1. O título da Série B veio poucas semanas depois, com o triunfo sobre o América de Natal, também por 2–1. No final de novembro, Dorival e a diretoria do clube decidiram não renovar o contrato para a temporada de 2010.
Santos Assim que o presidente Luis Álvaro de Oliveira Ribeiro assumiu a presidência, em 15 de dezembro, Dorival foi contratado pelo Santos por dois anos, em substituição a Vanderlei Luxemburgo. O presidente do clube depositou nele muita confiança para 2010. Com uma equipe extremamente ofensiva, com jogadores como Robinho, Neymar e Paulo Henrique Ganso, Dorival levou o Santos à conquista do Campeonato Paulista de 2010, superando o Santo André numa final muito disputada. No mesmo ano também foi campeão da Copa do Brasil, ao derrotar o Vitória na final.
Rixa com Neymar e saída Após rixa com o atacante Neymar, em episódio no qual o jovem jogador xingou o então técnico por ter sido proibido de cobrar um pênalti, Dorival disse que deixaria o atacante fora do clássico contra o Corinthians, declaração essa que não agradou à diretoria santista e resultou em sua demissão por "insubordinação". Após ser demitido, acertou com o Atlético Mineiro, com a missão de salvar a equipe do descenso para a Série B.
Atlético Mineiro e salvação do rebaixamento em 2010 O Atlético Mineiro, quando da apresentação de Dorival, se encontrava há mais de 20 rodadas na zona de rebaixamento, a sete pontos do primeiro time fora do chamado Z-4 e, segundo estatísticas especializadas, com 89% de chances de rebaixamento. Dorival Júnior conseguiu restabelecer a confiança da equipe, trabalhou a parte psicológica dos jogadores, ficando célebres os clássicos disputados contra um grande rival, o Flamengo, onde o Galo venceu por 4–1; e contra o maior rival, o Cruzeiro, em 24 de outubro de 2010, onde a palestra pré-jogo feita por Paulo Storani, ex-capitão do BOPE, fez com que a equipe revertesse uma série de vitórias do Cruzeiro sobre o Atlético (nos 16 dérbis anteriores, a equipe do Cruzeiro havia vencido 13, empatado dois e perdido apenas um, quando jogou com uma equipe reserva). O Atlético acabou vencendo o Cruzeiro por 4–3, com três gols de Obina e um de Réver.
Em 28 de novembro, Dorival Júnior conseguiu livrar o Atlético do rebaixamento, faltando apenas uma rodada para o final do Campeonato Brasileiro: em 12 jogos comandando o Galo, obteve 24 pontos, a mesma quantidade de pontos que seu antecessor, Vanderlei Luxemburgo, havia conquistado com o dobro de jogos.
Internacional No dia 12 de agosto de 2011, o Internacional acertou a contratação de Dorival Júnior. Dias antes, Fernandão, diretor técnico e ex-jogador do Inter, se reuniu com o técnico em um hotel na cidade de Florianópolis, e ambos selaram as bases salariais do treinador. Ele foi apresentado oficialmente na terça-feira, 16 de agosto. Sua estreia como comandante do clube foi no dia 17 de agosto, na vitória por 1–0 sobre o Botafogo, com gol de Leandro Damião. Uma semana depois, comandou a equipe na conquista do título da Recopa Sul-Americana, conquistada sobre o argentino Independiente, no Beira-Rio, por 3–1. No final do ano, o treinador conseguiu classificar o time para a Copa Libertadores da América graças a uma vitória na última rodada por 1–0 contra o rival Grêmio, com gol de Andrés D'Alessandro.
Conquistou o Campeonato Gaúcho no dia 13 de maio de 2012, também no Beira-Rio, sobre o Caxias. A equipe colorada, que venceu por 2–1, havia empatado o primeiro jogo por 1–1, realizado no Estádio Centenário. Já no dia 20 de julho, depois de pesadas críticas por parte da torcida colorada, foi anunciada a sua demissão. O cargo seria ocupado pelo ex-diretor de futebol, Fernandão.
Flamengo Em 25 de julho de 2012, cerca de uma semana após ser demitido do Internacional, o Flamengo, que também havia demitido seu até então treinador (Joel Santana, que foi demitido em 23 de julho) acertou a contratação de Dorival, inicialmente até o fim de 2013. Mesmo sem tempo para treinar o time, Dorival estreou pelo Flamengo logo no dia seguinte ao acerto, numa partida contra a Portuguesa, e comandou o time no empate sem gols em 0–0.
O treinador foi demitido no dia 16 de março de 2013, por falta de acordo na redução de seus rendimentos.
Retorno ao Vasco Em 10 de julho de 2013, Dorival Júnior foi anunciado como o novo treinador do Vasco da Gama.
Após uma sequência de resultados negativos que levaram o clube ficar entre os quatro últimos do Campeonato Brasileiro, Dorival foi demitido no dia 28 de outubro.
Fluminense Comandou o clube a partir de 11 de novembro de 2013, em substituição à Vanderlei Luxemburgo, com a missão de tirar o time da zona de rebaixamento nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro. Com o caso do Flamengo perder quatro pontos no STJD pela escalação irregular do jogador André Santos, Dorival teve êxito.
Palmeiras No dia 3 de setembro de 2014, assumiu o comando do Palmeiras e assinou contrato até dezembro. A equipe conseguiu se salvar do rebaixamento para a série B apenas na última rodada, com a pior pontuação do primeiro time fora da zona dos quatro últimos rebaixados desde a edição de 2006, com 40 pontos. No dia seguinte foi demitido.
Retorno ao Santos Em 9 de julho de 2015, o técnico acertou seu retorno ao Santos até o final de 2017. Dorival assumiu o time em crise, ocupando o 18° do Campeonato Brasileiro. Em pouco tempo recuperou os resultados, tirando o time da zona de rebaixamento. Encerrou o Brasileirão em 7º lugar e ficou com o vice na Copa do Brasil, perdendo para o Palmeiras na final.
No primeiro semestre de 2016, Dorival levou o Santos ao título do Campeonato Paulista. Já pela Copa do Brasil, o time acabou sendo eliminado pelo Internacional nas quartas de final. Mesmo com um orçamento limitado, o Peixe terminou o Campeonato Brasileiro como vice-campeão, garantindo assim, após cinco anos, uma vaga na Copa Libertadores da América.
O treinador foi demitido do Santos no dia 4 de junho de 2017, após uma derrota por 2–0 diante do Corinthians, pela 4ª rodada do Campeonato Brasileiro. No total, somando as duas passagens, Dorival comandou o Peixe em 189 partidas, com 111 vitórias, 34 empates e 44 derrotas.