Ortigueira é um município brasileiro localizado na região central do estado do Paraná, a 256 km da capital paranaense, Curitiba. Em 15 de novembro de 1951, através da Lei Estadual n° 790, foi criado o município, sendo emancipado de Tibagi e instalado em 14 de dezembro de 1952. O município possui uma área territorial de 2429,564 km² sendo considerado o quarto maior município em área territorial do estado, com uma população estimada em habitantes (IBGE/2019).
Etimologia De origem geográfica, constituindo em referência a Serra da Ortigueira. Esta denominação substituiu a de Queimadas, que não pode ser mantida por haver município com o mesmo nome no Estado da Bahia. A origem do nome de Ortigueira se dá pela existência em grande quantidade, na região, de plantas conhecidas pelo nome de 'urtiga', as quais tem as folhas cobertas de pelos finos, que, em contato com a pele, podem produzir um ardor irritante.
História
O atual território de Ortigueira pertenceu ao extinto território da República do Guairá. Portanto, na década de 1620 os jesuítas espanhóis fundaram mais de onze reduções no Guayrá, entre elas Nuestra Señora de la Encarnación, no vale do rio Tibagi, na atual localidade de Natingui. Logo, a partir de 1627, começaram os ataques bandeirantes em busca de indígenas fora das reduções e os indígenas sobreviventes nas reduções restantes (Loreto e San Ignacio Mini), no final de 1631, protagonizaram o Êxodo Guairenho, afastando muitos nativos da região.
A primeira denominação que se deu ao atual município de Ortigueira foi Queimadas. Tudo começou com Adolpho Alves de Souza, Domiciano Cordeiro dos Santos e Marcílio Rodrigues de Almeira no início do século XX. Os três sertanejos procediam da região denominada Socavão, no município de Castro e procuravam um lugar para se estabelecerem. Em busca de solo fértil e farto, partiram sem destino definido rumo a Serra de Ortigueira, então município de Tibagi, e em mente tinham a esperança de encontrarem o local ideal para dar guarida às suas famílias.
Os forasteiros passaram por Castro, Tibagi e depois entraram no sertão desconhecido, em região serrana da margem esquerda do rio Tibagi. Instalaram-se num outeiro chamado Monjolinho e ali formaram um pequeno povoado. Nesta época as cercanias eram habitadas por tribos indígenas, senhores da região desde tempos imemoriais. Quando chegaram em um rio a que denominaram Formigas, os desbravadores se depararam com espesso taquaral, que lhes dificultava o acesso. Não titubearam e atearam fogo no tabocal, que seco, disse chamas numa área de aproximadamente 300 alqueires de terras. Quando a queimada assentou cinzas, os desbravadores ali se estabeleceram e no dia 1º de setembro de 1905 deitaram as primeiras sementes de feijão no chão de terra fofa. O resultado da colheita foi espetacular, a fertilidade do solo era de longe, muito melhor que a esperada. Este fato, aliada à exuberância da paisagem, motivou nossos pioneiros a permanecerem ali.
Não demorou muito e o trio pioneiro disseminou aos quatro cantos os predicados do lugar. Logo outras famílias vieram se juntar a eles. Nasce então a Vila de Queimadas e a procura do lugar continuou. Isidoro da Rocha Pinto se torna o primeiro professor da povoação. Em 9 de abril de 1916 chega Manuel Teixeira Guimarães, que não tardou a se casar com a moça do lugar; em seguida foi a vez de Salvador Donato se estabelecer, dando grande impulso ao progresso de Queimadas. thumb|200px|esquerda|Pioneiros com carro automotivo em Lajeado Bonito. Em 9 de abril de 1921 Queimadas é elevada à categoria de Distrito Judiciário no município de Tibagi. Nesta ocasião foi empossado como Sub-Delegado de polícia Francisco Barboza de Macedo e o primeiro Juiz de Paz foi Salvador Donato. O Cartório de Paz foi instalado em 9 de novembro de 1921, sendo primeiro Escrivão Tabelião o sr. Manuel Teixeira Guimarães.
Por volta de 1920 foi criada pela comunidade ucraniana a Colônia Caetê, a oeste da sede municipal. Já ao sul da sede, foi formada a partir de 1932 a Colônia Augusta Vitória, com descendentes de alemães que vieram tanto de regiões do Paraná como de Santa Catarina. O governo alemão, por meio do seu cônsul no Paraná, esteve diretamente envolvido na criação da colônia, incentivando a vinda de colonos devido a fatores políticos que ocorriam na Alemanha.
Em 15 de novembro de 1951, pela Lei Estadual nº 790, sancionada pelo governador Bento Munhoz da Rocha Netto, foi criado o município, com denominação alterada para Ortigueira, justa homenagem a Serra da Ortigueira e a Ortigueira na Espanha de onde saíram navegantes e desbravadores que denominaram a serra em homenagem a sua cidade natal em país distante. A instalação se deu em 14 de dezembro de 1952, sendo primeiro prefeito municipal Francisco Sady de Brito.
Geografia
O município de Ortigueira está localizado na região central do Paraná e pertence a região dos Campos Gerais, sob a latitude 24°12'18"S e longitude 50°56'56"O. Sua sede municipal encontra-se a 760m de altitude, podendo chegar em bairros mais distantes a mais de 800m. O município limita-se ao norte com os municípios de Tamarana, São Jerônimo da Serra e Sapopema; ao sul com os municípios de Reserva, Imbaú e Telêmaco Borba; a leste com o município de Curiúva e a oeste com os municípios de Faxinal, Rosário do Ivaí e Mauá da Serra.
Devido à sua localização (ao sul do Trópico de Capricórnio), no município de Ortigueira o clima subtropical é predominante. No verão, a instabilidade climática ocasionada pela atuação conjunta do calor e da umidade proporcionam tardes quentes, com termômetros registrando valores superiores aos 30°C, e significativa concentração de nuvens de chuva. O outono e a primavera são caracterizadas por estações de transição entre o calor do verão e o clima frio e seco do inverno; nesta época a temperatura é amena, entre 13-24°C. Já o inverno possui o frio intenso da madrugada, com céu claro, e o brilho singelo do sol nas tardes secas. Durante este período a umidade do ar é relativamente mais baixa do que em outras estações do ano; também as temperaturas ficam na casa dos 6-17°C.
O município possui cinco distritos: Lajeado Bonito, Natingui, Monjolinho, Barreiro e Sede. Além de outras localidades rurais, sendo que algumas até possuem aglomerados urbanos, como: Águas das Pedras, Assentamento Fazenda Brasileira, Bairro dos Franças, Bairro do Basílio, Banhadão, Briolândia, Caetêzinho, Campina dos Pupos, Colônia Augusta Vitória, Espigão Bonito, Faxinal dos Machados, Lajeado Seco, Libertação Camponesa, Palmital, Sapé, Serra dos Mulatos, Vista Alegre.
Em relação aos bairros e vilas da área urbana da sede, Ortigueira conta com: Centro, Conjunto Santa Cecília, Jardim Kovalesk, Jardim Maricel, Jardim Santo Antonio, Jardim Claudia, Jardim Santa Terezinha, Jardim Alvorada, Vila Andradina, Vila da Torre, Vila Diniz, Vila do Rego, Vila Guarapuava, Vila Godoy, Jardim Limeira, Vila Nova, Vila Operaria, Vila Gomes, Gomes 1, Gomes 2, Sales. O município possui ainda duas reservas indígenas no território: Mococa (848 ha.) com 165 habitantes e Queimadas (3.081 ha.) com 980 remanescentes dos índios Caingangues.
Formação geológica O município está localizado no segundo planalto paranaense, em uma área de transição para o terceiro planalto, região conhecida como Serra do Cadeado. As serras de Ortigueira são consideradas uma das áreas com a vegetação mais conservada do estado, em virtude do relevo acidentado, que dificultou o uso e ocupação do solo para culturas e criações.. Seu território compreende sobre a estrutura geológica denominada arco de Ponta Grossa. Essa região é composta de inúmeros diques de rochas ígneas básicas.
No município predominam as rochas das formações geológicas Teresina e Rio do Rasto (mais de 60% do território), situadas a noroeste da sede municipal, ocorrendo ainda as formações Serra Alta, Irati, Palermo, Rio Bonito e Itararé a sudeste da sede municipal, todas elas alinhadas em faixa de afloramento de direção nordeste.
A Serra do Cadeado representa uma sucessão de rochas que abrange desde o Permiano até o Cretáceo. Esta região possui um rico registro paleontológico, composto de plantas, moluscos, principalmente bivalves, ostrácodes e raros insetos, além de uma fauna significativa de tetrápodes aquáticos, sendo o principal o dicinodonte Endothiodon;
Já foram encontrados no município fósseis raros, como uma floresta de licófitas de aproximadamente 290 milhões de anos, fossilizadas e bem preservadas em rochas localizadas às margens da rodovia PR-340. Em Ortigueira, foram identificadas, pelo menos, 165 indivíduos dessas árvores verticalizadas, com raízes ainda fixadas no substrato. De acordo com geólogos que pesquisaram a região, só há registros similares no Rio Grande do Sul e na Patagônia, Argentina.
Hidrografia thumb|200px|Vista do rio Barra Grande, em Ortigueira. O município é banhado pelo rio Tibagi ao leste de sua extensão, sendo o principal curso d'água da região, pertencendo à bacia deste. Outros rios que cortam Ortigueira são o rio do Peixe, com 20 quilômetros e o rio do Burro com 15 quilômetros, além do Apucarana, Barra Grande, Imbauzinho e Rosário.
Demografia
No ano de 2000, Ortigueira apresentou 0,6205 de Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M), o pior do Paraná.
Dados do Censo - 2010 População total: 23.380 Urbana: 7.529 Rural: 10.424 Homens: 9.385 Mulheres: 8.568
Índice Firjan de Desenvolvimento Municipal (IFDM-2009) 0,6243 IFDM-Emprego e Renda: 0,3664 IFDM-Saúde: 0,8354 IFDM-Educação: 0,671
Composição étnica EtniasBranca74,09%Parda20,65%Preta2,19%Amarela0,36%Indígena2,72%FonteIBGE - Censo Demográfico Em 2010, segundo dados do censo do IBGE daquele ano, a população residente no município era composta por brancos (74,09%); pardos (20,65%); pretos (2,19%); amarelos (0,36%); indígenas (2,72%) declarados.
Religião Ortigueira apresenta vários seguimentos religiosos, essencialmente cristã. A maior comunidade cristã é a Católica Apostólica Romana. Em 1916, Manoel Teixeira de Guimarães trouxe, do Rio de Janeiro, uma imagem de São Sebastião, do qual era devoto. Em 1918, foi construída a primeira capela do município. Em abril de 1969 foi construída a Paróquia São Sebastião, atual Igreja Matriz, confiada à congregação dos Padres Cavanis no Brasil, sendo que a construção do salão paroquial data dos anos de 1970, de responsabilidade do construtor Arthur Zanon. A paróquia possui uma estátua de São Sebastião, considerado padroeiro de Ortigueira, com dois metros de altura e um pedestal de 2,70 metros.
O Censo de 2022 o IBGE divulgou informações dos percentuais, sendo que no município haviam 58,76% de católicos apostólicos romanos; 33,47% de evangélicos; 0,5% de espíritas; 0,05% de umbandistas/candomblecistas; 0,01% de tradições indígenas declarados; 1,76% de outras religiosidades; 5,56% sem religião; 0,09% não sabiam e 0,16% não declararam.
Infraestrutura
Transportes Rodoviário A principal rodovia que corta o município de Ortigueira é a Rodovia do Café, parte associada da BR-376, que liga Curitiba ao Norte do Paraná (Apucarana). Outra rodovia estadual é a PR-340, trecho entre Ortigueira e Telêmaco Borba (Rodovia Wilson Bueno de Camargo).
Ferroviário O município é cortado pela Estrada de Ferro Central do Paraná, administrada pela Rumo Logística, que liga Apucarana a Ponta Grossa. Há também um ramal ferroviário de 23,5 km, que entrou em operação em 2016, dando acesso ao terminal de cargas e exportação da Klabin, na localidade Campina dos Pupos. A ferrovia foi inaugurada em 1975 e integra a rede ferroviária do Paraná, que tem como principal destino o Porto de Paranaguá.
Educação O município de Ortigueira consta com 33 estabelecimentos de educação, sendo 18 municipais, 13 estaduais e dois particulares. A prefeitura responde pela educação em âmbito municipal, cuja implementação das políticas educacionais é de competência da Secretaria Municipal de Educação.