Pristina (em albanês Prishtina ou Prishtinë; ) é a capital e maior cidade da República do Kosovo. Para os países que não reconhecem a independência do Kosovo, Pristina é de jure parte da Sérvia e capital da Província Autônoma de Kosovo e Metóquia. É o centro administrativo do conselho (ou município) e distrito homónimos.

Estima-se que a actual população da cidade se situe entre os 500 000UOL: Dados básicos do Kosovo e 600 000 habitantes. A cidade tem uma maioria populacional albanesa, ao lado de outras comunidades menores que incluem turcos, sérvios, bósnios, ciganos e outros. O governo interino do território e a United Nations Interim Administration Mission in Kosovo (UNMIK) têm os seus quarteis-generais na cidade. É o centro administrativo, educacional e cultural do Kosovo. A cidade é lar da Universidade de Pristina e tem um aeroporto internacional, o Aeroporto Internacional de Pristina, com o código IATA de aeroportos de "PRN" e código ICAO "BKPR" (antigo "LYPR").

Nome O nome da cidade é derivado de uma forma eslava *Prišьčь, um adjetivo possessivo do nome pessoal *Prišьkъ, e do sufixo derivacional -ina. O nome é provavelmente um patronímico do nome pessoal *Prišь, preservado como sobrenome no polacoPrzysz e no sorábio Pris, um hipocorístico do nome pessoal eslavo Pribyslavъ.SNOJ, Marko. 2007. Origjina e emrit të vendit Prishtinë. In: BOKSHI, Besim (ed.). Studime filologjike shqiptare: konferencë shkencore, 21-22 nëntor 2007. Prishtinë: Akademia e Shkencave dhe e Arteve e Kosovës, 2008, pp. 277-281. A etimologia popular liga o nome Priština com o servo-croata prišt (пришт), que significa "úlcera" ou "tumor", referindo-se à sua 'ebulição'.Esta etimologia é mencionada em ROOM, Adrian: Placenames of the World, Second Edition, McFarland, 2006, página 304. ISBN 0-7864-2248-3 No entanto, esta explicação não pode ser correta, visto que nomes de locais eslavos terminados em -ina, correspondentes a um adjetivo e/ou nome de um morador sem este sufixo, são formados a partir de nomes pessoais ou designam uma pessoa e nunca derivam, sob estas condições, de substantivos comuns (SNOJ 2007: loc. cit.). Os habitantes desta cidade são chamados Prishtinali ou Prishtinas em albanês; no sérvio padrão são chamados Prištinci (Приштинци) ou Prištevci (Приштевци) no dialeto local.

História Na época do Império Romano, uma grande cidade chamada Ulpiana existiu 15 quilômetros ao sul da atual Pristina. Apesar da cidade ter sido destruída, foi restaurada pelo imperador Justiniano I e atualmente a cidade de Lipljan ocupa seu lugar, onde ruínas da antiga cidade ainda podem ser vistas.

Após a queda de Roma, Pristina cresceu a partir das ruínas da antiga cidade romana. A cidade estava localizada em um entroncamento de estradas que conduzia para todas as direções por todo os Balcãs. Por este motivo Pristina transformou-se num importante centro comercial localizado nas principais rotas de comércio de todo o sudeste da Europa.

Pristina passou a ser de grande importância para o estado medieval sérvio, e serviu como a capital do rei Milutino (1282–1321) e outros governantes sérvios das dinastias Nemânica e Branković até a Batalha do Kosovo, em 1389, quando uma invasão do exército otomano derrotou decisivamente o exército de coalizão dos Balcãs. Nas décadas seguintes a região passou gradualmente para o controle otomano, havia um tribunal otomano em Pristina em 1423. Toda a Sérvia foi posteriormente conquistada pelo Império Otomano em 1459.

Pjeter Bogdani, o escritor mais original da literatura primitiva em albanês, viveu e trabalhou em Kosovo. Após retornar aos Balcãs em março de 1686 e dedicar os anos seguintes fomentando a resistência aos exércitos do Império Otomano, em especial no Kosovo, Pristina foi brevemente liberada por ele com a ajuda dos austríacos. Ele publicou o livro Cuneus Profetarum (em albanês: Ceta e Profeteve aproximadamente Vangrada dos profetas) em 1685. esquerda|miniaturadaimagem|Boulevard Madre Teresa. Durante o Império Otomano, Pristina tornou-se cada vez mais otomana devido a conversão ao Islamismo de muitos de seus habitantes, tantos albaneses quando eslavos.

A partir da década de 1870 em diante, os albaneses da região formaram a Liga de Prizren para resistir ao domínio otomano, e um governo provisório foi formado em 1881. Em 1912, Pristina, juntamente com o resto do Kosovo, foi brevemente incluída no novo estado independente da Albânia. Porém, no ano seguinte, as grandes potências forçaram a Albânia a ceder a região ao Reino da Sérvia. Em 1918, Kosovo tornou-se parte do recém-formado Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, a Iugoslávia, embora sem a autonomia que a região mais tarde viria a obter.

Antes da Segunda Guerra Mundial, Pristina foi uma cidade etnicamente mista com grandes comunidades de albaneses e sérvios. Muitos albaneses foram deportados para a Turquia como consequência do programa de limpeza étnica aplicado pelos sérvios. Albaneses muçulmanos foram identificados como turcos e, por isso, violentamente expulsos das casas dos seus antepassados. Os albaneses foram enviados à Turquia, onde foram forçados a aceitar novos nomes turcos e se estabelecer nas províncias turcas anteriormente habitadas por gregos e armênios.

Guerras balcânicas Depois que o exército sérvio tomou a cidade de Pristina em outubro de 1912, a retaliação contra a população civil foi cruel. Relatos apontam que logo após adentrar a cidade, o exército sérvio começou a "caçar" os albaneses, promovendo a matança e literalmente "dizimando" a população de Pristina. thumb|direita|Grand Hotel.

O número de albaneses de Pristina mortos no início do governo sérvio é estimado em 5 000.The New York Times, 31 de dezembro de 1912.

Segunda Guerra mundial A Segunda Guerra Mundial apresentou o declínio da comunidade sérvia de Pristina, bem como um estabelecimento em larga escala de albaneses na cidade. Entre 1941 e 1945, Pristina foi incorporada à Grande Albânia ocupada pela Itália.

Após a segunda guerra mundial esquerda|direita|thumb|Prédio do antigo jornal 'Rilindja', um dos mais altos de Pristina. Em 1946, Pristina tornou-se a capital da Região Autônoma Socialista de Kosovo. Entre 1953 e 1999, a população aumentou de cerca de 24 000 para mais de 300 000 habitantes. Todas as comunidades nacionais da cidade aumentaram durante este período, mas o maior aumento foi entre os albaneses, com um grande número deles mudando das regiões de montanhas para se instalar na cidade. A população albanesa aumentou de cerca de 9 000 em 1953 para quase 76 000 em 1981. A população sérvia e montenegrina também aumentou, mas os números foram bem mais modestos, de pouco menos de 8 000 em 1953 para cerca de 21 000 em 1981. No início da década de 1980, os albaneses representavam mais de 70% da população da cidade.

Embora Kosovo estivesse sob o comando dos locais albaneses do Partido Comunista, o declínio econômico e a instabilidade política no final da década de 1960 e no início da década de 1980, levou a deflagração de agitações nacionalistas. Em novembro de 1968, manifestações e distúrbios estudantis em Belgrado se estenderam para Pristina, mas foram contidas pelas forças de segurança iugoslavas. Algumas das reivindicações dos estudantes, no entanto, foram cumpridas pelo governo de Tito, incluindo o estabelecimento, em 1970, da Universidade de Pristina como uma instituição independente. Isto pôs fim a um longo período onde a instituição era administrada como um posto avançado da Universidade de Belgrado, o que deu um grande impulso para o ensino da língua albanesa e cultura em Kosovo. Também foi permitido aos albaneses utilizar a bandeira albanesa.

Em março de 1981, estudantes da Universidade de Pristina se revoltaram pela pobre alimentação servida na cantina da universidade. Essa disputa aparentemente banal rapidamente se espalhou por todo o Kosovo e tomou a proporções de uma revolta nacional, com grandes manifestações populares em Pristina e em outras cidades de Kosovo. A presidência comunista da Iugoslávia reprimiu os distúrbios enviando a policia e o exército e proclamando estado de emergência, com várias pessoas sendo mortas em confrontos e milhares sendo presas ou punidas posteriormente. direita|thumb|Pristina, final do século XIX ou início século XX.

Guerra do Kosovo até os dias atuais Após a redução da autonomia do Kosovo pelo presidente sérvio Slobodan Milošević em 1989, um regime repressivo foi duramente imposto em todo o Kosovo pelo governo sérvio com os albaneses em grande parte sendo expurgados das indústrias e instituições estatais. A Universidade de Pristina foi vista como um celeiro do nacionalismo albanês e foi prontamente punida: 800 professores foram demitidos e 22 500 dos 23 000 alunos expulsos. Em resposta, os albaneses do Kosovo estabeleceram um "governo paralelo" sob a autoridade da Liga Democrática do Kosovo (LDK), liderada pelo escritor Ibrahim Rugova. Embora a cidade fosse formalmente controlada pelos sérvios nomeados pelo governo de Milosevic, a LDK estabeleceu estruturas paralelas, financiadas por contribuições privadas, para fornecer serviços gratuitos, como saúde e educação, que foram amplamente negados à população albanesa.

O papel desempenhado pelo LDK na cidade significou que quando o Exército de Libertação do Kosovo começou a atacar as forças sérvias e iugoslavas a partir de 1996, Pristina manteve-se amplamente calma até a eclosão da Guerra do Kosovo em março de 1999. A cidade foi colocada sob estado de emergência no final de março e grandes áreas foram fechadas. Após a OTAN iniciar os ataques aéreos contra a Iugoslávia em 24 de março de 1999, eclodiu a violência generalizada em Pristina. As forças sérvias e iugoslavas bombardearam vários distritos e, em conjunto com paramilitares, conduziram expulsões em larga escala dos albaneses étnicos, acompanhadas por saques e destruição de propriedades albanesas. Muitas das pessoas expulsas foram direcionadas para trens, aparentemente trazidos para a estação principal de Pristina com o propósito de deportá-las para a fronteira com a Macedônia do Norte, onde foram forçadas ao exílio. O Departamento de Estado dos Estados Unidos estimou em maio de 1999 que entre 100 000 e 120 000 pessoas haviam sido expulsas de Pristina pelas forças do governo e paramilitares.

Vários alvos estratégicos em Pristina foram atacados pela OTAN durante a guerra, mas os danos físicos parecem ter ficados restritos a alguns bairro específico bombardeados pelas forças de segurança iugoslavas. No final da guerra, a maioria dos 40 000 sérvios da cidade fugiram. Os poucos que permaneceram foram vítimas de perseguição e violência por vingança pelas gangues albanesas, isto reduziu ainda mais a população de sérvia de Pristina. Outros grupos nacionais acusados pelos albaneses de colaboração com o esforço de guerra sérvio, mais especificamente os ciganos também foram expulsos. Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, em agosto de 1999 menos de 2 000 sérvios foram permitidos ficar na cidade. O número supostamente caiu ainda mais após os tumultos de março de 2004 no Kosovo. No início de 2008, ano da declaração de independência do Kosovo, apenas algumas dezenas de sérvios permaneceram em Pristina, a maioria dos quais eram pessoas idosas. A partir de 2009, não existiam mais sérvios em Pristina.Priština bez Srba

Geografia thumb|250px|esquerda|Vista da cidade. A cidade de Pristina está localizada nas coordenadas geográficas 42° 40' 0" norte e 21° 10' 0" leste. Está localizada no nordeste do Kosovo e no oeste do município de Pristina, próximo aos Montes Goljak. De Pristina há uma boa vista dos Montes Šar que se localizam a vários quilômetros de distância no sul de Kossovo. Pristina está localizado perto de duas grandes cidades, Obilić e Kossovo Poliê (Kosovo Polje). Na realidade Pristina cresceu tanto nos últimos anos que se uniu a Kossovo Poliê. O Lago Badovac está localizado apenas a poucos quilômetros ao sul da cidade.