Piranguinho é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se no sul mineiro, estando situado a cerca de da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.

A sede tem uma temperatura média anual de e na vegetação do município predomina a Mata Atlântica. Com 61% da população vivendo na zona urbana, a cidade contava, em 2009, com sete estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,717, considerando como alto em relação ao estado.

O povoamento de origem europeia do lugar teve início no final do século XIX, com a construção da Estrada de Ferro Sapucaí. Nas décadas seguintes, houve um desenvolvimento da agropecuária na região, que propiciou o crescimento econômico e populacional. Isso favoreceu a emancipação do município, que foi desmembrado de Brazópolis em 1962 e instalado em 1º de março de 1963. O comércio e o turismo ganharam força a partir da década de 1990, sendo que Piranguinho é considerada a "capital nacional do pé de moleque", devido à tradição na produção desse doce.

História O primeiro povo conhecido a habitar o sul de Minas Gerais foi o povo puri, que viria a ser dizimado com o avanço da colonização de origem europeia na região ao longo dos séculos XVIII e XIX.Descubra Minas.com. Disponível em http://www.descubraminas.com.br/MinasGerais/Pagina.aspx?cod_pgi=1814 . Acesso em 23 de novembro de 2016. No fim do século XIX, o o Brasil passava por uma hegemônica produção de café, cultura esta que se expandia pela Região Sudeste do país e favorecia investimentos na modernização da economia nacional. As terras do atual município pertenciam a Leocádia de Lourenço e estavam subordinadas a São Caetano da Vargem Grande (atual Brazópolis), sendo um dos lugares onde planejava-se a implantação do projeto "Rede Mineira de Viação", com objetivo de construir uma ferrovia que ligasse Itajubá a Santa Rita do Sapucaí. Com as obras da estrada de ferro, começaram a ser construídas as primeiras casas, dando início ao povoamento, que aos poucos ganhava infraestrutura. Em 1913, criou-se a primeira escola e o povoamento passou a ter abastecimento de água e energia elétrica.

Dado o desenvolvimento observado na localidade, pela lei estadual nº 556, de 30 de agosto de 1911, foi criado o distrito de Piranguinho, subordinado ao então município de Vila Braz, que passou a denominar-se Brazópolis em 7 de setembro de 1923. Piranguinho emancipou-se pela lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, com a instalação ocorrida em 1º de março de 1963. Na ocasião estava constituído de dois distritos: Olegário Maciel e o distrito-sede. Pela lei nº 970, de 29 de abril de 2004, foi criado o distrito de Santa Bárbara do Sapucaí.

A economia foi fortalecida na década de 1990 com o crescimento do comércio, apesar de as principais fontes de renda serem representadas pela agropecuária, extração vegetal e pesca. A cidade também destaca-se pela produção de doces, tendo passado a ser conhecida nacionalmente como capital do pé de moleque.

Topônimo Existem duas hipóteses etimológicas tradicionais para o nome do município, ambas baseadas na junção dos termos tupis antigos piranga ("vermelho") e ĩ (sufixo diminutivo): seria uma referência ao ribeirão Piranguinho; seria uma referência a uma pedra vermelha de tamanho médio que existiria no município.Núcleo de Estudos e Pesquisa Histórica. Disponível em https://nephismg.wordpress.com/2007/12/20/o-dito-e-o-escrito-na-historia-de-piranguinho-mg/. Acesso em 23 de novembro de 2016.

Geografia A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constituem a zona urbana. Situa-se a 22°24'04" de latitude sul e 45°31'54" de longitude oeste e está a uma distância de 435 quilômetros a sul da capital mineira. Seus municípios limítrofes são Santa Rita do Sapucaí, a norte; Cachoeira de Minas, a noroeste; Brazópolis, a oeste; Piranguçu, a sul; Itajubá, a leste; e São José do Alegre, a nordeste.

De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Pouso Alegre e Imediata de Itajubá. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Itajubá, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Sul e Sudoeste de Minas.

Relevo, hidrografia e meio ambiente thumb|esquerda|Rio Sapucaí entre Itajubá e Piranguinho O relevo do município de Piranguinho é predominantemente ondulado. Em aproximadamente 75% do território piranguinhense há o predomínio de áreas onduladas, enquanto cerca de 5% é coberto por mares de morros e terrenos montanhosos e os 20% restantes são lugares planos. A altitude máxima encontra-se no Pico da Boa Vista, que chega aos metros, enquanto que a altitude mínima está na foz do ribeirão Vargem Grande, com 902 metros. Já o ponto central da cidade está a 840 m.

O principal curso hídrico que passa por Piranguinho é o rio Sapucaí, porém o território municipal é banhado por vários mananciais de pequeno porte, sendo os mais representativos os ribeirões dos Porcos e Piranguinho. O município integra a bacia do rio Grande. A vegetação predominante é a Mata Atlântica, sendo que o principal problema ambiental presente, segundo a prefeitura em 2010, era o assoreamento de corpos d'água. A cidade conta, entretanto, com Conselho Municipal de Meio Ambiente, criado em 2008 e de caráter paritário, Fundo Municipal de Meio Ambiente e realização de licenciamento ambiental de impacto local.

Clima O clima piranguinhense é caracterizado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, como tropical mesotérmico mediano úmido (tipo Cwa segundo Köppen), tendo temperatura média anual de com invernos secos e frios e verões chuvosos e amenos.

O mês mais quente, janeiro, tem temperatura média de , sendo a média máxima de e a mínima de . E o mês mais frio, julho, de , sendo e as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição. A precipitação média anual é de mm, sendo julho o mês mais seco, quando ocorrem apenas . Em dezembro, o mês mais chuvoso, a média fica em .

Demografia

Em 2022, a população do município foi contada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens e habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e na zona rural.

Em 2010, segundo dados do censo do IBGE daquele ano, a população piranguinhense era composta por brancos (77,40%); 232 negros (2,89%); 23 amarelos (0,29%); pardos (19,35%) e seis indígenas (0,07%). Considerando-se a região de nascimento, 13 eram nascidos na Região Norte (0,17%), 68 na Região Nordeste (0,84%), no Sudeste (97,34%), 104 no Sul (1,29%) e sete no Centro-Oeste (0,09%). habitantes eram naturais do estado de Minas Gerais (89,97%) e, desse total, eram nascidos em Piranguinho (55,33%). Entre os 804 naturais de outras unidades da federação, São Paulo era o estado com maior presença, com 530 pessoas (6,61%), seguido pelo Paraná, com 104 residentes (1,29%), e pelo Rio de Janeiro, com 49 habitantes residentes no município (0,61%).

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Piranguinho é considerado alto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo que seu valor é de 0,712 (o 1398º maior do Brasil). A cidade possui a maioria dos indicadores próximos à média nacional segundo o PNUD. Considerando-se apenas o índice de educação o valor é de 0,651, o valor do índice de longevidade é de 0,841 e o de renda é de 0,672. Segundo o IBGE, no ano de 2003 o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,38, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. Naquele ano, a incidência da pobreza, medida pelo IBGE, era de 17,72%, o limite inferior da incidência de pobreza era de 10,84%, o superior era de 24,60% e a incidência da pobreza subjetiva era de 19,84%.

De acordo com dados do censo de 2010 realizado pelo IBGE, a população de Piranguinho está composta por: católicos (83,24%), evangélicos (13,50%), 115 pessoas sem religião (1,44%), 41 espíritas (0,51%) e 1,31% estão divididas entre outras religiões.

Política e administração thumb|direita|Sala de sessões da Câmara Municipal de Piranguinho A administração municipal se dá pelos Poderes Executivo e Legislativo. O Executivo é exercido pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários. O atual prefeito é Paulo Renato Germiniani Ribeiro, do União Brasil, eleito nas eleições municipais de 2024 com 49,98% dos votos válidos e empossado em 1º de janeiro de 2025, ao lado de Ronildo Passos como vice-prefeito.O Poder Legislativo, por sua vez, é constituído pela câmara municipal, composta por nove vereadores. Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao Executivo, especialmente o orçamento participativo (Lei de Diretrizes Orçamentárias).

Piranguinho se rege por sua lei orgânica, promulgada em 24 de março de 1990, e é termo da Comarca de Brazópolis, do Poder Judiciário estadual, de primeira entrância, criada em 1º de janeiro de 1926. O município possuía, em julho de 2017, eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que representa 0,06% do eleitorado mineiro.

Distritos +Distritos de Piranguinho (IBGE/2022) Distrito Código IBGE Habitantes (2022) Domicílios particulares (2022) Olegário Maciel 315100810 467 Piranguinho (distrito-sede) 315100805 Santa Bárbara do Sapucaí 315100820 699

Economia O Produto Interno Bruto (PIB) de Piranguinho é um dos maiores de sua microrregião, destacando-se na agropecuária e na área de prestação de serviços. De acordo com dados do IBGE, relativos a 2020, o PIB do município naquele ano era de R$ . Era composto por R$ 117 128,12 mil em Valor Adicionado Bruto e R$ 8 603,26 mil em impostos, líquidos de subsídios, sobre produtos. Em 2020, o PIB per capita era de R$ 14.552,24. Em 2011, havia 841 trabalhadores categorizados como pessoal ocupado total e 588 se enquadravam como ocupado assalariado. Salários juntamente com outras remunerações somavam reais. Havia 192 unidades locais e 187 empresas atuantes. Em 2021, o salário médio mensal de todo município era de 1,7 salários mínimos. No mesmo ano, o pessoal ocupado do município somava 1.229 pessoas e a porcentagem da população ocupada era de 12,9%.

Setor primário Produção de cana-de-açúcar, milho e mandioca (2011) Produto Área colhida (hectares) Produção (tonelada) Cana-de-açúcar 20 900 Milho 50 300 Mandioca 6 180

Em 2020, de todo o PIB da cidade, R$ mil era o valor adicionado bruto da agropecuária. Segundo o IBGE, em 2011 o município possuía um rebanho de 12 asininos, bovinos, 210 caprinos, 500 equinos, 300 muares, 50 ovinos, suínos e 35 mil aves, entre estas 20 mil galinhas e 15 mil galos, frangos e pintinhos. Neste mesmo ano a cidade produziu litros de leite de vacas, 109 mil dúzias de ovos de galinha, 37 quilos de lã de 20 ovinos tosquiados e quilos de mel de abelha.

Na lavoura temporária são produzidos principalmente a cana-de-açúcar (900 toneladas produzidas e 20 hectares cultivados), o milho (50 toneladas e 300 hectares) e a mandioca (180 toneladas e 6 hectares), além do arroz, batata-doce, ervilha, feijão e tomate. Já na lavoura permanente destacam-se a banana, o café, a laranja, o limão, o mamão, o maracujá e a tangerina. thumb|direita|Comércio em Piranguinho

Setores secundário e terciário