Ponte Nova é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se na Zona da Mata Mineira, estando situado a cerca de a sudeste da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2026.
O povoamento começou a ser formado no , nas margens do rio Piranga, vindo a ser reconhecido como cidade em 1866, em um contexto de expansão do cultivo da cana-de-açúcar. Ponte Nova chegou a ser um dos maiores produtores de derivados da cana em Minas Gerais entre o final do e começo do . A cultura canavieira, que contribuiu para o desenvolvimento naquele tempo, ainda se faz presente, porém as atividades econômicas mais importantes na atualidade são a agroindústria, o comércio e a prestação de serviços.
História Primórdios A área do atual município teria sido povoada por puris e aimorés antes de ser explorada e colonizada por forasteiros. Miguel Antônio do Monte Medeiros adquiriu uma sesmaria em Ponte Nova em 1755, tendo fundado a Fazenda Vargem Alegre no ano seguinte, quando já possuía 45 escravizados, e doado terras a seus irmãos. Em 1762, já existia um movimento associado à construção de uma ponte sobre o rio Piranga.
Em 1763, padre João do Monte Medeiros, irmão de Miguel do Monte Medeiros, fundou a Fazenda Vau-Açu, com depósito, curral, uma senzala e uma sede. O local ainda existe, conhecido como sede da Usina Santa Helena. Em uma área dessa fazenda foi construída uma capela dedicada a São Sebastião e Almas, que foi inaugurada em 15 de dezembro de 1770. Esse templo fez com que o povoamento que estava se estabelecendo na margem esquerda do Piranga pudesse ser reconhecido, subordinado a Mariana.
Emancipação e ascensão açucareira thumb|esquerda|Casarão da Câmara Municipal de Ponte Nova, antiga Chácara Vasconcellos. O declínio da produção de ouro na região central mineira levou investidores a adquirir terras na região de Ponte Nova, onde deram início ao cultivo da cana-de-açúcar, que se tornou comum no final do . A localidade era denominada São Sebastião da Ponte Nova. Pelo decreto de 14 de julho de 1832, foi criado o distrito pertencente a Mariana, após o reconhecimento da paróquia. Foi emancipado de Mariana pela lei provincial nº 827 de 11 de julho de 1857, sendo elevado à categoria de cidade pela lei provincial nº 1.300 de 30 de outubro de 1866. Em 1883, o nome foi simplificado para "Ponte Nova".
Ao longo do e começo do , o cultivo da cana-de-açúcar permitiu o desenvolvimento do município, que chegou a ser um dos maiores produtores de derivados da cana em Minas Gerais naquele período. Nesse tempo foram multiplicadas as propriedades rurais com engenhos próprios, enquanto era comum que a produção fosse exportada para outras regiões da província de Minas Gerais. Contudo, a inauguração da Estrada de Ferro Leopoldina, em 1866, favoreceu a exportação para fora da província. Foram algumas das principais usinas: Ana Florência (inaugurada em 1883), da Jatiboca (1920), São José (1935) e Santa Helena (1940).
Configuração territorial e diversificação econômica No decorrer dos séculos XIX e XX, o município passou por diversas modificações territoriais, com sucessivas criações e emancipações de distritos. De Ponte Nova foram desmembrados, por exemplo, os municípios de Manhuaçu (1877), Rio Casca (1911), Jequeri (1923), Barra Longa (1938), Santa Cruz do Escalvado (1948), Amparo do Serra, Piedade de Ponte Nova, Rio Doce, Urucânia (1962) e Oratórios (1995). Da área que restou além da sede municipal, o distrito de Vau-Açu foi reconhecido em 27 de dezembro de 1948 e Rosário do Pontal em 8 de outubro de 1982.
Na década de 1930, a Estrada de Ferro Leopoldina chegou a fornecer transporte ferroviário de Caratinga à cidade do Rio de Janeiro, passando por Ponte Nova, mas a via férrea se fragmentou ao longo do tempo. Até o começo da década de 80 ainda havia transporte ferroviário de passageiros até Três Rios, no estado do Rio de Janeiro, porém a linha foi erradicada na década seguinte.
O cultivo da cana-de-açúcar perdeu representatividade na região, embora outras atividades econômicas tenham entrado em ascensão, como a suinocultura, o comércio e o turismo. O município também se consolidou como um centro regional de prestação de serviços, com a presença de equipamentos de saúde e educação que atendem às demandas de cidades do entorno.
Geografia thumb|esquerda|Ponte da Barrinha sobre o rio Piranga O município de Ponte Nova limita-se com Rio Doce (a norte), Barra Longa (noroeste), Acaiaca (oeste), Guaraciaba (sudoeste), Teixeiras (sul), Amparo do Serra (sudeste), Oratórios (leste) e Urucânia e Santa Cruz do Escalvado (nordeste). A sede dista por rodovia da capital mineira, Belo Horizonte. As principais estradas que atendem à cidade são a BR-120, MG-262 e MG-329.
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária de Juiz de Fora e Imediata de Ponte Nova. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Ponte Nova, que por sua vez estava incluída na mesorregião da Zona da Mata.
Relevo e hidrografia thumb|direita|Rio Piranga visto do Pontilhão de Ferro O relevo do município é consideravelmente variado, com 60% de sua área ondulada, 20% acidentada e 20% plana e uma altitude média de . O clima é do tipo tropical de altitude, com chuvas durante o verão e temperatura média anual em torno de , com variações entre (média das mínimas) e (média das máximas).
O município integra a bacia do rio Doce, sendo banhado por um de seus principais formadores, o rio Piranga, que intercede a cidade. Na divisa de Ponte Nova com Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado está situada a confluência dos rios Piranga e do Carmo, onde é formado o rio Doce. No entanto, a área municipal é banhada por diversos mananciais de menor porte, sendo alguns deles os córregos das Almas, Diogo, do Manso, Passa-Cinco, da Pedreira, Santa Fé e da Sela, e os ribeirões Canadá, Oratórios e Vau-Açu.
O crescimento urbano, iniciado nas margens do rio Piranga, seguiu rumo aos vales, morros e encostas que cercam a cidade, situação que provocou a supressão da vegetação, erosão e assoreamento de cursos hídricos. Isso reduziu a capacidade do solo de absorver a água das chuvas, tornando a zona urbana vulnerável a deslizamentos de terra e enchentes, além de intensificar a susceptibilidade aos picos de cheias do Piranga. Assim, as cheias do rio na estação das chuvas causam enchentes de forma reincidente em suas margens povoadas. Algumas das mais graves ocorreram em 1951, 1979 (a pior, deixando desabrigados), 1997, 2008, 2012 e 2022.
Demografia
Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o censo de 2022, habitantes eram homens (47,65%) e habitantes mulheres (52,35%). Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana (91,47%) e na zona rural (8,53%). Segundo o IBGE, Ponte Nova é considerada o centro de um arranjo populacional na hierarquia urbana brasileira, ao exercer influência local com relação à gestão e disponibilidade de serviços. Da população total em 2022, habitantes (16,25%) tinham menos de 15 anos de idade, (13,48%) tinham de 15 a 24 anos, (22,22%) tinham de 25 a 39 anos, (34,24%) tinham de 40 a 64 anos e (13,81%) possuíam 65 anos ou mais.
Em 2022, a população era composta por pardos (46,63%), brancos (34,72%), negros (18,52%), 43 amarelos (0,07%) e 31 indígenas (0,05%). O município também possuía pessoas quilombolas (6,49% da população), sendo a sexta cidade de Minas Gerais com o maior número de quilombolas. Com relação aos credos religiosos, a população municipal com dez anos de idade ou mais está composta por católicos (69,76% do total), evangélicos (21,21%), pessoas sem religião (2,79%), 881 espíritas (1,71%), 256 da umbanda e candomblé (0,5%) e 4,03% estão divididos entre outras religiões.
Política e subdivisões A administração do município é feita a partir dos poderes Executivo, representado pelo prefeito e seus secretários, e Legislativo, constituído pela câmara de vereadores, composta por 13 vereadores, eleitos para mandatos de quatro anos. Ponte Nova se rege por sua lei orgânica, promulgada em 1990, e abriga uma comarca do Poder Judiciário estadual, de segunda entrância, que tem como termos os municípios de Acaiaca, Amparo do Serra, Barra Longa, Guaraciaba, Oratórios, Rio Doce e Santa Cruz do Escalvado. O município possuía, em abril de 2026, eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Ponte Nova é composta por dois distritos, além da sede, sendo eles Rosário do Pontal e Vau-Açu. O distrito-sede era o mais populoso em 2022, com habitantes (94,34% da população municipal), seguido por Vau-Açu, com moradores (11,78%). Essa divisão é fruto de uma série de alterações feitas na configuração do território ponte-novense ao longo dos séculos XIX e XX, que envolveu o desmembramento de vários distritos para a criação de novos municípios. O último desmembramento ocorreu em 21 de dezembro de 1995, quando houve a emancipação de Oratórios. +Distritos de Ponte Nova (IBGE/2022) Distrito Código IBGE Habitantes (2022) Domicílios particulares (2022) Ponte Nova (sede) 315210505 Rosário do Pontal 315210513 481 Vau-Açu 315210515 703
Economia thumb|esquerda|Planta industrial da Laticínios Porto Alegre em Ponte Nova O Produto Interno Bruto (PIB) de Ponte Nova tem seu rendimento concentrado no setor terciário da macroeconomia, mas com participação significativa da agroindústria, voltada sobretudo à produção de laticínios e insumos agrícolas, o comércio e a prestação de serviços. Segundo dados do IBGE, relativos a 2023, o PIB do município era de R$ , ao mesmo tempo que o PIB per capita era de R$ . Em 2025, de acordo com o SEBRAE, havia empresas ativas, a maior parte das quais representada pelo comércio varejista (21,1%), seguido por serviços especializados para construção (8,62%) e pelo setor de alimentação (8,04%). Em 2024, pessoas estavam empregadas, sendo que os setores que mais empregavam eram o comércio varejista (19,6%), fabricação de produtos alimentícios (17,3%) e atividades de atenção à saúde humana (11%).
A pecuária e a agricultura acrescentavam reais na economia em 2021. Dentro da agricultura, a cana-de-açúcar representou a maior área ocupada pela lavoura temporária municipal em hectares (ha) em 2024, com um total de cultivados, seguida pelo milho () e pela mandioca (). Enquanto isso, os cultivos permanentes mais representativos foram a banana (), goiaba () e laranja (). Com relação à pecuária, o município possuía um rebanho de bovinos, galináceos, suínos e equinos. Ponte Nova produziu litros de leite de vacas, dúzias de ovos de galinha de galinhas e quilos de tilápia.
A indústria, por sua vez, acrescentou reais ao Produto Interno Bruto municipal em 2021. O setor está associado à agricultura e à pecuária, que abastecem agroindústrias. Além disso, também se fazem presentes ramos diversificados, sendo que os que mais empregam, fora da área da alimentação, são: a construção de edifícios, serviços especializados para construção, fabricação de produtos de metal (exceto máquinas e equipamentos) e obras de infraestrutura. Com relação ao setor terciário, reais do PIB municipal eram do valor adicionado bruto do setor de serviços e reais do valor adicionado da administração pública no ano de 2021.
Infraestrutura thumb|direita|Avenida Francisco Vieira Martins, trecho urbano da BR-120.