A Linha do Norte é uma ligação ferroviária entre Lisboa e Porto, sendo considerada a mais importante de Portugal. Tem um comprimento de 336 km, das estações de Lisboa-Santa Apolónia a Porto-Campanhã, que ficam distantes 274 km entre si em linha reta. A linha é em via dupla, exceto 15 km de via quádrupla à saída de Lisboa, entre as estações de Lisboa-Oriente e Alverca, e está totalmente electrificada.
A Linha do Norte serve a região mais populosa de Portugal: cerca de 6,7 milhões de pessoas, 63% da população de Portugal, vive a menos de 35 km em linha reta duma estação principal (servida por comboios intercidades).População, dada pelo censo de 2011 do Instituto Nacional de Estatística, dos municípios com sede e mais de metade do território a menos de 35 km duma estação principal. A linha serve também populações de outras regiões, pois constitui a espinha dorsal da rede ferroviária portuguesa, ligando as linhas a sul de Lisboa às linhas a norte do Porto e estas às Linhas da Beira Baixa e Beira Alta.
Em 2023 os comboios mais rápidos, do serviço Alfa Pendular ligam Lisboa-Santa Apolónia a Porto-Campanhã em duas horas e 58 minutos, com paragens em Lisboa-Oriente, Coimbra-B, Aveiro e Vila Nova de Gaia. Os comboios do serviço Intercidades, que param em onze estações intermédias, levam três horas e vinte e dois minutos. Cerca de dezoito comboios Alfa Pendular e Intercidades em cada sentido ligam diariamente Lisboa e Porto. A linha é ainda usada por comboios de mercadorias, regionais e suburbanos de Lisboa e Porto. No total, em cada dia útil a Linha do Norte é usada por cerca de 720 comboios (mercadorias e passageiros).
História
As obras para a construção da ligação ferroviária entre Lisboa ao Porto e à fronteira iniciaram-se em 17 de Setembro de 1853,TORRES, 1958:10 tendo o primeiro troço, até ao Carregado, sido aberto à exploração em 29 de Outubro de 1856.VIEGAS, 1988:61 A Linha do Norte foi concluída com a inauguração da Ponte de D. Maria Pia, no dia 5 de Novembro de 1877.TORRES, 1925:12 Em 24 de Junho de 1991, entrou ao serviço a Ponte de São João,REIS et al, 2006:189 e, em 1998, a Gare do Oriente, em Lisboa.TAVARES e ESTEVES, 2000:111-114
Fases da Construção Entre as EstaçõesExtensãoInauguraçãoLisboa – Carregado36,5 km 28 de Outubro de 1856Carregado – Virtudes14,5 km31 de Julho de 1857Virtudes – Santana-Cartaxo23,8 km28 de Abril de 1858Santana-Cartaxo – Ponte Ferroviária de Asseca8,2 km29 de Junho de 1858Ponte de Asseca – Santarém5,9 km1 de Julho de 1861Santarém – Entroncamento31,9 km7 de Novembro de 1862Entroncamento – Soure79,0 km22 de Maio de 1864Soure – Taveiro25,8 km7 de Julho de 1864Taveiro – Estarreja76,3 km10 de Abril de 1864Estarreja – Vila Nova de Gaia44,8 km8 de Julho de 1863Vila Nova de Gaia – Porto-Campanhã (Ponte de Maria Pia)3,8 km5 de Novembro de 1877
Caracterização + Resumo de Velocidades PermitidasNota: a Tabela de velocidade não incluiu os afrouxamentos existentes em determinadas zonas pontuais.Troço vel. máx. perm. / km/hde a AP ICPorto Gaia 120Gaia 80Gaia Válega 160-120Válega Aveiro 220-170 200-160Aveiro 160 160Aveiro Pampilhosa 220190-200Pampilhosa 60PampilhosaCoimbra160-140140-120Coimbra 50Coimbra Alfarelos 160-140 140-120Alfarelos Pombal 200-140 160-110Pombal Entroncamento 180-140 160-140Entroncamento 100Entroncamento V.Santarém 160-120 140-120V.Santarém C. Ribatejo 220-140 200-140C. Ribatejo Alverca 140Alverca Moscavide 200 (vias rápidas) 160 (vias lentas)180 (vias rápidas) 160 (vias lentas)Moscavide L.Oriente 160L.Oriente Lisboa-S.A. 100
Descrição A Linha do Norte é a espinha dorsal do sistema ferroviário português. Esta importante via férrea, com 336,050 quilómetros de extensão, é a mais modernizada do País em infraestruturas e material circulante, e a sua construção contribuiu enormemente para o desenvolvimento das povoações por ela abrangidas.Os Comboios em Portugal, em: José Ribeiro da Silva e Manuel Ribeiro (2008)
Saindo de Lisboa pela zona mais oriental da cidade, a partir da mais antiga estação do país, a Estação de Santa Apolónia, e passando logo depois pela principal estação ferroviária de Lisboa e do país, a Estação do Oriente, segue sempre junto ao Tejo, na direcção nordeste, atravessando e servindo localidades densamente urbanizadas da região da Grande Lisboa, tais como Sacavém, Bobadela, Alverca e Vila Franca de Xira. De seguida, seguindo ainda na direcção nordeste, entra pelas belas paisagens das lezírias ribatejanas, atravessando e servindo localidades como Azambuja, Cartaxo, Santarém e Torres Novas. Pouco depois, na interface do Entroncamento, dá ligação à Linha da Beira Baixa que, liga a Abrantes, Castelo Branco e Covilhã e, também dá ligação ao Ramal de Tomar, que, termina no centro da mesma cidade. No Entroncamento, vira de nordeste para norte, de onde entra num percurso rural e montanhoso, mas bonito de se ver, até à zona de Coimbra, passando por localidades como Caxarias, Ourém e Pombal. Serve Coimbra com uma estação situada perto do centro da cidade, a estação de Coimbra-B, da qual é possível fazer transbordo para um ramal de 2 km onde circulam regularmente comboios regionais e urbanos até à estação de Coimbra, que dá acesso directamente ao centro da cidade. De seguida, mais para norte, entra numa zona que é um misto de rural e indústria. Passa junto a parques industriais como Souselas, Pampilhosa (onde liga com a Linha da Beira Alta, dando acesso a localidades como Santa Comba Dão, Nelas, Celorico da Beira, Guarda, entre outras, e consequentemente a Espanha e à Europa), Aveiro e Ovar. Entre Ovar e Vila Nova de Gaia, segue junto ao mar, apenas interrompida em Espinho, cuja nova estação é subterrânea. No concelho de Vila Nova de Gaia atravessa de novo uma zona densamente urbanizada, já no Grande Porto. A entrada na cidade invicta é feita pela Ponte de São João, em que durante a travessia, se pode vislumbrar a panorâmica bela que é a zona histórica do Porto. O seu extremo norte é na estação de Campanhã, de onde segue para a Linha do Minho.
Obras de arte principais thumb|left|Ponte D. Maria Pia Ponte D. Maria Pia
Ponte de São João
Estações e apeadeiros
Referências literárias No romance Emigrantes, de Ferreira de Castro, o autor descreveu a chegada do personagem principal a Lisboa, vindo de navio, e a sua viagem de comboio do Rossio até Espinho:
Ver também História do transporte ferroviário em Portugal Transporte ferroviário em Portugal
Bibliografia
Leitura recomendada
Ligações externas