Multishow ao Vivo: Ivete no Maracanã é o segundo álbum ao vivo e filme-concerto da artista musical brasileira Ivete Sangalo, lançado nos formatos CD em 28 de março de 2007 e DVD em 30 de abril de 2007, pelas gravadoras Universal Music e Mercury Records. Produzido para a série de trabalhos ao vivo promovida pela rede de televisão Multishow, o projeto foi gravado em 16 de dezembro de 2006 no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, reunindo um público de aproximadamente 60 mil pessoas. A produção musical da obra é assinada por Alexandre Lins; o disco conta com sucessos do catálogo anterior de Sangalo, além de algumas faixas inéditas e regravações de compatriotas como Tim Maia, Beto Barbosa, Vinicius de Moraes e Tom Jobim. Participaram como convidados os cantores Samuel Rosa, Saulo Fernandes, Durval Lelys, MC Buchecha e Alejandro Sanz.
O trabalho recebeu revisões díspares por parte dos críticos de música; alguns teceram elogios ao desempenho da cantora na apresentação, comparando o concerto positivamente às "megaproduções internacionais" e afirmando que a artista, com esse lançamento, provava ser mais do que uma cantora de axé, sagrando-se como uma estrela pop. Algumas canções presentes no repertório, contudo, receberam avaliações negativas, sendo descritas como "chatas". Comercialmente, o projeto provou-se um sucesso, ocupando o espaço de mais comprado do país por várias semanas e obtendo duas certificações de diamante e três de platina, pela Pro-Música Brasil (PMB). Tornou-se, ainda, o DVD lançado pela Universal mais vendido no mundo em 2007. O disco foi responsável pela nona e décima indicação da musicista ao Grammy Latino, onde concorreu aos prêmios de Melhor Álbum Pop Contemporâneo em Língua Portuguesa e Melhor Vídeo Musical em Formato Longo.
A divulgação da obra deu-se através de apresentações ao vivo em programas de televisão, além da Turnê Maracanã, que durou dois anos. Dentre as faixas originárias do disco, algumas foram promovidas como músicas de trabalho; "Berimbau Metalizado", lançada em 2006 de maneira avulsa, tornou-se um sucesso comercial, listando-se no topo das mais executadas nas estações de rádio brasileiras. "Completo", gravada em estúdio e incluída como faixa bônus, foi utilizada como tema de uma campanha publicitária do banco Bradesco. Para além dessas, foram divulgados "Não Precisa Mudar" e "Deixo", incluída na trilha sonora da telenovela Sete Pecados.
Antecedentes thumb|esquerda|Vista aérea do Estádio do Maracanã, onde o álbum foi gravado. O quinto álbum de estúdio de Sangalo, As Super Novas, tornou-se um sucesso comercial e vendeu mais de um milhão de cópias no Brasil, sendo, portanto, condecorado com certificação de diamante pela Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD). A artista, em divulgação ao trabalho, excursionou com a digressão Ivete Sangalo Live!, com datas totalmente dedicadas a concertos internacionais durante o primeiro semestre de 2006, percorrendo mais tarde seu país natal com a Turnê D'As Super Novas. Durante uma dessas apresentações, a cantora recebeu uma ligação do produtor musical brasileiro Max Pierre, que sugeriu a ela que gravasse seu segundo disco ao vivo no Estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro. A princípio, a brasileira descartou a ideia, uma vez que tinha algumas dúvidas quanto ao êxito do projeto; contudo, acabou por ser convencida por seu irmão e empresário, Jesus Sangalo, aceitando a proposta e começando a conceber as primeiras ideias."Diário de bordo", making of do DVD Ivete no Maracanã. Universal Music. Brasil, 2007. Disponível em vídeo no YouTube. Consultado em 6 de maio de 2020.
Logo após um período de negociações com a equipe responsável pelo estádio, foi decidido que a coprodução do evento ficaria a cargo da Caco de Telha, empresa de propriedade da musicista, que fechou um contrato de produção com o canal de televisão por assinatura Multishow, que demonstrou interesse pela viabilização do projeto. Com intuito de que o projeto tivesse uma estrutura inédita e de alta tecnologia, Sangalo e sua equipe recrutaram Rafael Dragaud e José Cláudio Ferreira, que ficaram a cargo do cenário; os dois apresentaram uma estrutura de palco que cobriria 22 metros de largura e 17,6 metros de profundidade. Do piso do palco para o gramado do Maracanã a altura seria de 2,2 metros e do piso do palco ao teto da estrutura, 14 metros. No fundo do palco, um telão em LED 15m X 6m – maior painel de LED já utilizado em algum show no Brasil – que projetou as imagens da apresentação, além de painéis G-Lec de tecnologia alemã de alta resolução, também usados pela primeira vez no país. A tela ao fundo por algumas vezes reproduzia a letra de algumas canções executadas; além dela, foram adicionados dois telões nas laterais, também em LED, além de uma enorme passarela ao centro. "Quero balançar o Maracanã como se fosse gol na final de Copa do Mundo, com Brasil ganhando, claro", declarou Sangalo.
Produção
A própria Sangalo ficou responsável pela direção artística e musical do show, que tem a produção musical assinada por Alexandre Lins, parceiro de longa data da cantora na produção de seus discos. A Banda do Bem, que acompanha a cantora em suas turnês, ficou responsável pelos novos arranjos. Antes da divulgação do show, alguns veículos de imprensa cogitavam que a cantora viria a gravar seu segundo álbum ao vivo em Salvador, assim como o primeiro. No entanto, a informação foi posteriormente desmentida. Logo após, confirmou-se a realização do evento no Estádio do Maracanã; o evento estava inicialmente programado para ocorrer em 16 de setembro de 2006, porém não obteve autorização da Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro, uma vez que já havia sido agendada a realização de uma partida de futebol no local aquele dia. Após uma série de datas serem cogitadas, 16 de dezembro próximo ficou decidido como a data definitiva do evento; os ingressos começaram a ser vendidos no dia 13 de novembro. Diversos artistas, após o anúncio, confirmaram a sua participação no projeto, entre eles os compatriotas Samuel Rosa, Saulo Fernandes, Durval Lélys, Buchecha e o espanhol Alejandro Sanz, única participação internacional. O critério de escolha para os convidados, segundo a cantora, se pautou em artistas que tivessem ligação com ela e sua música. Durante a passagem da banda irlandesa U2 no Brasil em 2006, a cantora convidou Bono Vox, vocalista do grupo, para participar do show; porém, devido a uma incompatibilidade de agenda, Vox não pôde aceitar a parceria.
Sangalo selecionou cerca de 30 figurinos e um repertório que combinaria os maiores sucessos de sua carreira solo, seis canções presentes no seu último registro de estúdio As Super Novas, seis canções totalmente inéditas e seis regravações. Depois de de um período de aproximadamente três meses de ensaios, o concerto foi realizado e gravado no dia 16 de dezembro de 2006, no Estádio do Maracanã, na cidade do Rio de Janeiro, reunindo um público de aproximadamente 60 mil pessoas; o espetáculo iniciou-se às 21h30, no horário de Brasília. Por volta da 00h20, quando já tinham se passado quase três horas, um problema técnico derrubou o som e interrompeu a imagem dos telões. Sangalo, com bom humor, pediu paciência ao público e, quando o problema foi resolvido e a banda já se posicionava para voltar a tocar, a artista cantou algumas músicas da cantora e apresentadora Xuxa, que acabaram por não ser incluídas na edição final do álbum. Durante toda a apresentação, Ivete teve de repetir apenas uma composição, "Flor do Reggae". A gravação foi concluída por volta da primeira hora de domingo; no total, Sangalo apresentou trinta músicas, das quais 28 foram incluídas na versão em vídeo.
Sinopse e composição
O show se inicia com com o instrumental da canção "Never Gonna Give You Up" ao fundo; Sangalo, sob uma moto preta, entra no palco, que, com ajuda dos telões, causava impressão de fogo. A artista usa os cabelos soltos e lisos e veste um macacão, luvas pretas e uma enorme bota de salto agulha, inspirado no traje usado pela personagem Mulher Gato, das histórias do Batman. Logo em seguida, cantou "Abalou", contida em seu álbum anterior, As Super Novas (2005), uma faixa que une funk com elementos da música dance. Antes mesmo de encerrar o primeiro número, a manga esquerda do casaco descosturou-se, não resistindo à apresentação da segunda música, "Festa", do disco homônimo, que, em termos sonoros, une o funk ao pop. Em seguida, convocou a plateia a dar "o grito de guerra mais lindo do Brasil e do mundo", com a música "Sorte Grande", faixa de seu quarto trabalho, Clube Carnavalesco Inocentes em Progresso (2003). O próximo número é uma regravação da música "Não Quero Dinheiro (Só Quero Amar)", de Tim Maia. Depois disso, a cantora sai do palco, para onde retorna acompanhada pelos bailarinos, que descem as escadas ao fundo do palco, reproduzindo movimentos de uma macha, com um figurino que combina quepe, minissaia e decote. Nesse bloco, as canções dão ênfase ao samba-reggae, sendo elas "Berimbau Metalizado", single lançado por Sangalo em 2006, e "Flor do Reggae", contida originalmente no álbum MTV ao Vivo (2004). O primeiro convidado da noite, Samuel Rosa, se junta a Sangalo no palco para a realização da faixa "Não Vou Ficar", retrabalhada em sonoridade samba-reggae e interpretada originalmente por Tim Maia.
A nona faixa do álbum, "Ilumina", também originária de As Super Novas, é sucedida pelas inéditas "Não Me Conte Seus Problemas" e "Não Precisa Mudar", sendo a última um dueto com Saulo Fernandes, vocalista da Banda Eva. O próximo número a ser apresentado, "Corazón partío", com o espanhol Alejandro Sanz, é interpretada originalmente apenas por Sanz, sendo inclusive parte de seu disco Más, lançado em 1997. Aqui, é retrabalhada com a sonoridade do samba-reggae, mas mantém-se a letra totalmente em castelhano. Neste momento, Sangalo usa um micro branco, tomara-que-caia, tendo na saia os desenhos das calçadas de Copacabana. A décima quarta faixa, "Sá Marina", é um bolero, anteriormente gravado no primeiro disco da cantora, que levava seu nome; trata-se de uma regravação do cantor Wilson Simonal, que interpretou-a originalmente em 1968, para seu disco Alegria Alegria Vol. 2. A lambada toma tons mais claros na inédita "Dengo de Amor", assim como no medley de "Chorando Se Foi" e "Preta", de Beto Barbosa; a primeira já tinha sido incluída no último trabalho de Sangalo. As músicas que seguem também são canções de seu catálogo anterior; "Céu da Boca" está presente no álbum MTV Ao Vivo (2004), e "Bota Pra Ferver" no seu primeiro lançamento. A última conta com a participação de Durval Lelys, vocalista da banda Asa de Águia, que é o autor da canção, tendo inclusive gravado-a com o grupo para um de seus projetos. Lelys aparece no palco tocando guitarra.