Santa Cruz de Minas é um município brasileiro no interior do estado de Minas Gerais, Região Sudeste do país. Localiza-se na região do Campo das Vertentes, estando situado a cerca de a sul da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , tendo então a menor área entre os municípios do Brasil, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.

A sede tem uma temperatura média anual de e na vegetação do município predominam os campos rupestres. Com 100% da população vivendo na zona urbana, a cidade contava, em 2009, com quatro estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,706, considerado como alto em relação ao estado.

O povoamento do lugar teve início no decorrer do século XVIII, tendo a cidade desenvolvido-se em função da extração e beneficiamento de areia de quartzo e indústria de beneficiamento de cal. Em 1962 cria-se o distrito, subordinado a Tiradentes, e a emancipação veio a ocorrer em 21 de dezembro de 1995. Nesta ocasião o turismo passou a ter significativa participação na economia municipal, sendo os principais atrativos do lugar a Cachoeira Bom Despacho, que está localizada na Serra de São José e contém o "marco zero" da Estrada Real, e, principalmente, a produção artesanal.

História

thumb|esquerda|Cruz que deu o nome à cidade A ocupação do atual município data do século XVIII, durante o processo de formação das vilas de São José del-Rei e São João del-Rei. O nome Santa Cruz de Minas é uma referência a um cruzeiro colocado em uma das praças da cidade. O nome "Porto Real" faz referência ao Porto Real da Passagem, a primeira área de ocupação permanente de que se tem notícia na região, que se localizava nas proximidades da atual ponte sobre o Rio das Mortes que une os municípios de São João del-Rei e Santa Cruz de Minas.

O desenvolvimento da localidade deveu-se à extração e beneficiamento de areia de quartzo e indústria de beneficiamento de cal. Dada a evolução econômica e demográfica, pela lei estadual nº 2.764, de 30 de dezembro de 1962, foi criado o distrito subordinado a Tiradentes, tendo se emancipado pela lei estadual nº 12.030, de 21 de dezembro de 1995. Nesta ocasião o turismo passou a representar outra fonte de renda representativa, devido ao artesanato tradicional. Dessa forma, em 19 de abril de 2003 Santa Cruz de Minas passa a fazer parte do circuito da Estrada Real, após receber um monumento em aço demarcando o "marco zero" da rota histórica.

Geografia A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo assim o município brasileiro que possui a menor extensão territorial. Da área total, constituem a zona urbana. Situa-se a 21°07'11" de latitude sul e 44°13'24" de longitude oeste e está a uma distância de 190 quilômetros a sul da capital mineira. Seus municípios limítrofes são São João del-Rei e Tiradentes.

Conforme a classificação geográfica mais moderna (2017) do IBGE, Santa Cruz de Minas é um município da Região Geográfica Imediata de São João del-Rei, na Região Geográfica Intermediária de Barbacena. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de São João del-Rei, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Campo das Vertentes.

Circunscrição eclesiástica A paróquia de São Sebastião pertence à Diocese de São João del-Rei.

Relevo, hidrografia e ecologia O relevo do município é predominantemente ondulado, sendo que a altitude do ponto central da cidade é de 910 metros. Santa Cruz de Minas faz parte da Bacia do Rio Grande, sendo banhada pelo Rio das Mortes e pelo Córrego do Mangue, e as maiores altitudes situam-se na Serra de São José, formação rochosa que faz parte de uma sucessão metassedimentar proterozoica onde há predomínio de formações quartzíticas. A serra é englobada pela área de preservação ambiental (APA) São José, cujo ecossistema predominante são os campos rupestres, sendo considerada uma importante área de refúgio de espécies de insetos, aracnídeos, anfíbios, répteis e aves.

Clima thumb|esquerda|Aspecto da cidade em um dia chuvoso. O clima santacruzense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical mesotérmico brando semiúmido (tipo Cwb segundo Köppen), tendo temperatura média anual de com invernos secos e frios e verões quentes e chuvosos. O mês mais quente, janeiro, tem temperatura média de , sendo a média máxima de e a mínima de . E o mês mais frio, julho, de , sendo e as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.

A precipitação média anual é de mm, sendo agosto o mês mais seco, quando ocorrem apenas . Em dezembro, o mês mais chuvoso, a média fica em . Nos últimos anos, entretanto, os dias quentes e secos durante o inverno têm sido cada vez mais frequentes, não raro ultrapassando a marca dos , especialmente entre julho e setembro. Em agosto de 2010, por exemplo, a precipitação de chuva em Santa Cruz não passou dos . Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso também são comuns registros de queimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade, o que contribui com o desmatamento e com o lançamento de poluentes na atmosfera, prejudicando ainda a qualidade do ar.

Demografia

Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens e habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, todos os habitantes viviam na zona urbana. thumb|esquerda|Igreja de São Sebastião, a principal da cidade.

Em 2010, segundo dados do censo do IBGE daquele ano, a população santacruzense era composta por brancos (52,14%); 537 negros (6,83%); 71 amarelos (0,90%); pardos (40,09%) e três indígenas (0,04%). Considerando-se a região de nascimento, seis eram nascidos na Região Norte (0,08%), 131 na Região Nordeste (1,66%), no Sudeste (97,46%), 15 no Sul (0,20%) e 16 no Centro-Oeste (0,20%). habitantes eram naturais do estado de Minas Gerais (93,10%) e, desse total, eram nascidos em Santa Cruz de Minas (45,41%). Entre os 543 naturais de outras unidades da federação, São Paulo era o estado com maior presença, com 179 pessoas (2,28%), seguido pelo Rio de Janeiro, com 161 residentes (2,05%), e pela Bahia, com 53 habitantes residentes no município (0,1%).

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Santa Cruz de Minas é considerado alto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo que seu valor é de 0,706 (o 1720º maior do Brasil). A cidade possui a maioria dos indicadores próximos à média nacional segundo o PNUD. Considerando-se apenas o índice de educação o valor é de 0,636, o valor do índice de longevidade é de 0,839 e o de renda é de 0,660. Segundo o IBGE, no ano de 2003 o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,37, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. Naquele ano, a incidência da pobreza, medida pelo IBGE, era de 36,64%, o limite inferior da incidência de pobreza era de 23,28%, o superior era de 50,00% e a incidência da pobreza subjetiva era de 34,59%.

Também de acordo com dados do censo de 2010 realizado pelo IBGE, a população de Santa Cruz de Minas está composta por: católicos (74,60%), evangélicos (17,13%), 327 pessoas sem religião (4,15%), 143 espíritas (1,81%) e 2,31% estão divididas entre outras religiões.

Política e administração thumb|direita|Rua principal de Santa Cruz. A administração municipal se dá pelos Poderes Executivo e Legislativo. O Executivo é exercido pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários. A atual prefeita é Sinara Rafaela Campos, do PT, eleita nas eleições municipais de 2016 com 57,65% dos votos válidos e empossada em 1º de janeiro de 2017, ao lado de Aldo como vice-prefeito. O Poder Legislativo, por sua vez, é constituído pela câmara municipal, composta por nove vereadores. Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao Executivo, especialmente o orçamento participativo (Lei de Diretrizes Orçamentárias).

Em complementação ao processo Legislativo e ao trabalho das secretarias, existem também conselhos municipais em atividade, entre os quais dos direitos da criança e do adolescente e tutelar, ambos criados em 2003. Santa Cruz de Minas se rege por sua lei orgânica, que foi promulgada em 5 de setembro de 1997, e é termo da Comarca de São João del-Rei, do Poder Judiciário estadual, de entrância especial. O município possuía, em julho de 2013, eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que representa 0,042% do eleitorado mineiro.

Economia thumb|esquerda|Comércio ao redor da Praça São Sebastião. O Produto Interno Bruto (PIB) de Santa Cruz de Minas é um dos maiores de sua microrregião, destacando-se na área de prestação de serviços. De acordo com dados do IBGE, relativos a 2010, o PIB do município era de R$  mil eram de impostos sobre produtos líquidos de subsídios a preços correntes. O PIB per capita é de R$  Em 2011 havia trabalhadores categorizados como pessoal ocupado total e 915 se enquadravam como ocupado assalariado. Salários juntamente com outras remunerações somavam reais e o salário médio mensal de todo município era de 1,6 salários mínimos. Havia 240 unidades locais e 237 empresas atuantes.

A agricultura é o setor menos relevante na economia de Santa Cruz de Minas. Em 2010, de todo o PIB da cidade, 25 mil reais era o valor adicionado bruto da agropecuária. Segundo o IBGE, em 2011 o município possuía um rebanho de 121 suínos, 27 bovinos, 23 equinos e 734 aves, entre estas 114 codornas, 348 galinhas e 272 galos, frangos e pintinhos. Em 2011 a cidade produziu 20 mil litros de leite de 13 vacas, 2 mil dúzias de ovos de galinha e mil dúzias de ovos de codorna.

A indústria, em 2010, era o segundo setor mais relevante para a economia do município. reais do PIB municipal eram do valor adicionado bruto da indústria (setor secundário). A produção industrial ainda é incipiente na cidade, mesmo que comece a dar sinais de aprimoramento, sendo resumida principalmente à extração de quartzo e cal, à produção de móveis artesanais e à fabricação de produtos alimentícios. Segundo estatísticas do ano de 2000, 940 pessoas estavam ocupadas no setor industrial. Também há no município uma grande concentração de estabelecimentos comerciais, hotéis, pousadas, restaurantes e áreas de camping, sendo a produção artesanal um dos principais atrativos do município. Em 2000, 521 pessoas estavam ocupadas no setor comercial e dedicavam-se à prestação de serviços e em 2010 reais do PIB municipal eram do valor adicionado bruto do setor terciário.

Infraestrutura Habitação e criminalidade thumb|direita|Residências em Santa Cruz de Minas, na Rua 21 de Abril. No ano de 2010 a cidade tinha domicílios particulares permanentes. Desse total, eram casas e 74 eram apartamentos. Do total de domicílios, são imóveis próprios ( já quitados e 102 em aquisição); 490 foram alugados; 162 foram cedidos (sete cedidos por empregador e 155 cedidos de outra forma) e três foram ocupados de outra maneira. Parte dessas residências contava com água tratada, energia elétrica, esgoto, limpeza urbana, telefonia fixa e telefonia celular. domicílios eram atendidos pela rede geral de abastecimento de água (98,84% do total); (99,56%) possuíam banheiros para uso exclusivo das residências; (99,88% deles) eram atendidos por algum tipo de serviço de coleta de lixo; e (99,56%) possuíam abastecimento de energia elétrica.