O nepali ou nepalês (नेपाली, transl. nepālī) é uma língua indo-ariana falada no Nepal, no Butão e em algumas regiões da Índia e de Mianmar (antiga Birmânia). É o idioma oficial do Nepal, onde é a primeira língua de aproximadamente metade da população, e do estado indiano de Siquim.
Além de língua oficial do Nepal, é também a língua franca nesse país. É uma das 23 línguas oficiais da Índia conforme o anexo 8 da Constituição do país. Além de língua oficial e língua franca do Siquim, é também oficial no distrito Darjeeling em Bengala Ocidental. É falada também nos estados de Uttaranchal e Assam.
O Nepali é conhecido por outros nomes, tais como Gorkhali ou Gurkhali, "língua dos Gurkhas", ou ainda Parbatiya, "a língua das montanhas". Khaskura é uma antiga palavra também usada para o idioma, cujo significado é "o falar dos Khas".
História Os Khas eram um povo na bacia do rio Karnali-Bheri, no extremo oeste do Nepal, que ali viveu desde tempos pré-históricos. Khaskura existe em oposição ao Khamkura, um grupo de dialetos tibeto-birmaneses falados pelos povos Kham que vivem nas terras altas que separam as bacias dos rios Karnali-Bheri e do Gandaki no Nepal central.
Há cerca de 500 anos, os Khas migraram para leste, evitando as inóspitas terras altas dos Kham, para se estabelecer nos vales mais baixos da bacia do Gandaki, os quais eram bem próprios para cultivo do arroz. Uma extensa família se estabeleceu em Gorkha, um pequeno principado a meio caminho entre Pokhara e Kathmandu. No final do século XVIII um chefe de nome Prithvi Narayan Shah armou um exército de Gurungs, povo Magar e possivelmente de outras tribos das colinas e partiu para conquistar e se consolidar como dominante de dezenas de pequenos principados nas colinas ao pé do Himalaia. Como os Gurkhas substituíram os originais Khars como senhores da antiga terra desses, como centro político e domínio militar, a língua Khaskura teve seu nome mudado para Gorkhali, língua dos Gurkhas.
O maior e mais notável feito militar de Prithvi Narayan foi a conquista do urbanizado vale de Kathmandu nas margens da bacia hidrográfica do Gandaki. A região já era chamada de Nepal nessa época. Kathmandu se tornou a nova capital para Prithvi Narayan. Daí em diante ele e seus herdeiros foram estendendo seus domínios para o leste, para a bacia do rio Kosi, para o norte no planalto tibetano, para o sul nas planícies do norte da índia e para o oeste nas bacias dos rios Karnali e Bheri.
Essas expansões, em especial nas direções norte, oeste e sul, levaram o estado a conflitos com as ambições territoriais dos britânicos e dos chineses. Daí vieram diversas guerras que terminaram por moldar as fronteiras do Nepal aproximadamente como são hoje. Porém, as duas grandes potências entenderam a importância da região e preferiram manter aquele território-tampão, não buscando reduzir ainda mais o país que nascia. Desde que o vale do Kathmandu ou Nepal se tornara o novo centro de iniciativas políticas, essa denominação - Nepal - passou a definir todo o reino e não apenas o vale do Kathmandu. Assim, Gorkhali, a língua dos Gurkhas, foi denominada a partir daí nepali.
Situação recente Há hoje três principais dialetos Nepali: do Leste, do Oeste, Central.Bandhu 1986 Os três dialetos podem ser bem identificáveis no Nepal e em outros países do sul da Ásia, havendo ligeiras variações fonológicas entre eles.Bandhu et al. 1971
O uso exclusivo do nepali nas cortes de justiça, nos tribunais e no governo do Nepal vem sendo ameaçado. O reconhecimento de outras línguas étnicas do Nepal foi um assunto muito propalado pela insurgência do Partido Comunista Maoísta. Um Ministro de Gabinete, Matrika Yadav, recentemente baixou um decreto ministerial para o uso da língua maithili em lugar do nepali.
Literatura O nepali apresentou uma significativa literatura durante um curto período de poucas centenas de anos até o século XIX através de Adhyatma Ramayana; "Sundarananda Bara" (1833); "Birsikka", diversas estórias folclóricas e ainda no Ramayana de "Bhanubhakta". A contribuição de um trio de significativos autores, "Poudyal", "Devkota" e "Sama" elevaram o nepali ao nível de outras línguas do mundo. A contribuição de outros escritores laureados, mesmo fora do Nepal, como Darjeeling e Varanasi, também foi muito significativa.
Geografia O nepali é a mais oriental dentre as línguas pahari, um grupo de línguas relacionadas entre si e que são faladas nas faldas mais baixas da cadeia do Himalaia, desde o Nepal oriental até os estados hindus de Uttarakhand e Himachal Pradesh. As influências da língua nepali podem ser percebidas no Butão e em partes de Mianmar. O nepali se desenvolveu em proximidade geográfica com diversas línguas tibeto-birmanesas, dentre as quais o Bhasa e assim demonstra influências dessas línguas.
Características O nepali tem alguma relação com o hindi, mas de forma mais conservadora sem muitas influências externas, com poucas palavras advindas do persa, do inglês, usando mais derivações com origens no sânscrito. Hoje, a língua é escrita geralmente no alfabeto devanágari. Há alguns registros antigos do uso da escrita takri, especialmente no oeste do Nepal, em Uttarakhand e em Himachal Pradesh. Bhujimol é uma outra escrita antiga nativa do Nepal. A língua nepali é mutuamente inteligível com o hindi e com o urdu.
Os estudiosos Kamal Malla e Tej Kansakar comentaram sobre a origem do nepali como uma derivação do sânscrito: Janaka, Yajnavalkya, Valmiki, Kapila e Gautama Buda muito contribuíram para o sânscrito e o prácrito onde o nepali procura suas origens." P. 47 Occasional Papers in the Humanities & Social Sciences By Kamal Prakash Malla, Tej. R. Kansakar
Gramática Substantivos Os Substantivos Nepali que indicam macho e fêmea são por vezes distintos por Sufixos ou por pares de termos lexicamente diferentes. O padrão envolve os sufixos masculino -o/ā vs feminino -ī suffixes (exemplo: chorā "Filho" : chorī "Filha]]", buṛho "homem (velho)" : buṛhī "mulher (velha"). Há também o fenômeno de sufixo derivacional -nī (exemplo:. chetrī "Chetri" (raça) : chetrīnī "mulher Chetri", kukur "Cão" : kukurnī "Cadela"). Não há, além disso, outras marcações, como entre Animado/ Inanimado;
Como ocorre geralmente nas Línguas indo-arianas no que se refere ao Gênero gramatical, o Nepali apresenta um sistema de "gênero atenuado", pelo qual a "concordância" fica restrita ao gênero "feminino animado" (o sistema é reestruturado como "zero/+feminino"), opcional ou livre […]; e muito reduzido no escopo sintático […] Em Nepali a terminação é o neutro -o, que muda para -ī para Pessoas Femininas quando em estilo mais formal. |1991|pp=220-221}}</ref>
Nepali distingue os gêneros gramaticais, havendo um pluralizador único, o sufixo para substantivos -harū (exemplo:. mitra "amigo" : mitraharū "amigoS"). Diferente da maioria das línguas ocidentais, o plural não é obrigatório, pode ser deixado sem ser expresso, se já for indicado por outro modo (por numerais, p.ex.), ou por concordância (ex. Verbal). faz notar que o sufixo "raramente indica simples pluralidade, muitas vezes significa que outros objetos de mesma classe ou similares estão também inclusos.
Adjetivos Adjetivos podem ser declináveis e indeclináveis. Declináveis são marcados, via terminações, pelo género e número dos substantivos qualificados. As terminações declináveis são: -o para masculino singular – Ex: sāno kitāb – pequeno livro -ī para feminino singular - Ex: sānī keṭī - pequena menina -ā para plural – Ex: . sānā kalamharū – pequenas canetas.
"Masculino", ou melhor "neutro" -o é a forma de citação (padrão) e de outro modo ficam ocultos, como nas declinações mais freqüentes. Como já citado, o gênero Nepali é atenuado. a concordância fica restrita para "fêmeas animadas", sendo opcional ou livre para outros. . Todavia, "Ao escrever, há uma forte tendência por parte de algumas pessoas de usar os marcadores femininos além do seu uso na linguagem falada, para marcar certos adjetivos com terminações femininas. Essa tendência é reforçada por certos gramáticos Nepali e pode ser devida às influências do Hindi sobre tanto a fala como sobre a escrita
Adjetivos indeclináveis são simplesmente inalteráveis, podendo terminar por consoantes ou por vogais (exceto -o).
Exemplos de adjetivos declináveis: ṭhūlo "grande", rāmro "bom", seto "branco", sāno pequeno". Exemplos de adjetivos indeclináveis: garīb "pobre", saphā "limpo", dhanī "rico", nayā̃ "novo".
Post-posições Em Nepali o "locus" da marcação de função gramátical ou Caso gramatical é feita por meio de Sufixos aglutinativos ou partícula gramatical chamadas post-positições, que seriam em Português as preposições. Há as seguintes post-posições primárias:
ko – Marcador de Caso Genitivo, declinável como um adjetivo: X ko/kī/kā Y – significa "Y de (pertence)", com ko/kī/kā concordando com Y. lāī – Marcador de Objeto indireto, também chamado marcador de "Caso Dativo ou, se o Objeto for Direto". le – Pode ser marcador tanto do caso Instrumental como do Ergativo. No caso ergativo é aplicado ao Sujeito, sempre em Verbo Transtivo, modo Perfeito e, opcionalmente, em outros aspectos transitivos.. mā – Marcado geral do caso Locativo; "em, no, na", etc. bhandā – é uma post-posição Ablativa usada para comparações, junto com Advérbio para post-posições compostas; lista ainda as seguintes Post-posições primárias: tala "abaixo", muni "sob", dekhi "de (origem)", bāṭa "de (de quem)", sãga "com", sita "como", pachi "depois", samma "até", bittikai "(o mais breve possível)".
Além disso há as "Post-posições Compostas", obtidas por uma post-posição primária (principalmente ko ou bhandā) mais um advérbio;.
ko lāgi "para (objetivo)", ko pachāṛī "atrás", ko viruddha "contrat", bhandā māthi "acima", bhandā par "além", etc.
Pronomes Nepali tem Pronome pessoal para a primeira e segunda pessoa. A terceira pessoa é um Demonstrativo que pode ser distinto como "Próximo" ou "Distante" (algo como esse, este, aquele do Português). O sistema pronominal é bem elaborado, fazendo diferenciação de formalidade sócio lingüística. Com relação a isso são três os níveis de "status" / formalidade: Baixo, Médio, Alto; Não há distinção de gênero nos pronomes.
Para os pronomes da terceira pessoa temos: Baixo status – pessoa ausente ou de baixo status social; Médio status – mulheres, embora um dos plurais pode ser usado também para grupos. Alto status – pessoa presente e de alto status social;
Para a segunda pessoa há ainda um sistema simples, onde o grau Baixo vale para crianças, animais; Nesse sistema, o grau Médio é usado pejorativamente para pessoas mais jovens ou de menor status social do que quem fala, sendo o grau Alto é usado para pessoas mais velhas, de maior status ou como forma mais polida. Há ainda um forma ainda mais formal.
O pronome da primeira pessoa do singular é ma e a primeira do plural é hāmī. A Tabela a seguir lista as segunda e terceira pessoas do singular;
2nd pn.3rd pn.Próx.Dist.Baixotãyo (yas)tyo (tyas)ū (us)Médiotimīyinī (yin)tinī (tin)unī (un)Altotapāī̃yahā̃vahā̃
yo e tyo têm yī e tī como plurais, enquanto que outros pronomes (inclusive hāmī – para ênfase, excluso o ū) fazem plural com o sufixo -harū. Na tabela acima, entre aspas, aparecem os casos oblíquos dos pronomes, usados quando esses (como pronomes demonstrativos) ou o que eles qualificam (como determinadores demonstrativos) são seguidos por alguma "post-posição"; A necessidade do oblíquo enfraquece a longa distância entre demonstrativo e post-posição.
Verbos Verbos em Nepali são muito flexionados, concordando com o Sujeito em Número, Gênero, "Status" e Pessoa. Também variam em Tempo, Modo e Aspecto e, além dessas formas finitas, há muitos particípios.