Conselheiro Pena é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no Vale do Rio Doce, estando situado a cerca de a leste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025. A sede do município se encontra nas margens do rio Doce.
A exploração do atual município teve início no século XVIII, quando chegaram os primeiros forasteiros, que adentraram o curso do rio Doce e seus afluentes e exterminaram os Botocudos, primitivos habitantes do lugar, em disputas por terras a fim de extrair ouro. No entanto, as minas auríferas entram em decadência pouco tempo depois e somente após a chegada da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM), em 1908, um núcleo urbano estabeleceu-se ao redor da estação ferroviária, desenvolvendo-se em função da agricultura e, mais tarde, da extração de pedras semipreciosas. Em 1923 foi criado o distrito, pertencente a Itanhomi, tendo emancipado-se em 1938.
A agricultura e a exploração mineral foram por muito tempo as principais fontes de renda municipal, mais tarde substituídas pela pecuária bovina, cuja atividade destaca-se no município. Atualmente, um dos principais atrativos é o Parque Estadual de Sete Salões, uma das principais reservas ambientais de Mata Atlântica da região do Vale do Rio Doce, que possui um complexo de morros, matas, cachoeiras, e grutas com pinturas rupestres, com destaque também para a Serra da Onça, situada no interior do parque, e a Serra do Padre Ângelo, com suas elevações propícias à prática de esportes radicais.
História
thumb|esquerda|Primeira sede da Prefeitura de Conselheiro Pena O desbravamento da região do atual município de Conselheiro Pena teve início na primeira metade do século XVIII. O local até então era habitado exclusivamente por botocudos, conhecidos pela sua ferocidade. Os primeiros exploradores chegaram ao lugar através do rio Doce, adentrando seus afluentes à procura de ouro, cuja exploração iniciou-se por volta de 1740 e propiciou a formação do povoado de Cuieté, às margens do rio Cuieté (atual rio Caratinga); mais tarde elevado à categoria de freguesia. Durante décadas os indígenas foram exterminados pelos colonizadores, que tinham objetivo de dominar as terras. Os nativos que sobreviviam eram catequizados, sendo que no começo do século XIX restavam poucos representantes da etnia, a maioria servindo como mão de obra das fazendas existentes. As minas auríferas se esgotaram algum tempo depois e, após 1780, a localidade entrou em declínio. Grande parte dos habitantes se mudou e restaram apenas poucas fazendas. O lugar, conhecido como Lajão e até então pertencente a Itabira, foi transferido para Peçanha, Manhuaçu, Caratinga e, até a emancipação, Itanhomi.
Em 1908, chegaram à localidade os trilhos da Estrada de Ferro Vitória a Minas (EFVM). Ao redor da estação ferroviária se estabelecem alguns moradores, pequenos comerciantes e, mais tarde, uma capela, formando então um pequeno núcleo urbano. A agricultura se tornou a principal fonte de renda local, com destaque às culturas do arroz, feijão, milho e, mais tarde, café. Posteriormente, foram descobertas jazidas de pedras semipreciosas. Dado o desenvolvimento populacional e econômico, pela lei estadual nº 843 de 7 de setembro de 1923, foi criado o distrito de Lajão, pertencente a Itanhomi, emancipando-se pelo decreto-lei estadual nº 148 de 17 de dezembro de 1938; recebendo então a denominação de Conselheiro Pena, em homenagem a Afonso Pena. Na década de 1940 a agricultura começou a ser substituída pela pecuária leiteira e de corte, que fizeram o município como destaque na região.
Quando emancipado, Conselheiro Pena era constituído de seis distritos, além da sede, sendo eles Aldeia, Barra do Cuieté, Bom Jesus do Mantena, Floresta, Penha do Norte e São Tomé. Pela lei estadual nº 1.058 de 31 de dezembro de 1943, foi criado o distrito de Ferruginha, Floresta passou a se denominar Alvarenga, São Tomé a tomou o nome de Moscovita e Bom Jesus de Mantena se emancipou com o nome de Mantena. Pela lei estadual nº 336 de 27 de dezembro de 1948, foram criados os distritos de Cuparaque e Goiabeiras e Moscovita se emancipa com o nome de Galileia. Pela lei estadual nº 1.039 de 12 de dezembro de 1953, foram criados os distritos de Bueno e Cuieté Velho. Pela lei estadual nº 2.764 de 30 de dezembro de 1962, emancipou-se o distrito de Alvarenga. E pela lei estadual nº 12.030 de 21 de dezembro de 1995, Goiabeira se emancipou e foram desmembrados os distritos de Cuparaque e Aldeia para formarem o município de Cuparaque. A partir de então, restaram cinco distritos: Barra do Cuieté, Bueno, Cuieté Velho, Ferruginha e Penha do Norte, além do distrito-sede.
Geografia thumb|esquerda|Rio Doce em Conselheiro Pena com o Pico da Bela Adormecida ao fundo A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constituem a zona urbana. Situa-se a 19º10'20" de latitude sul e 41°28'20" de longitude oeste e está a uma distância de 399 quilômetros a leste da capital mineira. Seus municípios limítrofes são Mantenópolis (no Espírito Santo), Central de Minas, São Geraldo do Baixio e Galileia, a norte; Tumiritinga, a noroeste; Itanhomi e Tarumirim, a oeste; Alvarenga, a sudoeste; Pocrane, a sul; Santa Rita do Itueto, a sudeste; Resplendor, a leste; e Cuparaque e Goiabeira, a nordeste.
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Governador Valadares. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Governador Valadares, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Vale do Rio Doce.
Relevo, hidrografia e meio ambiente thumb|direita|Vista parcial da cidade com o rio Doce ao fundo thumb|direita|Rio João Pinto no interior da cidade O relevo do município de Conselheiro Pena é predominantemente acidentado. A altitude máxima encontra-se na Serra do Pinhão, que chega aos metros, enquanto que a altitude mínima está na foz do córrego da Lapa, com 339 metros. Já o ponto central da cidade está a cerca de 120 metros. Os principais mananciais que passam pelo município são os rios Doce e Caratinga, sendo que o rio Doce banha a cidade. Contudo, o território municipal é banhado por vários cursos hídricos de menor porte, como o rio João Pinto, o ribeirão Itatiaia e o córrego Vala Rufins.
Por vezes, na estação das chuvas, os rios que cortam o município, principalmente o rio Doce, sofrem com a elevação de seus níveis, provocando enchentes em suas margens, o que exige a existência de um sistema de alerta contra enchentes eficaz. A cidade foi uma das mais afetadas pelas enchentes de 1979, e em 2003 fortes chuvas provocaram novamente grandes inundações nas proximidades dos rios. Atualmente existe uma série de estações pluviométricas e fluviométricas instaladas em Conselheiro Pena, que são administradas pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) e que visam a alertar a população de uma possível enchente.
A vegetação predominante no município é a Mata Atlântica, sendo que os principais problemas ambientais presentes, segundo a prefeitura em 2010, eram o assoreamento de corpos d'água, a escassez da água, a poluição hídrica, a contaminação do solo, as queimadas e o desmatamento. Os setores mais afetados por esses empecilhos são a atividade pecuária e a atividade agrícola. A cidade conta, entretanto, com Conselho Municipal de Meio Ambiente, criado em 1998 e de caráter paritário. Uma das principais áreas de preservação ambiental situadas no município é o Parque Estadual de Sete Salões, que foi criado em 22 de setembro de 1998 e engloba ainda partes dos municípios de Resplendor, Santa Rita do Itueto e Itueta. Possui área total e é um dos maiores remanescente de Mata Atlântica do Vale do Rio Doce, estando associado a formações de campos rupestres e florestas de candeias. Outra área preservada é a Serra do Padre Ângelo, onde além da presença da Mata Atlântica, é considerada como o extremo norte da mata de araucária no Brasil.
Clima Maiores acumulados diários de chuva registrados em Conselheiro Pena por meses Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 01/01/1981 Julho 13/07/1990 Fevereiro 21/02/2021 Agosto 26/08/1984 Março 16/03/1979 Setembro 26/09/1991 Abril 14/04/1980 Outubro 23/10/1999 Maio 12/05/1973 Novembro 30/11/2004 Junho 04/06/2013 Dezembro 09/12/1980 Fonte: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) O clima conselheiro-penense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical quente semiúmido (tipo Aw segundo Köppen), tendo temperatura média anual de com invernos secos e amenos e verões chuvosos e com temperaturas elevadas. O mês mais quente, março, tem temperatura média de , sendo a média máxima de e a mínima de . E o mês mais frio, julho, de , sendo e as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.
A precipitação média anual é de mm, sendo julho o mês mais seco, quando ocorrem apenas . Em dezembro, o mês mais chuvoso, a média fica em . Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, não raro ultrapassando a marca dos , especialmente entre julho e setembro. Em setembro de 2011, por exemplo, a precipitação de chuva em Conselheiro Pena não passou dos . Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso também são comuns registros de queimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade, o que contribui com o desmatamento e com o lançamento de poluentes na atmosfera, prejudicando ainda a qualidade do ar.
Segundo dados da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), de 1944 a 2023 o maior acumulado de chuva registrado em 24 horas em Conselheiro Pena foi de no dia 21 de fevereiro de 2021. Outros grandes acumulados foram de em 16 de março de 1979, em 1º de janeiro de 1981 e em 30 de novembro de 2004. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), o município é o 764º colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado de Minas Gerais, com uma média anual de 1,2968 raios por quilômetro quadrado.
Demografia
Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens e habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e na zona rural. Da população total, habitantes (24,66%) tinham menos de 15 anos de idade, habitantes (65,23%) tinham de 15 a 64 anos e pessoas (10,11%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 75,2 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 2,2. thumb|esquerda|Fachada da Igreja Matriz de São José, da Paróquia São José, pertencente à Diocese de Governador Valadares.
Em 2010, segundo dados do censo do IBGE daquele ano, a população conselheiro-penense era composta por brancos (38,05%); negros (8,34%); 265 amarelos (1,19%); pardos (52,25%) e 36 indígenas (0,16%). Considerando-se a região de nascimento, 64 eram nascidos na Região Norte (0,29%), 238 na Região Nordeste (1,07%), no Sudeste (97,56%), 19 no Sul (0,09%) e 19 no Centro-Oeste (0,08%). habitantes eram naturais do estado de Minas Gerais (92,78%) e, desse total, eram nascidos em Conselheiro Pena (67,71%). Entre os naturais de outras unidades da federação, Espírito Santo era o estado com maior presença, com 780 pessoas (3,51%), seguido por São Paulo, com 157 residentes (0,71%), e pela Bahia, com 153 habitantes residentes no município (0,69%).