Pará de Minas é um município brasileiro no estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Pertence ao colar metropolitano de Belo Horizonte, estando situado a cerca de a oeste da capital estadual. A cidade está localizada na região Central do estado e ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.

A sede tem uma temperatura média anual de e na vegetação original do município predomina a Mata Atlântica. Com 95% da população vivendo na zona urbana, a cidade contava, em 2009, com 50 estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,725, classificado como alto em relação à media nacional.

A exploração da área do atual município teve início na segunda metade do século XVII, após a abertura de um ponto de parada para bandeirantes que iam e vinham das minas de Pitangui, tendo alguns se afixado no local. A construção da Capela Nossa Senhora da Piedade, no século XVIII, marca o estabelecimento do arraial, que durante décadas se desenvolveu em função da agropecuária de subsistência e foi elevado à categoria de distrito em 1846, emancipando-se em 1859. No decorrer do século XX, ganham impulso a indústria têxtil, o setor siderúrgico e as agroindústrias, configurando Pará de Minas como um dos principais polos estaduais da suinocultura e da avicultura.

Terra da famosa casa de shows reconhecida nacionalmente, a Girus Disco Show, a maior do estado de Minas Gerais e que já recebeu artistas como, Chorão, Pablo Vittar, Victor & Leo entre outros. Há ainda eventos como o carnaval da cidade (ParáFolia), a Cavalgada de Pará de Minas e a ExpoAgro, Exposição Agropecuária com shows nacionais tendo a primeira edição em 2025 e configuram-se como alguns dos principais atrativos de Pará de Minas, bem como as programações culturais da Casa da Cultura, do Cine Café e do Teatro Municipal Geraldina Campos de Almeida. Em meio ao perímetro urbano, o Parque do Bariri reserva espaços para caminhadas, descansos e lazer infantil. Na Serra de Santa Cruz, o monumento do Cristo Redentor de Pará de Minas se tornou um dos principais marcos do município, inspirado no Cristo Redentor carioca.

História Origens e pioneirismo Até a chegada dos primeiros exploradores de origem europeia, a maior parte do território do atual estado de Minas Gerais era habitado por povos falantes de línguas do tronco macro-jê. A área do atual município de Pará de Minas teria sido visitada por volta de 1555, por bandeiras oriundas da Bahia, no entanto somente ao final do século XVII é que a exploração do local tem início de fato, por bandeirantes paulistas que exploravam o interior mineiro à procura de ouro e nativos para serem escravizados. Dentre as bandeiras que estiveram presentes na localidade, destacaram-se as de Fernão Dias Pais e Borba Gato, que vieram abrindo caminho pelo rio Pará.

A descoberta de ouro em Pitangui fez com que uma estrada fosse aberta ligando as minas ao território paulista. Às margens do ribeirão Paciência, foi organizado um ponto de repouso para os viajantes, no entanto a fertilidade das terras fez alguns se afixarem e darem início a um pequeno povoamento. Em 1710, Borba Gato recebeu de Antônio de Albuquerque Coelho de Carvalho, governador da então Capitania de São Paulo e Minas do Ouro, boa parte das terras, onde foram instaladas sesmarias. Manuel Batista, apelidado de Pato Fofo, foi o responsável por erguer uma capela dedicada a Nossa Senhora da Piedade, instituída a 2 de julho de 1772. Por causa de seu apelido, o lugar passou a se chamar Arraial do Patafofo.

A importância econômica da localidade resumia-se inicialmente ao comércio de abastecimento de bandeiras que se dirigiam às minas de Pitangui e o surgimento do arraial esteve diretamente ligado ao mercado consumidor para os produtos agropecuários provenientes da cidade vizinha. Até o início do século XIX, o vilarejo era composto basicamente por fazendas de mercadorias, com grande parte da estrutura econômica baseada na produção de derivados da cana-de-açúcar, e se observa o estabelecimento e pequenas indústrias relacionadas ao setor têxtil. Em 1826, registrava-se um total de cerca de residentes, ocasião em que é implantada a pecuária. Em 1860, um inventário apontava um total de 165 propriedades cadastradas, dentre as quais 36,94% registravam cultivo de gado bovino e em 36,39% havia criação de cavalos. Em janeiro de 1885, tem-se a inauguração do primeiro grande estabelecimento de saúde, o Hospital Nossa Senhora da Conceição do Pará, e em 1893, entrou em funcionamento o primeiro sistema de iluminação noturna, inicialmente à base de luz e lampião.

Configuração administrativa thumb|esquerda|Rua principal (atual Rua Benedito Valadares) de Pará de Minas em 1896 thumb|esquerda|Vista parcial de Pará de Minas em 1926 Pela lei provincial nº 312, de 8 de abril de 1846, é criado o distrito denominado Arraial do Patafufo, subordinado ao município de Pitangui, a partir da instalação da paróquia. Pela lei provincial nº 386, de 9 de outubro de 1848, é criada a vila, que foi extinta por duas ocasiões. Na primeira, pela lei provincial nº 472, de 31 de maio de 1850, deixou de existir e foi recriada pela lei provincial nº 882, de 8 de junho de 1858, instalando-se em 20 de setembro de 1859 com a denominação de Vila do Pará e a Paróquia de Nossa Senhora da Piedade do Pará, conforme a lei mencionada. Pela lei provincial nº 1889, de 15 de julho de 1872, a vila foi novamente extinta e anexada a Pitangui sob a condição de distrito, sendo recriada pela lei provincial nº 2.081, de 23 de dezembro de 1874, e reinstalada em 25 de março de 1875.

A denominação recebida pelo último decreto, Pará, significa rio volumoso e caudal, sendo alterada para Pará de Minas pela lei estadual nº 806, de 22 de setembro de 1921, a fim de se distinguir do estado do Pará. Pela lei provincial nº 2.416, de 5 de novembro de 1877, a vila é elevada à categoria de cidade e pela lei provincial nº 3.141, de 18 de outubro de 1883, foram criados os distritos de Santo Antônio do Rio São João Acima e São Joaquim de Bicas. Nas décadas seguintes, tem-se a configuração dos distritos de Mateus Leme, São Gonçalo do Pará e São José da Varginha (lei estadual nº 2, de 14 de setembro de 1891) e Florestal (pela lei estadual nº 556, de 30 de agosto de 1911). Santo Antônio do Rio São João Acima passa a denominar-se Igaratinga pela lei estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, e São Joaquim de Bicas é rebatizado de Igarapé pela lei estadual nº 1.002, de 30 de julho de 1931.

Pelo decreto-lei estadual nº 148, de 17 de dezembro de 1938, Mateus Leme e Igarapé, são desmembrados para constituir o novo município de Mateus Leme e pela lei nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953, é criado o distrito de Carioca com terras desmembradas de Igaratinga. Pela lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, são criados os distritos de Ascensão e Córrego de Barro, ao mesmo tempo que Florestal, Igaratinga e São José da Varginha são elevados à categoria de municípios, e pela lei estadual nº 8.285, de 8 de outubro de 1982, tem-se a criação do distrito de Torneiros. A lei nº 4.416, de 16 de setembro de 2004, cria o distrito de Tavares de Minas. Restam atualmente os distritos de Ascensão, Carioca, Córrego do Barro, Tavares de Minas e Torneiros, além do distrito-sede.

Século XX e história recente thumb|direita|Rua principal da cidade e Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade em segundo plano, no começo do século XX. A igreja ao redor da qual surgiu o povoamento foi demolida em 1953. Uma segunda Igreja Matriz havia sido inaugurada em 1º de janeiro de 1901, no entanto foi demolida em 21 de abril de 1971 para ceder espaço à expansão da Praça Padre José Pereira Coelho, popularmente conhecida como Praça da Matriz, e em 9 de abril de 1972, uma nova igreja foi inaugurada, a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Piedade. Em 1908, observa-se a inauguração da Companhia Nacional Paraense, que foi a primeira grande indústria têxtil do município e já se mantinha através de energia elétrica. Ainda no começo do século XX, tem-se a chegada da Estrada de Ferro Paracatu e a inauguração da estação ferroviária da cidade, em 1912. Entre as décadas de 1910 e 20, também foram consolidados o Grupo Escolar Torquato de Almeida — que foi a única escola da localidade até 1945 —, a Casa da Cultura e um novo prédio para o Hospital Nossa Senhora da Conceição do Pará, dentre outros bens ligados à infraestrutura urbana, cabendo ressaltar a implantação da primeira rede de distribuição elétrica em 1917 e o serviço de coleta de lixo em 1924.

O setor da agroindústria ganha impulso em 1927, após a inauguração da primeira fábrica de manteiga, gelo e pasteurização, sendo fortalecida com a Usina Inconfidência de Pará de Minas, em 1937, que mais tarde teve sua administração transferida para a Companhia Agrícola de Minas Gerais (CAMIG). Em 1949, o município observa a realização da primeira Exposição Agroindustrial Regional de Pará de Minas e em 1951, é fundada a Companhia Fiação e Tecelagem de Pará de Minas, registrando um total de habitantes em 1955. Em 1959, observa-se a instalação da Siderúrgica Alterosa, da Usina Siderúrgica Paraense (Usipa) e da Companhia Telefônica de Pará de Minas, que foram algumas das pioneiras dos setores extrativo e siderúrgico na cidade.

De Pará de Minas, originaram-se cerca de 85% do valor da produção extrativa mineral, 61% da produção industrial e 52% de prestação de serviços oriundos do centro-oeste mineiro em 1980. Em 1988, foi desativada a linha férrea que atendia à cidade, menosprezada pela disponibilidade de rodovias. A agricultura perde espaço na participação na economia municipal, passando a estar estreitamente ligada ao setor agroindustrial, que ao começo do século XXI, juntamente com a indústria têxtil, representava cerca de 70% da arrecadação municipal. Também se observa a introdução da avicultura em Pará de Minas, sendo o maior produtor no ramo dentre os municípios de sua microrregião, e melhorias ligadas à infraestrutura e meio ambiente, como a construção da estação de tratamento de esgoto, concluída em 2007.

Geografia A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constituem a zona urbana. Situa-se a 19°51'37" de latitude sul e 44°36'30" de longitude oeste e está a uma distância de 80 quilômetros a oeste da capital mineira, fazendo parte do colar metropolitano de Belo Horizonte. Seus municípios limítrofes são São José da Varginha, a norte; Onça de Pitangui, a nordeste; Conceição do Pará, a leste; Igaratinga, a sudoeste; Mateus Leme e Itaúna, a sul; Florestal, a leste; e Esmeraldas, a nordeste.

De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Divinópolis e Imediata de Pará de Minas. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Pará de Minas, que por sua vez estava incluída na mesorregião Metropolitana de Belo Horizonte.

Relevo, geomorfologia e hidrografia thumb|esquerda|Vista parcial de Pará de Minas, em que pode ser notado o relevo ondulado. O relevo do município de Pará de Minas é predominantemente sinuoso. Aproximadamente 60% do território paraminense é coberto por áreas onduladas, enquanto em cerca de 20% há o predomínio de terrenos montanhosos e os 20% restantes são lugares planos. A altitude máxima está situada na Serra da Piteira, que chega aos metros, enquanto que a altitude mínima está na foz do ribeirão Paciência, com 772 metros, e o ponto central da cidade está a 791,93 metros. O solo é rico em agalmatolito, quartzito e sílex, com predomínio de rochas gnáissicas. Às margens dos rios, o relevo se mostra mais fortemente rejuvenescido, tendo presença de altas escarpas gnáissicas e pontões de rochas.