Jaboatão dos Guararapes é um município brasileiro do estado de Pernambuco, Região Nordeste do país. Está localizado na Região Metropolitana do Recife, situando-se a sul da capital do estado, da qual dista cerca de 18 km. Ocupa uma área de , estando formando o perímetro urbano e os restantes formando a zona rural do município. Segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2020 sua população era de habitantes, sendo, desta forma, o segundo município mais populoso do estado. Além disso, é o maior município em população sem ser capital no Norte-Nordeste, sendo também, maior fora do eixo Rio-São Paulo.

As terras que formam o atual território municipal foram concedidas por Duarte Coelho, em 1566, a Gaspar Alves Purga e Dona Isabel Ferreira, com o objetivo de desenvolver a produtividade das terras. Numa extensão de uma légua, foi instalado o engenho São João Batista, o qual foi vendido em 1573 a Fernão Soares, cuja herdeira, Maria Feijó, foi casada com o português Antônio Bulhões, havendo a mudança do nome do engenho para Bulhões. O município foi fundado sob o nome de Jaboatão em 4 de maio de 1593 por Bento Luiz de Figueirôa, o terceiro proprietário do antigo Engenho São João Batista. A cidade é conhecida como "Berço da Pátria", por ter sido palco da Batalha dos Guararapes, travada em dois confrontos, em 1648 e 1649. Nesta batalha, pernambucanos e portugueses expulsaram os invasores holandeses do seu território. Em 1989, o município passou a chamar-se "Jaboatão dos Guararapes", parte em homenagem ao Monte dos Guararapes, local onde ocorreu a batalha, que foi parte da Insurreição Pernambucana e parte para barrar diversas tentativas de emancipação do Distrito de Prazeres, por este motivo a sede da prefeitura foi transferida do centro do município para o distrito de prazeres, porém ao mudar o local da sede do município o nome deste deve ser mudado, por este motivo acrescentou-se o "dos Guararapes" ao antigo nome do município passando assim a Jaboatão dos Guararapes o mesmo ocorreu com a bandeira, foi acrescida do texto "dos Guararapes".

Jaboatão dos Guararapes destaca-se por sua indústria, possuindo o terceiro maior PIB industrial de Pernambuco e estando situado numa região estratégica de desenvolvimento econômico de Pernambuco, junto com as cidades de Cabo de Santo Agostinho e Ipojuca, localizando no caminho entre Recife e o Porto de Suape, que é o principal polo de investimentos do estado. É cortado pelas principais rodovias do estado, a BR-101 (de norte a sul), a BR-232 (de leste a oeste) e o futuro Arco Metropolitano, que tem em seu projeto um traçado no sul do município. Juntamente com outros municípios da sua região, Jaboatão faz parte do Território Estratégico de Suape, criado pela Agência de Desenvolvimento de Pernambuco (CONDEPE/FIDEM) para delimitar a área de influência do Complexo Industrial e Portuário de Suape.

Etimologia

O topônimo Jaboatão dos Guararapes tem origem indígena, existindo várias teorias que procuram explicar sua origem: Para alguns autores, é derivado do vocábulo "jabotiatão" — jabuti (uma espécie de cágado) e atam ou atã (andar) — dando a entender "andar devagar, andar como cágado". Segundo o lexicógrafo Antenor Nascentes, o topônimo tem origem de "uma planta não identificada, que dá mastros para embarcação". A denominação dessa espécie de árvore, segundo o também lexicógrafo Teodoro Sampaio, vem do tupi yapoa'tã, significando "o indivíduo linheiro, o tronco reto". De acordo com o lexicógrafo Rodolfo Garcia, ya (o que tem), po ou bo (fibra) e an'tã (dura), significando "arbusto de fibra dura". Enquanto "Guararapes", também originado da língua tupi, significaria "som, estrondo ou estrépito" provocado por queda ou pancada, tendo a intenção de exprimir o rumor que fazem as águas caindo nas concavidades e cavernas daqueles montes. Segundo o tupinólogo Eduardo Navarro em seu Dicionário de Tupi Antigo (2013), o topônimo vem dos termos tupis antigos 'yapuatã ("rio barulhento": 'y, rio + yapu, barulho forte + atã, forte) e guararapé ("caminho das guararas": guarara, guarara (uma espécie de ave) + pé, "caminho").NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 577.

História thumb|290px|esquerda|As Batalhas dos Guararapes, episódios decisivos na Insurreição Pernambucana, são consideradas a origem do Exército Brasileiro. Na época das capitanias hereditárias os donatários concediam lotes, em regime de sesmarias, para desenvolver a produtividade das terras. Em 1566, por uma carta de sesmaria lavrada na vila de Olinda, Duarte de Albuquerque Coelho (segundo donatário de Pernambuco) concedeu a Gaspar Alves de Pugas uma légua de terras situadas nas margens do rio Jaboatão, judicialmente demarcadas em 1575. Grande parte dessa sesmaria foi vendida, em 15 de setembro de 1573, a Fernão Soares, que, juntamente com seu irmão, Diogo Soares, construiu o Engenho Nossa Senhora da Assunção (posteriormente Suassuna), o qual começou a moer em 1587. Gaspar Alves de Pugas ainda ficou com uma grande parte da sesmaria, na qual construiu o Engenho São João Batista (atual Usina Bulhões), que já estava em atividade em 1575. Em 1584 esse engenho foi comprado por Pedro Dias da Fonseca, que nove anos depois o revendeu aos portugueses Bento Luiz de Figueiroa e sua mulher, D. Maria Feijó de Figueiroa, ambos naturais da cidade do Porto. A escritura pública foi lavrada na vila de Olinda, no dia 4 de maio de 1593, considerada a data simbólica da fundação de Jaboatão. Eles se estabeleceram como terceiros proprietários do engenho, nas terras onde hoje se localiza o município de Jaboatão dos Guararapes.

Às famílias que para ali afluíram, oriundas principalmente de Olinda e do Recife, fugindo da invasão do corsário inglês James Lancaster (1591), Bento de Figueiroa doou terras para a construção de casas, na parte situada entre os rios Jaboatão e Duas Unas e na confluência dos mesmos, a título de aforamento perpétuo; a partir de então teve início o primeiro núcleo de população. Com o tempo, já desenvolvida a povoação, Bento de Figueiroa doou um terreno para erigir uma igreja, além de contribuir com donativos para a construção da mesma e terras para a constituição do seu patrimônio canônico. A igreja foi erguida sob a invocação de Santo Amaro e, em 1598, recebeu foros de paróquia. No mesmo ano foi criado um curato, por D. Antônio Barreiros, terceiro bispo do Brasil, anteriormente prior da Ordem de S. Bento de Avis; o curato foi provido em 1609. D. Maria Feijó de Figueiroa morreu no dia 12 de novembro desse mesmo ano e foi sepultada na capela-mor da igreja matriz, atendendo ao pedido que constava em seu testamento.

thumb|299x299px|direita|Morro dos Guararapes, local onde foram travadas as Batalhas dos Guararapes, com Recife ao fundo. O Parque Histórico Nacional dos Guararapes é bem tombado pelo IPHAN.

No dia 21 de outubro de 1633 o povoado foi invadido e saqueado por 700 neerlandeses, os quais foram rechaçados pelas tropas comandadas pelo major Pedro Correia da Gama e pelo capitão Luiz Barbalho Bezerra. No município ocorreram dois fatos importantes da história pernambucana: as lutas contra o invasor holandês, travadas nos Montes Guararapes, nos dias 19 de abril de 1648 e 19 de fevereiro de 1649. No segundo desses combates saiu ferido Henrique Dias, que morreu anos depois, em consequência dos golpes recebidos.

Em 20 de dezembro de 1962, pela lei 4692, o distrito de Cavaleiro foi desmembrado do município, emancipando-se como novo município. Em 20 de dezembro de 1963, pela lei 4964, o distrito de Muribeca dos Guararapes foi também desmembrado, formando o município de Guararapes. Mandados de segurança desfizeram esses desmembramento, voltando o município a se integrar totalmente.

Pela Lei Estadual nº 4, de 5 de maio de 1989, houve uma reestruturação, transferindo-se a sede administrativa para o então distrito de Guararapes e o município passou a denominar-se Jaboatão dos Guararapes. A mesma lei criou o distrito de Jaboatão onde antes era a sede municipal, integrado ao município de Jaboatão dos Guararapes, e anexou o território do distrito de Muribeca dos Guararapes ao distrito sede. A divisão territorial datada de 1 de junho de 1995 ratificou a divisão do município, que ficou constituído de três distritos: Jaboatão dos Guararapes (sede), Cavaleiro e Jaboatão, assim mantendo em divisão datada de 2005. No dia 11 de janeiro de 2008 a Lei Complementar nº 2 criou mais dois distritos: Curado e Jardim Jordão.

A importância dos Montes Guararapes no contexto nacional é reconhecida desde o seu tombamento, em 1961. Ratificando o valor histórico do sítio onde foram travadas as duas batalhas (1648 e 1649), foi criado o Parque Histórico Nacional dos Guararapes (PHNG), homologado através do Decreto nº 68.527, de 19 de abril de 1971. O parque conta com uma área de 3,63 quilômetros quadrados, sendo que parte desse território está sob responsabilidade do Exército. O local também é sede da Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres dos Montes Guararapes, templo barroco que guarda os restos mortais dos heróis das lutas travadas no local.

Formação administrativa Em 20 de março de 1764 um alvará criou o distrito de Jaboatão, subordinado a Recife; esse distrito seria elevado à categoria de vila em , por força da lei provincial 1.093. Essa configuração se manteve até , quando a lei provincial 1.811 elevou a vila à condição de cidade. Em , já na República, com a Lei Estadual n.º 1.931, a cidade ganharia estatuto de município. O nome atual só viria em , quando a lei estadual n.º 4 rebatizou o município.

Geografia Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o território do município é de cerca de , sendo compondo a zona urbana e os restantes formando a zona rural. Situa-se a 08º 06' 46" de latitude sul e 35º 00' 53" de longitude oeste, estando a 18 km a sul de Recife. Os municípios limítrofes são: Recife e São Lourenço da Mata, a norte; Cabo de Santo Agostinho, ao sul; Moreno e São Lourenço da Mata, a oeste; e o Oceano Atlântico, a leste.

De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata do Recife. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião do Recife, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Recife. miniaturadaimagem|Foz do Rio Jaboatão no bairro de Barra de Jangada.

Subdivisões Compõem o município três distritos: Jaboatão dos Guararapes (sede), Cavaleiro e Jaboatão. Hidrografia O município de Jaboatão dos Guararapes está incluído nos domínios dos Grupos de Bacias Hidrográficas de Pequenos Rios Litorâneos. Seus principais rios são os rios: rio Jaboatão e rio Tejipió. Os principais afluentes do rio Jaboatão são os rios Duas Unas, Zumbi, Palmeiras e Muribequinha. Seus principais açudes são: Palmeira, Mossaiba, Jangadinha, além da Barragem de Duas Unas.

Clima O município tem o clima tropical, do tipo As´. Os verões são quentes e secos. Os invernos são amenos e úmidos, com o aumento de chuvas; as mínimas podem chegar a 15 °C. As primaveras são muito quentes e secas, com temperaturas que algumas ocasiões podem chegar aos 35 °C.

Subdivisões Regionais Jaboatão - Regional 1 Cavaleiro - Regional 2 Curado - Regional 3 Muribeca - Regional 4 Prazeres - Regional 5 Praias - Regional 6 Guararapes - Regional 7

Bairros alt=Mapa de Jaboatão dos Guararapes dividido por bairros|miniaturadaimagem|Bairros de Jaboatão dos Guararapes

Jaboatão Centro Manassu Socorro Vargem Fria Bulhões Santo Aleixo Vila Rica Floriano Centro Vista Alegre Santana Engenho Velho Muribequinha Rio das Velhas

Cavaleiro Cavaleiro Dois Carneiros Sucupira Zumbi do Pacheco

Curado Curado I Curado II Curado III Curado IV

Muribeca Marcos Freire Muribeca

Prazeres Jardim Jordão Guararapes Comportas Prazeres Cajueiro Seco

Praias Piedade Jardim Piedade Candeias