Rebanhão é uma banda de rock brasileira, com temáticas cristãs, formada na cidade do Rio de Janeiro em 1979. É conhecida por ser a primeira de sucesso a apresentar uma sonoridade completamente característica da música popular dentro do nicho cristão, principalmente popularizando o rock e o pop. Dentre as sonoridades exploradas pela banda, destacam-se o rock progressivo e o pop rock, com forte influência da tropicália e do Clube da Esquina, além de bandas e cantores estrangeiros como Keith Green e a banda de rock cristão Petra.

A banda foi fundada por Janires no final da década de 1970. O músico se mudou para o Rio de Janeiro onde, junto com o tecladista Pedro Braconnot, integraram músicos da Igreja Presbiteriana de Copacabana na formação. Paulo Marotta (baixo), Kandell Rocha (bateria), Zé Alberto (percussão) e Carlinhos Felix (guitarra) foram os primeiros integrantes. Alberto saiu logo no primeiro álbum, enquanto Janires e Kandell se desligaram em 1985, dando lugar ao músico Fernando Augusto. Durante vários anos, a banda esteve estável em sua estrutura, em fase da formação clássica. Entre 1990 e 1992, Fernando, Carlinhos e Paulo deixaram a banda, e Pedro Braconnot assumiu a liderança com a presença de outros músicos, como Pablo Chies, até 2000, quando o conjunto entrou em hiato. Em 2016, Braconnot, Felix, Marotta e Chies voltaram aos palcos com a gravação do álbum Rebanhão 35 anos (2017).

O primeiro disco do conjunto, Mais Doce que o Mel (1981) foi sucesso imediato, embora tenha causado polêmicas entre líderes religiosos. Sob o comando criativo de Janires, o grupo produziu Luz do Mundo (1983) e Janires e Amigos (1985), considerados clássicos da música cristã no Brasil. Com a saída de Janires, a música do Rebanhão ficou mais pop, com influências do art rock. Nesta fase, Carlinhos Felix, juntamente com o tecladista Pedro Braconnot, assinaram a maioria das composições. Na época, o grupo lançou vários sucessos, como "Primeiro Amor", "Nele Você Pode Confiar", "Paz do Senhor" e "Palácios", esta última parte do álbum Princípio (1990), um dos alicerces do movimento gospel. Depois dos álbuns Pé na Estrada (1991) e Enquanto É Dia (1993), a popularidade do grupo diminuiu frente à discos de notoriedade reduzida e com mudanças sonoras, como Por Cima dos Montes (1996) e o último antes do hiato, Vamos Viver o Amor (1999).

Durante seus anos de carreira, o Rebanhão realizou vários feitos. É considerado o primeiro precursor de grande relevância do rock cristão e a primeira banda expoente da música cristã contemporânea. Também foi o primeiro grupo a se apresentar em grandes casas de shows e ser precursor do chamado movimento gospel. Juntamente a outros artistas da época, durante vários anos, manteve contrato com grandes gravadoras do circuito não-religioso. A discografia do Rebanhão é lembrada por vários artistas evangélicos em regravações, incluindo o disco Tributo a Janires e uma homenagem ao guitarrista e vocalista Carlinhos Felix, feita pelo prêmio Troféu Talento, no ano de 2004.

História 1979–1981: Início O início da história do Rebanhão confunde-se com a trajetória musical e religiosa do cantor e compositor Janires. Após ser preso em flagrante e parar numa casa de recuperação, tornou-se cristão protestante. Era frequentador dos cultos na Igreja Cristo Salva, conhecida também como "igreja do Tio Cássio". Na época, o músico tinha a vontade de criar uma banda de rock cristão. Ali, o cantor escreveu suas primeiras composições para o projeto. Foi gravado um álbum em 1979, mas Janires decidiu mudar-se para a cidade do Rio de Janeiro, onde de fato criaria o grupo musical.

Assim que chegou ao Rio de Janeiro, Janires tornou-se membro da Igreja Presbiteriana de Copacabana. Atuando no louvor da igreja, conheceu os integrantes de uma outra banda de rock existente ali, chamada Sinal Verde, liderada pelo cantor e compositor Lucas Ribeiro. Membros deste grupo afirmavam que Janires sempre manifestava interesse em fundar o Rebanhão ali, porém não tinha recrutado músicos.

Durante um acampamento em Juiz de Fora, um jovem convertia-se ao protestantismo. Ainda dependente químico, Pedro Braconnot conheceu Janires e aceitou participar do Rebanhão. O tecladista ainda afirmou numa entrevista que, durante esta época, passou por uma fase pessoal de altos e baixos, mas Janires o ajudou.

Num dia, Janires e Pedro assistiram um ensaio de vários músicos da igreja e os convidaram para integrarem ao Rebanhão. O grupo era formado por Paulo Marotta, Kandell Rocha e André Marien. Todavia, Marien não permaneceu no conjunto, fazendo com que a banda precisasse de um guitarrista. Janires, então convidou Carlinhos Felix, na época baixista da Sinal Verde, para que integrasse ao grupo.

Carlinhos Felix era engenheiro na Petrobras, e por conta da flexibilidade de seu emprego, tinha liberdade para viajar com o grupo. Durante um tempo, o mesmo permaneceu também na Sinal Verde, gravando o primeiro e único single do grupo, "Pra Você". Na mesma época, Janires convidou Elmar Gueiros para a banda para os solos, mas o músico não pode permanecer por conta de seu trabalho.

A banda começou suas atividades executando suas canções em vários locais da cidade, como nas praças e praias, em alguns momentos junto à Paulo César Graça e Paz. Pela sua sonoridade e letras, o grupo não foi bem recepcionado por grande parte dos religiosos da época. Porém, o grupo prosseguiu. A banda também passou a apresentar em teatros, juntamente com a atriz Darlene Glória, além de receber outros artistas e músicos da época em seus eventos.

1981–1985: Fase Janires Apesar das dificuldades, a banda preparava-se para gravar o primeiro e um dos mais bem-sucedidos trabalhos do grupo, o álbum Mais Doce que o Mel. Na gravação da obra, a banda já tinha Zé Alberto como percussionista. Na obra, Janires e Carlinhos compuseram grande parte do repertório e ficaram responsáveis pelos vocais. Pedro Braconnot contribuiu como compositor em uma das faixas. Em 1981, o projeto foi lançado pela gravadora Doce Harmonia. A repercussão do trabalho superou as expectativas do grupo e do próprio selo e chegou a vender mais de cento e cinquenta mil cópias. Em contrapartida, o disco causou polêmica. Surgiram especulações de que Mais Doce que o Mel teria mensagens subliminares em seu conteúdo, o que foi fortemente negado pela banda. O destaque do projeto veio com a canção "Baião", em que Janires tece várias críticas sociais e analisa a condição da sociedade perante seu contexto. "Casinha", outra música bastante executada pelo grupo, foi alvo de estudos teológicos, principalmente pela reflexão que o compositor apresenta sobre a história.Tear Online. São Leopoldo. v.2 n.2. p. 109-121. jul.-dez. 2013 Além disso, as canções "Refúgio", de Braconnot e "Mel", de Janires estiveram durante muitos anos no repertório dos shows da banda.

Após a repercussão do disco anterior, a banda preparou-se para gravar Luz do Mundo, disco que refletiu o amadurecimento musical e técnico da banda. Com a saída de Zé Alberto, o grupo optou por Edinho atuar como músico convidado na percussão. Gravado nos Estúdios Transamérica, a maior parte de composições desta vez vieram de Janires, que regravou as canções "Taças de Cristais" e "Casa no Céu" com novos arranjos, obras anteriormente gravadas em seu demo Rebanhão. Pedro Braconnot, além de um piano de cauda trabalhou com sintetizadores Phophet-5, e Paulo Marotta estreia nos vocais em "Hoje sou Feliz", duetando com Janires, canção dedicada à Alex Dias Ribeiro. O álbum foi masterizado em Boston e lançado pela gravadora Arca Musical Evangélica, e algumas de suas faixas chegaram a ser executadas em rádios não-cristãs do Rio de Janeiro. Durante este período, o grupo chegou a fazer algumas apresentações com a dupla de MPB Edson e Tita, durante a turnê do álbum Novidade de Vida (1982).

Janires comemorava, em 1984, dez anos de conversão ao protestantismo. Em razão disso o músico, juntamente com o Rebanhão, realizou a gravação do primeiro álbum de música cristã do Brasil ao vivo, o trabalho Janires e Amigos. A obra foi gravada no auditório da Rádio Boas Novas em 14 de dezembro daquele ano, com a participação da Banda Fé na base instrumental. Durante o evento, Janires cantou as canções "Baião" e "Casinha", presentes no disco Mais Doce que o Mel além de inéditas que eram homenagens a vários amigos de Janires. Os músicos João Alexandre, Wagner Carvalho, Marcos Góes e outros fizeram participações especiais e a gravação reuniu personalidades que tinham amizade com Janires, como o ex-jogador de futebol Baltazar e o piloto Alex Dias Ribeiro. O projeto foi lançado em 1985, como disco solo de Janires e, mais tarde, foi relançado ainda em vinil como um álbum do Rebanhão. Assim, torna-se o único disco que é, ao mesmo tempo, um trabalho solo e de banda.

Neste período, ainda, o grupo lançou um single em edição limitada de 200 cópias. A música, "Paz pra Cidade" fez parte, depois, da coletânea Ponto de Encontro, no ano de 1987. A composição, escrita e cantada por Janires, foi a última parceria lançada da banda juntamente com o cantor em vida, que faleceria em 1988 por conta de um acidente automobilístico.

1986–1992: Formação clássica Após a gravação de Janires e Amigos, a banda sofreu as primeiras saídas de grande impacto em sua estrutura. O baterista Kandell Rocha deixou seu posto vazio. Além dele, o fundador e vocalista Janires anunciava sua saída do grupo. A decisão, segundo ele, era uma direção de Deus. O músico se mudara para Belo Horizonte, onde fundaria, mais tarde, a Banda Azul. Apesar de sua saída, o cantor continuou a ter contato com os integrantes do Rebanhão, dando conselhos e ajuda. Para substituir Kandell, o vocalista Carlinhos Felix trouxe o baterista Fernando Augusto. Com o instrumentista, também conhecido como Tutuca, a banda entrou em um período como quarteto.

O disco sucessor do Rebanhão coincidiu pelo contrato com a gravadora gravadora PolyGram. Semeador foi lançado em outubro de 1986, com o status de lançamento com a maior notoriedade do segmento evangélico na época. As mudanças de integrantes mudaram musicalmente a sonoridade do Rebanhão, mais próximo ao pop do que antes. Pedro participa pela primeira vez como vocalista e compõe grande parte das canções, com o uso de mais sintetizadores. Pela primeira vez o Rebanhão gravou composições externas, com "Viajar", de Sérgio Pimenta, "Paz do Senhor", de Lucas Ribeiro. O restante foram algumas das composições de Carlinhos, algumas em parceria com Lucas. A banda também contou com as participações de Natan Brito e Sidney Ferreira, integrantes da Banda & Voz. A parceria com a nova gravadora rendia mais divulgação, na intenção de "fazê-lo tocar em todas as rádios AM e FM" pelo fato de ser "um conjunto forte, fácil de penetrar no mercado não-evangélico", segundo Luis Ubiratan, em entrevista ao jornal O Globo. Página visitada em 26 de setembro de 2015.

Em setembro de 1988, a banda lançou Novo Dia, produzido pelo músico Paulo Debétio. O compositor Paulinho Rezende versionou a única música estrangeira já gravada pela banda, "Jesus é Amor", escrita por Lionel Richie, com características do gospel norte-americano. A canção também foi gravada em videoclipe. Os sintetizadores, assim como no anterior, fazem-se mais presentes, com influências do art rock. De composições externas, o grupo apresentou "Primeiro Amor", de Aurélio Rocha e "Firme os Pés", de Lucas Ribeiro. Paulo Marotta diminuiu sua função como vocalista, interpretando exclusivamente em "Entre eu e Você". Nesta época, as apresentações do grupo chegavam a lugares maiores. O evento de lançamento da obra foi realizado no Canecão lotado, e era a primeira vez em que uma banda cristã atuava em grandes casas de show.

No ano seguinte, a Continental reuniu oito canções dos dois últimos álbuns e lançou a coletânea Grandes Momentos, que mais tarde seria relançada digitalmente pela Warner Music Brasil em CD no ano de 1994.