Carioca Bowl é a competição estadual de futebol americano do estado brasileiro do Rio de Janeiro, disputada nas praias. Até 2009 foi organizada pela Associação de Futebol Americano do Brasil (AFAB) mas, desde 2010, é organizada pela FeFARJ (Federação de Futebol Americano do Estado do Rio de Janeiro) .O Globo - acessado em 18/12/2009
O campeonato tem algumas adaptações em relação a NFL. Os jogadores jogam apenas de camisa e calção e protetor bucal igual aos de pugilismo. Não possuem capacetes ou ombreiras rígidas - como as usadas na NFL - em seus uniformes, porém alguns jogadores usam protetores de rugby.
O campo de jogo possui apenas 75 metros de comprimento, enquanto nos Estados Unidos o usual é pouco menos de 110. Ainda em fase de adaptação ao profissionalismo, o custo de equipamentos e viagens são bancados pelo próprios atletas. As competições contam também com o apoio das sub-prefeituras dos bairros de Copacabana, Ipanema, Barra da Tijuca e as prefeituras de Niterói e Saquarema.
História
Carioca Bowl I Em 2000 o primeiro CB teve a participação dos seis primeiros times de futebol americano no RJ: Reptiles, Mamutes, Leme Holes, RJ Guardians, Tijuca Night Hawks e o Barra Fire Birds. O formato de disputa foi baseado na fórmula de todos jogando contra todos, na qual se classificavam apenas os dois melhores para a final. As rodadas eram duplas ou até mesmo triplas no mesmo domingo e chegavam a acabar depois das dez horas da noite, pois os jogadores de uma partida tornavam-se árbitros da próxima e vice-versa. O domínio do Guardians era tão grande que a equipe sofreu apenas um TD em todo o campeonato, feito pelo Fire Birds. O elenco do Guardians era formado por jogadores experientes, que acabaram fundando grande parte dos times que viriam nos próximos campeonatos. Do outro lado, as outras equipes eram formadas por jovens jogadores.
Com as duas melhores campanhas, Guardians e Night Hawks estavam classificados para disputar o primeiro Carioca Bowl. Porém o jogo não aconteceu, havia sido marcado em um feriado, o time da Tijuca estava sem grande parte dos jogadores, com isso abriu mão da partida, vencida por WO e consagrando o Guardians como primeiro campeão carioca de futebol americano. A disputa acabou como uma “pelada” entre os participantes misturados em dois times. A final naquele ano foi disputada em frente ao Copacabana Palace, campo ao lado do Arena Palace, local que futuramente viria a sediar as finais de três cariocas. Outro fato interessante é que o campeonato era disputado no primeiro semestre do ano.
Carioca Bowl II No segundo ano de disputa, surgiu um novo time, o Copacabana Eagles, dissidente do atual campeão RJ Guardians. Com a entrada desta nova equipe, o campeonato foi composto por sete equipes dividas em dois grupos, onde ao final da temporada regular os dois melhores se cruzavam em semi-finais. Somente no segundo ano, durante a temporada, foram marcados os primeiros pontos do então futuro bicho papão das areias, o Botafogo Reptiles, até ali um time de jovens jogadores sem maior expressão perto dos favoritos Guardians e Eagles.
Pela primeira vez houve a participação da mídia na divulgação do esporte em jornais e TV. Porém, neste mesmo ano, o esporte sofreu um baque, já que foi publicada uma matéria na extinta revista Manchete que tachava o futebol americano como novo esporte dos pitboys. Isso foi muito ruim para as equipes e o campeonato, pois como estava em formação, grande parte de seus atletas eram garotos entre 16 e 18 anos. Com este fato muitos pais impediram que seus filhos prosseguissem praticando o esporte. Outro fato interessante foi o pedido de ingresso para participação no campeonato por parte da torcida organizada do Flamengo, a Raça Rubro-Negra. Porém a solicitação foi negado já que estavam concluídas as inscrições para aquele ano.
Antes do final da temporada regular, o Leme Holes se desfez, não concluindo sua participação. Após a temporada estavam classificados para as semi-finais, Reptiles, Guardians, Eagles e Tijuca. Na primeira partida o favorito e atual campeão Guardians recebeu a zebra Reptiles, que para surpresa de todos venceu de virada na última jogada da partida em um passe longo do QB Renan. Com a conquista inesperada de sua primeira vaga nas finais, o Reptiles abriu a série de consecutivas finais que viria a disputar. No segundo jogo, diferentemente do primeiro, o favoritismo se confirmou e o Eagles bateu com facilidade o Night Hawks, confirmando em seu primeiro ano a vaga na final.
O CB II, agora disputado no Siqueirão, teve como importante fato o início do contato com o André Jose Adler que naquele ano entregou um troféu enviado pela NFL ao campeão. Falando da partida, o Reptiles novamente tido como zebra na partida, abriu o placar com uma corrida do FB Miranda após um retorno impressionante do HB Rafael Coronel, (MVP das finais e jogador mitológico por ter sido não só o jogador com mais jardas terrestres como também líder de recepção do time) para surpresa de todos. As águias azuis chegaram ao empate e na prorrogação da partida com um chute certeiro o K Lynho assinalou o FG que daria o título em seu primeiro ano de existência ao Copacabana Eagles, com o placar de 10 x 07.
Carioca Bowl III Em 2002, ano do terceiro Carioca Bowl, houve mudanças mais significativas dos times, já que o primeiro campeão da história se desfez para a criação do RJ Sharks. Acabaram também o Leme Holes e o Barra Fire Birds. Surgiu uma nova equipe o Rio No Limits, fechando assim a tabela com seis equipes e o mesmo formato de grupos e semi-finais do CB II. Passaram também a acontecer jogos nos sábados, acabando com as massacrantes rodadas de domingo. Logo no jogo de abertura da temporada tivemos uma reedição da final anterior, onde o Eagles venceu com muita facilidade o Reptiles. Ao longo da temporada o que se viu foi a superioridade da equipe azul, aplicando placares elásticos e mantendo sua invencibilidade, já que o time nunca havia perdido desde sua criação.
Nos playoffs tivemos os seguintes cruzamentos: RJ Sharks x Reptiles e Eagles x Tijuca. Ambos seriam reedições do ano anterior, já que o Sharks foi formado em sua maioria de ex-jogadores do Guardians. No confronto entre tubarões e lagartos, novamente em uma virada emocionante na última jogada da partida, o time botafoguense chegava a sua segunda final consecutiva. Do outro lado o favoritíssimo Eagles soferia um pouco mais de resistência do Night Hawks, mas nada que fosse capaz de pará-los. Teríamos então uma revanche do último CB, mas com ampla superioridade do atual campeão. Porém, o favoritismo foi esmagado, por uma inesperada vitória reptiliana, e com certa facilidade, abrindo caminho para a maior e mais avassaladora dinastia das praias cariocas.
Carioca Bowl IV Antes do Carioca Bowl IV, em 2003, foram organizados dois eventos que nunca mais existiram: o All-Star Game, confronto que reuniu o então campeão Reptiles contra um selecionado de atletas de todos os outros times – que teve como ponto mais marcante a presença de dois atletas da NFL, sendo um deles o TE Tony Gonzalez - e a primeira e única Taça Rio, um torneio eliminatório com a participação de seis dos times que participariam do campeonato carioca seguinte, como uma forma de preparação para todos, no qual Reptiles, Sharks, Gorilas, Eagles, Mamutes e Fênix disputaram a taça, que foi vencida pelo Reptiles em uma final contra o Sharks, que posteriormente se tornaria a rivalidade mais acirrada e definiria o campeão dos dois próximos Cariocas.
No campeonato carioca daquele ano participaram Reptiles, Sharks, Gorilas, Eagles, Mamutes, Fênix, Tsunamis e Piratas. Mesmo com equipes novatas, o Piratas e o Gorilas fizeram grandes campanhas, chegando aos wildcards e as semifinais, respectivamente. Na semifinal disputada pelo Gorilas contra o Reptiles, o resultado foi decidido nos segundos finais, com um TD de retorno do Mutante, tornando esta até então a partida mais disputada da história do Carioca Bowl. Naquele ano o novato time laranja formou seu melhor elenco, apontado por muitos e cotado como favorito, apesar de seu primeiro ano nas praias cariocas. Porém a força dos répteis foi maior em busca do bicampeonato. Os tubarões cinzas chegaram à final derrotando o Mamutes na outra semifinal e conquistando pela primeira vez o direito de disputar o Carioca Bowl. No dia 14/12/03, no Siqueirão, foi disputado o CB IV, entre Reptiles e Sharks, e o time de Botafogo levou a melhor por 13 x 06.
Carioca Bowl V Veio assim o ano de 2004 e alguns novos times surgiram, iniciando assim o que podemos apontar como a 2ª fase do Futebol Americano de Praia no Rio de Janeiro. Assistimos ao nascimento do Niterói Warriors, primeiro time da cidade do outro lado da baía, fundado a partir de ex-atletas do Eagles; do Falcões (composto por ex-Mamutes); o Ipanema Devils e o Red Lions formado por atletas que não tinham ligação prévia com nenhuma outra equipe. A quinta edição do campeonato foi, então, a com mais participantes, totalizando doze, já que nenhum time se desfez do ano anterior. Divididos em três grupos de quatro equipes, estas disputaram durante oito meses o sonhado título e após sete meses de temporada regular, apenas Reptiles, Sharks, Fênix, Gorilas, Piratas e o novato Red Lions chegaram aos playoffs.
Nos wildcards, o Piratas com um show do WR Duda e o Fênix com a “granada de faluja” como ficou conhecido o passe que classificou o time, passaram as semifinais, para as quais já estavam classificados Reptiles e Sharks. O time de Botafogo recebeu os tijucanos e os derrotaram por 17 x 03, sem maiores dificuldades, indo pela quarta vez seguida a grande final. Enquanto isso, o clássico de Copacabana foi decidido por apenas um TD de diferença, vencido assim pelos tubarões por 14 x 07 assegurando a vaga na decisão e garantindo a possibilidade de devolver a derrota da final anterior.
A quinta edição da final do maior campeonato já realizado foi pela primeira vez na Praia de Botafogo, porém com um público pequeno, formado por jogadores, parentes e amigos dos atletas. O Reptiles venceu com uma bela exibição de sua sólida defesa, em um dia que o ataque fulminante não funcionou, com TDs do S Renan e do DT Schuabb, que mais tarde seria eleito MVP junto com o RB do Sharks Thiaguinho, sendo esta a única edição com a divisão deste prêmio.
Carioca Bowl VI Em 2005, a movimentação dos times não deixou de ser intensa. Primeiramente, o representante da Região dos Lagos, Tsunamis, mudou seu nome, em virtude da tragédia que devastou alguns países do Oriente, nascendo assim o Saquarema Vikings. Encerraram suas atividades o até então novato Ipanema Devils e o Copacabana Eagles, que deu surgimento ao Titãs, pois a grande maioria de seus atletas migraram para a novata equipe. Neste mesmo movimento apareceu ainda o Ilha Avalanche, que iniciou sua formação com atletas que saíram do Reptiles e fundaram o primeiro representante insulano das praias cariocas do Bairro da Ilha do Governador, o que mostrava a difusão cada vez maior do esporte no Rio de Janeiro.
Com a saída e entrada de duas equipes, o CB VI permaneceu com os mesmos doze participantes, porém com uma nova formatação, todos jogando contra todos, exceto duas equipes proporcionais a sua força. Por exemplo: o Titãs, como novato, seria de menor força assim como o Avalanche, portanto estes não se enfrentariam e por sorteio um dos dois finalistas do ano anterior e conseqüentemente força 1. Por fim se classificariam os seis primeiros colocados aos playoffs. Ao final da fase regular, os times eram, por ordem, Red Lions, Reptiles, Piratas, Fênix, Sharks e o Falcões.