Piripiri é um importante município brasileiro do interior do estado do Piauí, localizado na Região Nordeste do Brasil. Conforme o Censo Demográfico de 2022, sua população é de 65.538 habitantes, sendo a 4ª (quarta) cidade mais populosa do Estado do Piauí, e detentora do 8º (oitavo) maior PIB piauiense. Sendo considerada uma cidade média, que figura entre as cinco cidades mais importantes do estado, em um município com expressiva relevância estadual e de grande notoriedade regional, complementa a Região Geográfica Intermediária de Parnaíba e sedia a Região Geográfica Imediata de Piripiri, o que lhe confere o título de cidade polo regional. Neste contexto, tem se fortalecido economicamente, tendo em vista o desenvolvimento municipal em setores e segmentos diversificados, desde serviços básicos, como saúde e educação, ao forte comércio da cidade, que, alinhado ao agronegócio, e ao acentuado crescimento imobiliário, seguido pela construção, impulsionam o PIB do município.

Piripiri já esteve entre as 50 melhores cidades do interior para se viver, elencadas pela revista Exame, estando este fato associado ao seu privilegiado posicionamento geográfico no noroeste do Estado do Piauí e ao nordeste do Estado do Ceará, ocupando o posto de cidade-satélite, assim como o município de Crateús (lado cearense da Serra da Ibiapaba), no Ceará. Além disso, tem potencial para se consolidar como grande polo comercial regional tanto do Piauí como do Ceará, já que ambos os municípios (Piripiri e Crateús) são os dois maiores centros econômicos, culturais, comerciais e populacionais na região da Serra da Ibiapaba (Serra Grande).

O clima de Piripiri é tipicamente tropical, quente e seco, com uma temperatura média de 26,2 graus Celsius e com uma altitude de 170 metros. O acesso rodoviário é feito pela BR-222, que liga o Piauí ao Ceará, Maranhão e Pará; todavia, o município situa-se entre duas grandes capitais da região nordestina, distando 165 km da capital estadual, Teresina (com acesso principal à cidade no entroncamento da rodovia BR-343) e distando 442 km de Fortaleza, capital do Ceará (acesso pela rodovia BR-222). O município também compõe a Área de Proteção Ambiental Serra da Ibiapaba.

A cidade é conhecida em todo o país pelo clube de futebol 4 de Julho Esporte Clube. Por ser a cidade natal do humorista João Cláudio Moreno e por comemorar o aniversário de emancipação política no dia 4 de julho, Dia da Independência dos Estados Unidos, Piripiri também é nacionalmente conhecida por suas alcunhas, como "A Capital Piauiense do Humor", "Cidade dos quatro iís", "Capital da Serra Grande Piauiense", "Terra de Nossa Senhora dos Remédios" e "Capital do Mundo".

Etimologia O município, originalmente, possuía a grafia primitiva Peripery (que pode significar, para alguns, tanto capim-capim ou capinzal quanto, para outros, junco, espécie de arbusto comumente encontrada perto de lagoas), passando a ter a atual denominação por meio de uma resolução do IBGE, de 1944. Piripiri viria, segundo essa hipótese, do tupi antigo periperi.

História A região onde se situa o atual município de Piripiri conta com diversos sítios arqueológicos, os quais demonstram a antiguidade da presença ameríndia no norte do Piauí. Identificados inicialmente em meados dos anos 1990, muitos desses sítios estão localizados em abrigos areníticos ao sul do Açude Caldeirão, sendo recorrentes as figuras de carimbos de mãos, com frequentes sobreposições de cores e de registros policrômicos, ainda que com certo predomínio do vermelho.

Assim, dos 29 sítios arqueológicos até o momento registrados no IPHAN em Piripiri, 27 apresentam painéis com pinturas rupestres. Nos sítios Cadoz Velho III, Cadoz Velho IV, Pedra Ferrada, Caminho da Caiçara II, Tuncas de Pedras e Furna das Tuncas os paredões mostram pinturas com padrões parecidos, sendo relacionados nas pesquisas à Tradição Geométrica. Pinturas associadas a essa tradição, em conjunto com representações mais abstratas de animais, humanos e outros temas atribuídos à Tradição Agreste, também foram identificadas nos sítios Pedra do Atlas, Pedra do Dicionário e Pedra do Cantagalo I. Fragmentos de cerâmica e ferramentas feitas em pedra também foram identificados no sítio Pedra do Cantagalo I, com datações por carbono 14 indicando um período de ocupação entre 1180 +- 30 anos Antes do Presente.

Pinturas associadas somente à Tradição Agreste foram observadas em dois sítios arqueológicos em Piripiri: Pedra da Biblioteca e Furna do Morcego. Já nos sítios Cadoz Velho I e Caminho da Caiçara I, pinturas da Tradição Agreste foram identificadas nos mesmos painéis em que havia pinturas da Tradição Nordeste. Nesses dois sítios estão os únicos exemplares conhecidos dessa tradição no município, geralmente atribuída à grupos humanos de mais de 6.000 anos atrás. No sítio arqueológico Pé do Cosme, por sua vez, gravuras no formato de dois pés humanos foram encontrados em um lajedo de arenito. Pinturas rupestres também foram encontradas em sítios arqueológicos como Pedra do Cantagalo II, Cadoz Velho II, Buriti dos Cavalos IV, Buriti dos Cavalos V, Pedra do Lagarto, Recanto, Sítio dos Carimbos Gigantes, Círculos Concêntricos, Lagartas de Fogo, Movimento em zigue-zagues, O Desespero da Subida, Pequeno Círculo e Zigue-zagues invertidos, mais um indício de que a presença de populações indígenas na região foi intensa nos últimos milênios.

O aumento expressivo no número de sítios arqueológicos registrados em Piripiri nas últimas décadas deve-se, em grande parte, ao avanço da arqueologia preventiva vinculada ao licenciamento ambiental. Desde o ano de 2006, o município tem sido alvo de diversas pesquisas arqueológicas motivadas pela instalação de grandes empreendimentos de infraestrutura, tais como o Gasoduto Meio Norte, linhas de transmissão de energia, complexos de energia solar fotovoltaica e pesquisa mineral, aliando o desenvolvimento econômico da região à identificação e salvaguarda do patrimônio cultural.INTANGÍVEL CONSULTORIA CULTURAL. Avaliação de Impacto ao Patrimônio Arqueológico: Complexo Fotovoltaico (CFV) Nova Vida. Processo IPHAN nº 01402.000444/2024-61. Piripiri-PI, 2025.

Localizado nos municípios vizinhos de Piracuruca e Brasileira, o Parque Nacional de Sete Cidades, também abriga uma grande quantidade de sítios arqueológicos de arte rupestre, provavelmente produzidos entre 6.000 e 2.000 anos atrás. Datações obtidas no sítio arqueológico Seu Bode - localizado no município de Luís Correia – indicam que grupos indígenas conhecedores de técnicas agrícolas e de produção cerâmica teriam chegado à região setentrional do Piauí nos últimos 3.000 anos.

Em período mais recente, fontes escritas portuguesas descrevem o norte da Capitania de São José do Piauí como densamente povoada por grupos indígenas, sendo a região ligada por diversos caminhos aos atuais Maranhão, Bahia, Ceará e Pernambuco. Os Tobajara (também conhecidos como Tabajara) e Potiguara, falantes de um idioma relacionado ao tronco linguístico Tupi-Guarani, habitavam boa parte da região, havendo também relatos da presença dos Tacarijú, Quitaiaú e Ocongá durante o século XVII. Os grupos Tacarijú (também conhecidos como Tacariú), chegarem a se aliar aos franceses em determinado momento, guerreando contra portugueses e seus aliados Tobajara. Outras fontes apontam que, até o início da colonização portuguesa no século XVI, a região também era habitada pelos Tremembés.BUENO, E. Brasil: uma história. 2ª edição. São Paulo. Ática. 2003. p. 19. As fontes escritas coloniais não apresentam muitas informações sobre essas populações ameríndias que primeiro travaram contato com europeus na região, contudo, sendo inclusive comum nos documentos a utilização de um ou mais nomes para descrever o mesmo grupo, ou mesmo o uso de termos que não fariam sentido para a população.

Apesar das guerras contra os colonizadores e do efeito das doenças trazidas do Velho Mundo, os Tabajara ainda habitam o território de Piripiri. Reconhecida e demarcada pelo estado do Piauí em fevereiro de 2022, a Dominial Indígena Tabajara de Piripiri abrange cerca de 155 hectares ao sul da área urbana do município e do Açude Caldeirão.

Além da resistência indígena, o município de Piripiri também abriga populações tradicionais afro-brasileiras. Por meio de ações conjuntas entre o poder público municipal, estadual e o Instituto de Terras do Piauí (INTERPI), foram outorgados territórios quilombolas no município, compreendendo as comunidades Vaquejador, Marinheiro e Sussuarana, além da comunidade Residência, que se encontra em fase de estudo.INSTITUTO DE TERRAS DO PIAUÍ (INTERPI). Relatório de Regularização Fundiária de Territórios Quilombolas: Comunidades Vaquejador, Marinheiro e Sussuarana. Citado em Processo IPHAN nº 01402.000444/2024-61.

De acordo com a história oficial do município, a primeira menção em documentos à localidade ocorreu em favor de Antônio Fernandes Macedo, que teria recebido a concessão dessas terras em 20 de janeiro de 1777. Nesse primeiro momento, a região era conhecida como “terras de Botica”. Em 1844, duas décadas após a independência brasileira portanto, o padre Domingos de Freitas e Silva construiu uma residência e um engenho em sua fazenda chamada Anajás, onde produzia cachaça e rapadura. Embora sem registros anteriores, é possível que a região já fosse habitada – mesmo que de forma esparsa – por sitiantes.

No caso específico do padre Domingos, um ex-combatente das guerras de independência ocorridas no Piauí, é possível que sua decisão em se estabelecer nessas terras de deva à necessidade de refúgio. De todo modo, para além da residência, Domingos também erigiu uma capela em honra à Nossa Senhora dos Remédios, que se tornou a padroeira da localidade e posteriormente do município de Piripiri. Sua fazenda era dedicada tanto à pecuária, atividade econômica quase onipresente em todo o interior piauiense, quanto ao plantio de cana-de-açúcar. Em 1855, Domingos de Freitas e Silva optou por dividir sua propriedade em diversos lotes, distribuindo-os às famílias interessadas em se assentar na localidade.Cidadeverde.com. Disponível em . Acesso em 15 de março de 2017. Em pouco tempo, a antiga fazenda Anajás deu lugar a um pequeno povoado. Em virtude disso, data de 1857 a fundação da primeira escola, estando o próprio padre Domingos encarregado de lecionar as primeiras letras e latim às crianças.

Em 1860, um novo passo para a oficialização do povoamento ocorreu: a doação de 300 braças quadradas à capela dedicada à Nossa Senhora dos Remédios, ação também realizada pelo padre Domingos de Freitas e Silva. Nesse mesmo ano, Piripiri teria se tornado distrito de paz. Dez anos depois, o distrito foi elevado à condição de freguesia de Nossa Senhora dos Remédios. Em 1874, por força da Resolução Provincial n° 849, de 16 de junho daquele ano, foi criada a vila de Piripiri. O território designado ao município foi desmembrado dos municípios de Pedro II, Campo Maior e Piracuruca, tendo como sede a vila de Piripiri. O nome original da vila era “Peripery”, grafia modificada somente em 1944, após resolução do IBGE. Ruínas e outros vestígos materiais dessas primeiras habitações rurais da vila de Piripiri também podem ser encontrados nos sítios arqueológicos Angical dos Pedros e Furnas, ambos registrados no IPHAN.

Em 1884, foi fundada a primeira igreja matriz da cidade. Setenta anos depois, em 1954, foi construído o convento e a atual igreja matriz de Piripiri pelos frades franciscanos. A primeira década do século XX também foi bastante significativa para o processo histórico de formação de Piripiri. Em 1908, foi fundado o Instituto Arcoverde pelo padre Antônio Bezerra de Meneses, educandário de grande importância na história do município. Já em 1910, foi inaugurado o Palacete do Conselho da Vila, bem como oficializada a promoção da vila de Piripiri ao status de cidade. Em 1987, foi fundado o Museu de Piripiri.