Petrolina é um município brasileiro, terceiro mais populoso do estado de Pernambuco. Está situado a 712 km da capital pernambucana, Recife. Em 2025, o IBGE estimou sua população em habitantes. É o principal núcleo urbano do Sertão pernambucano, o décimo-terceiro maior do Nordeste, sendo a terceira maior do interior da região, e a 65ª do Brasil. Petrolina se situa na margem norte do Rio São Francisco, na divisa com o estado da Bahia, fazendo conurbação com o município de Juazeiro (BA). Integra a Região Administrativa Integrada de Desenvolvimento do Polo Petrolina e Juazeiro, a maior RIDE do interior do Nordeste.

Petrolina foi fundada em 1870. A sua região era frequentada assiduamente pelo capuchinho italiano frei Henrique, que realizava intensas prédicas missionárias pelos povoados ribeirinhos do Rio São Francisco. Em uma delas, o frei resolveu construir uma capela dedicada à Nossa Senhora Rainha dos Anjos, sendo a partir dessa construção que houve o crescimento populacional na região em que se localiza a sede municipal. Por volta da década de 1980, foram surgindo suas primeiras vinícolas irrigadas pelas águas do São Francisco, com isso, indústrias relacionadas à produção de vinho foram aparecendo. Atualmente, o município é constituído por três distritos, além da sua sede, sendo subdividida em 5 regiões com vários bairros.

Sexto município mais rico de Pernambuco, Petrolina foi apontada como uma das 20 cidades brasileiras do futuro na edição 2180 da Revista Veja, do dia 01 de setembro de 2010. De acordo com dados do Instituto Trata Brasil (dados de 2018) Petrolina atende 71% da sua população com esgotamento sanitário, apenas considerando o atendimento urbano atende 96%, deste 67% do que é coletado é tratado, e atende 100% da população com água. Petrolina foi reconhecida como a maior rede hoteleira da região turística do sertão do São Francisco e do Pajeú, contando com 2.115 leitos, distribuídos em 24 hotéis; diversos restaurantes, bares, centros comerciais, hospitais, Universidades e cursos de Turismo em níveis técnico e superior, segundo um estudo de competitividade realizado pelo Ministério do Turismo, Fundação Getúlio Vargas e o Sebrae Nacional.

História

thumb|esquerda|Monumento erguido em homenagem ao Centenário do município.

Segundo a tradição local, o território onde se encontra o município de Petrolina teria sido desbravado primeiramente por frades franciscanos, que trabalhavam na catequese dos índios da região. Os frades capuchinhos franceses contaram com o consenso do chefe índio Rodela, que deixou seu nome ligado a todo o médio São Francisco, conhecido como o Sertão dos Rodelas; já em 1674, Francisco Rodela recebia patente de capitão de aldeia. Foi grande a influência das missões dos frades capuchinhos, que contribuíram eficazmente para a ocupação do médio São Francisco, especialmente das ilhas fluviais. Essas missões só foram interrompidas em 1698, quando do rompimento das relações diplomáticas entre Portugal e a França. Outro fator que contribuiu para consolidar a ocupação do território foi a implantação de currais, sabendo-se que a cidade se situa onde antes havia a sede de uma fazenda de gado.

Ainda no século XVIII instalou-se o primeiro morador no local denominado Passagem, à margem esquerda do rio São Francisco, defronte de Juazeiro, na Província da Bahia. Ele tinha o nome de Pedro e, além de se dedicar à agricultura, à pesca e ao criatório de caprinos, fazia de canoa o transporte de pessoas e cargas entre as margens opostas. É bem possível que, ao lado desse primeiro habitante, outros tenham fixado residência, aproveitando-se da ocupação iniciada por Pedro. Mesmo assim, não há vestígios de povoamento oficialmente registrado durante o século XVIII.ENCICLOPÉDIA DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS. IBGE, 1958.

No interior da região há indícios de povoamento em 1817. Em Cachoeira do Roberto o capuchinho frei Ângelo fez edificar uma capela dedicada a Nossa Senhora das Dores , com a ajuda de Inácio Rodrigues de Santana, um morador local; e em Caboclo, Roberto Ramos da Silva levantou uma igreja em honra do Senhor Bom Jesus do Bom Fim. Em 1841 a Passagem, já chamada de Passagem do Juazeiro, ainda não era um povoado, embora com algumas casas esparsas e diversos habitantes. Por sua localização no extremo sudoeste do estado, às margens do rio São Francisco, era ponto de convergência e passagem obrigatória de boiadeiros e negociantes dos sertões de Pernambuco, Piauí e Ceará, que cruzavam esse rio em direção ao estado da Bahia e vice-versa. Dessa intensa movimentação resultou a formação das duas cidades: Petrolina, de um lado do rio, onde já existiam fazendas de criação de gado, e Juazeiro na margem oposta.FONSECA, Homero. Pernambucânia: o que há nos nomes das nossas cidades. Recife: Cepe, 2009.

Foi o capuchinho italiano frei Henrique quem deu início às pregações missionárias, a pedido do então vigário da Boa Vista (em cujo território se encontrava a Passagem), padre Manoel Joaquim da Silva. Ele teve então a ideia de construir, nesse local, uma capela sob a invocação de Santa Maria Rainha dos Anjos. Em 1858, após a bênção do sítio, frei Henrique assentou a primeira pedra para a construção da igreja, a qual só foi concluída em 1860 , recebendo a imagem da sua padroeira. Esse templo é de estilo neocolonial e fica voltado para o rio São Francisco. Nas cercanias do templo, no local denominado Grude, surgiu o primeiro núcleo habitacional da cidade. A partir daí intensificou-se o povoamento da região, que, em breve, tornou-se um próspero município, com ativação do comércio entre as duas margens, visto que Juazeiro já era vila desde 1833.PADILHA, Antônio de Santana. Petrolina no tempo, no espaço, na vez. Recife: CEHM; FIAM, 1982. Biblioteca Pernambucana de História Municipal, 10.

Tendo em vista a grande extensão do território a seu cargo, o pároco solicitou ao bispo diocesano D. João da Purificação Marques Perdigão que a freguesia fosse dividida, constituindo-se outra. O bispo apresentou o pedido à Assembleia da Província, que o atendeu, e, pela Lei Provincial nº 530, de 7 de junho de 1862, a capela de Santa Maria Rainha dos Anjos foi elevada a matriz, desmembrada da freguesia de Santa Maria da Boa Vista. O primeiro vigário foi o mesmo padre Manoel Joaquim da Silva, que optou pela regência da nova freguesia. A mesma Lei Provincial nº 530 elevou Passagem do Juazeiro à categoria de vila e para ela transferiu a sede do termo da Boa Vista.

A vila recebeu a denominação de Petrolina em homenagem ao Imperador D. Pedro II, que ocupava, então, o trono do Brasil. Há uma versão segundo a qual o topônimo seria uma dupla homenagem, com a junção do nome do imperador, em sua forma latina (Petrus), ao da imperatriz Tereza Cristina, resultando em Petrolina. Outra versão sugere que o topônimo teria sido derivado de “pedra linda”, expressão dada a uma pedra que havia na margem do rio, ao lado da matriz, e que foi utilizada nas obras de cantaria da catedral de Petrolina, um dos maiores monumentos históricos da cidade. thumb|esquerda|Vista da cidade de Petrolina a partir do município de Juazeiro. Petrolina e Juazeiro estão em lados opostos do Rio São Francisco, que marca a divisa entre Pernambuco e Bahia. thumb|esquerda|Vista da Catedral de Petrolina.

A Lei Provincial nº 601, de 13 de maio de 1864, mudou a denominação da freguesia de Santa Maria Rainha dos Anjos para Senhor Bom Jesus da Igreja Nova e elevou à categoria de matriz a capela sob essa invocação, na povoação do Caboclo. A mesma lei extinguiu a vila de Petrolina e restituiu à povoação da Boa Vista a categoria de vila e sede do termo, abrangendo duas freguesias: Senhor Bom Jesus da Igreja Nova e Santa Maria da Boa Vista. A Lei Provincial nº 758, de 5 de julho de 1867, criou o distrito de Cachoeira do Roberto, integrado a Petrolina. A Lei Provincial nº 921, de 18 de maio de 1870, restaurou e oficializou a vila de Petrolina e para ela transferiu a sede da vila da Boa Vista (art. 1º) e da freguesia de Santa Maria Rainha dos Anjos da Cachoeira do Roberto (art. 2º). A reinstalação da vila ocorreu a 24 de outubro do mesmo ano.Agência CONDEPE/FIDEM, Calendário Oficial de Datas Históricas dos Municípios de Pernambuco. 2006. v. 3

A Lei Provincial nº 1.377, de 8 de abril de 1879, dividiu a comarca da Boa Vista em dois termos: Boa Vista e Petrolina, tendo por limites os mesmos das respectivas freguesias. A Lei Provincial nº 1.444, de 5 de junho de 1879, elevou o termo de Petrolina à categoria de comarca, a qual foi instalada em 1 de outubro de 1881 pelo seu primeiro juiz, Dr. Manoel Barreto Dantas. É classificada como comarca de 2ª entrância. A Lei Municipal nº 2, de 20 de abril de 189, criou os seguintes distritos: Petrolina (sede), Caeira (depois chamado Santa Fé) e Cachoeira do Roberto.

O município foi constituído no dia 26 de abril de 1893, ganhando autonomia legislativa, com base na Constituição Estadual e no art. 2º das disposições gerais da Lei Estadual nº 52 (Lei Orgânica dos Municípios), de 3 de agosto de 1892, promulgada durante o governo de Alexandre José Barbosa Lima. Seu primeiro prefeito eleito foi o tenente-coronel Manoel Francisco de Souza Júnior. A Lei Estadual nº 130, de 3 de julho de 1895, elevou a vila de Petrolina à categoria de cidade, a qual foi solenemente instalada em 21 de setembro de 1895.

Pela Lei Municipal nº 48, de 5 de março de 1900, foi criado em Petrolina o distrito de Caboclo, tendo por sede a povoação do mesmo nome. Em 1919 foram iniciados os trabalhos de construção da Estrada de Ferro Petrolina-Teresina, cujo primeiro trecho de 62 km (Petrolina-Pau Ferro) foi inaugurado em 24 de fevereiro de 1923, juntamente com a estação ferroviária local. Nesse mesmo ano, no dia 14 de maio, começou a funcionar a primeira feira-livre da cidade. A diocese de Petrolina foi instituída por S.S. o papa Pio XI no dia 30 de novembro de 1923, através da bula pontifícia Dominicis Gregis. No dia 9 de dezembro de 1923 foi inaugurado o trecho ferroviário Pau Ferro-Rajada (88 km) da Estrada de Ferro Petrolina-Teresina.

O bispado de Petrolina foi instalado solenemente no dia 15 de agosto de 1924, juntamente com a posse de D. Antônio Maria Malan , primeiro bispo diocesano. Em 2 de fevereiro de 1925 houve o lançamento da pedra fundamental da catedral de Petrolina, a qual foi inaugurada no dia 15 de agosto de 1929 em ato oficiado por D. Miguel de Lima Valverde, arcebispo de Olinda e Recife. Essa igreja, que se chama Sagrado Coração de Jesus, foi construída com pedras retiradas da própria região; possui estilo arquitetônico neogótico e vitrais franceses. thumb|direita|Avenida Cardoso de Sá, no centro da cidade. thumb|direita|Orla II de Petrolina.

A Lei Municipal nº 30, de 22 de abril de 1931, mudou as denominações dos distritos de Santa Fé (ex-Caeira) e Caboclo que passaram a denominar-se Rajada e São João do Afrânio, respectivamente. Em divisão administrativa referente ao ano de 1933 , o município aparece constituído de cinco distritos: Petrolina, Cachoeira do Roberto, Cachoeirinha, Rajada e São João do Afrânio. Pelo Decreto-lei Estadual nº 92, de 31 de março de 1938, o distrito de São João do Afrânio passou a denominar-se Afrânio. No dia 9 de dezembro de 1938, o Decreto-lei Estadual nº 235 extinguiu os distritos de Cachoeira do Roberto e Itumirim, sendo os seus territórios anexados, o do primeiro aos distritos de Afrânio e Rajada, e o do último ao de Petrolina.