O boto-de-Burmeister ou toninha-de-burmeister (nome científico: Phocoena spinipinnis) é um pequeno cetáceo que habita águas costeiras da América do SulBROWNELL, R. L.; PRADERI, R. Status of Burmeister's porpoise, Phocoena spinipinnis, in South American waters. Mammals in the Seas. FAO Fisheries Series 5(4):91-96, 1982., do Brasil ao Estreito de MagalhãesGOODALL, R. N. P. Report on the small cetaceans stranded on the coast of Tierra del Fuego. Science Report Whales Research Institute, Tokyo, v. 30, p. 197-230, 1978.PRADERI, R. Contribución al conocimiento del género Phocoena (Cetacea, Phocoenidae). Revista del Museo Argentino de Ciencias Naturales "Bernardino Rivadavia" e Instituto Nacional de Investigación de las Ciencias Naturales, Zoología, v. 7, n. 2, p. 251-266, 1971.PILLERI, G.; GIHR, M. Burmeister’s porpoise (Phocoena spinipinnis Burmeister, 1865) off the Punta del Diablo, Uruguay. Investigations on Cetacea (Berne), v. 4, p. 163-177, 1972.PINEDO, M. C. Primeiro registro de Phocoena spinipinnis (Cetacea, Phocoenidae) para o litoral do Rio Grande do Sul, Brasil, com medidas osteológicas e análise do conteúdo estomacal. Atlântica, Rio Grande, v. 11, n. 1, p. 85-99, 1989SIMÕES-LOPES, P.; XIMÉNEZ, A. Phocoena spinipinnis Burmeister, 1865, na costa sul do Brasil (Cetacea-Phocoenidae). Biotemas 2(1):83-89, 1989.WÜRSING, M.; WÜRSING, B.; MEMOZ, J. F. Desplazamientos, comportamiento general y un varamiento de la marsopa espinosa, Phocoena spinipinnis, en el Golfo San José (Chubut, Argentina). Physis, Buenos Aires, v. 36, n. 92, p. 71-79, 1977.ALLEN, G.M. Burmesiter's porpoise (Phocoena spinipinnis). Bulletin Mus. Com. Zool. 67: 251-261, 1925.CLARKE, R. Whale observations and whale marking off the coast of Chile in 1958 and from Ecuador towards and beyond the Galapagos Islands in 1959. Norsk Hvalfangsttid 51:265-287, 1962.AGUAYO, A. Progress report on small cetacean research in Chile. Journal of the Fisheries Research Board of Canada 32: 1123-1143, 1975.GASKIN, D.E.; READ, A.J.; VAN WAEREBEEK, K.; REYES J.C.; MCKINNON, J.S. Exploitation and biology of small cetaceans in the coastal waters of Peru and northern Chile. Final Report thUNEP/IUCN, June. 1-98, 1987.REYES, J. C.; VAN WAEREBEECK, K. Aspects of the biology of Burmeister's porpoise from Peru. In: BJORGE, A.; DONOVAN, G. P. (Eds.). Biology of the Phocoenids. Cambridge: Reports of the International Whaling Commission (Special Issue 16), 1995. p. 349-364.. Foi descrito pela primeira vez pelo zoólogo Hermann BurmeisterBURMEISTER, H. Description of a new species of porpoise in the museum of Buenos Aires. Proceeding of the Zoological Society of London 228-237, 1865. com apenas um exemplar capturado na região do Rio da Plata, Argentina.
Mede entre 1,5 e 1,8 metros, pesa até 70 kg e tem coloração cinza escuro. Alimenta-se de peixes, lulas e crustáceos, e sua reprodução ocorre no verão e início do outono, com gestação de até um ano.
É uma espécie discreta, formando pequenos grupos e raramente saltando fora da água. Está classificada como “dados insuficientes” pela IUCN, sendo ameaçada por pesca incidental, captura ilegal e poluiçãoBJORGE, A.; DONOVAN, G.P. (EDS.) Biology of the Phocoenids. Report of the International Whaling Commission (special issue 16), Cambridge, 1995. 552pp..
Distribuição geográfica O boto-de-burmeister é uma espécie que habita exclusivamente as águas costeiras da América do SulBROWNELL, R. L.; PRADERI, R. Status of Burmeister's porpoise, Phocoena spinipinnis, in South American waters. Mammals in the Seas. FAO Fisheries Series 5(4):91-96, 1982.. Geralmente, habita águas rasas próximas à costa e é frequentemente avistado em baías interiores, fiordes e foz de rios.
Sua distribuição abrange desde Santa Catarina, no sul do Brasil, até a Terra do Fogo e o Canal de Beagle, na costa atlântica. No lado do Pacífico, pode ser encontrado desde a Bahia de Paita, no norte do Peru, até o Estreito de Magalhães, no sul do Chile. Entretanto, ainda não está claro se sua distribuição é contínua entre o Atlântico e o Pacífico. A população do Pacífico é predominante na região e tem obtido mais sucesso do que a população do Atlântico.
Descrição morfológica É um cetáceo pequeno e robusto, com 1,5 a 1,8 metros de comprimento e peso médio entre 50 a 70 quilos. Sua cabeça é arredondada, sem o bico característico dos golfinhos, rostro indiferenciável da cabeça, a qual tem aparência arredondada.
As barbatanas peitorais são grandes, largas na base e pontiagudas. A barbatana dorsal está localizada no terço posterior do corpo, é pequena, larga na base e pontiaguda, com o bordo anterior apresentando uma linha de tubérculos e inclinada para trás, enquanto o bordo posterior é convexo, em vez de côncavo.
Ecologia Tem uma alimentação bastante ampla, predando principalmente peixes demersais e pelágicos. Também se alimenta de lulas e pequenos crustáceos.
A reprodução é sazonal, ocorrendo principalmente durante o verão e início do outono. As fêmeas atingem a maturidade sexual ao alcançarem 155 cm de comprimento, enquanto os machos atingem a maturidade com cerca de 160 cm.
Há indícios de que as fêmeas possam dar à luz um filhote por ano, com o período de gestação variando entre 11 meses e um ano. As atividades reprodutivas ocorrem na primavera e no verão, ou seja, entre o final de novembro e o início de janeiro.
O filhote nasce com cerca de 70 cm e o desmame ocorre por volta dos 7 meses de idade.
Os Botos-de-Burmeister, além de possuírem hábitos discretos (são aparentemente tímidos), não costumam aproximar-se das embarcações.
Comportamento Os Botos-de-Burmeister são conhecidos por terem comportamentos mais reservados. O tamanho do grupo geralmente varia entre 1 e 6 indivíduos, porém já foi reportado em um grupo de 150 indivíduos próximo à Ilha Guañape, centro-norte do Peru.
Possuem movimentos espasmódicos e rápidos, contudo não são notados enquanto nadam e não costumam saltar da água. Ao emergir para respirar, o boto-espinhoso mal toca a superfície da água, realizando uma inspiração sutil e quase imperceptível, sem causar perturbações significativas na água. Quando avistados são comumente confundidos com o Golfinho chileno (Cephalorhynchus eutropia) visto que ambos são quase iguais em tamanho e cor, além de serem bastante tímidos e por esse motivo não costumam se aproximar de embarcações.
Estima-se que se aproxime consideravelmente da costa durante o período noturno.
Conservação A Phocoena spinipinnis está incluída na categoria “dados insuficientes” da Lista de Espécies Ameaçadas de Extinção da IUCN, visto que as informações disponíveis sobre a abundância, distribuição, estrutura da população, história de vida e movimentos ainda são escassas.
Ver também
Boto Boto-cor-de-rosa Inia Lista de cetáceos Sotalia fluviatilis Sotalia guianensis
Categoria:Phocoenidae Categoria:Mamíferos da Argentina Categoria:Mamíferos do Brasil Categoria:Mamíferos do Chile Categoria:Mamíferos do Peru Categoria:Mamíferos do Uruguai Categoria:Mamíferos descritos em 1865