Piraí do Sul é um município brasileiro no interior do estado do Paraná, Região Sul do país. Localiza-se nos Campos Gerais do Paraná, estando situado a cerca de a norte da capital estadual. Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.
A sede tem uma temperatura média anual de e na vegetação original do município predomina a Mata Atlântica em alternância com o Cerrado. Com 69% da população vivendo na zona urbana, Piraí do Sul contava, em 2009, com 12 estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,708, classificado como alto em relação à média nacional. A agropecuária e a prestação de serviços configuram-se como as principais fontes no município, que é um dos maiores produtores de frango do Brasil.
A região, ocupada originalmente pelos povos caingangues, foi desbravada primeiramente no século XVII por tropeiros que levavam tropas e gado dos pampas gaúchos à feira de Sorocaba, na Capitania de São Paulo, através do Caminho de Sorocaba. Alguns viajantes e outros forasteiros se apossaram de terras na localidade, às margens do rio Piraí, que servia como ponto de descanso, levando à formação do Bairro da Lança. Dado o desenvolvimento, em 1872 foi criada a Freguesia de Pirahy, subordinada a Castro, do qual se desmembrou em 1881.
Piraí do Sul é conhecida pelo título de Nossa Senhora das Brotas atribuído à cidade e difundido por meio de uma imagem da representação, trazida por São Frei Galvão no século XIX, que foi perdida e encontrada intacta após um incêndio. No local do encontro, foi erguido o Santuário de Nossa Senhora das Brotas, onde ocorre anualmente a festa da padroeira municipal, que atrai milhares de visitantes em suas edições. O teatro, o artesanato, as manifestações tradicionais populares e outros eventos festivos, tais como o Abril Fest e a festa do Senhor Menino Deus, que ocorre na Igreja Matriz da cidade, também estão entre as principais manifestações culturais.
História
Até o século XVII, a região era habitada pelos povos caingangues. A partir desse século, a região começou a ser desbravada pelos descendentes de europeus. Tropeiros cortavam periodicamente a localidade, através do histórico Caminho de Sorocaba, levando tropas e gado à feira de Sorocaba, na Capitania de São Paulo, trazidos de Viamão, nos pampas gaúchos. Sorocaba era a principal praça para comercialização de gado e tropas em todo o Brasil Colônia. Ao longo do trajeto, muitos pousos de tropeiros e currais de gado surgiram, sendo estes de suma importância, pois eram necessários para o descanso dos viajantes e para a alimentação dos animais, que se fartavam no capim vicejante e natural dos Campos Gerais. Muitos destes pousos se transformaram em vilas e cidades, a exemplo de Rio Negro, Lapa, Campo Largo, Ponta Grossa, Castro e Piraí do Sul.
A primeira denominação do atual município de Piraí do Sul foi Bairro da Lança. O início do povoamento de origem europeia deu-se em princípios do século XVII, numa área de terras localizada no Vale do Rio Piraí e pertencente ao padre Lucas Rodrigues França, filho do capitão-governador João Rodrigues França e fundador de arraiais de mineração e dono da sesmaria que deu origem a Piraquara. Alguns anos depois, estabeleceram-se Manoel da Costa Ferreira e Ana Mendes Tenória, no que foram seguidos por outras famílias. Em meados do século XVIII, os moradores dos bairros do Piraí, Lança, Fundão e cercanias movimentaram-se para construírem uma capela.
A pequena igreja foi levantada no local denominado Campo Comprido, sob a invocação de Nossa Senhora de Santa Ana, em terreno dado pelo casal Manoel da Costa Ferreira, que ainda cedeu trinta novilhas e quatro touros, para término da construção. Os paramentos e a imagem da santa foram comprados por Manoel da Costa, que veio a falecer quando dedicava seus últimos dias à execução da obra que idealizara juntamente com sua esposa, na satisfação de seu desejo religioso de criar uma nova freguesia na povoação de Piraí. Pouco tempo depois, faleceu Ana Tenória. Mortos os protetores e fundadores da Capela de Sant'Ana do Piraí, em pouco tempo, quase tudo ficou em ruínas, graças ao involuntário abandono. Em 1765, o vigário Manoel Francisco Vilela, visitador ordinário da Paróquia de Santos, em viagem à região constatou a situação, reuniu os paramentos e as sobras de imagens e as transportou para Curitiba, até que a capela do Piraí fosse reconstruída.
Em meados do século XIX, os moradores do Bairro da Lança ergueram uma nova capela, na qual entronizaram a imagem do Senhor Menino Deus, e ao redor do templo efetivou-se a povoação. A Igreja Matriz de Piraí do Sul foi inaugurada em fevereiro de 1859, sob a benção de frei Mathias de Gênova, após cerca de 10 anos de construção.Hussmann, p. 19-20 Dado o desenvolvimento da localidade, em 12 de abril de 1872, através da lei provincial nº 329, o povoado de Lança eleva-se à categoria de freguesia, denominada Pirahy, sob a invocação do Menino Deus e com território pertencente ao município de Castro, desmembrando-se pela lei provincial nº 631, de 5 de março de 1881, ao ser elevado à condição de vila. A instalação solene ocorreu em 24 de julho de 1882, ocasião em que foram empossados os primeiros camaristas de Piraí. Sua fundação, no entanto, foi consolidada em 23 de abril de 1946, data da instalação da Comarca.
O decreto-lei nº 199, de 30 de dezembro de 1943, alterou a denominação para Piraí-Mirim, passando a denominar-se Piraí do Sul pela lei estadual nº 2, de 11 de outubro de 1947. O nome "Piraí" é uma referência ao rio Piraí, que banha o município. O termo provém da língua tupi e significa "rio dos peixes", através da junção de pirá (peixe) e 'y (rio). A expressão "do Sul" foi acrescentada para diferenciar o município do município de Piraí, no estado do Rio de Janeiro.NAVARRO, E. A. Método moderno de tupi antigo: a língua do Brasil dos primeiros séculos. 3ª edição. São Paulo. Global. Ática. 2005. p. 42.
Geografia thumb|esquerda|Vista da Floresta Nacional de Piraí do Sul A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constituem a zona urbana. Situa-se a 24°31'34" de latitude sul e 49°56'55" de longitude oeste e está a uma distância de 176 quilômetros a norte da capital paranaense. Faz limites com os municípios de Arapoti, a norte; Ventania, a oeste; Tibagi, a oeste e sudoeste; Castro, a sul; Doutor Ulysses, a leste e sudeste; e Jaguariaíva, a leste e nordeste.
De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Ponta Grossa. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Jaguariaíva, que por sua vez estava incluída na mesorregião do Centro Oriental Paranaense.
Relevo, hidrografia e meio ambiente O município de Piraí do Sul faz parte do primeiro planalto paranaense, também conhecido como planalto de Curitiba, onde o relevo é predominantemente ondulado e a altitude média varia de 850 a metros acima do nível do mar.. A altitude média da sede é de metros, sendo então a oitava sede com a maior elevação do estado, e a idade geológica do solo predominante pertence a período Ordoviciano.
A vegetação predominante é a Mata Atlântica em alternância do Cerrado, sendo que as reservas remanescentes do domínio florestal atlântico ocupavam hectares em 2011, ou 16,2% da área total municipal. O município também abriga a Floresta Nacional de Piraí do Sul, com o objetivo principal de assegurar a preservação da Araucária, árvore que está ameaçada de extinção. Os principais cursos hidrográficos que cortam o território municipal são os rios Piraizinho e Piraí.Prefeitura Municipal de Piraí do Sul. Plano de uso e ocupação do solo urbano, De Luca Indústria Gráfica Ltda. p. 16.
Clima Maiores acumulados de chuva em 24 horas registrados em Piraí do Sul por meses (Estação Piraí do Sul, 1973–2019) Mês Acumulado Data Mês Acumulado Data Janeiro 12/01/1995 Julho 11/07/2009 Fevereiro 18/02/2001 Agosto 26/08/1973 Março 24/03/1974 Setembro 08/09/2015 Abril 27/04/2012 Outubro 12/10/1992 Maio 20/05/1983 Novembro 12/11/2001 Junho 12/06/2000 Dezembro 30/12/1989 Fonte: Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O clima piraiense é caracterizado, segundo o IBGE, como subtropical mesotérmico brando superúmido (tipo Cfb segundo Köppen), tendo chuvas bem distribuídas durante o ano e temperatura média anual de com invernos frios e verões amenos. O mês mais quente, janeiro, tem temperatura média de , sendo a média máxima de e a mínima de . E o mês mais frio, junho, de , sendo e as médias máxima e mínima, respectivamente. Outono e primavera são estações de transição.
A precipitação média anual é de mm, sendo agosto o mês mais seco, quando ocorrem . Em janeiro, o mês mais chuvoso, a média fica em . Nos dias mais frios do ano são observados episódios de geada e em 23 de julho de 2013, foi registrada queda de neve na cidade, devido à passagem de uma forte onda de frio.
De acordo com o Instituto Água e Terra, com dados coletados na estação pluviométrica Piraí do Sul de 1973 a 2019, o maior acumulado de chuva registrado em 24 horas foi de no dia 12 de outubro de 1992. Outros grandes acumulados foram de em 12 de janeiro de 1995, em 20 de maio de 1983 e em 8 de setembro de 2015. Contudo, na estação Jararaca-Santo André, que esteve em operação de 1975 a 1999, o acumulado atingiu em 30 de dezembro de 1989. Nesta mesma data, a estação Capinzal (1975–2019) também aferiu seu recorde, de . Tempestades de granizo não são frequentes, mas uma das maiores e mais recentes ocorreu no dia 6 de outubro de 2011, destelhando várias casas e estabelecimentos e danificando plantações e criações tanto na zona urbana quanto no perímetro rural.
Demografia
Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens e habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e na zona rural. Da população total, habitantes (26,02%) tinham menos de 15 anos de idade, habitantes (65,82%) tinham de 15 a 64 anos e pessoas (8,16%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 73,9 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 2,6.
Em 2010, a população piraiense era composta por brancos (79,92%), 492 negros (2,10%), 154 amarelos (0,66%), pardos (17,28%) e dez indígenas (0,04%). Considerando-se a região de nascimento, eram nascidos no Sul (97,05%), 13 na Região Norte (0,06%), 97 no Nordeste (0,41%), 37 no Centro-Oeste (0,16%) e 496 no Sudeste (2,12%). habitantes eram naturais do estado do Paraná (95,88%) e, desse total, eram nascidos em Piraí do Sul (72,18%). Entre os 942 naturais de outras unidades da federação, São Paulo era o estado com maior presença, com 386 pessoas (1,65%), seguido pelo Rio Grande do Sul, com 131 residentes (0,56%), e por Santa Catarina, com 120 habitantes residentes no município (0,51%).