África é o terceiro continente mais extenso (depois da Ásia e da América) da Terra, com cerca de 30 milhões de quilômetros quadrados, cobrindo 20,3% da área total da terra firme do planeta. É o segundo continente mais populoso (atrás da Ásia), com cerca de um 1,6 bilhão de pessoas representando cerca de um quinto da população mundial, e 54 países independentes. A população africana é a mais jovem entre todos os continentes; a idade mediana em 2026 é de 19,5 anos, quando a idade mediana mundial era de 31,1 anos. Com base nas projeções para 2024, a população africana ultrapassará os 3,8 mil milhões de pessoas em 2100. A África é o continente habitado menos rico per capita e o segundo menos rico em termos de riqueza total, à frente da Oceania. Estudiosos atribuíram isso a diferentes fatores, incluindo geografia, clima, corrupção, colonialismo, a Guerra Fria, e neocolonialismo.
Apresenta grande diversidade étnica, cultural, social e política. Dos trinta países mais pobres do mundo (com mais problemas de subnutrição, analfabetismo, baixa expectativa de vida), pelo menos 21 são africanos.Geografia Crítica - Geografia do Mundo Subdesenvolvido, 7ª Série, pág.165 Apesar disso existem alguns países com um padrão de vida razoável, mas não existe nenhum país realmente desenvolvido na África.Geografia Crítica - Geografia do Mundo Subdesenvolvido, 7ª Série, pág. 178 Maurícia e Seicheles têm uma qualidade de vida bastante razoável, como até a recente revolução também a Líbia. Ainda há outros países africanos com qualidade de vida e índices de desenvolvimento razoáveis, como a maior economia africana, a África do Sul (0,705) e outros países como Marrocos (0,676), Argélia (0,759), Tunísia (0,739), Egito (0,700), Botsuana (0,728), Cabo Verde (0,651), São Tomé e Príncipe (0,609), Congo-Brazavile (0,608), Gabão (0,702), Namíbia (0,645), Essuatíni (0,608), Gana (0,596), Zâmbia (0,591), Guiné Equatorial (0,588), Quênia (0,579), Angola (0,574), Camarões (0,563) e Zimbábue (0,563).
A África costuma ser regionalizada de duas formas. A primeira valoriza a localização dos países e os divide em cinco grupos: África setentrional, África Ocidental, África Central, África Oriental e África meridional. A segunda regionalização usa critérios étnicos e culturais, como a religião e etnias predominantes em cada região, sendo dividida em dois grandes grupos, a África Branca ou setentrional, formada pelos oito países da África do norte, mais a Mauritânia e o Saara Ocidental, e a África Negra ou subsaariana, formada pelos outros 44 países do continente.
Etimologia Afri era um nome latino usado para se referir aos habitantes do que era então conhecido como norte da África, localizado a oeste do rio Nilo, e em seu sentido mais amplo referindo-se a todas as terras ao sul do Mediterrâneo, também conhecido como Líbia Antiga. Este nome parece ter originalmente se referido a uma tribo nativa da Líbia, um ancestral dos berberes modernos; veja Terence para discussão. O nome tinha sido geralmente ligado com a palavra fenícia ʿafar que significa "poeira",Venter & Neuland, NEPAD and the African Renaissance (2005), p. 16 mas uma hipótese de 1981 afirmou que deriva da palavra berbere ifri (plural ifran) que significa "caverna", em referência aos moradores de cavernas. A mesma palavra pode ser encontrada no nome dos Banu Ifran da Argélia e Tripolitânia, uma tribo berbere originária de Yafran (também conhecida como Ifrane) no noroeste da Líbia, bem como da cidade de Ifrane no Marrocos. miniaturadaimagem|África vista pela tripulação da Apollo 17 em 1972. Sob o domínio romano, Cartago tornou-se a capital da província então chamada Africa Proconsularis, após a derrota dos cartagineses na Terceira Guerra Púnica em 146 a.C., que também incluía a parte costeira da atual Líbia. O sufixo latino -ica às vezes pode ser usado para denotar uma terra (por exemplo, em Celta de Celtae, como usado por Júlio César). A região muçulmana posterior de Ifriqiya, após a conquista do Exarchatus Africae do Império Bizantino (Romano Oriental),Edward Lipinski, Itineraria Phoenicia , Peeters Publishers, 2004, p. 200. também preservou uma forma do nome.
De acordo com os romanos, a África fica a oeste do Egito, enquanto "Ásia" era usado para se referir à Anatólia e terras a leste. Uma linha definitiva foi traçada entre os dois continentes pelo geógrafo Ptolomeu (85-165 d.C.), indicando Alexandria ao longo do Meridiano de Greenwich e fazendo do istmo de Suez e do Mar Vermelho a fronteira entre a Ásia e a África. À medida que os europeus passaram a entender a real extensão do continente, a ideia de "África" expandiu-se com seus conhecimentos.
Outras hipóteses etimológicas foram postuladas para o antigo nome "África":
O historiador judeu do século 1 Flávio Josefo (Ant. 1.15) afirmou que foi nomeado em homenagem a Efer, neto de Abraão de acordo com Gênesis 25:4, cujos descendentes, ele alegou, haviam invadido a Líbia. Isidoro de Sevilha em sua Etymologiae XIV.5.2 do século 7. sugere que "África" vem do latim aprica, que significa "ensolarado". Massey, em 1881, afirmou que a África é derivada do egípcio af-rui-ka, que significa "voltar-se para a abertura do Ka". O Ka é o duplo energético de cada pessoa e a "abertura do Ka" refere-se a um útero ou local de nascimento. A África seria, para os egípcios, "o berço". Michèle Fruyt em 1976 propôs ligar a palavra latina com africus "vento sul", que seria de origem úmbria e significaria originalmente "vento chuvoso". Robert R. Stieglitz, da Universidade Rutgers, em 1984, propôs: "O nome África, derivado do latim *Aphir-ic-a, é cognato ao hebraico Ophir ['rico']". ibne Calicane e alguns outros historiadores afirmam que o nome da África veio de um rei himyarita chamado Afrikin ibn Kais ibn Saifi ("Afrikus filho de Abraão") que subjugou Ifriqiya. Árabe afrīqā (substantivo feminino) e ifrīqiyā, agora geralmente pronunciado afrīqiyā (feminino) 'África', de afara [' = ain, não '''alif] 'estar empoeirado' de afar 'poeira, pó' e afir 'seco, seco pelo sol, murcho' e '''affara 'secar ao sol na areia quente' ou 'polvilhar com poeira'.Modified from Wilhelm Sturmfels and Heinz Bischof: Unsere Ortsnamen im ABC erklärt nach Herkunft und Bedeutung, Bonn, 1961, Ferdinand Dümmlers Verlag. Possivelmente faraqa fenícia no sentido de "colônia, separação".Serge Losique: Dictionnaire étymologique des noms de pays et de peuples, Paris, 1971, Éditions Klincksieck.
História
Pré-história, Antiguidade e Idade Média thumb|As quatro colossais estátuas de Ramessés II na entrada do templo de Abul-Simbel, símbolos da civilização do Antigo Egito O homem passou a estar presente na África durante os primeiros anos da era quaternária ou os últimos anos da era terciária. A maioria dos restos de hominídeos fósseis encontrados por arqueólogos — australopitecos, Homo habilis, Homo erectus, Homo heidelbergensis, homens de Neandertal e de Cro-Magnon — em lugares diferenciados da África é a demonstração de que essa parte do mundo é importante no processo evolutivo da espécie humana e indica, até, a possível busca das origens do homem nesse continente. As semelhanças comparáveis da história da arte que vai entre o paleolítico e o neolítico são iguais às das demais áreas dos continentes europeu e asiático, com diferenças focadas em regiões então desenvolvidas. A maioria das zonas do interior do continente, meio postas em isolamento, em contraposição ao litoral, ficaram permanentes em estágios do período paleolítico, apesar de a neolitização processada ter início em , com uma diversidade de graus acelerados.
O Norte da África é a região mais antiga do mundo. A civilização egípcia floresceu e inter-relacionou-se com as demais áreas culturais do mundo mediterrâneo, motivos pelas quais essa região foi estreitamente vinculada, há milhares de séculos, depois que a civilização ocidental foi geralmente desenvolvida. As colônias pertencentes à Fenícia, Cartago, a romanização, os vândalos aí fixados e o Império Bizantino influente são os fatores pelos quais foi deixada no litoral mediterrâneo da África uma essência da cultura que posteriormente os árabes assimilaram e modificaram. Na civilização árabe foi encontrado um campo de importância em que foi expandida e consolidada a cultura muçulmana no Norte da África. O Islã foi estendido pelo Sudão, pelo Saara e pelo litoral leste. Nessa região, o Islã é a religião pela qual foram sendo seguidas as rotas de comércio do interior da África (escravos, ouro, penas de avestruz) e estabelecidos encraves marítimos (especiarias, seda) no oceano Índico.
Simultaneamente, na África negra foram conhecidos vários impérios e estados que aí floresceram. Estes impérios e estados nasceram de grandes clãs e tribos submetidos a um só soberano poderoso com características próprias do feudalismo e da guerra. Entre esses impérios de maior importância figuram o de Axum, na Etiópia, que teve sua chegada ao apogeu no ; o de Gana, que desenvolveu-se do ao XI e os estados muçulmanos que o sucederam foram o de Mali (do ao XV) e o de Songai (do ao XVI); o reino de Abomei do Benim (); e a confederação zulu do sudeste africano ().
Idades Moderna e Contemporânea thumb|upright=1.6|Comparação da colonização da África entre os anos de 1880 e 1913 Durante o os exploradores vindos da Europa chegaram primeiro ao litoral da África Ocidental. O estímulo dado a essa exploração foi uma forma de buscar novos caminhos para as Índias, após o comércio ser fechado por parte dos turcos no leste do Mar Mediterrâneo. Os colonizadores de Portugal, da Espanha, da França, da Grã-Bretanha e dos Países Baixos foram os competidores do novo caminho, estabelecendo no litoral feitorias e portos de embarque para, principalmente, comercializar escravos. Concomitantemente, foram realizadas as primeiras viagens científicas que adentraram o interior do continente: Charles-Jacques Poncet na Abissínia, em 1700; James Bruce em 1770, procurando o local onde nasce o Nilo; Friedrich Konrad Hornermann viajando no deserto da Líbia sobre a garupa de um camelo, em 1798; Henry Morton Stanley e David Livingstone na bacia do Congo, em 1879.
thumb|esquerda|Pessoas assistindo a um dos jogos da Copa do Mundo FIFA de 2010, na África do Sul
A partir do , as potências europeias, interessadas política e economicamente, representavam estímulo para que o interior da África fosse penetrado e colonizado. As potências europeias desejavam a criação de impérios que fossem estendidos de litoral a litoral, mas isso fez com que o Reino Unido (pelo qual foi conseguida a ocupação de uma faixa de norte a sul, do Egito à África do Sul, além de demais zonas colonizadas no golfo da Guiné), a França (que estabeleceu-se no noroeste da África, em parte do equador africano e em Madagascar) e, em quantidade pequena, Portugal (Angola, Moçambique, Guiné e uma diversidade de ilhas estratégicas), Alemanha (Togo, Tanganica e Camarões), Bélgica (Congo Belga), Itália (Líbia, Etiópia e Somália) e Espanha (parte do Marrocos, Saara Ocidental e encraves na Guiné) brigassem entre si. A partilha da África foi formalmente consumada na Conferência de Berlim de 1884–1885, na qual firmou-se o princípio da ocupação efetiva como forma de legitimar as colônias empossadas.