Iturama é um município brasileiro do estado de Minas Gerais, estando localizado e sendo sede da Região Geográfica Imediata de Iturama. Tem uma população de 38.295 habitantes (Censo IBGE/2022) e área de 1.404,663 km². Localiza-se à margem direita do Rio Grande, na divisa com o estado de São Paulo a 750 km de Belo Horizonte.

História Os primeiros habitantes na região onde está situado o Município do Iturama foram os Índios Mebêmgôkre (denominados Caiapós pelos invasores europeus). Em algum momento da extensão da invasão portuguesa para o interior do Brasil, muitos escravizados passaram a compartilhar o domínio dessa região com uma rica fazendeira, Dona Francisca Justiniana de Andrade, viúva de Antonio Paula Diniz. A Família Diniz, originária de Portugal, recebeu estas terras por atribuição do reino de Portugal (conforme descrito em tese de Doutorado de Francisco Eduardo Pinto, na UFF/Niterói). Dona Francisca, herdou assim enorme latifúndio, cuja sede denominava-se Fazenda Santa Rosa. Tal mulher planejou formar um povoado, conferindo para isso uma escritura de doação de um lote com 189 alqueires da terra em 24 de março de 1897, à Diocese de Uberaba, em honra ao Sagrado Coração de Jesus.

Há um museu da usina de Água Vermelha no município de Ouroeste/SP, onde são encontradas fotos e documentos sobre as cachoeiras dos índios. O local onde os indígenas fizeram seu aldeamento, no passado era denominado "Aldeia dos Índios", foi submersa e desapareceu com a criação de uma barragem feita pela CESP para a construção da usina na divisa entre Minas Gerais e São Paulo. Não se tem notícia oficial ou independente da história dessas pessoas. O que ocorreu com elas, se fugiram ou foram incorporadas à cultura do novo povoado que Dona Francisca intentou de fundar e prosperou.

Em 17 de dezembro de 1938, tornou-se distrito de Campina Verde (Decreto nº 148). Em 31 de dezembro de 1943, cinco anos mais tarde, passa a se chamar Camélia. No entanto, foi a partir do ato emancipatório (Lei 336 de 27 de dezembro de 1948) que ficou definido o nome de Iturama. A comemoração de aniversário da cidade é realizada em agosto (no dia 23, o dia da padroeira da cidade Santa Rosa de Lima). A história de Iturama, sua arquitetura e a política de conservação da memória é conservada e expressa principalmente pela história falada e ainda muito incipiente como política de preservação documental pública. Recentemente foi criada a Casa da Memória de Iturama como forma de preservar objetos, fotos, depoimentos, documentos que atestam a história e a cultura da cidade e de seus habitantes atuais e antigos.

Emancipação Criado em 1938 com a denominação de Santa Rosa, pelo decreto estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, com terras desmembradas do distrito de São Francisco de Sales, subordinado ao município de Campina Verde. Em 1948 iniciou-se uma campanha com uma comissão objetivando a emancipação do Distrito de Camélia, para elevá-lo a município de Iturama. Membros dessa comissão foram diversas vezes a Belo Horizonte, a fim de acompanhar de perto o processo de emancipação levando em mãos aos membros da comissão Estadual os documentos complementares. Acompanhou o processo o causídico Dr. Tomáz Neves. No dia 1º de janeiro de 1949, em Sessão Solene, presidida pelo primeiro Juiz de Paz do município, Sr. Palmério Urzedo de Queiroz, instalou-se o município de Iturama. Foi nomeado pelo Governo do Estado para intendente o Sr. Heliodoro Gonçalves da Maia, que instalou a prefeitura em 22 de março de 1949.

Política Iturama é governada desde sua emancipação por fazendeiros, comerciantes e profissionais liberais. Na época da ditadura militar foi governada por políticos filiados ao partido de sustentação da ditadura militar (UDN). Depois disso foi governada por políticos do antido PDS (Exemplo: o prefeito Alípio Soares Barbosa, um odontólogo que governou a cidade por duas vezes). com o fim da ditadura militar, Iturama foi governada por políticos ligados ao então PMDB, PSC, não sendo muito claras a identidade e fidelidade dos políticos locais aos ideais de seus respectivos partidos nacionais. Isso parece ser assim na grande maioria dos municípios brasileiros. As forças políticas locais são mais fiéis aos ideais religiosos dominantes localmente associados aos poderes econômicos e mais recentemente, no caso de Iturama ao crescente capital industrial (principalmente da usina de açúcar e álcool, frigorífico) e mais tradicionalmente aos grandes proprietários de terra, assim como na maior parte do Brasil desde a época da escravidão.

Nas últimas 3 décadas a maioria dos políticos de Iturama são comumente envolvidos em processos judiciais de desvios de verba, licitação fraudulentas, contratações de empresas laranjas para justificar gastos. Há casos de prefeitos condenados pelo TSE que nunca chegaram perder os cargos, dada a força "política" local que conta com a aceitação da maior parte da população. Para a legislatura que se iniciou em 2017, o grupo político filiado ao PSC, sob influência do PR há dois mandatos perderam eleição para o MDB. Há indícios constantes de compra de votos, que levam acusações e até cassações de mandatos. Parece ser da cultura de uma parte dos ituramenses comprar e vender votos. Há pessoas que acreditam que eles têm benefícios que são devidos a um determinado político e que é preciso votar nele por isso.

Iturama conta com uma estrutura administrativa dividida entre Prefeitura e a Câmara de Vereadores, com sedes e orçamentos próprios. À Câmara cabe votar leis, orçamento da prefeitura para cada ano, bem como fiscalizar e julgar as contas do poder executivo (prefeito e secretários). Os ituramenses são representados na gestão 2012-2016 por 13 vereadores ao todo distribuídos por 8 partidos. É uma imagem da fragmentação de representatividade também observadas nas câmaras estaduais, federal e no senado, o pluripartidarismo e a coalizão administrativa vem desde o município e parece representar um conjunto complexo de distribuição de poder social focado em famílias e grupos com maior poder aquisitivo, não se relaciona muito com democracia efetivamente, com a real participação da população nas necessidades locais, regionais e nacionais.

O perímetro urbano do município de Iturama cresceu pouco e de forma mais ordenada (na região central) nas décadas de 70 e 80 e de forma pouco ordenada a partir da década de 90, priorizando interesses de fazendeiros da região sul do município. A periferia (como na maioria das cidades do Brasil) sempre recebeu menor atenção, investimento e planejamento por parte dos poderes públicos. A partir de 2010 o crescimento ampliou um pouco mais para o oeste, mas as políticas de crescimento são pouco discutidas com a população e com especialistas em planejamento urbano, ambientalistas e outros especialistas para cuidar dos córregos, encostas. Há um discurso de que a política de esgoto é motivo de orgulho por tratar 100% do esgoto. Mas, também é notório que o córrego Santa Rosa sempre manteve um cheiro de esgoto não compatível com a política oficial de tratamento de 100% do esgoto.

A política educacional de Iturama também depende muito dos poderes econômicos locais. A criação da UFTM recebeu forte influência de fazendeiros locais tanto na definição dos cursos quanto na localização da sede. A criação de cursos nas áreas de ciências tem em partes a ver com a política do então governo de centro esquerda que governou o país de 2002 até 2016, mas também tem a ver com o potencial e poder da indústria de açúcar e etanol. A indústria de etanol está mudando drasticamente a forma de ocupação do solo nas áreas rural e urbana. Mais recentemente, após muita mobilização mundial e da mídia para preservação de nascentes, mananciais e florestas, houve uma melhoria pequena na preservação das nascentes, principalmente após o novo código florestal. O aumento enorme da quantidade de venenos liberados para uso, associado ao uso de aviões no espalhamento de venenos sobre as monoculturas tem afetado várias outras atividades agrícolas e pecuárias da microregião às margens do Rio Grande e principalmente dos ribeirões Água Vermelha, Tronqueira, Santa Rosa e Bonito.

Etimologia

O nome da cidade possui diferentes traduções, todas elas derivadas da língua tupi: Segundo as interpretações de Joaquim Ribeiro Costa, José Carvalho e Cônego Osório, iturama (yty-terama) significa "região das quedas d’água". Provavelmente, em referência às grandes cachoeiras que existiam onde é atualmente a Usina Hidrelétrica de Água Vermelha e que está de acordo com as auto-denominações do povo mebêngôkre, que significa, "homens do poço/lugar d'água" que vivia na região de Iturama. O significado é debatido. Outras interpretações comuns são "Cidade das Cachoeiras" e "Região das Cachoeiras". Segundo o relato do historiador Marcelo Aguiar, do qual grande parte deste texto foi extraída e que se encontra no arquivo público do município de Uberaba, um homem chamado José Carvalho, que é descendente de índios e que se intitula criador do nome dado, explica o significado da palavra: "I", diz ele, é "água", "tu" é "tombo, queda" e "rama" é "latada, muitas, várias". Ou seja, existiam muitas cachoeiras na região e o nome se adaptou imediatamente a esta realidade. Há relatos oficiais de que cachoeira pronunciava-se "tókót" e água era "incó" na língua dos Caiapós, sobre os quais escreveu José Joaquim Machado de Oliveira (Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro do Rio de Janeiro). É possível o significado de "cachoeira promissora", através da junção dos termos ytu ("cachoeira")http://falabonito.wordpress.com/2007/07/05/cidades-brasileiras-cujos-nomes-tem-origem-no-tupi-guarani/ e ram ("promissor")http://www.fflch.usp.br/dlcv/tupi/vocabulario.htm.

Geografia Localiza-se na região do Triângulo Mineiro, à uma latitude 19°43'40" sul e longitude 50°11'45" oeste, estando a uma altitude média de 453 metros. O aspecto geral de seu território é de planícies, levemente onduladas. Seus municípios limítrofes são: Carneirinho a oeste, Limeira do Oeste a noroeste, União de Minas ao norte, Campina Verde e São Francisco de Sales a leste. No estado de São Paulo: Populina, Ouroeste, Indiaporã e Mira Estrela.

Hidrografia A região do pontal do Triângulo está localizada sobre parte do Aquífero Guarani, que é um grande reservatório de água doce subterrânea, um dos maiores do mundo. Iturama está localizada a aproximadamente 6 Km da margem direita do Rio Grande, que divide Minas Gerais de parte do noroeste do estado de São Paulo e encontra com o Rio Paranaíba formando o Rio Paraná, que se torna Rio da Prata nas divisas com Argentina e Uruguai onde se desagua no oceano Atlântico. O Córrego Tronqueira abastece de água potável da cidade de Iturama. O Aquífero Guarani em toda suas extensão sob os estados do Mato Grosso, Minas Gerais, São Paulo, Goiás e parte do Paraná.

O Córrego Tronqueira é a principal fonte de água potável que abastece a cidade requer especial atenção, mesmo tendo recebido o esgoto do Frigorífico um pouco abaixo da estação de captação. O Tronqueira, o Santa Rosa e o Quati que cortam a cidade sofrem contaminações constantes e comuns a cursos d'água de ambiente urbano (Lixo, animais mortos, falta de fiscalização e regras). O uso responsável do solo, com regulação do uso de venenos e adubos em grande quantidade poderiam reverter este processo e preservar as águas da cidade.