Intelsat S.A., chamada anteriormente de Intel-Sat e Intelsat, é uma empresa multinacional luxemburgo-americana de serviços de satélite. Sua sede corporativa fica em Luxemburgo e a sede administrativa, em Tysons, na Virgínia, Estados Unidos. A empresa teve origem na International Telecommunications Satellite Organization, ou ITSO, também chamada Intelsat. Entre 1964 e 2001, a organização foi um consórcio intergovernamental que possuía e administrava uma constelação de satélites de telecomunicações para serviços internacionais de comunicação e radiodifusão.
Em março de 2023, a operadora de satélites SES, concorrente da Intelsat, confirmou que as empresas negociavam uma fusão. As conversas terminaram em junho daquele ano. Em 30 de abril de 2024, a SES anunciou um acordo para comprar a Intelsat por US$ 3,1 bilhões. A conclusão era prevista para o segundo semestre de 2025. A compra foi concluída em 17 de julho de 2025.
Em junho de 2022, a Intelsat operava 52 satélites de telecomunicações, uma das maiores frotas do mundo naquele momento. Em 2020, a empresa anunciou planos de comprar, construir e lançar sete satélites de banda C nos anos seguintes. Esses satélites seriam usados na implantação da rede 5G dos Estados Unidos. No começo de 2022, assinou contratos para quatro satélites geoestacionários definidos por software, dois com a Airbus e dois com a Thales Alenia Space. Os lançamentos estavam previstos para 2023. Os contratos integravam um plano de transformação da rede com investimentos em maior velocidade, flexibilidade, redundância e retrocompatibilidade.
Em 2022, a empresa atendia cerca de 1.800 clientes e tinha por volta de 1.790 funcionários.
História miniatura|INTELSAT I Early Bird miniatura|Um satélite Intelsat IVA esquerda|miniatura|Logotipo usado pela Intelsat até 2001 O discurso de John F. Kennedy às Nações Unidas, em 25 de setembro de 1961, deu impulso à criação da Intelsat. Menos de um ano depois, Kennedy sancionou a Communications Satellite Act of 1962. A Intelsat foi criada como International Telecommunications Satellite Organization e operou de 1964 a 2001 como consórcio intergovernamental. A organização possuía e administrava uma constelação de satélites que prestava serviços internacionais de radiodifusão. O mercado internacional de satélites tornou-se inteiramente comercial em 2001, quando a Intelsat foi privatizada e passou a operar como empresa luxemburguesa.
Organização intergovernamental, 1964–2001 A organização intergovernamental começou em 20 de agosto de 1964, com sete países participantes. O acordo de 1964 era provisório e abriria caminho para um texto permanente. A organização internacional permanente foi criada em 1973, depois de negociações entre os países realizadas de 1969 a 1971. A questão mais difícil "dizia respeito à passagem da administração do sistema por uma entidade nacional para a administração pela própria organização internacional".
Em 6 de abril de 1965, o primeiro satélite da Intelsat, o Intelsat I, apelidado de Early Bird, foi colocado em órbita geoestacionária sobre o Oceano Atlântico por um foguete Delta D.
O nome foi alterado em 1973, quando havia 81 signatários. A Intelsat era regida inicialmente por dois acordos internacionais. O primeiro definia as disposições, os princípios básicos e a estrutura da organização e era assinado pelos governos por meio de seus ministérios das relações exteriores. O Acordo Operacional estabelecia disposições financeiras e técnicas mais detalhadas e era assinado pelos governos ou pelas entidades de telecomunicações por eles designadas. Estas eram, em geral, os ministérios das comunicações dos países participantes. Nos Estados Unidos, a signatária era a Communications Satellite Corporation, ou COMSAT. A COMSAT era uma empresa privada criada por lei federal para atuar em nome dos Estados Unidos na administração internacional do sistema mundial de satélites de comunicação.
Naquele momento, a Intelsat possuía e administrava diretamente o sistema mundial de satélites de comunicação. Sua estrutura tinha três órgãos:
a Assembleia das Partes, reunida a cada dois anos para cuidar de assuntos de interesse principal das partes como Estados soberanos. Cada país tinha um voto a Reunião dos Signatários, anual e formada por todos os signatários do Acordo Operacional. O órgão se ocupava sobretudo de questões financeiras, técnicas e de programas, e cada signatário tinha um voto o Conselho de Governadores, reunido pelo menos quatro vezes por ano para decidir sobre o projeto, o desenvolvimento, a implantação, a operação e a manutenção dos recursos espaciais. Os signatários nomeavam os membros, e o peso do voto de cada um correspondia à sua participação no investimento
O acordo de 1973 previa uma transição de sete anos da administração nacional para a internacional. Até 1976, a gestão técnica e operacional permaneceu com a signatária norte-americana COMSAT, que já administrava o sistema mundial sob os acordos provisórios em vigor de 1964 a 1973. As etapas seguintes levaram à administração internacional plena em 1980. O aporte financeiro de cada membro, chamado de "participação no investimento", era estritamente proporcional ao uso do sistema, calculado a cada ano. A mesma proporção definia o peso do voto no Conselho de Governadores.
Em 2018, a Intelsat atendia mais de 600 estações terrenas em 149 países, territórios e dependências. Em 2001, tinha mais de cem membros. Nesse ano, a organização foi privatizada e adotou o nome Intelsat.
Desde sua criação, a empresa usa versões sucessivas, chamadas de blocos, de satélites projetados para a Intelsat. Cada bloco é contratado separadamente, o que levou a empresa a trabalhar com fabricantes diferentes. Em 2012, sua maior fornecedora era a Space Systems/Loral, que já havia construído 47 espaçonaves, entre elas o Intelsat 20.
A rede inicial tinha menos redundância. Uma falha no satélite sobre o Atlântico, na primavera de 1969, ameaçou interromper a missão Apollo 11. Um satélite substituto entrou na órbita errada e não pôde ser recuperado a tempo. A NASA recorreu a circuitos telefônicos em cabos submarinos para encaminhar as comunicações da missão. Durante a atividade extraveicular na Lua, o satélite natural estava sobre o Oceano Pacífico. Outras antenas puderam ser usadas, assim como o Intelsat III que se encontrava em órbita geoestacionária sobre o Pacífico.
Comercialização Na década de 1990, a construção e o lançamento de satélites já não eram exclusividade dos governos. A privatização de sistemas nacionais de telecomunicações abriu espaço para operadoras privadas que buscavam atender à demanda crescente. Nos Estados Unidos, PanAmSat, Orion Communications, Columbia Communications, Iridium, Globalstar, TRW e outras operadoras formaram a Alliance for Competitive International Satellite Services, ou ACISS. O grupo defendia o fim da exclusividade das organizações intergovernamentais no setor de satélites de comunicação e da posição monopolista da COMSAT, signatária norte-americana da Intelsat e da Inmarsat. Em março de 2001, o Congresso dos Estados Unidos aprovou a Open-market Reorganization for the Betterment of International Telecommunications Act, conhecida como Lei ORBIT, para privatizar a COMSAT.
Em 31 de março de 1998, os membros da Intelsat aprovaram a separação de cinco satélites em órbita e de um sexto ainda em construção. Esses ativos foram transferidos para a empresa privada neerlandesa New Skies Satellites, que começou a operar em novembro daquele ano e passou a concorrer com a Intelsat.
Privatização Em 18 de julho de 2001, 37 anos depois da fundação, a Intelsat tornou-se uma empresa privada. Antes da privatização, a participação no capital e os aportes eram distribuídos entre os membros conforme o uso dos serviços. A participação de cada membro definia sua parcela do total destinado a financiar despesas de capital. A principal receita da organização vinha das tarifas de uso dos satélites. Depois da dedução dos custos operacionais, o valor era redistribuído aos membros na proporção de suas participações, como restituição do capital e remuneração por seu uso. Os serviços de satélite estavam disponíveis a qualquer organização, fosse ela membro ou não, e todos os usuários pagavam as mesmas tarifas.
O Intelsat Americas-7, antes chamado Telstar 7 e rebatizado como Galaxy 27 em 1 de fevereiro de 2007, sofreu uma falha de energia que durou dias a partir de 29 de novembro de 2004. O satélite voltou ao serviço com capacidade reduzida.
miniatura|A antiga sede administrativa da Intelsat em Washington, D.C.
Em 28 de janeiro de 2005, a Intelsat foi comprada por cerca de US$ 3,2 bilhões em dinheiro. A aquisição manteve em aberto aproximadamente US$ 1,9 bilhão da dívida anterior. As quatro empresas de capital privado compradoras eram Madison Dearborn Partners, Apax Partners, Permira e Apollo Global Management. A empresa adquiriu a PanAmSat em 3 de julho de 2006 por cerca de US$ 3,2 bilhões em dinheiro. A Intelsat tornou-se então a maior fornecedora mundial de serviços fixos por satélite, com uma frota de cerca de 52 unidades em posições orbitais de uso comercial.
Em junho de 2007, a BC Partners anunciou a compra de 76 por cento da Intelsat por cerca de 3,75 bilhões de euros.
Intelsat S.A. em Luxemburgo Em abril de 2013, a empresa, já chamada Intelsat S.A., realizou uma oferta pública inicial na Bolsa de Valores de Nova Iorque. A operação levantou US$ 550 milhões líquidos, dos quais US$ 492 milhões foram usados de imediato para reduzir a dívida de US$ 15,9 bilhões. Em maio daquele ano, a empresa anunciou a compra de quatro satélites Boeing 702 MP EpicNG de alto desempenho.
A controladora Intelsat S.A. havia sido constituída em 8 de julho de 2011 como société anonyme sob as leis de Luxemburgo. Intelsat Corporation era uma subsidiária incorporada no estado norte-americano de Delaware.
Em 2017, a Intelsat negociou uma possível fusão com a OneWeb, apoiada pela SoftBank. Em 1 de junho, foi anunciado que os detentores dos títulos da dívida não aceitariam a oferta. A possível fusão foi encerrada no dia seguinte.
Operações Em julho de 2014, a Intelsat transferiu sua sede administrativa e mais de quatrocentos funcionários de Washington, D.C. para Tysons, na Virgínia. O local abrigava o principal centro de operações de satélites da empresa. Outro centro de atendimento e operações funcionava em Ellenwood, no estado da Geórgia. Em 2014, clientes da América do Norte respondiam por 45 por cento da receita. Europa, América Latina e Caribe, África e Oriente Médio e Ásia-Pacífico reuniam os outros 55 por cento. A rede terrestre tinha oito teleports próprios nos Estados Unidos e na Alemanha.
No Brasil, serviços de televisão por assinatura usaram capacidade da Intelsat. A GVT TV empregava essa capacidade para seu serviço DTH em 2012. A Nossa TV contratou o satélite Galaxy 28, da Intelsat, para iniciar suas operações em 2007. A Sky Brasil usou capacidade da empresa e recebeu, em 2017, o satélite Sky Brasil-1, também chamado Intelsat 32e, para ampliar seu serviço.
Recuperação judicial A Intelsat pediu proteção judicial sob o Capítulo 11 em 13 de maio de 2020, pouco antes dos novos leilões de espectro para o 5G nos Estados Unidos. A dívida total superava US$ 15 bilhões.
A empresa já estudava pedir a recuperação judicial em fevereiro de 2020. Naquele mês, retirou-se formalmente da C-Band Alliance. O consórcio reunia grandes operadoras de satélite e pressionava o órgão regulador norte-americano, a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos, ou FCC, em relação à redistribuição do espectro de banda C e ao pagamento às empresas que o utilizavam.